quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Carlos Lamarca e a guerrilha contra a Ditadura

Lamarca
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Brasil
1994 cor 130 min
Direção
Sérgio Rezende
Roteiro/Guião
Alfredo Oroz Sérgio Rezende
Elenco
Paulo Betti
Carla Camurati
Roberto Bomtempo
Deborah Evelyn
Gênero
drama biográfico
Idioma
português

Lamarca é um filme brasileiro de 1994, dirigido por Sérgio Rezende e baseado em livro de José Emiliano e Miranda Oldack, de título Lamarca, o capitão da guerrilha, uma biografia do militar e guerrilheiro Carlos Lamarca.
A
trilha sonora é de David Tygel.


Sinopse
A história começa em dezembro de 1970, quando o ex-capitão do exército brasileiro e grande atirador Carlos Lamarca e seu grupo rebelde auto-denominado "
revolucionários" negociam com o Regime Militar, que chamam de "Ditadura", a soltura de presos políticos em troca da vida do sequestrado embaixador da Suíça, mantido por eles em cativeiro. Trinta presos são soltos e a "repressão" aumenta a perseguição aos guerrilheiros, comandadas por um general do Exército e o delegado civil Flores (referência ao delegado da vida real Fleury), que se apresenta como o matador de Marighella e outros "subversivos" e não hesita em torturar seus prisioneiros para obter informações. Os dirigentes do grupo de Lamarca querem que ele saia do Brasil, mas ele não aceita. Lamarca vai então para a Bahia, acompanhado da amante e também militante Clara, para se encontrar com os aliados da guerrilha Zequinha e seus irmãos. Eles o escondem em um sítio no interior do estado. Enquanto espera para se encontrar com os demais guerrilheiros para organizarem um levante rural, Lamarca lembra de momentos do seu passado, da experiência marcante de quando serviu como soldado da ONU no Canal de Suez que o fez se revoltar contra os "capitalistas", da sua mulher e filhos que enviara para Cuba e do campo de treinamento de guerrilheiros que criara no Vale do Paraíba em São Paulo.

Elenco
Paulo Betti .... Carlos Lamarca
Carla Camurati .... Clara
Deborah Evelyn .... Marina
Roberto Bomtempo .... Fio
José de Abreu .... major
Nelson Dantas .... pai de Lamarca
Eliezer De Almeida .... Zequinha
Jurandir de Oliveira .... professor Santa Cruz
Ernani Moraes .... delegado Flores
Carlos Zara .... militar
Alvarito Mendes Filho
Camilo Beviláqua
Anna Cotrim .... guerrilheira
Enrique Díaz
Marcelo Escorel
Luiz Maçãs
Selton Mello
Patrícia Perrone
Orlando Vieira
Nelson Xavier










Curiosidades
Sem citar os nomes verdadeiros, o roteiro alude as personalidades da época da repressão militar pela sonoridade dos nomes; assim, o delegado
Sérgio Paranhos Fleury se transformou em "Flores", e Iara Iavelberg, em "Clara".














Biografia



cenas do filme Lamarca de 1994.



Carlos Lamarca (Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1937Pintada, 17 de setembro de 1971) foi um militar brasilleiro, que desertou do exército durante a ditadura militar e se tornou um guerrilheiro comunista, usando o que muitos consideram táticas de terrorismo.
Como guerrilheiro, integrante da
Vanguarda Popular Revolucionária, foi, juntamente com Carlos Marighella, um dos principais opositores armados à ditadura militar de direita no país, visando à implantação de um regime totalitário de orientação comunista no Brasil[1] Devido a isto, foi condenado por "traição e deserção" pelo Exército Brasileiro [2]. É o unico homem na História do Brasil a receber status de traidor da nação.
Trinta e seis anos após a morte de Lamarca, a Comissão de
Anistia do Ministério da Justiça sob supervisão do Ministro da Justiça Tarso Genro dedicou sua sessão inaugural a promovê-lo a coronel do Exército e a reconhecer a condição de perseguidos políticos de sua viúva e filhos. A decisão foi criticada na imprensa, sendo apelidada de "bolsa terrorismo". [3]
Índice

Biografia
Filho de pais pobres, Lamarca nasceu em 27 de outubro de 1937 e viveu, até os 17 anos, no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, com seus irmãos e uma irmã de criação, Maria Pavan, que viria a ser sua esposa, após ter sido engravidada por Lamarca, quando este cursava a Academia Militar.

