Roteiro de estudos: Alta Idade Média

1. (ENEM 2013) Quando ninguém duvida
da existência de um outro mundo, a morte é uma passagem que deve ser celebrada
entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não
desaparecer completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo
continua na eternidade. A perda contemporânea do sentimento religioso fez da
morte uma provação aterrorizante, um trampolim para as trevas e o desconhecido.
2. (Unesp 2013) Nos arredores de Assis, dois leprosários [...] hospedavam os homens e mulheres de visão repugnante escorraçados por todos: considerava-se que os leprosos eram assim por castigo de Deus, por causa dos pecados cometidos, ou porque tinham sido concebidos em pecado. Por isso, ao se movimentarem, eram obrigados a bater certas castanholas, para que os sãos pudessem evitá-los, fugindo a tempo.
A lepra e as demais doenças recorrentes durante a Idade Média
(A) resultavam do descuido das vítimas e os médicos se dedicavam apenas aos doentes graves ou terminais.
(B) atingiam basicamente as populações rurais, pois as condições de higiene e saneamento nas cidades eram melhores.
(C) atacavam e matavam igualmente nobres e pobres, pois não existiam hospitais ou remédios.
(D) eram consideradas contagiosas e, devido a isso, não havia pessoas dispostas a cuidar dos enfermos.
(E) eram muitas vezes atribuídas à ação divina e as vítimas eram tratadas como responsáveis pelo mal.
resposta da questão 2:[B]
Comentário da questão:
O enfraquecimento do poder laico e a emergência de uma sociedade fortemente influenciada pela religiosidade, esta sob a liderança católica, deram vazão na Idade Média a uma interpretação irracional de eventos naturais, tais como a ocorrência de enfermidades e epidemias em geral. As condições precárias de higiene, em especial nas zonas urbanas onde a aglomeração humana acentuava a disseminação de pragas, acabavam por facilitar a eclosão de epidemias de grande extensão. Apesar da existência de centros dedicados a tratar de enfermos, tais como os leprosários citados no texto e mosteiros que recebiam os doentes, a falta de conhecimento e de uma medicina mais preparada (O conceito biológico de contágio não existia ainda na Idade Média) dificultavam o tratamento eficiente dos doentes. Deste modo, as epidemias e outras doenças eram atribuídas a um suposto castigo divino em decorrência dos pecados cometidos por aquele que adquiriu a doença, desta forma imputando ao doente a culpa pelo seu próprio sofrimento. Lembre-se que a Igreja buscava incutir na população a noção de que a vida terrena seria exatamente o locus no qual a penitência devia ser cumprida.
3. (UPE 2013) Sobre a relação entre cultura e cristianismo na Idade Média, analise as seguintes afirmações:
I. A Baixa Idade Média transcorreu alheia às práticas heréticas em solo europeu.
II. Cidades, como Roma e Santiago de Compostela, eram destinos recorrentes no itinerário dos peregrinos.
III. Os mosteiros e as catedrais podem ser considerados as edificações mais significativas da Igreja medieval.
IV. As universidades foram as primeiras instituições a se preocuparem com o legado clássico na Idade Média.
V. A arte do mosaico se desenvolveu nas igrejas medievais de influência bizantina.
Estão CORRETAS
a) I, II e IV.
b) II, III e V.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) I, II e III
Resposta da questão 3: [B]
Comentário da questão:
A Alta Idade Média foi marcada pelo domínio da Igreja Católica
Apostólica Romana, que combateu as Heresias, monopolizou a cultura e educação através dos estudos clássicos (gregos e romanos).
4. (IFSP 2013) Leia a descrição abaixo.
Esses homens não recebiam salário, mas trabalhavam em troca de moradia e proteção. Eles trabalhavam em terras que não eram suas, mas de um proprietário que exigia parte da produção. Ali viviam até a morte, nunca podendo abandonar seu trabalho. Porém, eles não poderiam ser negociados ou expulsos da propriedade.
