sexta-feira, 26 de abril de 2013

Concurso Historiador


Concurso Historiador UFSCAR (2012)
Conhecimentos Específicos

11. O Brasil é um povo que se constituiu numa nação, que por sua vez se organizou como Estado. Em 1500 não havia nenhuma dessas três coisas. Logo, não houve Descobrimento do Brasil, porque o Brasil não existia nem estava encoberto. O que naquele momento surgiram foram as bases da colonização portuguesa, a qual, por sua vez, é a base da nossa formação.
A história do Brasil é essencialmente a de uma colônia que se transformou numa nação.
(Trecho de entrevista com o historiador Fernando Novais. In: www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500, 24.04.2000)

No fragmento, o historiador discute aspecto importante que fundamenta a análise do fato destacado, que é o
(A) arcadismo.
(B) patriarcalismo.
(C) estruturalismo.
(D) anacronismo.
(E) dialogismo.



resposta: [D]

De acordo com Fernando Novais, em 1500 não havia o povo brasileiro, nem a nação brasileira e muito menos o Estado brasileiro e, além disso, Brasil estava não encoberto, portanto é errôneo o termo descobrimento. Esse tipo de erro é conhecido como anacronismo, que consiste em utilizar os conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Em outras palavras, o anacronismo é uma forma equivocada onde tentamos avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não pertencem a esse mesmo tempo histórico. Por mais que isso pareça um erro banal ou facilmente perceptível, devemos estar atentos sobre como o anacronismo interfere no nosso estudo da História. 




12. Observe a imagem.
Primeira missa no Brasil – óleo sobre tela de Victor Meirelles, 1860
(www.dezenovevinte.net/obras/vm_missa.htm)

Tendo como referencial as concepções de História que consideram as imagens como documentos históricos, está correto afirmar que a pintura de Victor Meirelles
I. apresenta elementos que comprovam a realidade do acontecimento, do modo mais fidedigno possível;
II. traz informações sobre o contexto da época em que a pintura foi produzida;
III. revela uma interpretação acerca do fato retratado;
IV. torna desnecessária a utilização de fontes documentais escritas.

Está correto o que se afirma em
(A) III, apenas.
(B) I e IV, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I, II e IV, apenas.
(E) I, II, III e IV.




resposta:[C]

As imagens constituem documentos históricos, são as chamadas fontes iconográficas. No caso da pintura de Victor Meirelles, “A primeira missa no Brasil”, apesar de ser uma representação idealizada do que foi o encontro entre os tripulantes da Nau Capitânia que trouxe os portugueses ao Brasil e os povos indígenas do litoral baiano, baseada nas características do Romantismo, ela serve como importante documento histórico e pode ser utilizada, desde que comparada com outras fontes documentais, como por exemplo, a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral.



13. Um capuchinho italiano, o padre José Bolonha, no Tribunal da Reconciliação recusava-se a absolver penitentes sem que eles lhe prometessem averiguar se seus escravos haviam sido tomados em guerra justa ou não. Estava persuadido, para espanto de uns e desagrado de todos, de que a escravidão era ilegítima e contrária à religião.
(Emilia Viotti da Costa. Da Monarquia à República)

Considerando o texto, a absolvição para o clérigo citado, dentre outras possibilidades, estava condicionada ao fato de os escravos serem
(A) indígenas que já haviam sido catequizados pelos jesuítas.
(B) indígenas que se recusaram à conversão pacífica ao cristianismo.
(C) africanos de origem, cujo traficante já havia pagado o dízimo.
(D) nascidos e batizados na colônia e que não fossem adeptos às religiões africanas.
(E) negros fugitivos ou que rejeitaram declaradamente o batismo na Igreja católica.




resposta:[B]
Os padres da Companhia de Jesus estavam comprometidos com a conversão dos indígenas na América Portuguesa, portanto, eram contrários à escravização dos índios. Não obstante, havia a permissão para a guerra justa, ocasionada pela não aceitação da catequização, pela não colaboração diante do avanço da colonização ou mediante a prática de atos intolerados pelas autoridades da Coroa portuguesa, tais como roubos, assassinatos de brancos, ou a prática da antropofagia.



14. Por sua vez, Caio Prado Jr., em sua obra clássica, Formação do Brasil Contemporâneo, via o recurso ao trabalho africano como uma “exigência” da colonização europeia nos trópicos ao lado da grande propriedade monocultural; o trabalho forçado e, por conseguinte, o tráfico enquadravam-se ao sentido da colonização. Aprofundando a análise de Caio Prado Jr., Fernando Novais relacionou a escravidão e o tráfico de escravos ao processo de acumulação primitiva de capitais na Europa. O tráfico de africanos controlado pelo capital mercantil metropolitano era, ao lado do exclusivo, um dos elementos fundamentais da acumulação exógena, já que garantia a transferência para a Metrópole do excedente econômico produzido pelo braço cativo na América.
(Gustavo Acioli e Maximiliano M. Menz. Hierarquias continentais e economia mundo. In: www.gpepsm.ufsc.br)

O fragmento discute as razões para
(A) a substituição do escravo indígena pelo africano.
(B) o fracasso da política mercantilista no Brasil colonial.
(C) a proibição do tráfico negreiro pela Inglaterra.
(D) o avanço da liberalização econômica na colônia.
(E) a antecipação dos movimentos abolicionistas no Brasil.



resposta:[A]
Temos no enunciado da questão alguns fatores que explicam a substituição da mão de obra escrava indígena pela importação de mão de obra escrava proveniente do continente africano, em virtude de o tráfico negreiro ser uma atividade altamente lucrativa que proporcionou a acumulação primitiva de capitais por parte de algumas nações europeias.



15. Desde 1650, o Estado do Maranhão enfrentava grave crise econômica, pois a empresa açucareira da região não tinha condições de pagar os altos preços do escravo africano. Para resolver o problema da falta de mão de obra, os senhores de engenho do Maranhão organizaram tropas para invadir os aldeamentos jesuítas e capturar índios para o trabalho escravo.
Essa atitude provocou protesto dos padres jesuítas junto ao governo português, que interveio e acabou proibindo a escravidão do índio.
(www.cienciashumanas.com.br)

O texto descreve os antecedentes da
(A) Guerra dos Mascates.
(B) Guerra dos Emboabas.
(C) Revolta de Felipe dos Santos.
(D) Revolta do Vintém.
(E) Revolta de Beckman.


resposta:[E]
O enunciado diz respeito à Revolta de Beckman, movimento liderado pelos proprietários de terras da Capitania do Maranhão, em   oposição à Companhia de Comércio do Maranhão e à Companhia de Jesus. O referido movimento teve a liderança dos irmão Manuel e Thomas Beckman, e apresentava entre suas principais reivindicações a extinção da Cia, do Maranhão, a expulsão dos jesuítas e a permissão para a escravização dos índios na citada capitania.



