sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Roteiro de estudos: introdução aos estudos da História

Introdução aos estudos da História
História e Historiografia
homer
1. (Upe 2014) Existe em todo historiador, em toda pessoa apaixonada pelo arquivo uma espécie de culto narcísico do arquivo, uma captação especular da narração histórica pelo arquivo, e é preciso se violentar para não ceder a ele. Se tudo está arquivado, se tudo é vigiado, anotado, julgado, a história como criação não é mais possível: é então substituída pelo arquivo transformado em saber absoluto, espelho de si. Mas se nada está arquivado, se tudo está apagado ou destruído, a história tende para a fantasia ou o delírio, para a soberania delirante do eu, ou seja, para um arquivo reinventado que funciona como dogma. 
(ROUDINESCO, Elisabeth. A análise e o arquivo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 09.) 

Refletindo sobre o historiador e sua relação com os arquivos, o texto nos mostra que 
a) todo conhecimento histórico se encerra dentro dos arquivos, e o historiador é um mero reprodutor de documentos oficiais. 
b) só por meio do arquivo, no século XXI, ele pode retratar o passado tal qual foi. 
c) essa relação é ambivalente, e, ao mesmo tempo em que ele necessita do arquivo para legitimar sua narrativa, deve ter o cuidado de não transformá-lo num saber absoluto. 
d) no seu trabalho, é melhor a ausência de arquivo que o excesso. 
e) todo conhecimento histórico é produzido sem necessidade dos arquivos. 

2. (Uea 2014) As ciências, as técnicas, as instituições políticas, as ferramentas mentais, as civilizações apresentam ritmos próprios de vida e de crescimento. 
(BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a história, 1969. Adaptado.) 

No fragmento, o historiador Fernand Braudel critica a classificação da história em grandes períodos unificados e homogêneos, ao ressaltar que 
a) a mudança histórica é orientada pelas concepções que os homens têm da política, da sociedade e da economia. 
b) as sociedades humanas seguiram, a partir da Revolução Industrial, um mesmo modelo de transformação histórica. 
c) as artes, a cultura e a tecnologia modificam-se, diferentemente dos fatos políticos, de maneira muito semelhante. 
d) a existência social dos homens é múltipla e que os elementos que a compõem modificam-se de forma desigual no decorrer do tempo. 
e) a economia é a determinação mais poderosa na vida dos homens e que a história da humanidade é impulsionada pelas novidades técnicas.

3. (Upe 2014) A cultura material estudada pelo arqueólogo insere-se, sempre, em um contexto histórico muito preciso e, portanto, o conhecimento da história constitui aspecto inelutável da pesquisa arqueológica. Assim, só se pode compreender a cerâmica grega se conhecermos a história da sociedade grega, as diferenças entre as cidades antigas, as transformações por que passaram. 
(FUNARI, Pedro Paulo. Arqueologia. São Paulo: Contexto, 2003. p. 85.) 

Com base nas afirmações acima, assinale a alternativa CORRETA. 
a) A Arqueologia, diferentemente da História, concentra seus estudos na análise da cultura material, negligenciando fontes escritas e orais. 
b) A relação interdisciplinar entre a Arqueologia e a História é apresentada no texto como um fator essencial na análise da cultura material. 
c) Os estudos arqueológicos pouco retratam as sociedades pré-históricas tendo em vista a ausência de fontes não materiais sobre esses povos. 
d) A arqueologia não contribuiu para o estudo de regiões africanas como o Sudão e o Egito, tendo em vista a exclusividade da análise das tradições orais no estudo dessas sociedades. 
e) História e Arqueologia só constroem uma relação interdisciplinar nos estudos sobre a pré- história e a antiguidade, em que a análise da cultura material é o cerne das pesquisas

4. (Uema 2014) É preciso advertir desde já que esse sistema quadripartite [dividido em quatro partes] de organização da história universal é um fato francês. Em outros países, o passado está organizado de modo diferente, em função de pontos de referência distintos. 
CHESNEAUX, Jean. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. Trad. de Marcos A. da Silva. São Paulo: Ática, 1995, p. 93. 

O texto faz referência a um “sistema quadripartite”, ainda muito presente nos materiais didáticos de História do Ensino Básico no Brasil. Esse “sistema” divide a história em Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. Sobre essa divisão, o autor observa que a 
a) conceituação de história universal é sempre francesa. 
b) divisão da história em períodos prejudica o seu estudo. 
c) periodização da história em alguns países é equivocada. 
d) sistematização da história não depende das referências do passado. e) organização da história como campo de estudo é uma construção cultural. 

5. (Upe 2013) A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que fabrica, tudo o que toca pode e deve informar sobre ele. 
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001, p. 79. (Adaptado). 

Sobre as fontes históricas, com base no texto acima, assinale a alternativa CORRETA. 
a) O pensamento marxista aboliu a utilização de fontes escritas nas pesquisas históricas. 
b) A afirmação do texto sintetiza a nova perspectiva historiográfica sobre as fontes históricas. 
c) Os utensílios produzidos pelo homem se enquadram como registros arqueológicos e não como fontes para o historiador. 
d) Marc Bloch, no texto, defende a primazia das fontes escritas. 
e) A escola positivista foi a primeira a fazer uso da chamada história oral. 

6.  Assinale a alternativa CORRETA.
A) A história quantitativa não contribuiu para a Escola dos Annales pois ficou restrita às análises econômicas.
B) A terceira geração da Escola dos Annales foi marcada pela direção de Fernand Braudel e suas análises da longa duração.
C) A história cultural foi criada somente após o fim da Guerra Fria, quando a história política passou a ser considerada irrelevante.
D) A história social tem como objeto exclusivo a luta de classes e o estudo de suas transformações ao longo do tempo.
E) Os historiadores positivistas acreditam que a história deve ser escrita através da estrita observação dos fatos que permitam revelar a verdade histórica.