Carreira no Exército Brasileiro
Ingressou, em
1955, na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Dois anos mais tarde foi transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro. Concluído o curso, foi declarado aspirante a oficial, classificado em 46º lugar numa turma de 57 cadetes (1960), e passou a servir no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, na cidade de Osasco, em São Paulo.
Integrou o
Batalhão Suez, nas Forças de Paz da ONU na região de Gaza, Palestina, de onde retornou dezoito meses mais tarde. Estava servindo à 6ª Companhia de Polícia do Exército, em Porto Alegre, quando ocorreu o golpe militar de 1964.
De volta a
Quitaúna em 1965, foi promovido ao posto de capitão em 1967. Iniciou contatos com facções de esquerda que defendiam a luta armada para derrubar a ditadura de direita e implantar um regime totalitário de esquerda. Em 1969, abandonou o exército para unir-se à organização clandestinaVanguarda Popular Revolucionária (VPR), levando parte do armamento da guarnição para a guerrilha. Esse furto de armamento foi organizado e executado por ele e pelo sargento Darcy Rodrigues, também integrante do quadro de Quitaúna, e que supostamente teria aliciado Lamarca a ingressar na VPR. Participaram também da ação o cabo Mariani e soldado Roberto Zanirato, morto sob tortura na OBAN (DOI-CODI/SP).
Em 2007, trinta e seis anos após a sua morte, foi promovido a Coronel do Exército pela Comissão de Anistia
[4].

Guerrilha
Lamarca tornou-se um dos mais ativos militantes da oposição armada ao regime militar brasileiro. Participou de diversas ações, como assaltos a bancos, num dos quais matou com dois tiros o guarda civil Orlando Pinto Saraiva. Em seguida, instalou um comitê de resistência no
Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, desarticulado em 1970 por forças do Exército, após a prisão de vários militantes da VPR em abril de 1970, e, principalmente após a prisão de Maria do Carmo Brito, uma das dirigentes nacionais da VPR, no dia 18 de abril de 1970, o exército chegou até a área ativa de treinamento da VPR.
Nessa época, no dia
10 de maio de 1970, participou, com outros quatro guerrilheiros, do assassinato do tenente da Polícia MilitarAlberto Mendes Júnior Alberto Mendes Jr(http://www.polmil.sp.gov.br/paginas_pm/mnu_institucional/popheroes.aspcodigo=207), que havia organizado uma emboscada para prender o grupo, mas acabou sendo capturado.
No mesmo ano Lamarca comandou o seqüestro do embaixador
suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, com o fim de trocá-lo por presos políticos no Rio de Janeiro. A ação do sequestro resultou na morte do agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo, que fazia segurança do embaixador suíço.
Desligou-se da
VPR e ingressou no MR-8. Embora se afirme que por essa razão fugiu para a Bahia, Lamarca estava seguindo planos da organização, que acreditava ter chegado a hora de iniciar a revolução no campo. Em 17 de setembro de 1971 foi localizado na região do Agreste baiano, no povoado de Pintada, atual município de Ipupiara (então desmembrado do município de Brotas de Macaúbas). Já estava cercado quando foi executado por tropas do Exército, junto com o metalúrgico José Campos Barreto, integrante da VPR.
Embora a esposa de Lamarca se encontrasse exilada em
Cuba desde 1968, com os dois filhos do casal - onde recebeu a notícia da sua morte -, durante a vida na clandestinidade, Lamarca conheceu Iara Iavelberg, que se tornou sua companheira. Ela havia sido morta dias antes da morte de Lamarca, em circunstâncias não esclarecidas, em um apartamento em Salvador, na Bahia.
Depois de vários anos a família de Carlos Lamarca teve aprovação no pedido de Anistia. Por decisão da Comissão de Anistia, a viúva Maria Pavan Lamarca e seus dois filhos tiveram aprovados uma indenização de 300 mil reais (isentos de imposto de renda) como compensação do período que passaram exilados em Cuba.

A opinião dos companheiros
Lamarca sempre foi uma figura controversa, até mesmo na óptica de seus companheiros de guerrilha, desfazendo em parte o mito de unanimidade junto à guerrilha brasileira na década de 70.
Ariston Oliveira Lucena - que com ele participou do assassinato do tenente da Polícía Militar de São Paulo Mendes em
Registro - disse em entrevista publicada no Jornal do Brasil de 22 de setembro de 1988 sobre Lamarca: "... era teoricamente despreparado e politicamente sem experiência ... tinha frieza e intuição ... era autoritário e não gostava de ser contrariado ..."
Opiniões divergentes de outros companheiros que com ele participaram do treinamento no Vale da Ribeira. Darcy Rodrigues e José Lavecchia, presos pelo Exército em abril de 1970, não deixaram de contar aos demais presos da cela 2, no DEOPS/SP, sua grande capacidade de liderança, competência militar e, principalmente, extremado companheirismo. Provou rompendo o cerco do Exército, dominando um pelotão da PM sem disparar um tiro e sequestrando um caminhão militar com toda a guarnição e com ele levando aos demais companheiros a salvo até São Paulo.