16. Observadores jesuítas estimaram em 300 mil o número de índios capturados apenas nas missões do Paraguai. (...) muitos foram vendidos como escravos em São Vicente e principalmente no Rio de Janeiro, onde a produção de açúcar desenvolveu-se ao longo do século XVII. (...) Devemos também levar em conta a conjuntura de escassez de suprimento de escravos africanos, entre 1625 e 1650 (...). Não é uma simples coincidência que naqueles anos tenha ocorrido uma ativação das bandeiras.
(Boris Fausto. História do Brasil)

A conjuntura de escassez de escravos africanos, a que se refere o texto, ocorreu por ocasião do episódio
(A) da Guerra da Cisplatina.
(B) da Revolução Liberal do Porto.
(C) da invasão napoleônica à metrópole portuguesa.
(D) dos movimentos nativistas no Brasil Colonial.
(E) das invasões holandesas no Nordeste do Brasil.




resposta:[E]
Durante o domínio holandês, o fornecimento de escravos africanos para a América Portuguesa ficou seriamente comprometida em razão do controle dos mercados fornecedores de escravos no litoral africano, exercido pelos Países Baixos, Uma alternativa para a carência de mão de obra escrava africana foi a substituição pelos índios "ladinos", ou seja, aqueles já acostumados ao trabalho sistemático, principalmente nas lavouras, como era o caso dos  indígenas dos aldeamentos jesuíticos.



17. A família patriarcal foi a base do sistema (...). Na sociedade assim estabelecida, predominavam a empatia entre as raças e a amenidade na relação senhor-escravo, características que explicariam a miscigenação e seriam peculiares no quadro geral do escravismo americano. (...). Uma linha de raciocínio que o levará a considerar o Brasil uma “democracia racial”, pois a miscigenação largamente praticada corrigia a enorme distância social existente.
(Suely R. R. de Queiróz. Escravidão negra em debate. In: Marcos C. de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva)

O autor comentado pelo fragmento é
(A) Sérgio Buarque de Hollanda.
(B) Caio Prado Júnior.
(C) Gilberto Freyre.
(D) Nelson Werneck Sodré.
(E) Celso Furtado.


resposta:[C]
O mito da democracia racial é um dos temas clássicos trabalhados na obra de Gilberto Freyre, "Casa Grande & Senzala".


18. Como a lei consagrava a exploração de um grupo pelo outro, “as duas camadas raciais permaneciam, a despeito de toda sorte de contatos, intercomunicações e intimidades, dois mundos cultural e socialmente separados, antagônicos e irredutíveis um ao outro”. Esses pontos de vista são reforçados por Jacob Gorender em O escravismo colonial, obra de elaborada pesquisa e reflexão, na qual o autor afasta-se das interpretações que têm como categoria central explicativa a atividade exportadora e propõe o “historicamente novo” modo de produção escravista colonial, para explicar o início da formação social brasileira.
(Suely R. R. de Queiróz. Escravidão negra em debate. In: Marcos C. de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva)

Considerando o fragmento, o historiador Jacob Gorender analisa o contexto brasileiro da escravidão por meio do referencial teórico
(A) do Marxismo.
(B) da Nova História.
(C) da História das Mentalidades.
(D) da História Social das Ideias.
(E) do Neopositivismo.



resposta:[A]
O referencial teórico utilizado na obra de Jacob Gorender é o marxismo.


19. Referindo-se à Conjuração Baiana (1798), Boris Fausto assinala que “a severidade das penas foi desproporcional à ação e às possibilidades de êxito dos conjurados. Nelas transparece a intenção de exemplo, um exemplo mais duro do que o proporcionado pelas condenações aos inconfidentes mineiros.”
(Boris Fausto. História do Brasil)

Dentre as possíveis explicações para a maior severidade mencionada, é correto indicar
(A) o maior número de assassinatos e outras ações violentas contra proprietários brancos cometidas pelos integrantes do movimento.
(B) a presença de membros ligados ao alto clero da Igreja católica, motivo pelo qual não foi concedida clemência aos líderes.
(C) a origem social dos integrantes e a presença de escravos, relacionando o movimento ao temor do que havia ocorrido no Haiti.
(D) o apoio material – financeiro e bélico – que vinha sendo recebido de grupos ingleses interessados na independência da colônia.
(E) a participação somente de negros escravizados, tanto africanos quanto nascidos no Brasil, deixando claro o caráter racial do movimento.




resposta:[C]
A Conjuração Baiana foi um movimento que contou com a participação de diversas camadas sociais, ou seja, se constituiu num movimento popular, contando com muitos artesãos (alfaiates, sapateiros, carpinteiros, entre outros), escravos, ex-escravos, mulatos e demais elementos provenientes dos estratos mais inferiores da sociedade baiana. Sofreu influência do Haitianismo.

20. Observe a imagem.
 
Jean Baptiste Debret - Negros ao tronco
(www.brasiliana.usp.br)

Grande parte do imaginário sobre o cotidiano dos escravos no Brasil tem sido formado graças às obras de artistas como Debret. Esses trabalhos foram resultado da Missão Artística Francesa, cujos integrantes vieram ao Brasil
(A) na época das invasões francesas no Rio de Janeiro e no Maranhão.
(B) a convite da Família Real portuguesa, que se encontrava no Brasil.
(C) com a comitiva de Maurício de Nassau, no episódio das invasões holandesas.
(D) por encomenda de Dom Pedro I, preocupado com a formação da identidade brasileira.
(E) clandestinamente, a serviço do governo de Napoleão Bonaparte.





resposta:[B]

21. Analise a charge ambientada no Brasil, após o regresso de Dom João VI a Portugal (1821).


(Miguel Paiva e Lilia M. Schwarcz. Da colônia ao império, um Brasil para inglês ver...)