7. "Penso que a história é bem a ciência do passado, com a condição de saber que este passado se torna objeto da história, por uma reconstrução incessantemente reposta em causa - não podemos falar das cruzadas como o teríamos feito antes do colonialismo do século XIX, mas devemos interrogar- nos sobre se, e em que perspectivas, o termo "colonialismo" pode ser aplicado à instalação dos Cruzados da Idade Média, na Palestina [Prawer, 1969-70]."
(LE GOFF, Jacques. História e Memória. 4 ed. Campinas: UNICAMP, 1996. p. 25-26)

Identifique se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas com relação à escrita da história.
( ) O contexto do historiador influencia na forma como ele irá selecionar seu objeto, bem como nas questões que formulará as fontes.
( ) Uma vez que o presente influencia na escrita sobre o passado, um mesmo objeto de estudo pode ser interpretado de diferentes maneiras.
( ) A forma como o historiador interpreta o passado depende de suas próprias concepções a respeito da história.
( ) Uma vez que a história depende do contexto do historiador, podemos afirmar que ela é uma ciência sem método.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
A) V - F - V - V
B) V - F - F - V
C) F - F - V - V
D) V - V - V - F
E) V - V - F – F

8. (Unicamp 2011) A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas.
A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência.
(Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: AlfaÔmega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.0)


As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como

a) materialismo histórico, que compreende as sociedades humanas a partir de ideias universais independentes da realidade histórica e social.
b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção.
c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio de uma revolução e a implantação de uma ditadura do proletariado.
d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo, com o fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da ação direta. 

9. (Enem 2010)
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?
BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que lê.

Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.

Partindo das reflexões de um trabalhador que lê um livro de História, o autor censura a memória construída sobre determinados monumentos e acontecimentos históricos.
A crítica refere-se ao fato de que
a) os agentes históricos de uma determinada sociedade deveriam ser aqueles que realizaram feitos heroicos ou grandiosos e, por isso, ficaram na memória.
b) a História deveria se preocupar em memorizar os nomes de reis ou dos governantes das civilizações que se desenvolveram ao longo do tempo.
c) grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram.
d) os trabalhadores consideram que a História é uma ciência de difícil compreensão, pois trata de sociedades antigas e distantes no tempo.
e) as civilizações citadas no texto, embora muito importantes, permanecem sem terem sido alvo de pesquisas históricas.

10. (Ufg 2010) Leia o texto a seguir.
Origens do regime feudal, diz-se. Onde buscá-las? Alguns responderam em “Roma”. Outros “na Germânia”. As razões dessas miragens são evidentes […]. Das duas partes, sobretudo, eram empregadas palavras – tais como “benefício” (beneficium) para os latinos, “feudo” para os germanos – das quais essas gerações persistiram em se servir, ainda que lhes conferindo, sem se dar conta, um conteúdo quase inteiramente novo. Pois, para o grande desespero dos historiadores, os homens não têm o hábito, a cada vez que mudam o costume, de mudar de vocabulário.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar. p. 58. (Adaptado).

Neste fragmento, Marc Bloch discute de que forma os historiadores lidam com a questão das origens, indicando que a
a) origem dos fenômenos históricos deve ser buscada no encadeamento dos acontecimentos, o que confere à História um sentido de continuidade.
b) origem é o ponto de partida da mudança que demarca a ruptura com as formas históricas precedentes.
c) ideia de origem desconsidera a cronologia, ferramenta metodológica que concede sentido à explicação histórica.
d) busca da origem dos fenômenos históricos encobre a relação entre as forças de conservação e de mudança que compõem a vida social.
e) origem dos fenômenos históricos pode ser encontrada na permanência dos costumes e do uso do vocabulário.

11. (Ufscar SP) É, pois, nas sociedades orais que não apenas a função da memória é mais desenvolvida, mas também a ligação entre o homem e a Palavra é mais forte. Lá onde não existe a escrita, o homem está ligado à palavra que profere. Está comprometido por ela. Ele é a palavra, e a palavra encerra um testemunho daquilo que ele é. (...) Nas tradições africanas – pelo menos nas que conheço e que dizem respeito a toda a região de savana ao sul do Saara –, a palavra falada se empossava, além de um valor moral fundamental, de um caráter sagrado vinculado à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas. Agente mágico por excelência, grande vetor de “forças etéreas”, não era utilizada sem prudência. Inúmeros fatores – religiosos, mágicos ou sociais – concorrem, por conseguinte, para preservar a fidelidade da transmissão oral (...). 
(A. Hampaté Bâ. A tradição viva. In: J. Ki-Zerbo (org.). História geral da África, 1982.) 

a) Escreva sobre a importância da criação da escrita na diferenciação entre sociedades pré-históricas e históricas, que esteve presente, durante muito tempo, no pensamento europeu. 

b) A partir da interpretação do texto apresentado, escreva por que é possível escrever a história de sociedades orais. 

Gabarito: 
Resposta da questão 1: [C] 
Somente a proposição [C] está correta. O texto é bem claro quanto à relação entre o arquivo e o historiador. É uma relação ambígua oscilando entre a necessidade do arquivo para a construção da narrativa, porém não pode se transformar em um saber absoluto. As demais alternativas estão em desacordo com o texto apresentado. Todo o conhecimento histórico não se esgota com o arquivo, faz se necessário o papel do historiador. É fundamental a presença do arquivo para o historiador. 

Resposta da questão 2: [D] 
Somente a alternativa [D] está correta. O grande historiador francês Fernand Braudel em sua obra “Escritos Sobre a História” fornece elementos importantes para a teoria da História ao trabalhar com a ideia da “longa duração”. Critica, por exemplo, o hábito dos historiadores de criar grandes períodos dentro da História e estudá-lo de forma unificada e homogênea. Este tipo de abordagem engessa e atrapalha o bom entendimento da História. A vida humana é múltipla e dinâmica modificando de forma desigual ao longo do tempo. Daí que Braudel afirma que “as ciências, as técnicas, as instituições políticas, as ferramentas mentais, as civilizações apresentam ritmos próprios de vida e de crescimento”. As demais alternativas estão incorretas. 

Resposta da questão 3: [B] 
A alternativa [B] está correta. A História enquanto ciência necessita de outras disciplinas para melhor compreensão do processo histórico. Neste sentido, a Economia, a Geografia, a Sociologia, a Filosofia, a Antropologia, Arqueologia, entre outras, são fundamentais para a compreensão do homem em sua totalidade. O trabalho do arqueólogo está sempre inserido em um determinado contexto histórico. Só se compreende a arte cerâmica de uma civilização se conhecer a história desta mesma civilização. As demais proposições estão equivocadas. A arqueologia não negligencia as fontes escritas e orais. As escavações arqueológicas são fundamentais para a melhor compreensão da Pré-História. Sem dúvida a arqueologia contribuiu para o estudo do Egito. História e Arqueologia possuem uma relação interdisciplinar nos estudos sobre a Pré-História, a Antiguidade bem como outros períodos da História. 