Esse trabalhador descrito identifica-se como
a) um homem que viveu sob o regime de parceria, trabalho típico da segunda metade do século XIX no Brasil.
b) um escravo da Antiguidade romana, que não recebia salário nem terras, vivendo ao lado de seu proprietário.
c) um servo feudal, preso à terra e às tradições medievais. Morava no feudo de seu senhor e pagava pela proteção recebida, a talha e a corveia.
d) um colono que, após 20 anos de trabalho, recebia a propriedade da terra, através da Lei de Terras de 1850.
e) um vassalo que jurava obediência ao seu senhor, seu suserano. Além dos serviços agrícolas prestados, esse vassalo ia à guerra, defendendo os interesses de seu senhor.
5. (Espcex [Aman] 2013) O período conhecido por Idade Média prevaleceu na Europa desde a queda do Império Romano ocidental (Séc. V) até a queda de Constantinopla (Séc. XV). Nesse período, o sistema vigente era o feudal.
Leia atentamente os itens abaixo:
I. Fortalecimento do poder real e enfraquecimento dos poderes locais;
II. Declínio das atividades comerciais urbanas e fortalecimento da vida rural;
III. Uso generalizado de trabalho escravo no campo;
IV. Os nobres estavam obrigados a pagarem aos seus servos uma pequena indenização, que passou a ser conhecida por banalidade;
V. Existência de vínculos pessoais entre os nobres mais poderosos e os nobres mais fracos (suserania e vassalagem).
Assinale a única alternativa que apresenta todos os itens com características desse período.
a) I e II
b) II e IV
c) III e V
d) I e IV
e) II e V
Resposta da questão 5: [E]
Comentário da questão:
Uma das características do feudalismo foi a descentralização do poder, com o fortalecimento do poder local, ou seja, dos senhores feudais, em detrimento do poder real. A economia essencialmente agrária estava baseada no trabalho servil, realizado pelo camponês livre – não escravo –porém “preso à terra” por um conjunto de obrigações costumeiras, como a corveia, a talha e as banalidades; esta última uma obrigação paga pelo servo ao senhor feudal, em produtos, como taxas pela utilização de recursos como moinho e fornalha. No interior da elite, a nobreza, as relações pessoais se fortaleceram e se estabeleceram os lações de suserania e vassalagem, sempre entre nobres.
6. (Unesp 2012) (...) o elemento religioso não limitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cavaleiro receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações.
O texto mostra que os cavaleiros medievais, entre outros aspectos de sua formação e conduta,
a) mantinham-se fieis aos comerciantes das cidades, a quem deviam proteger e defender na vida cotidiana e em caso de guerra.
b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios militares.
c) valorizavam os torneios, pois neles mostravam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder no mundo medieval.
d) agiam apenas de forma individual, realizando constantes disputas e combates entre si.
e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas mantinham vínculos profundos com a Igreja.
resposta da questão 6:[E]
Comentário da questão:
As estruturas que se desenvolveram e formaram o feudalismo agregaram elementos de origem bárbara – como valor militar e do guerreiro -; com elementos de origem romana – como o
cristianismo. Dessa forma, a cultura da camada elitizada, a nobreza, prezava a formação de cavaleiro como elemento fundamental. Desde a infância, os homens da elite aprendiam a lutar e cavalgar, ao mesmo tempo em que eram formados pelos valores morais da Igreja Católica, que propunha o uso da força para a defesa da Igreja, das donzelas e dos oprimidos, justificando ideologicamente a cultura bélica da nobreza.
6. (Fuvest 2012) A palavra “feudalismo” carrega consigo vários sentidos. Dentre eles, podem-se apontar aqueles ligados a
a) sociedades marcadas por dependências mútuas e assimétricas entre senhores e vassalos.
b) relações de parentesco determinadas pelo local de nascimento, sobretudo quando urbano.
c) regimes inteiramente dominados pela fé religiosa, seja ela cristã ou muçulmana.
d) altas concentrações fundiárias e capitalistas.
e) formas de economias de subsistência pré-agrícolas.
Resposta da questão 6: [A]
Comentário da questão:
O termo feudalismo designa um sistema complexo, de relações sociais variadas envolvendo duas camadas sociais ou internas à mesma classe. Em seu interior se desenvolveu a relação de suserania e vassalagem, que envolvia nobres – portanto membros de uma mesma camada social – em situações distintas, sendo considerado suserano aquele que concedia um benefício e era considerado vassalo, aquele que recebia o benefício e passava ter certas obrigações para com suserano, que caracterizará a ideia de assimétrica na relação, no entanto vale ressaltar que são elementos da mesma classe e é INCORRETA a ideia de que vassalos são servos. Como são indivíduos que pertencem à mesma classe, essa relação é considerada horizontal.