A charge refere-se ao fato de que
(A) o liberalismo brasileiro seguia fielmente o modelo econômico apregoado na Europa.
(B) a aristocracia brasileira procurou aperfeiçoar os mecanismos de liberalização econômica.
(C) as medidas joaninas contribuíram para fortalecer o movimento abolicionista.
(D) a sociedade colonial brasileira estava conseguindo libertar-se de interferências estrangeiras.
(E) a escravidão representava uma contradição do liberalismo aplicado à realidade brasileira.




resposta:[E]

22. Mais do que libertar o Brasil, escravos (...) entraram na guerra para conquistar sua alforria. (...) Os escravos foram recrutados para lutar a favor da Independência. Mas esses soldados buscavam mais do que livrar o Brasil do domínio de Portugal. Empunharam armas na esperança de usar seus serviços de guerra como moeda de troca para obterem a alforria. (...) Os senhores temiam que seus escravos aproveitassem a ocasião para lutar por liberdade ou por novos direitos. Em novembro, depois da batalha de Pirajá, Labatut mandou recrutar “pardos e pretos forros” para criar um batalhão de libertos.
(Hendrik Kraay. Independência é liberdade. In: www.brasil.gov.br/sobre/ historia/independencia/independencia-e-liberdade)

O fragmento relata acerca das batalhas ocorridas
(A) em São Paulo.
(B) na Bahia.
(C) em Alagoas.
(D) no Rio Grande do Sul.
(E) no Ceará.





resposta:[B]

23. Antônio Vieira, em 1633, (...) então um jovem de 26 anos, desenvolveu a ideia de serem os africanos e negros, por ele chamados de “etíopes”, os eleitos de Deus e feitos à semelhança de Cristo para salvar a humanidade através do sacrifício.
No engenho, pregava Vieira aos escravos, “sois imitadores de Cristo crucificado [...], porque padecíeis de um modo muito semelhante o que o mesmo senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão.” (...)
Recomendação de paciência com a promessa da salvação gloriosa devida por Deus aos mártires, eis o que pregava Vieira aos negros.
(Ronaldo Vainfas, Deus contra Palmares – Representações senhoriais e ideias jesuíticas. In: João José Reis e Flávio dos Santos Gomes, Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil)

O fragmento permite que se conclua que
(A) o projeto da Igreja Católica apoiava que o africano negro permanecesse em cativeiro apenas durante o processo de catequese.
(B) a Igreja Católica concordava com a escravização dos negros africanos e justificava-a com a utilização de seus preceitos doutrinários.
(C) ao associar o sofrimento dos escravos africanos com o de Cristo, os padres jesuítas se opunham ao cativeiro dos africanos e dos índios.
(D) a defesa que os jesuítas faziam da escravização tanto de africanos quanto de indígenas nativos do Brasil era fundamentada no Concílio de Trento.
(E) os sacerdotes da Igreja Católica defendiam que os africanos negros só deveriam ser escravizados caso recusassem a conversão ao catolicismo.


resposta:[B]



24. (...) para a maioria dos quilombos nas Américas, e no Brasil em particular, dependemos exclusivamente de relatos escritos por pessoas de fora, amiúde pela pena de membros das forças repressoras. (...) é aconselhável não se render aos documentos da repressão, mas usá-los como armas que podem abrir o caminho dos escravos em fuga.
(João José Reis e Flávio dos Santos Gomes, Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil)

A partir do texto, é correto afirmar que
(A) os relatos oficiais sobre os mocambos no Brasil apresentam sociedades organizadas apenas por africanos e baseadas no igualitarismo econômico.
(B) os mais importantes documentos produzidos sobre os quilombos são parciais e não podem ser utilizados, pois são de autoria dos próprios quilombolas.
(C) cabe ao historiador ler criticamente os documentos sobre os quilombos, com o intuito de ampliar os conhecimentos sobre essa forma de resistência dos escravos.
(D) a ocorrência de quilombos no Brasil esteve restrita a poucas regiões e a documentação consolidada sobre o tema comprova isso.
(E) a ausência de documentos escritos produzidos pelos próprios quilombolas impossibilita o trabalho do historiador de expansão da história do escravismo.


resposta:[C]

25. A historiadora Suely R. Reis de Queiróz, na obra A abolição da escravidão, denomina o capítulo sobre o fim do tráfico negreiro para o Brasil de Não chegam mais escravos: o começo do fim. Tratar o término do tráfico de escravos dessa forma significa que
(A) o comércio de africanos para o Brasil teve uma importância menor do que a historiografia tradicional atribui, pois a exploração da mão de obra compulsória apenas se apresentou fundamental na produção açucareira, nos séculos XVI e XVII, e perdeu o valor no século XVIII.
(B) o tráfico de escravos da África para a América envolvia reduzidos setores na sociedade brasileira e o fim dessa atividade não gerou maiores decorrências para a economia do país, que já se organizava, essencialmente, a partir do trabalho livre.
(C) a principal mercadoria voltada para a exportação, o café, desde o início do seu plantio em larga escala, dependia pouco do uso da mão de obra escrava, diante da maior produtividade da mão de obra livre e da mecanização da colheita e do beneficiamento do café.
(D) em presença da extrema dependência da exploração da mão de obra cativa nas atividades relacionadas à agroexportação, o fim da entrada de escravos no Brasil gerou, nas décadas de 1850 e 1860, uma forte queda nas exportações brasileiras de café e de açúcar.
(E) com o impedimento da entrada de escravos no Brasil, associado à expansão da produção cafeeira e ao baixo crescimento vegetativo dos escravos, a tendência de aumento do custo dessa mão de obra tornaria, progressivamente, a escravidão antieconômica.


resposta:[E]


26. [Em 1849], a introdução de africanos no Brasil fora de 54 000 indivíduos; já [em 1850] desce para menos de metade: 23 000, caindo em seguida (1851) para pouco mais de 3 000. Em 1852 ainda entram no país 700 e poucos escravos (...). Dois pequenos desembarques clandestinos efetuados em 1855 e 1856, respectivamente em Serinhaém (Pernambuco) e São Mateus (Espírito Santo), foram logo surpreendidos, a carga confiscada e os infratores punidos.
(Caio Prado Júnior, História econômica do Brasil)