Resposta da questão 4: [E] 
Jean Chesneaux em sua obra “Devemos fazer tábula rasa do passado?” elabora uma interessante reflexão sobre teoria da História e sobre a relação entre passado e presente. Mostra como o passado é narrado a luz do presente ao afirmar que “o controle do passado e da memória coletiva pelo aparelho ideológico de Estado dirige sua atenção para as fontes. Ora se mutila e se deforma, ora se faz silêncio completo” e que o passado está organizado de forma diferente em outros países. O sistema tripartite que divide a História em Antiga, Média, Moderna e contemporânea tem como referência somente a História da Europa. Queda de Roma em 476, queda de Constantinopla em 1453, Revolução Francesa em 1789. Assim, Chesneaux entende que a organização da História é uma construção cultural conforme aponta a alternativa [E]. 

Resposta da questão 5: [B] 
Para o estudo da História, são necessárias fontes, que são criadas pelos próprios homens durante sua evolução; portanto, tudo que o homem faz é História. 

Resposta da questão 6:[E]
O Positivismo postulava a dedução das leis históricas para fundamentar melhor a compreensão das sociedades humanas, revelando uma influência dos paradigmas das ciências naturais.

Resposta da questão 7:[D]

resposta da questão 8:[B]
O Marxismo ou materialismo histórico, compreende a história da humanidade como a história da luta de classes, definidas pela propriedade dos meios de produção e pela exploração de uma classe sobre a outra. Baseia-se numa análise das condições materiais das sociedades humanas como determinantes para a compreensão de suas formas políticas e religiosas.

resposta da questão 9:[C]
Em seu texto Berthold Brecht (dramaturgo e poeta que viveu entre 1898-1956) critica a tradição historiográfica que destaca os feitos das elites e dos governantes, deixando de lado a participação dos trabalhadores e das pessoas comuns. Para ele, a participação do povo é mais importante do que dos seus governantes, pois foi o povo que construíram os grandes monumentos e formaram as grandes civilizações.

resposta da questão 10:[E]


resposta da questão 11:
a) O estabelecimento da História como disciplina no século XIX ocorreu no contexto de uma revolução científica mais ampla que, contrapondo-se a argumentos de autoridade, estabelecia um compromisso com a verdade. Por essa via, buscavam-se instrumentos que conferissem um grau mínimo de evidência e aproximação com a verdade em matéria de eventos históricos. Foi no interior desse contexto que se passou a considerar como provas de verdade e autenticidade registros escritos, que deveriam servir a partir de então como fontes e fundamentos para as afirmações do historiador. Assim, a tradicional divisão entre História e Pré-História determina que o período propriamente histórico ficava estabelecido a partir do aparecimento dos primeiros registros escritos, então conhecidos pelo homem, e a Pré-História como o período anterior à escrita. Modernamente, essa divisão tradicional – supondo que sociedades sem escrita "não tinham História" – é considerada ultrapassada; concomitantemente, ampliou-se de maneira significativa aquilo que pode ser considerado "fonte histórica" para a reconstrução de relatos sobre o passado de sociedades que não conheceram ou ainda não conhecem a escrita – e mesmo para sociedades com escrita –, como imagens, objetos, construções... 

b) Segundo o texto, nas chamadas "sociedades orais" a função da memória é mais desenvolvida, e as relações entre os homens e a palavra possuem uma densidade diferente quando comparadas às sociedades com escrita. Assim, torna-se possível escrever a história das sociedades orais a partir da interpretação de seus mitos, crônicas e genealogias.

Roteiro de estudos: Pré-História Brasileira

Roteiro de estudos: Pré-História Brasileira

1. (Fuvest) As comemorações dos 500 anos do Descobrimento trouxeram à tona duas concepções históricas opostas sobre o Brasil: uma admite que a história do Brasil começou com a chegada dos portugueses, em 1500; outra considera que a chegada dos portugueses foi um marco inaugural falso, criado pela visão eurocêntrica do passado brasileiro.
O que pode justificar esta última concepção?

2. (1ª Olimpíada Nacional de História do Brasil – Unicamp 2009)
Nos últimos 20 anos vários pesquisadores vêm sugerindo que a ocupação da América seria mais antiga, mas, há pouco tempo, surgiram provas convincentes. Entre elas está Luzia, cujos estudos trouxeram ainda outras novidades.
No município de Pedro Leopoldo, região de Lagoa Santa, Minas Gerais, um grupo de arqueólogos brasileiros e franceses encontrou, em 1975, partes de um esqueleto em uma gruta chamada Lapa Vermelha IV. As informações iniciais sugeriam que o esqueleto (de uma mulher entre 20 e 25 anos de idade – Luzia) deveria ser muito antigo, mas naquela época não foi possível datar com precisão o material. (…)
Só a partir das pesquisas feitas [por] Walter Neves, da Universidade de São Paulo, Luzia teve sua idade revelada. O resultado foi surpreendente: ela tinha vivido em Minas Gerais há 11.500 anos! Essa data, junto com outros vestígios de populações pré-históricas que teria vivido há mais de 11.000 anos nas Américas do Sul e do Norte, revelou que o povoamento do nosso continente ocorreu antes do que se pensava. Apesar de existir muita discussão sobre o tempo necessário para que todo o continente tenha sido ocupado, a presença de humanos na América do Sul há 11.500 anos indica que os primeiros migrantes teriam chegado no continente americano há pelos menos 14.000 ou 15.000 anos.
Hoje, muitos cientistas já admitem que a primeira migração deva ter ocorrido entre 15.000 e 20.000 anos. Mas há pesquisadores que admitem até 50.000 anos! Os dados que existem ainda não são suficientes para que possamos chegar a uma conclusão.

 Assinale a alternativa incorreta. O texto sobre descobertas arqueológicas no atual território brasileiro revela que:
A) Existe uma pré-história na América do Sul.
B) Assim como em outras áreas do conhecimento histórico, uma nova descoberta permite novas interpretações sobre o passado.
C) A datação de Luzia permitiu retroceder a época da presença humana no continente americano.
D) O conhecimento sobre o passado remoto não tem base científica e por isso as datas podem apresentar enormes diferenças.