Obras sobre Lamarca
Ao fim do regime ditatorial, os jornalistas
Oldack Miranda e Emiliano José editaram e publicaram o livro "Lamarca, Capitão da Guerrilha".
A obra deu origem ao filme
Lamarca, lançado em 1994, dirigido por Sérgio Rezende e protagonizado por Paulo Betti. No filme Zuzu Angel, do mesmo diretor, novamente o ator interpreta Carlos Lamarca em uma cena.

Homenagem
A Prefeitura do município de Ipupiara - Bahia, construiu na comunidade de Pintada, local onde Lamarca foi morto, uma praça em sua homenagem, a qual contem uma estátua de Carlos Lamarca, anfiteatro, playground, fonte luminosa e cantina. A praça Capitão Carlos Lamarca foi inaugurada no dia 13 de janeiro de 2007. O município também homenageou Lamarca criando uma lei através da qual acrescenta no calendário dos feriados municipais o dia 17 de setembro.



Ligações externas
"A luta pelo esclarecimento dos crimes da ditadura militar": texto com referência à morte de Iara Iavelberg
"Lamarca morto na Bahia": Banco de Dados Folha (publicado na Folha de S. Paulo, domingo, 19 de setembro de 1971.)
Entrevista de Carlos Lamarca a jornais europeus, em junho de 1970, sobre a guerrilha no Brasil
"Lamarca: A Trajetória de um Deserto": Página da Organização Não Governamental Grupo Terrorismo Nunca Mais - TERNUMA.
Lamarca, o Capitão da Guerrilha: página no site de Emiliano José, sobre o livro de sua autoria e com diversos links sobre o tema
Lamarca (1994): resenha do filme dirigido por Sérgio Rezende.
Lamarca: ficção e realidade: ensaio baseado no filme "Lamarca".
Cronologia da vida de Lamarca e personagens correlatos
Documentos inéditos e secretos revelam a Guerrilha do Ribeira, no site resgatehistórico.com
Iara Iavelberg, no site do Grupo "Tortura Nunca Mais" - RJ
"Autores de Lamarca admitem rever morte de Iara Iavelberg": texto no site de Emiliano José
Usina de Letras - artigo Lembrar é preciso, de Félix Maier (10 de maio de 2001)

Referências
GASPARI, Elio - A Ditadura Escancarada, p. 193 e 194.
Quitaúna: 70 anos de história acontecem sob nossos narizes
http://veja.abril.com.br/200607/p_068.shtml
Folha de S. Paulo. 14 de junho de 2007. Comissão de Anistia declara Lamarca coronel do Exército

4 comentários:

  1. Jose Araujo de Nobrega13 de setembro de 2010 15:56

    Ola
    Acrescento que jamais estive preso na OBAN/SP. Fui preso no Vale do Ribeira,no dia 11 de maio de 1970, torturado por policiais do DOPS/SP na delegacia de policia de Jacupiranga, durante 6 dias e posteriormente enviado ao recem inaugurado Centro de Torturas da Aeronautica no Galeão para em seguida ser enviado ao exterior junto com outros companheiros em julho de 1970.

    Jose Araujo de Nobrega

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  2. Obrigado por seu esclarecimento. É de fundamental importância um testemunho de alguém que foi testemunha ocular dos fatos narrados acima.

    Abraço.
    Edenilson Morais

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  3. marcione aparecida gonçalves31 de outubro de 2010 16:24

    e preciso divulgar nossa historia os jovens nao conhece esta parte terrivel da historia atos filmes e importante,estaas divulgaçoes pq so quem passou pela historia viveu o terromismo da tortura sabe quem e qeum dentro da politica

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  4. MAXIMILIANO ZANIRATO27 de novembro de 2010 09:26

    Inicialmente gostaria de dizer que gostei muito desta matéria. Muito instrutiva e reveladora. Contudo, é preciso fazer uma correção. O nome do Soldado do Exército que era fiel companheiro do Capitão Carlos Lamarca, que inclusive com 20 anos de idade, deixou o Exército para seguir seu capitão, e com fibra e coragem, sob intensa tortuta, resistiu bravamente até ser morto em junho de 1969 nos porões do DOPS. O nome correto é CARLOS ROBERTO ZANIRATO. Ele é meu tio. Sou filho de seu irmão mais novo. Se hoje estivesse vivo estaria com 60 anos. Eu e minha avó, hoje com 80 anos e a saúde muito debilitada (mãe de Carlos Zanirato), estamos reunindo testemunhas da época para ingressarmos com uma Ação Judicial de reparação, pois entendemos que como aconteceu com o nobre Capitão, meu tio também reúne direito de ser reintegrado ao Exército e aposentado post mortem, e minha avó receber pensão por isso.

    Parabéns ao blog. E segue meus contatos:
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