A partir do fragmento, é correto considerar que
(A) desde o início do século XIX, a entrada de escravos no Brasil vinha decaindo como consequência da crise nas exportações de açúcar e de café e do aumento substancial do preço do escravo no mercado africano.
(B) após um longo processo de acordos com a Grã-Bretanha, assim como de muita pressão diplomática dessa nação, a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, efetivou a supressão do tráfico de escravos para o Brasil.
(C) a supressão legal do tráfico de escravos a partir de 1850 não surtiu o efeito intencionado pelos governos britânico e brasileiro, pois nas décadas de 1850 e 1860, ocorreu o ápice da entrada de escravos no Brasil.
(D) a repressão do governo brasileiro ao tráfico de escravos, após 1850, foi discriminatória, pois houve severidade com a elite nordestina e omissão em relação aos proprietários do centro-sul ligados à produção cafeeira.
(E) a elite escravocrata brasileira, com fortes vínculos com a exportação de gêneros tropicais, jamais respeitou as determinações legais para conter o tráfico de escravos e só deixou essa atividade quando a escravidão tornou-se menos rendosa que o trabalho livre dos imigrantes.


resposta:[B]


27. O país conhecerá, pela primeira vez, um destes períodos financeiros áureos de grande movimento de negócios. Novas iniciativas em empresas comerciais, financeiras e industriais se sucedem ininterruptamente; todos os índices de atividade sobem de um salto. A circulação monetária é fantasticamente alargada pela faculdade emissora concedida ao Banco do Brasil e pelo abuso de emissão de vales e outros títulos pelos demais estabelecimentos de crédito, firmas particulares e até simples particulares. Tudo isto terminará num desastre tremendo – a crise de 1857, seguida logo por outra mais grave em 1864. O Brasil estreava nos altos e baixos violentos da vida financeira contemporânea. Mas ficarão algumas iniciativas que marcam época no país: a primeira estrada de ferro inaugurada em 1852, as primeiras linhas telegráficas construídas em 1852, bem como outras.
(Caio Prado Júnior, História econômica do Brasil)

As condições econômico-financeiras apresentadas no fragmento relacionam-se com
(A) as imediatas e diretas decorrências da disponibilidade de capitais gerada pela extinção do tráfico negreiro para o Brasil na metade do século XIX.
(B) a política econômica conhecida como Encilhamento, que gerou uma forte onda de créditos públicos, objetivando a rápida industrialização do país.
(C) a notável importância adquirida pelo tabaco produzido no norte do Brasil, que passou a ser a principal mercadoria brasileira de exportação na década de 1860.
(D) a inédita legislação na América do Sul, nascida no Brasil em 1851, de controlar a entrada e saída de capitais estrangeiros especulativos.
(E) aos tratados comerciais acordados com os Estados Unidos e a França, que conquistaram a isenção de tarifas alfandegárias para os seus produtos industrializados.



resposta:[A]

28. Os efeitos da suspensão do tráfico começaram logo a se fazer sentir. Cessara bruscamente, e ainda no momento sem nenhum substituto equivalente, a mais forte corrente de povoamento do país representada anualmente por algumas dezenas de milhares de indivíduos. A lavoura ressentirá da falta de braços, e o problema se agrava de ano para ano. Estava-se com a progressão da cultura do café num período de franca expansão das forças produtivas, e o simples crescimento vegetativo da população trabalhadora não podia atender às necessidades crescentes.
(Caio Prado Júnior, História econômica do Brasil)

As novas condições geradas pelo fim do tráfico negreiro fizeram com que, de forma geral,
(A) houvesse a atenção dos proprietários escravocratas no sentido de cuidar mais da saúde e das condições gerais dos seus escravos.
(B) as regiões mais dependentes da escravidão se voltassem para o imediato desenvolvimento de uma indústria de equipamentos agrícolas.
(C) o Estado brasileiro passasse a dirigir o processo de transição a mão de obra livre, como se verifica na radical legislação imigrantista da década de 1860.
(D) o Partido Liberal se tornasse o grande defensor escravista e se opusesse a reformas que abrandassem o uso do trabalho compulsório.
(E) as lideranças dos cafeicultores do Vale do Paraíba motivassem, desde a década de 1860, os fazendeiros da região para alforriarem imediatamente seus escravos.



resposta:[A]

29. Após 1850, uma saída para os setores brasileiros que buscavam mão de obra, foi o tráfico interprovincial de escravos.

Sobre esse processo, é correto afirmar que
(A) sempre foi ilegal e esteve sobre o controle direto de algumas tradicionais famílias oligárquicas de Minas Gerais.
(B) ocorreu uma transferência de escravos para as regiões mais prósperas – como o centro-sul, por causa da produção cafeeira.
(C) permitiu a transferência de escravos da região produtora de borracha no norte para espaços mais dinâmicos, como a Bahia.
(D) gerou a supremacia do capital agrícola sobre o financeiro, em razão da liderança dos cafeicultores do Vale do Paraíba nessa atividade.
(E) teve pouco valor econômico, mas permitiu o desenvolvimento do radicalismo abolicionista entre os fazendeiros do Vale do Paraíba.



resposta:[B]

30. Na sua luta contra a escravidão e seus males, o abolicionismo procura empenhadamente fazer valer seus ideais. Mas a prudência obriga os partidários da abolição a movimentarem-se inicialmente no estreito espaço legal que lhe é reservado. Tudo deve ser feito sempre dentro da lei – é a palavra de ordem –, mas todos os espaços legais devem ser ocupados! (...)
A recalcitrância dos escravocratas, no entanto, exaspera os lutadores. Aproveitando o aguçamento das contradições internas que apressam a desagregação do sistema servil, buscam o espaço oculto, a luta subterrânea, que os leva a ultrapassarem os limites legais.
(Suely R. Reis Queiroz, A abolição da escravidão)

No contexto apresentado, é correto considerar como exemplo
da “luta subterrânea” a
(A) publicação da obra O abolicionismo, de Joaquim Nabuco, que incitava os escravos à desobediência civil, com a recusa geral ao trabalho em todo país.
(B) ação de um grupo de abolicionistas que estimulavam e organizavam fugas de escravos, com o intuito de desarticular o trabalho compulsório.
(C) publicação, a partir de 1887, no Rio de Janeiro, do jornal abolicionista Gazeta da Tarde, financiado e dirigido por José do Patrocínio.
(D) fundação, em 1880, da Sociedade Emancipadora do Elemento Servil, apesar da expressa proibição legal desse tipo de organização política.
(E) atuação extraparlamentar de lideranças abolicionistas, que conseguiram a aprovação da Lei dos Sexagenários, contrariando os interesses escravocratas.