3. (2ª Olimpíada Nacional de História do Brasil Unicamp-SP 2010)
Em meados do século XX, era consenso entre muitos arqueólogos que os primeiros povoamentos das Américas teriam ocorrido durante o período final da Era Glacial, em torno de 12 mil anos atrás. Povos oriundos do norte da Ásia, seguindo a caça de grande porte, atravessaram o Estreito de Bering até o atual Estado do Alasca, assentaram-se primeiramente nos planaltos norte-americanos (há cerca de 11.500 anos) e, continuando em direção ao sul, através da América Central, chegaram aos Andes por volta de 10.500 anos Antes do Presente (AP)¹ . A colonização completa da América do Sul foi datada em torno de 10 mil anos atrás. (…)
Porém, as importantes coleções de esqueletos da Lagoa Santa, em Minas Gerais, foram datadas pelo carbono 14 e também analisadas por antropólogos físicos. Os resultados revelam que há 10 mil anos AP teria existido na região uma grande população (…). Deste modo, supõe-se que teria existido quase que simultaneamente uma população humana no norte da América e no Sul do continente. Os artefatos da Lagoa Santa podem colocar em xeque a proposta do povoamento da América vindo do norte em direção ao sul do país.
Nota explicativa: 1. Antes do Presente (AP) é uma expressão usada para a datação de períodos arqueológicos. Convencionou-se como data inicial para o início do Presente o ano de 1950. A indicação a.C (antes de Cristo) continua também a ser utilizada.

Assinale a alternativa incorreta.
A) Até o meio do século passado, arqueólogos aceitavam a hipótese de que a América teria sido povoada há mais ou menos 12 mil anos, a partir da migração de povos oriundos da Ásia.
B) A simultaneidade do povoamento no norte e no sul do continente, pressuposta pela datação do carbono 14, em Lagoa Santa, enfraquece a hipótese de um foco único de origem do Homem Americano.
C) As pesquisas arqueológicas realizadas no Brasil não contribuem para a compreensão do povoamento da América, já que os achados brasileiros são contemporâneos aos encontrados nos planaltos da América do Norte.
D) Quanto mais distantes os eventos históricos, menos precisas são as informações e maior a necessidade de recorrer a abordagens interdisciplinares para interpretá-los.


4. (3ª Olimpíadas Nacional de História do Brasil Unicamp – 2011)
“Aos poucos se vem corrigindo uma série de ideias errôneas, infelizmente enraizadas na cabeça de muita gente – e às vezes ensinadas nas escolas. Uma delas é que os primeiros ocupantes do território que hoje chamamos Brasil, como qualquer homem pré-histórico, teriam vivido num mundo frio e povoado por mamutes ou dinossauros. Refugiando-se dentro de cavernas (mas também nômades, sem domicílio fixo), disporiam essencialmente da pedra para fabricar seus instrumentos e passariam muita fome. Seriam primitivos que não imaginavam uma sociedade racionalmente organizada como a nossa. Esta é obviamente, uma fantasia oriunda das pesquisas realizadas na Europa no século XIX, dentro de uma perspectiva evolucionista.
Com efeito, as regiões tropicais não conheceram glaciações durante o Pleistoceno, e os mamutes – adaptados ao frio – nunca existiram no Brasil. Quanto a viver nas cavernas, teria sido estúpido instalar-se em lugares escuros, pouco arejados e onde não se poderia fazer fogo sem ficar defumado. Algumas populações utilizaram os abrigos bem abertos ou as entradas de grutas, mas, mesmo assim, sobretudo para fins ritualísticos ou para preservação de matérias perecíveis. Em geral, estabeleciam suas moradias a céu aberto. Por outro lado, instrumentos de pedra são perfeitamente dispensáveis onde há recursos disponíveis suficientemente variados, como vegetais, conchas e ossos (…) Enfim, em vez de formar grupos numerosos, tornando difícil a obtenção de alimentos para todos, muitas populações limitaram sua densidade, garantindo uma relativa abundância dentro de um território fixo, cujos recursos eram perfeitamente conhecidos.”

Vocabulário:
Pleistoceno: Período geológico entre 2.000.000 e 10.000 anos atrás; foi marcado por grandes mudanças climáticas no mundo todo; nas latitudes altas ocorreram fenômenos conhecidos como glaciações; nas regiões quentes, as oscilações afetaram sobre tudo a pluviosidade; no final do Pleistoceno, por exemplo, o clima de Minas Gerais era muito mais seco que o atual, enquanto o Piauí era bem mais úmido; as temperaturas eram também mais baixas, mas não a ponto de haver geadas em Minas Gerais, a não ser, talvez, nos pontos mais altos das serras do Mar e do Espinhaço; grandes animais pastavam então nas imensas extensões de cerrado e de pastos.

Em: André Prous. O Brasil antes dos brasileiros – a pré-história do nosso país. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed., 2006, pp. 136-137.


Assinale a alternativa incorreta.
A) As populações pré-históricas organizadas adaptam-se de diferentes maneiras ao meio em que vivem.
B) A imagem estereotipada do homem pré-histórico criada no século XIX ainda é difundida pelos meios de comunicação como cinema e televisão.
C) O estereótipo europeu do homem pré-histórico não é aplicável aos primeiros habitantes do território hoje chamado de Brasil.
D) O homem pré-histórico de regiões tropicais vivia em um clima ameno, sem inimigos naturais e com muitos materiais a sua disposição.

5. (ENEM 2007) 
A pintura rupestre mostrada na figura anterior, que é um patrimônio cultural brasileiro, expressa 
a) o conflito entre os povos indígenas e os europeus durante o processo de colonização do Brasil. 
b) a organização social e política de um povo indígena e a hierarquia entre seus membros. 
c) aspectos da vida cotidiana de grupos que viveram durante a chamada pré-história do Brasil. 
d) os rituais que envolvem sacrifícios de grandes dinossauros atualmente extintos. 
e) a constante guerra entre diferentes grupos paleoíndios da América durante o período colonial.


6. (FGV) Sobre os povos dos sambaquis, é incorreto afirmar que: 
a) sendo nômades, ocuparam a faixa amazônica, deslocando-se durante milhares de anos, do Marajó a Piratininga; 
b) sedentários, viviam da coleta de recursos marítimos e de pequenas caças; 
c) as pesquisas arqueológicas demonstram que tais povos desenvolveram instrumentos de pedra polida e de ossos; 
d) na chegada dos primeiros invasores europeus, esses povos já se encontravam subjugados por outros grupos sedentários; 
e) esses povos viveram na faixa litorânea, entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul, basicamente dos recursos que o mar oferecia.