Resposta da questão 7: [C]
Comentário da questão:
A sociedade feudal era dividida basicamente em duas classes sociais, definidas a partir do nascimento, portanto, era considerada estamental. Os nobres eram, socialmente falando, considerados guerreiros, com a função de proteger a sociedade, seus valores e costumes, segundo definição da Igreja Católica da época; enquanto os servos eram responsáveis diretos pelo trabalho, ela, pela produção.
8. (UPF 2012) O Medievo tem como marco inicial a migração de povos chamados bárbaros para a Europa Ocidental.
Sobre esse processo de migração é incorreto afirmar:
a) Suas monarquias estavam baseadas na força militar.
b) Os reis “bárbaros” eram proprietários dos reinos comandados por suas dinastias, fracionando-os entre seus herdeiros quando da morte do rei.
c) Muitos grupos foram conduzidos a migrar devido à pressão do avanço dos hunos às planícies da Europa Oriental.
d) Os contatos anteriores com os romanos haviam estabelecido trocas culturais expressivas, como a adoção do arianismo, forma de cristianismo, e a adoção de elementos do direito romano por alguns dos grupos germânicos.
e) Sua noção de Estado era sólida, mas a concepção territorial previa mobilidade contínua até o esgotamento das riquezas de cada região de migração.
Resposta da questão 9: [E]
Comentário da questão:
A migração dos povos bárbaros teve início no século III e contribuiu para desestabilizar o Império Romano, que se esfacelou – no ocidente – dois séculos depois. No século V começa o “Medievo”, ou Idade Média, caracterizado pela formação do feudalismo, estrutura em que o poder conheceu significativo processo de pulverização, com o enfraquecimento do Estado.
10. (UNESP 2012) [Na época feudal] o mundo terrestre era visto como palco da luta entre as forças do Bem e as do Mal, hordas de anjos e demônios. Disso decorria um dos traços mentais da época: a belicosidade.
A belicosidade (disposição para a guerra) mencionada expressava-se, por exemplo,
a) no ingresso de homens de todas as camadas sociais na cavalaria e na sua participação em torneios.
b) no pacto que reunia senhores e servos e determinava as chamadas relações vassálicas.
c) na ampla rejeição às Cruzadas e às tentativas cristãs de reconquista de Jerusalém.
d) no empenho demonstrado nas lutas contra muçulmanos, vikings e diferentes formas de heresias.
e) na submissão de senhores e vassalos, reis e súditos, ao Islamismo.
Resposta da questão 10: [D]
Comentário da questão:
A cavalaria era uma instituição cultural relativa apenas aos elementos da nobreza, assim como a relação de suserania e de vassalagem. As cruzadas podem ser vistas como o maior exemplo de belicosidade, envolvendo centenas de nobres de diversas regiões da Europa. A preparação e disposição para o combate estava presente na formação do cavaleiro desde a infância do nobre. Combater invasores, defender as donzelas e a Igreja eram ideais dessa formação.
11. (Uepa 2012) As relações servis de produção, vigentes na Alta Idade Média da Europa Ocidental, implicavam um vínculo desigual de obrigações entre senhor e servo. Apesar de vigorar um sistema social estanque e de classes estamentais, em que as pesadas obrigações do trabalhador adstrito à gleba eram previsíveis e inquestionáveis, algumas brechas de liberdade possíveis aos servos serviam para contrabalançar o poder dos senhores como:
a) a existência de um laço religioso de obrigações sagradas entre senhor e servo, que impedia qualquer tipo de excesso da parte dos primeiros no caso de punições aos trabalhadores.
b) a elasticidade das práticas senhoriais de patronagem e proteção necessárias para aplacar os reclamos e as privações dos servos e de suas famílias.
c) a participação nas guerras, ao lado dos senhores, quando os servos atuavam como guerreiros vinculados aos senhores, e assim poderiam tomar parte na divisão das pilhagens.
d) a dependência econômica dos senhores relativa às taxas pagas pelos servos pelo uso dos equipamentos do feudo, as chamadas “banalidades”.
e) o cultivo ou as pastagens nas terras comunais, quando os camponeses, livres ou servos, trabalhavam em conjunto e realizavam festas de colheita com sentido religioso.