resposta:[B]


31. (...) o fantasma de uma insurreição ampla estava sempre presente nos pesadelos dos senhores e das autoridades. Levar isso em consideração é importante, tanto para destinar ao negro o verdadeiro papel que ocupou, como para se pensar o próprio processo do fim do escravismo no Brasil.
Se não se pode falar de uma sedição negra que tenha provocado o fim do escravismo, o inconformismo dos oprimidos materializado em gestos como fugas, suicídios, assassinatos, rebeliões demonstra o peso que os escravos teriam em sua própria libertação.
(Jaime Pinsky. A escravidão no Brasil)

Para o autor, é correto afirmar que
(A) a abolição da escravidão não pode ser entendida apenas como um ato dos brancos.
(B) apenas os movimentos organizados é que podem ser considerados como resistência.
(C) a historiografia atual não valoriza as diferentes formas de resistência à escravidão.
(D) não há análises historiográficas acerca dos movimentos de resistência dos escravos negros.
(E) a historiografia brasileira está atrasada em relação às pesquisas de outros países.


resposta:[A]


32. A partir da década de 60, ou mais precisamente em 1854, o destino do café ligar-se-á em total relação de dependência ao das ferrovias (...)
(José Roberto do Amaral Lapa, A economia cafeeira)

Sobre o transporte da produção cafeeira, no contexto do Brasil do século XIX, é correto apontar que
(A) anteriormente ao advento das ferrovias, o café não era uma mercadoria exportável, condição que apenas se tornou possível com as primeiras linhas férreas.
(B) os interesses britânicos dos negócios ferroviários em São Paulo impediram a expansão das lavouras em várias direções, que ficaram concentradas na região de Campinas.
(C) o surgimento das ferrovias não trouxe benefícios para os produtores e comerciantes de café, pois o custo do transporte inviabilizou a expansão das atividades cafeeiras.
(D) o alto custo relativo do transporte fluvial para os portos de Ubatuba e São Sebastião viabilizou a construção da linha ferroviária ligando Santos ao Vale do Paraíba.
(E) antes do aparecimento das ferrovias, o transporte era feito pelas tropas de muares, que levavam o café até os armazéns e retornavam com mercadorias essenciais às fazendas.

resposta:[E] 


Leia o texto para responder às questões de números 33 e 34.
Os últimos cinquenta anos [1880-1930] do processo [de imigração para o Brasil] (...) são definidos por uma política de imigratória clara, pautada pelo anseio dos cafeicultores paulistas por mão de obra farta e barata para as suas plantações, sobretudo a partir de 1884. Desejosos de substituir os escravos em suas fazendas, eles não mediram esforços. Assim, com o intuito de facilitar a realização de tais objetivos, uma infraestrutura sem precedentes foi montada, envolvendo passagens gratuitas, arregimentadores em toda a Europa, colocação de colonos nas fazendas (...). Todas essas transações, que exprimiam as relações entre colonos e fazendeiros, eram firmadas numa caderneta de trabalho, cuja capa trazia impresso um contrato.
(...) No artigo 13.° podia-se ler que ao colono era permitido retirar-se das fazendas por justa causa quando houvesse:
1 – falta de pagamentos já vencidos;
2 – doenças que o impeçam de trabalhar na fazenda;
3 – proibição por parte do proprietário de comprar ou vender a terceiros gêneros dos quais tenha necessidade, bem como o excedente de sua colheita de cereais e animais de sua criação;
4 – maus-tratos físicos recebidos do proprietário, pessoas da família deste ou do administrador, bem como atentados à honra da mulher ou filhas do colono.
[Zuleika Alvim, Imigrantes: a vida privada dos pobres no campo In: Fernando Novaes (coordenador-geral da coleção) e Nicolau Sevcenko (organizador), História da vida privada no Brasil – volume 3]

33. No contexto apresentado, a maior parcela dos imigrantes que chega a São Paulo origina-se da Europa. Isso se deve, entre outros fatores,
(A) à exigência dos credores brasileiros, que condicionaram a compra de matéria-prima do país ao recebimento de imigrantes em massa.
(B) às notáveis condições de trabalho reservadas aos camponeses, que, ao final de três anos de contrato de colonato, conseguiam adquirir uma propriedade rural média.
(C) às condições de algumas regiões europeias, marcadas pela forte concentração de terras entre poucos proprietários, além de um grande crescimento demográfico.
(D) ao fato de o Brasil ser, ao menos até os anos 1920, o único país da América a aceitar a entrada, sem maiores restrições, de imigrantes em massa.
(E) à preferência dos imigrantes europeus, diante da farta oferta de terras para todos que solicitassem, em especial nas regiões produtoras de café.



 resposta:[C]


34. A leitura do artigo 13.º do contrato entre o fazendeiro e o colono, permite a conclusão de que
(A) os imigrantes vinham de regiões desprovidas de direitos sociais e foram surpreendidos pela avançada legislação de proteção ao trabalho do Brasil.
(B) as boas condições de trabalho oferecidas aos escravos na década de 1880 foram transferidas aos imigrantes recém-chegados ao interior paulista.
(C) algumas condições contratuais adversas para os colonos eram compensadas com a garantia da posse de um lote de terras ao final de cinco anos de contrato.
(D) a longa história de exploração do trabalho escravo no Brasil gerou muita divergência sobre o que caracterizava um trabalhador livre.
(E) os imigrantes que vieram atuar na cafeicultura paulista tiveram a experiência de trabalho servil, portanto, não se surpreenderam com os maus-tratos dos fazendeiros de São Paulo.


 resposta:[D]

35. (...) grande parte dos mais importantes representantes da burguesia industrial nascente, em particular da burguesia industrial paulista, a principal fração da burguesia industrial brasileira, chega ao Brasil como imigrante no final do século XIX ou início do século XX e trabalha como importador. (...)
A questão essencial para o entendimento da indústria nascente reside na posição dominante do comércio na economia brasileira da época; em particular, ela reside nas formas específicas da dominação do comércio, que resultam da hegemonia do capital cafeeiro e da subordinação da economia brasileira à economia mundial. Os burgueses imigrantes enriquecidos no comércio constituem então o núcleo da burguesia industrial nascente. Elementos de outras origens também ajudam a constituir a burguesia industrial nascente no Brasil. Alguns membros da grande burguesia cafeeira interessam-se desde essa época pela indústria. (...)
(Sérgio Silva, Expansão cafeeira e origens da indústria no Brasil)