7. (UFLA 2006) Observe o mapa.
a) O mapa justifica a hipótese de o homem americano apresentar características mongolóides ou pré-mongolóides, povos oriundos da Mongólia e Sibéria que penetraram no continente americano pelo Estreito de Bering. 
b) Segundo o que demonstra o mapa, o homem chegou à América em migrações esporádicas, navegando pelo Pacífico, vindo da Ásia, Polinésia e Oceania. 
c) Segundo o mapa, o homem americano é Autóctone, ou seja, surgiu no próprio continente, embora não exista nenhum fóssil anterior ao Homo Sapiens Sapiens. 
d) Observando o mapa, fica evidente que o Ser Humano não chegou no continente americano pelo oceano Atlântico, apesar de esse ser o caminho mais"curto". 
e) No continente sul-americano, o fóssil mais antigo é de uma mulher conhecida por Luzia, encontrada em 1975 próximo a Lagoa Santa/MG, datada de 11500 anos.


8. (UFPE) O conhecimento sobre as formas de sobrevivência humana, na pré-história brasileira, é um grande quebra-cabeça que vem sendo estudado por pré-historiadores e arqueólogos. 
Sobre a pré-história brasileira, assinale a alternativa correta. 
a) Os habitantes dos sambaquis sepultavam os seus mortos, colocando os corpos em urnas funerárias e os enterravam sob suas cabanas.
b) Denomina-se arte rupestre o conjunto de pinturas corporais, em cerâmica e em artefatos de madeira, produzidos na pré-história brasileira. 
c) O estudo da cultura material, incluindo a arte rupestre, pode gerar conhecimento sobre aspectos da vida material e espiritual dos povos que a produziram. 
d) As recentes pesquisas arqueológicas realizadas no Nordeste brasileiro comprovam a tese defendida na década de sessenta: o homem mais antigo do Brasil teria existido por volta de doze mil anos atrás. 
e) Através de escavações realizadas nos Estados de Goiás e Mato Grosso, foi comprovada a tese de que, nestas regiões, habitavam povos descendentes de incas bolivianos.

9. (Ufg 2010) As pinturas rupestres são evidências materiais do desenvolvimento intelectual dos seres humanos. Embora tradicionalmente estudadas pela Arqueologia, elas ajudaram a redefinir a concepção de que a História se inicia com a escrita, pois 
a) funcionam como códices velados de uma comunidade à espera de decifração. 
b) expressam uma concepção de tempo marcada pela cronologia. 
c) indicam o predomínio da técnica sobre as forças da natureza. 
d) atestam as relações entre registros gráficos e mitos de origem. 
e) registram a supremacia do indivíduo sobre os membros de seu grupo. 

10. (UFPI) Nas últimas décadas o Piauí vem figurando como um tema obrigatório nas discussões sobre o primitivo povoamento do território americano, o que decorre, principalmente, dos achados arqueológicos da Serra da Capivara, no município piauiense de São Raimundo Nonato. 
Sobre esse assunto, assinale, nas alternativas a seguir, aquela que está INCORRETA: 
a) Os municípios de São Raimundo Nonato, no Piauí, e de Central, na Bahia, detêm os mais antigos vestígios da presença humana na região nordeste. 
b) O acervo arqueológico de São Raimundo Nonato é administrado pela FUMDHAM - Fundação Museu do Homem Americano. 
c) A arqueóloga Niede Guidon, personalidade mais conhecida entre os profissionais que atuam junto ao acervo arqueológico de São Raimundo Nonato, tem protagonizado, ao longo dos anos, vários conflitos e polêmicas com o governo do Piauí, com órgãos federais como o IBAMA e até mesmo, com nativos do município de São Raimundo Nonato. 
d) Os achados arqueológicos de São Raimundo Nonato, no Piauí, assim como aqueles encontrados na Bahia, impõem uma revisão das teorias sobre o povoamento da América e não deixam dúvidas quanto à natureza autóctone do homem americano. 
e) Hoje, apesar de ainda ser forte a tese do povoamento da América ter-se dado através do Estreito de Behring, os estudiosos, a partir de acervos arqueológicos como os do Piauí, consideram seriamente a hipótese de múltiplas correntes de povoamento. Quanto à data da chegada dos primeiros povoadores, ainda há muitas controvérsias, não estando, em rigor, nada definitivamente estabelecido.



GABARITO


resposta da questão 1:
A afirmação de que a história do Brasil tenha apenas 500 anos é claramente eurocêntrica, pois parte do princípio de que apenas com a chegada da esquadra de Cabral teve início o processo histórico nas terras que hoje formam o Estado brasileiro.
Quando os primeiros portugueses aqui aportaram, encontraram populações nativas (as estimativas, bastante díspares, falam de 2 a 5 milhões de ameríndios). Os europeus, como conquistadores, denominaram estes povos de índios por considerá-los incivilizados e praticamente os exterminaram.
Hoje, negar um passado anterior a 1500 para essas populações é negar a sua existência, é considerar apenas os europeus como detentores do processo histórico. O mito que se tenta criar com as comemorações oficiais e oficiosas dos 500 anos procura esconder uma história que foi escrita com extermínio de índios, exploração de escravos negros e exclusão das camadas populares.

resposta da questão 2:[D]

resposta da questão 3:[C]

resposta da questão 4: [D]

resposta da questão 5:[C] 

É fundamental o conhecimento de que as pinturas rupestres, realizadas em cavernas, são características de povos da pré-história, caracterizados pelo nomadismo e pela ausência de produção – viviam da caça, pesca e coleta. O principal sítio arqueológico no Brasil, onde se identificam tais características, fica em São Raimundo Nonato, no Piauí.

resposta da questão 6: 
Por volta de 6 mil anos atrás, parte do litoral (dos atuais estados do Espírito Santo ao Rio Grande dos Sul) foi habitada por povos sem-nômades, que compartilhavam certas características culturais ligadas ao ambiente litorâneo. 

resposta da questão 7: [C] 
O homem americano não é autóctone, ou seja não surgiu no próprio continente, mas para cá se dirigiu em sucessivas ondas migratórias como demonstrado pelo mapa.

resposta da questão 8:[C]

Resposta da questão 9: [A] 
O enunciado propõe uma crítica à ideia tradicional de que a História se inicia com a escrita, pressupõe que se inicia antes, com as próprias pinturas no interior de cavernas na chamada “pré-história”, pois nos transmitem informações, usadas para entender o grupo humano que a produziu.

resposta da questão 10:[D]


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Vestibular UFAL 2016

Confira as questões de História do Vestibular UFAL 2016

Questão 1


BRASIL. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. Selo comemorativo do tricentenário da Restauração Pernambucana. 1954. Disponível em: . Acesso em: 02 nov. 2015. 