A partir do texto, é correto relacionar as origens da indústria no Brasil com
(A) as recorrentes crises do café, que obrigavam a burguesia cafeeira paulista e fluminense a salvar parte dos seus capitais
investindo na indústria de base e na de bens de consumo semiduráveis, em associação com industriais ingleses.
(B) o arrojo de uma parcela de imigrantes industriais italianos e portugueses, que transferiram para o Brasil – especialmente
para São Paulo e Salvador – instalações industriais completas, em geral direcionadas para a produção de bens de capital.
(C) as produções agrícolas e exportáveis desvinculadas da influência do café, pois as taxas de acumulação de capitais eram mais rápidas e podiam ser reinvestidas nos equipamentos industriais acessórios, como nos relacionados aos transportes.
(D) os enormes capitais estrangeiros britânicos investidos diretamente nas grandes indústrias brasileiras, em regra associados ao grande capital nacional e com o intuito de criar alternativas de desenvolvimento à hegemonia cafeeira.
(E) o desenvolvimento do capitalismo do Brasil a partir da sua decisiva inserção na economia mundial, o que permitiu, na economia cafeeira, a acumulação de capitais baseada no trabalho livre e, a seguir, investimentos na indústria.


resposta:[E]

36. As revoluções de 1924, que representavam a continuidade e o amadurecimento do levante de 1922, formaram um complexo de movimentos armados, insurreições e tentativas de golpe, frouxamente articulados em termos organizacionais, mas unificados ideologicamente e liderados pelos tenentes.
A revolução líder deste complexo iniciou-se em São Paulo, em 5 de julho de 1924, e funcionou como foco inspirador dos outros movimentos: levante de Mato Grosso (12.07.1924), levante de Sergipe (13.07.1924), levante do Amazonas (23.07.1924), levante do Pará (26.07.1924) e revolução do Rio Grande do Sul (29.10.1924).
(www.fgv.br/CPDOC)

Em geral, as revoluções citadas objetivavam
(A) a convocação imediata de uma assembleia nacional constituinte.
(B) a revogação das políticas que beneficiavam os grandes cafeicultores.
(C) a reação contra a ascendência do radicalizado movimento operário.
(D) o cancelamento das eleições estaduais de 1924, em função das fraudes ocorridas.
(E) a derrubada do presidente Artur Bernardes, eleito em 1922.


resposta:[E]


37. Dentro do tradicional esquema de revezamento entre São Paulo e Minas no governo federal, chegara a vez de Minas, na pessoa de seu presidente Antônio Carlos de Andrada. Mas Washington Luís tinha um candidato paulista, Júlio Prestes, que daria continuidade à sua reforma financeira e à sua administração. Frente a essa tentativa de marginalização da política mineira, a oligarquia desse estado aliou-se aos gaúchos, formando a Aliança Liberal, que apresentou as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa para disputar o pleito presidencial de 1930.
(www.fgv.br/CPDOC)

Fazia parte do programa eleitoral da Aliança Liberal
(A) a formação de sindicatos patronais e de trabalhadores tutelados pelo Estado, o voto feminino e o estabelecimento de um banco nacional emissor.
(B) a efetivação de uma ampla reforma agrária, a extensão dos direitos trabalhistas aos camponeses e uma política industrial voltada aos bens de capitais.
(C) a defesa do voto secreto, a designação de juízes para presidirem às mesas eleitorais e medidas econômicas protecionistas para outros produtos de exportação além do café.
(D) o reforço e a reorganização da Comissão de Verificação, a ampliação da autonomia federalista e a estatização da exploração mineral.
(E) a nacionalização do sistema bancário, a reintrodução do voto censitário para os cargos executivos e a criação do Instituto do Café e do Açúcar.

resposta:[C]

38. Logo após o triunfo da revolução da Aliança Liberal [1930] e a deposição de Washington Luís pela junta pacificadora no Rio de Janeiro, assumiu o governo do estado de São Paulo o general Hastínfilo de Moura, comandante da 2.ª Região Militar (2.ª RM). O Partido Democrático de São Paulo (PD), que participara da Aliança Liberal, mas sem envolvimento efetivo nos eventos revolucionários, conseguiu obter maioria no novo secretariado civil que então foi organizado.
(www.fgv.br/CPDOC)

Sobre o Partido Democrático, fundado em 1926, é correto afirmar que
(A) defendia a ampliação da intervenção econômica do Estado e a limitação da participação das classes populares nos processos eleitorais mais importantes.
(B) representava no plano político as classes médias paulistas em aliança com uma fração dissidente da oligarquia cafeeira.
(C) originou-se de uma ruptura no Partido Comunista, ao acusar os comunistas de abandonarem a opção revolucionária pela luta parlamentar.
(D) surgiu como uma força de apoio ao Partido Republicano Paulista e defendia a introdução do federalismo e das eleições diretas para a presidência da República.
(E) era formado, quase exclusivamente, pela burguesia industrial, voltada para a exportação de bens de consumo duráveis.



resposta:[B]


39. Na chamada Revolução Constitucionalista de 1932, a derrota das forças paulistas, entre outros motivos, pode ser atribuída
(A) à oposição dos estudantes e das classes médias ao enfrentamento
militar e à traição do governador Pedro de Toledo, que sempre se manteve fiel ao governo central.
(B) à decisiva opção das forças conservadoras de São Paulo pela legalidade representada no Governo Provisório e ao sentimento derrotista alimentado pela imprensa escrita.
(C) às rivalidades políticas entre a Frente Única Paulista e o Partido Republicano Paulista e ao estratégico apoio da Liga de Defesa Paulista ao Governo Provisório.
(D) ao isolamento político dos paulistas frente à maioria dos estados brasileiros, além da clara superioridade das condições bélicas do governo central.
(E) à frágil mobilização da população de São Paulo e à confiança das forças liberais nas promessas do presidente Vargas na imediata reconstitucionalização do país.



resposta:[D]

40. Na perspectiva historiográfica, as interpretações sobre a Revolução Constitucionalista de 1932 orientaram-se fundamentalmente por duas versões dos acontecimentos: a versão getulista e aquela elaborada pela oligarquia paulista.
(www.fgv.br/CPDOC)

Na versão getulista, a Revolução de 1932 foi
(A) um levante elitista, dirigido por clubes tenentistas que almejavam ampliar a influência sobre o Governo Provisório e as interventorias estaduais.
(B) um movimento ilegítimo que, sob a liderança de políticos derrotados pela Revolução de 1930, pretendia recuperar o poder perdido.
(C) uma insurreição popular, organizada pelo Bloco Operário Camponês, visando o alargamento da legislação trabalhista.
(D) uma rebelião legítima na defesa das liberdades democráticas, mas ilegal ao não respeitar o calendário eleitoral publicado desde o início de 1932.
(E) uma revolta dirigida por partidos políticos radicais, interessados na ampliação dos direitos políticos e sociais das classes populares.


resposta:[B]

41. (...) um dos nossos grandes historiadores é Francisco de Varnhagen, de formação da (...) “escola científica alemã” (caracterizada pela grande preocupação com a pesquisa e o levantamento de fontes). A ele devemos um enorme impulso na produção da história brasileira. Ele escreveu no Segundo Império (...), em uma época em que aproximadamente 60% da nossa população é escrava. Analistas da sua obra mostram como ela se baseia em dois elementos interpretativos: a superioridade da forma monárquica (por ser responsável pela unidade do país após a Independência) e a superioridade da raça branca. Isso mostra como seu trabalho está impregnado de valores e preconceitos da sociedade da sua época. Entretanto, o levantamento de fontes feito por ele, juntamente com o feito por Capistrano de Abreu, são fundamentais para os trabalhos posteriores de história do Brasil.
(Vavy Pacheco Borges, O que é História)

A partir das considerações sobre a obra e o legado de Varnhagem, é correto afirmar que uma obra historiográfica
(A) perde a sua validade científica quando tem a marca dos valores de um tempo.
(B) não pode passar por críticas, dado seu caráter subjetivo e provisório.
(C) deve ser avaliada dentro do contexto histórico de sua produção.
(D) apenas tem importância na época da sua produção.
(E) perde o seu valor se baseada em documentos oficiais.


resposta:[C]


42. Leopold von Ranke (1795-1886) foi o grande historiador acadêmico positivista que daria sequência e aprofundaria a nova teoria positivista da História proposta por Georg Niebuhr. Von Ranke pode ser considerado o fundador da moderna disciplina histórica, universitária, tanto do ponto de vista epistemológico como administrativo.
(Pedro Paulo A. Funari e Glaydson José da Silva, Teoria da História)

A História positivista, entre outros elementos, caracteriza-se pela
(A) relativização do papel do documento na criação do fato histórico e pelo questionamento do conceito de determinismo geográfico.
(B) busca das causalidades imediatas dos grandes eventos humanos e pela desconfiança no conhecimento originário da ciência.
(C) concepção dialética e pelo uso preferencial de imagens para a construção da vida cotidiana das sociedades do passado.
(D) crítica das fontes históricas no sentido de buscar a verdade e pela descrição do que efetivamente aconteceu.
(E) busca de valores intemporais e pela concepção de que os eventos históricos independem da ação humana.

 resposta:[D]

43. Analise as imagens e os textos.
I. 

Pintura rupestre – Serra da Capivara – Piauí
(www.ab-arterupestre.org.br/arterupestre.asp)

II. Cerâmica Marajoara
(histoblogsu.blogspot.com/2010/04/sitios-arqueologicos-do-brasil)
III. As embarcações brasileiras encontradas em qualquer parte, e as estrangeiras encontradas nos portos, enseadas, ancoradouros ou mares territoriais do Brasil, tendo a seu bordo escravos, cuja importação é proibida pela lei de 7 de novembro de 1831, ou havendo-os desembarcado, serão apreendidas pelas autoridades, ou pelos navios de guerra brasileiros, e consideradas importadoras de escravos.
(Artigo 1.º. Da Lei Eusébio de Queiroz, 1850. Apud: Ricardo Tadeu Caires Silva. O fim do tráfico atlântico de escravos e a política de alforrias no Brasil. In: www.estudosdotrabalho.org)

IV. Art. 1.º Proceder-se-á em todo o Império a nova matrícula dos escravos, com declaração do nome, nacionalidade, sexo, filiação, se for conhecida, ocupação ou serviço em que for empregado, idade e valor, calculado conforme a tabella do § 3.º.
(...)
§ 3.º O valor a que se refere o art. 1.º será declarado pelo senhor do escravo, não excedendo o máximo regulado pela idade do matriculando (...).
(Fragmentos da Lei do Sexagenário, de 28 de setembro de 1885. In: lhists.blogspot.com/2007)

Utilizando como referencial teórico a concepção Positivista de História, está correto considerar como documento histórico o contido em
(A) III, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) III e IV, apenas.
(D) I, II e IV, apenas.
(E) I, II, III e IV.



resposta:[C]


44. Leia o texto e observe as figuras de números I a III.
No caso da disciplina histórica, vale a pena refletir um pouco sobre a fértil distinção entre documento, produzido voluntária ou involuntariamente pela sociedade segundo determinadas relações de força, e o monumento, voluntariamente produzido pelo poder, ou seja, por quem detém o poder de sua perpetuação. O que transforma o documento em monumento é, no fim das contas, a sua utilização pelo poder. Entenda-se: o poder da produção, difusão, edição, manipulação, conservação, reciclagem ou descarte (...).
(Elias T. Saliba, Apud. Circe M. F Bittencourt. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2008 – pp. 332-333)


I.
Tiradentes esquartejado, de Pedro Américo, 1893.
(leituradeimagensufrn.blogspot.com)
II.
 

Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, 1888.
(www.band.com.br)
III.