O selo comemorativo mostra a face de quatro dos líderes da Restauração Pernambucana de 1654 cuja consequência direta foi a 
A) expansão do comércio de escravos. 
B) propagação dos engenhos de açúcar. 
C) extinção do período colonial no Brasil. 
D) expulsão dos holandeses do Nordeste. 
E) finalização da Batalha dos Guararapes





Questão 2

Paratodos 
O meu pai era paulista 
Meu avô, pernambucano 
O meu bisavô, mineiro 
Meu tataravô, baiano 
Meu maestro soberano 
Foi Antônio Brasileiro 
[...] Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2015.



O trecho da letra da música Paratodos, de Chico Buarque, retrata uma dimensão brasileira muito importante para compreender a 
A) dispersão migratória interna. 
B) transitoriedade da identidade. 
C) miscigenação histórica da nação. 
D) diversidade social, racial e étnica. 
E) ancestralidade genealógica do povo.





Questão 3

Banco de horas 
O chamado banco de horas é uma possibilidade admissível de compensação de horas, vigente a partir da Lei nº 9.601/1998. Trata-se de um sistema de compensação de horas extras mais flexível, mas que exige autorização por convenção ou acordo coletivo, possibilitando à empresa adequar a jornada de trabalho dos empregados às suas necessidades de produção e demanda de serviços. Esse sistema de banco de horas pode ser utilizado, por exemplo, nos momentos de pouca atividade da empresa para reduzir a jornada normal dos empregados durante um período, sem redução do salário, permanecendo um crédito de horas para utilização quando a produção crescer ou a atividade acelerar. Se o sistema começar em um momento de grande atividade da empresa, a jornada de trabalho poderá ser estendida além da jornada normal (até o limite máximo da décima hora diária) durante o período em que o alto volume de atividade permanecer e deverá ser compensada posteriormente com a redução da jornada de trabalho. 

Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2015. 

O banco de horas é uma inovação que surgiu no modelo de produção 
A) fordista, buscando diminuir a formação de estoques. 
B) toyotista, com o objetivo de adequar a produção à demanda. 
C) taylorista, que tenta aumentar a produção sem aumentar os custos. 
D) keynesiano, objetivando aumentar a influência do estado na economia. 
E) socialista, buscando garantir os empregos e a continuidade da produção.  






Questão 4
  Desde o advento da Ciência, no século XVII, que rejeitamos a mitologia como um produto das mentes supersticiosas e primitivas. Contudo, só agora conseguimos ter uma perspectiva mais profunda e completa da natureza e do papel do mito na história do Homem. [...] Os mitos despertam no Homem pensamentos que lhe são desconhecidos. 
LEVI-STRAUSS, Claude. Mito e Significado. Lisboa: Edições 70, 2007. p. 5 e 8. 

A redescoberta do papel do mito no mundo contemporâneo tem possibilitado 
A) uma maior interação entre as religiões ocidentais e as crenças dos povos nativos da América e da África. 
B) uma maior afirmação da ciência como fonte válida de interpretação do real e raiz da inteligibilidade. 
C) a separação entre ciência e metafísica, evidenciando o caráter pueril do conhecimento do senso comum. 
D) a valorização do conhecimento primitivo e lançado um novo olhar sobre os hábitos e tradições dos povos indígenas. 
E) o reconhecimento do saber primitivo como uma forma de compreensão do real tão fundamentada quanto o saber científico.




Questão 5

[...] a tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. O que significa isso? Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder [...]. A propriedade mais notável do chefe indígena consiste na ausência quase completa de autoridade. [...] O chefe é um fazedor de paz; ele é a instância moderadora do grupo [...]. Ele deve apaziguar as disputas, regular as divergências, não usando de uma força que não possui e que não seria reconhecida. [...] Os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra: não para arbitrar entre as partes opostas, pois o chefe não é um juiz e não pode se permitir tomar partido por um ou por outro, mas para, armado apenas de sua eloquência, tentar persuadir as pessoas da necessidade de se apaziguar [...]. 
CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o estado. São Paulo: COSAC NAIFY, 2012 (adaptado). 

O texto enfatiza uma característica dos povos nativos da América que, em geral, era interpretada pelos colonizadores como 
A) uma alternativa ao modelo de estado absolutista despótico. 
B) um modelo de organização social avançado que prescindia a existência do estado. 
C) uma fraqueza, pois denotava a falta de organização política nos moldes europeus. 
D) uma forma de organização social mais útil aos interesses colonialistas do que o modelo africano. 
E) um modelo perigoso e que deveria ser submetido aos interesses e padrões do colonialismo europeu. 




 Questão 6
O Bonde São Januário 
Composição: Wilson Batista e Ataulfo Alves 

Quem trabalha é quem tem razão 
Eu digo e não tenho medo de errar 
O Bonde São Januário 
Leva mais um operário: Sou eu que vou trabalhar 
Antigamente eu não tinha juízo 
Mas resolvi garantir meu futuro 
Vejam vocês: Sou feliz, vivo muito bem 
A boemia não dá camisa a ninguém 
Passe bem! 
ALVES, A.; BATISTA, W. O Bonde São Januário, 3 min, 17 seg. 1940. Disponível em: . Acesso em: 04 nov. 2015. 

A letra do samba “O Bonde São Januário” sofreu intervenção da censura durante o governo de Getúlio Vargas como parte de seu projeto de 
A) difusão da propaganda. 
B) valorização do trabalho. 
C) qualificação dos artistas. 
D) regulação da informação. 
E) integração das ideologias.



Questão 7
O ciclo da borracha foi um importante momento da história econômica e social do Brasil. Esse período está relacionado com a extração e a comercialização da borracha. [...] Seu marco ocorreu na região amazônica, proporcionando a expansão da colonização. Tal fato acarretou grandes transformações socioculturais, formando vilas e povoados, na beira de rios, que depois se transformaram em cidades. Manaus, Porto Velho e Belém, entre outras, foram algumas das cidades que enriqueceram expressivamente durante o breve ciclo. 
D’AGOSTINI, S. et al. Ciclo econômico da borracha – seringueira. Páginas do Inst. Biol., São Paulo, v. 9, n.1, p. 6-14, jan./jun., 2013. 