 
Domingos Jorge Velho, de Benedito Calixto, 1903.
(www.passeiweb.com/saiba_mais/arte_cultura/galeria)

Considerando o texto, pode-se apontar como monumento o contido em
(A) I, apenas.
(B) II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.



resposta:[E]

45. Em um plano global, o grupo se distinguia dos historiadores anteriores por algumas características centrais: percepção do social em detrimento do individual; inserção em novos e diferentes campos – além do político, o econômico, o social e o cultural; pressuposto de uma história problema, em substituição à tradicional história narrativa dos acontecimentos.
(Pedro Paulo A. Funari e Glaydson José da Silva, Teoria da História)

O fragmento apresenta
(A) a História Pós-modernista.
(B) a Escola dos Annales.
(C) o Neopositvismo Inglês.
(D) a Escola Metódica.
(E) a História Marxista.



resposta:[B]

46. Hoje vivemos uma verdadeira revolução digital. Os computadores se tornaram ferramentas importantíssimas para todos os ramos da ciência através do desenvolvimento de softwares específicos cada vez mais detalhistas. Encontramos hoje uma infinidade de periféricos e equipamentos que podem ser conectados uns aos outros facilitando a troca de informações.
(M. G. Pena e A. C. Silva, A digitalização de documentos históricos e a gestão eletrônica de documentos para a disponibilização on line. In: Saber Digital: Revista Eletrônica do CESVA, Valença, v. 1, n.º 1)

Para a pesquisa em História, a “revolução digital” tem representado
(A) um privilégio para alguns historiadores e instituições de pesquisa, que conseguem custear os caríssimos equipamentos leitores de microfilmes e congêneres.
(B) uma gama de facilitadores, pois muitos arquivos, bibliotecas e museus escolheram digitalizar os documentos, o que garante a preservação e possibilita e transmissão de informações.
(C) certo atraso nos recentes projetos de pesquisa, pois o avanço dos recursos tecnológicos não teve o mesmo acompanhamento na preparação técnica dos pesquisadores em geral.
(D) muito pouco, pois uma grande parcela dos documentos mais utilizados pelos historiadores não pode passar pelo processo de digitalização em função do estado deteriorado no qual se encontram.
(E) uma conquista relativa, pois, ao mesmo tempo em que barateou a digitalização e a reprodução de documentos, encareceu o acesso à pesquisa por causa do custo dos softwares.


resposta:[B]


47. Leia o excerto.
O Arquivo da Cúria Diocesana de Nova Iguaçu dispõe de livros de assentos de batismos, matrimônios e óbitos relativos às freguesias de N. S. da Piedade de Iguaçu, N. S. da Conceição de Marapicú, Santo Antônio de Jacutinga, S. Pedro e S. Paulo de Paracambi, Santana das Palmeiras, entre as datas de 1686 e 1947, todas de inestimável valor histórico para o Estado do Rio de Janeiro.
(...) No contato com a documentação, percebemos inúmeras possibilidades passíveis de se tornarem interessantes pesquisas acadêmicas que, talvez em outros momentos, passariam despercebidas. O leque de possibilidades vai desde a curiosa ortografia do período até as relações sociais estabelecidas no mundo escravocrata que, muitas vezes, contestam visões tradicionais da historiografia, como, por exemplo, a possibilidade de o escravo construir família dentro do controle do sistema escravista desde o século XVII (haja vista que alguns autores datam a sua existência somente a partir do século XIX) ou, ainda, a viabilidade de senhores batizarem escravos, fixando laços de compadrio.
(Denise Vieira Demétrio e Gisele Martins Ribeiro, Uma experiência em pesquisa histórica no Arquivo da Cúria Diocesana de Nova Iguaçu. In www.historia.uff.br)

A partir da discussão apresentada no trecho, sobre o trabalho de pesquisa histórica em arquivos, é correto afirmar que ele
(A) necessita ser realizado apenas por profissionais mais experientes, pois os documentos encontrados podem ser contraditórios com a historiografia oficial, condição que pode gerar dificuldades para a elaboração de uma dissertação ou tese.
(B) deve garantir resultados mais eficientes se os documentos não forem objetos de qualquer interferência por parte do historiador, que não pode se preocupar com interpretar esses documentos, mas retirar informações que não contradigam a história acadêmica.
(C) precisa ser precedido pela construção de um projeto de pesquisa com a delimitação temática, espacial, temporal para permitir visitas mais proveitosas aos arquivos e, ao mesmo tempo, não se deve ignorar que a documentação encontrada pode embasar revisões historiográficas.
(D) pode carecer de fundamentação científica se não for precedido por uma análise racional e metódica de cada documento consultado, para que se verifique a sua pertinência histórica e o seu grau de reforço para a demarcação das leis gerais da História.
(E) deve ser pautado pela referência básica do trabalho historiográfico, que é a busca exclusiva por textos escritos, preferencialmente com caráter oficial, pois garantem ao pesquisador a autenticidade das informações procuradas para a confirmação de uma tese prévia.



resposta:[C]


48. Um projeto compreende a utilização coordenada de recursos humanos, financeiros e materiais dentro de um período de tempo para alcançar objetivos definidos.
(Orientações para Elaboração de Projetos. In: aeri.uefs.br/wpcontent/uploads/Orientacoes-para-Elaboracao-de-Projetos.pdf)

Um projeto para captação de recursos deve, necessariamente, conter:
I. cronograma de execução;
II. finalidade e diferenciais das ações propostas;
III. previsão orçamentária;
IV. recursos humanos necessários;
V. formas para apresentação dos resultados a serem obtidos.

Está correto o conteúdo indicado em
(A) I e V, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) II e IV, apenas.
(D) II, III, IV e V, apenas.
(E) I, II, III, IV e V.


resposta:[E]


49. A avaliação (...) é aquela que se relaciona ao desenvolvimento das atividades do projeto ao longo do tempo. Ela cria mecanismos para saber “como as coisas estão indo”, o que está dando certo ou não, o que está saindo como planejado ou não.
A avaliação (...) pode ser voltada para a formação de uma equipe, para o cumprimento de acordos, para o alcance dos resultados esperados ao longo do tempo, para o desempenho de profissionais ou para o progresso de estudantes em um curso.
(www.petrobras.com.br/minisite/desenvolvimentoecidadania/roteiro/comoavaliar-o-projeto.asp)

A modalidade citada no fragmento refere-se à avaliação
(A) de impacto.
(B) motivacional.
(C) diagnóstica.
(D) processual.
(E) paritária.



resposta:[D]

50. Acerca da profissão de historiador, no Brasil, é correto afirmar que
(A) foi regulamentada desde o início da década de 2000, mas ainda aguarda sanção presidencial.
(B) o projeto de regulamentação, em 2011, encontrava-se tramitando no Congresso Nacional.
(C) o processo de reconhecimento foi finalizado com a sanção presidencial, no final de 2011.
(D) o projeto de lei para o reconhecimento foi rejeitado pelo Congresso Nacional, em 2011.
(E) não é reconhecida pela legislação atual e não há projeto de lei com essa finalidade em curso.

resposta:[B]




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