Esse ciclo econômico provocou 
A) o estabelecimento de uma política de ocupação territorial para a Amazônia baseada na preocupação com o meio ambiente. 
B) o aumento da demanda brasileira por equipamentos industriais necessários à extração do látex. 
C) a reordenação do espaço amazônico, que passou a ter sua economia voltada para o mercado interno. 
D) a inserção do Brasil no mercado mundial de borracha, dominado até então pelos ingleses. 
E) a “Questão do Acre”, resolvida com a assinatura do tratado de Petrópolis.





Questão 8

Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2015. 

A tirinha nos remete às ideias do pensador Walter Benjamim, que refletiu sobre o surgimento da propaganda na Paris do século XIX e sobre o surgimento da nova sociedade de consumidores. Sob essa ótica, ao analisar o “palco da política”, ele evidencia o lado ruim do processo eleitoral, como é demonstrado na tirinha, em que 
A) a busca pela verdade dos fatos é obscurecida pelos novos recursos de propaganda. 
B) as imagens ganham maior importância que o discurso na apresentação das ideias. 
C) as qualidades dos políticos são expostas sem filtros, através dos modernos meios de comunicação. 
D) a facilidade de comunicação com as massas leva o candidato a se adaptar aos novos meios de comunicação. 
E) a política se transforma em encenação e as ideias são substituídas por imagens produzidas para seduzir o eleitor.  





Questão 9

O trabalhador se torna tão mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. 
MARX, K. A Consciência revolucionária da História. 3. ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 148. 

Segundo Marx, as mudanças nas relações descritas no texto, devido ao sistema capitalista, levaram à 
A) alienação da perda do objeto e do produto. 
B) apropriação das propriedades comunitárias. 
C) exploração ampla e injusta da mão de obra. 
D) superação da divisão social do proletariado. 
E) contestação dos ganhos erários da burguesia.  


resposta:[A]


Questão 10

Entre os diversos movimentos políticos e intelectuais que marcaram a crise do sistema colonial no Brasil, esse apresenta algumas características especiais. Diferentemente de outros movimentos – idealizados por advogados, magistrados, militares, padres e ricos contratantes –, teve na liderança representantes das camadas populares do Brasil colonial: brancos, pobres, mulatos, negros livres, escravos. O movimento foi pautado por preocupações sociais e raciais de igualdade de raça e cor, fim da escravidão e abolição de todos os privilégios sociais e econômicos. Foi a nossa mais importante revolta anticolonial. Não lutava apenas para que o Brasil se separasse de Portugal; advogava também a modificação interna da sociedade, que era preconceituosa, baseada nos privilégios dos grandes proprietários e na exploração do trabalho escravo. 
COSTA, L. C. A.; MELLO, L. I. A. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1999 (adaptado). 

O movimento político descrito no texto se refere à 
A) Revolta dos Alfaiates. 
B) Inconfidência Mineira. 
C) Revolução Farroupilha. 
D) Confederação do Equador. 
E) Insurreição Pernambucana.  






Questão 11
O esforço (economia) de guerra Em 1940 havia 8 milhões de norte-americanos desempregados. Em 1943, praticamente não se falava em desemprego e até faltava mão de obra em alguns setores. A semana de trabalho média na indústria de bens duráveis passou de 38 horas, em 1939, para 47 horas em 1943. [...] O produto nacional bruto cresceu em ritmo sem precedentes, de 91 bilhões de dólares em 1939 para 214 bilhões em 1945, isto é, 235%. Do outro lado do Oceano Pacífico, a economia de guerra japonesa era essencialmente uma “economia de escassez”. No início de 1942, cada cidadão recebia uma cota de arroz de apenas 330 gramas por dia. A escassez de alimentos trouxe consequências desastrosas, sobretudo para as crianças e os idosos. Houve surtos de tuberculose e outras doenças que vitimaram a população. 
WILLMOTT, H. P. et al. Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008 (adaptado). 

O contraste entre os países retratados no texto pode ser explicado 
A) pelo maior domínio tecnológico dos EUA, superando, em muito, a tecnologia de guerra japonesa. 
B) pelas distâncias desses países em relação aos centros produtores de alimentos e matérias primas industriais mais favoráveis aos EUA. 
C) pelo fato de a guerra não ter chegado efetivamente ao território norte-americano e pelos constantes bombardeios ao arquipélago japonês. 
D) pela diferença cultural entre os dois países, marcada pela disciplina nipônica, que ajuda a superar os desafios, e pelo consumismo norte-americano, que dinamiza a economia. 
E) pelo padrão alimentar de cada nação, já que os norte-americanos possuem uma alimentação baseada em produtos industriais e os japoneses em produtos mais naturais como o arroz.  





Questão 12

Os pesquisadores que têm se aproximado das questões que envolviam o Império Romano no reinado de Constantino I (306- 337), encontram grande diversidade de ideias e imagens ao retratá-lo. Ora visto como um político astuto, pragmático em suas decisões, ora visto como um imperador com preocupações místicas religiosas. Mas uma coisa é inegável, “um dos acontecimentos decisivos da história ocidental, e mesmo mundial, se produziu em 312, no imenso Império Romano”, sob o governo de Constantino. 
SILVA, Diogo Pereira da. As abordagens historiográficas sobre Constantino I (306-337): uma revisão. Dimensões, Vitória, vol. 25, p. 32-45, 2010 (adaptado). 

O texto faz referência a acontecimentos importantes do governo de Constantino, entre os quais se destaca 
A) o fim da escravidão e a adoção de um amplo processo de reforma agrária e econômica. 
B) o combate à revolta dos escravos e a divisão do Império Romano em Oriental e Ocidental. 
C) a adoção de um novo sistema de cobrança de impostos, que reorganizou a economia do Império. 
D) a instalação da república romana e a criação de uma hierarquia administrativa baseada na tetrarquia. 
E) o estabelecimento de outra capital para o Império, em Constantinopla, e a liberdade de culto aos cristãos. 






Questão 13
Tenho razão em concluir que aquele que me colocasse sob seu poder sem meu consentimento me usaria como lhe aprouvesse quando me visse naquela situação e prosseguiria até me destruir; pois ninguém pode desejar ter-me em seu poder absoluto, a não ser para me obrigar à força a algo que vem contra meu direito de liberdade, ou seja, fazer de mim um escravo. Escapar de tal violência é a única garantia de minha preservação. 
LOCKE, John. Segundo Tratado do Governo Civil. Cap. 3, tópico 17. [s/p]. Disponível em: . Acesso em: 30 out. 2015. 

Na relação entre Indivíduo e Governo, o Liberalismo de John Locke, como expresso no texto, estabelece que a 
A) legitimação do poder deva advir do estado de medo. 
B) subordinação ao poder do governo deva ser limitado. 
C) separação dos poderes deva ser a base da igualdade. 
D) subjugação deva provocar desejos libertários de poder. 
E) ação soberana deva resguardar a segurança do cidadão. 





Questão 14

Remanescentes Florestais da Mata Atlântica em 1500 e hoje. Disponível em: . Acesso em: 02 nov. 2015. 

O mapa faz referência à existência da mata atlântica entre 1500 e nos dias atuais cujo desaparecimento foi decorrente da 
A) exploração do pau-brasil e das práticas de plantation. 
B) urbanização e crescimento desordenado das cidades. 
C) devastação econômica e étnica dos grupos indígenas. 
D) expansão da pecuária e da agricultura de subsistência. 
E) colonização portuguesa nas regiões de mata litorâneas. 





Questão 15
Muitos são os fatores que tornam a Revolução do Haiti um acontecimento único; a ex-colônia francesa foi uma das primeiras a realizar a independência diante da metrópole, utilizando-se, inclusive, das ideias de libertação da própria França, sua colonizadora, além disso, a Revolução foi levada a cabo por escravos, quando que na maior parte das colônias europeias na América Latina o processo de independência fora encabeçado por membros de uma elite crioula e, embora tenha havido participação popular, esta foi muito diminuta. 
SOARES, Ana Loryn; SILVA, Elton Batista da. A revolução do Haiti: um estudo de caso (1791-1804). Ameríndia, v.1, 2006, p.4. Disponível em: . Acesso em: 05 nov. 2015. 

A luta pela conquista da independência política do Haiti se tornou singular, pois Liberdade, para eles, implicava 
A) acabar com a escravidão. 
B) findar com a discriminação. 
C) agenciar a igualdade racial. 
D) lutar pela divisão das terras. 
E) buscar a livre comercialização. 




Questão 16
Apesar de apoiados por africanos não muçulmanos, que também entraram na luta, os malês foram os responsáveis por planejar e mobilizar os rebeldes. Suas reuniões – feitas nas casas de libertos, nas senzalas urbanas, nos cantos de trabalho – misturavam conspiração, rezas e aulas em que se exercitavam a recitação, a memorização e a escrita de passagens do Corão, o livro sagrado do islamismo. O próprio levante foi marcado para acontecer no final do mês sagrado do Ramadã, o mês do jejum dos muçulmanos. Os malês foram para as ruas guerrear usando um abadá branco, espécie de camisolão tipicamente muçulmano, além de também carregar em volta do pescoço e nos bolsos amuletos protetores, que eram cópias em papel de rezas e passagens do Corão dobradas e enfiadas em bolsinhas de couro ou pano. 
REIS, João J. A Revolta dos Malês em 1853. Universidade Federal da Bahia. 2008, p. 4. Disponível em: . Acesso em: 09 nov. 2015. 

A coesão dos negros na Revolta dos Malês, segundo o texto, foi decorrente da sua 
A) origem africana. 
B) visão ideológica. 
C) crença religiosa. 
D) prática esotérica. 
E) identidade étnica. 





Questão 17

Segundo Aristóteles, o ser humano é um animal racional, ou seja, um ser capaz de raciocínio. Mas o que quer dizer “raciocinar”? Raciocinar quer dizer dar razões, isto é, justificações coerentes e dotadas de sentido, numa palavra, “argumentar”. [...] Cabe à filosofia a tarefa de manter viva a luz da razão contra os enganos que procedem da aceitação ingênua e acrítica de qualquer discurso, especialmente se escrito ou recitado nos meios de comunicação de massa. [...] Nos seus apontamentos que remontam à década de 30, eis o que escrevia Wittgenstein: “Filosofar é: descartar argumentações erradas”. 
PENCO, Carlo. Introdução à filosofia da linguagem. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. p. 13. 

O texto faz uma reflexão sobre o uso da linguagem para expressar o raciocínio e o papel da filosofia. 
Nesse contexto, a filosofia deve 
A) auxiliar a criação de discursos eficazes em alcançar seus objetivos. 
B) enunciar elementos capazes de dar sustentação à ideia defendida. 
C) estimular o raciocínio, criando dúvidas onde antes somente havia certezas. 
D) priorizar a clareza e objetividade com o intuito de expressar ou descobrir a verdade. 
E) buscar convencer o interlocutor da importância da comunicação de massa.  




Questão 18

Henrique VIII estava casado havia 18 anos com Catarina de Aragão e tinha apenas uma filha. A rainha era princesa espanhola e tia de Carlos V, rei da Espanha. Henrique VIII temia que após sua morte os espanhóis dominassem a Inglaterra, pois sua filha estava prometida em casamento a Filipe, filho de Carlos V e herdeiro do trono espanhol. Para evitar esse destino deveria ter um filho homem, mas Catarina havia se tornado estéril. Assim, Henrique VIII decidiu separar-se de Catarina de Aragão e casar-se com Ana Bolena, dama de honra da corte. Para tanto, solicitou ao papa Clemente VII a anulação de seu casamento, o que foi negado. 
RAMOS NETO, João Oliveira. Henrique VIII... Revista Tempo de Conquista. dez. 2010. Disponível em: . Acesso em: 01 nov. 2015 (adaptado). 

Dentre os acontecimentos decorrentes do fato citado no texto, destaca-se 
A) a noite de São Bartolomeu. 
B) o surgimento da Igreja Anglicana. 
C) a rejeição à reforma protestante luterana. 
D) a aceitação do calvinismo como religião oficial inglesa. 
E) o confronto entre católicos romanos e católicos ortodoxos na Inglaterra.  



GABARITO
1. resposta:[D]
2. resposta:[A]
3. resposta:[B]
4. resposta:[D]
5. resposta:[C]
6. resposta:[B]
7. resposta:[E]  
8. resposta:[E]
9. resposta:[A]
10. resposta:[A]
11. resposta:[C]
12. resposta:[E]
13. resposta:[B]
14. resposta:[A]
15. resposta:[A] 
16. resposta:[C]
17. resposta:[D]
18. resposta:[B]