Resposta da questão 11: [E]
Comentário da questão:
A alternativa [A] está errada, porque a ligação entre o servo e o senhor feudal era de cunho econômico, e não religioso. A expressão "patronagem" da alternativa [B] refere-se ao clientelismo romano, sendo que nas relações servis eram de trabalho e tributação, diferentemente dos clientes plebeus em Roma. O exército do feudo era formado por cavaleiros profissionais e não servos, como afirma a alternativa [C]. Os senhores eram os donos das terras, único meio de subsistência, razão porque os servos dependiam deles, e não o contrário, estando a letra [D] errada. Somente a alternativa [E] responde corretamente ao questionamento levantado já que, apesar de toda a exploração, o servo não era um escravo e detinha alguns direitos.
12. (UNESP 2010) [Na Idade Média], chamava-se ‘lepra’ a muitas doenças. Toda erupção pustulenta, a escarlatina, por exemplo, qualquer afecção cutânea passava por lepra.
Ora, havia, com relação à lepra, um terror sagrado: os homens daquele tempo estavam persuadidos de que no corpo reflete-se a podridão da alma. O leproso era, só por sua aparência corporal, um pecador.
Desagradara a Deus e seu pecado purgava através dos poros.
(DUBY, Georges. Ano 1000 Ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998.)
O texto mostra a associação entre doença e religião na Idade Média. Isso ocorre porque os homens do período
a) abandonaram o conhecimento científico, acumulado na Antiguidade, sobre saúde e doença; daí a época medieval ser apropriadamente chamada de “era das trevas”.
b) recusavam-se a admitir que as condições de higiene então existentes fossem inadequadas e preferiam criar explicações astrológicas para os males que os afligiam.
c) estigmatizavam os portadores de doenças e os isolavam, ao contrário do que ocorre hoje, quando todos os doentes são aceitos no convívio social e recebem tratamento adequado.
d) eram marcados pelo imaginário cristão, que apresentava o mundo como um espaço de conflito ininterrupto entre forças divinas e forças demoníacas.
e) rejeitavam a medicina, pois a associavam a práticas mágicas e a curandeirismo, preferindo recorrer a exorcistas a aceitar os tratamentos prescritos nos hospitais.
Resposta da questão 12: [D]
Comentário da questão:
O conhecimento que se desenvolveu na Idade Média esteve intimamente marcado pela religiosidade e pelo poder de influência da Igreja Católica, que reforçou a cultura teocrática e dogmática, em oposição à forma de pensar dos antigos gregos, marcada pelo racionalismo. Isso, porém, não significa que os conhecimentos sobre doenças tenham sido abandonados.
13. "Aqui em baixo uns rezam, outros combatem e outros ainda trabalham.
(DE LAON, Adalberão. Carmen ad Rodbertum Regem. In: DUBY, G. "As três ordens:o imaginário do feudalismo". Lisboa: Editora Estampa, 1982. p. 25.)
Esse preceito, apresentado inicialmente pelo bispo Adalberão, no século XI, em parte reflete as funções/atividades mais características do período medieval, em parte tem função ideológica, pois esse ordenamento pretendia fortalecer a divisão e a
hierarquia. Ainda sobre a sociedade medieval, é correto afirmar:
a) A divisão acima mencionada reflete uma sociedade na qual a religiosidade se impõe nas várias esferas da vida, em que o braço armado tende a impor seu poder sobre os desarmados, em que a economia se fundamenta no trabalho agrícola.
b) Definida a sociedade entre religiosos, guerreiros e camponeses a partir do Tratado de Verdum, as atividades não permitidas pela Igreja oram perseguidas pelos tribunais inquisitoriais.
c) Diante da limitação das funções às três ordens e perseguição aos comerciantes promovida pelas monarquias nascentes, a atividade comercial declinou, situação essa que se reverteu no século
XVI no contexto do Renascimento Comercial.
d) O poder eclesiástico se impunha a partir do momento do batismo, quando era definido o destino de cada criança, de acordo com as necessidades fundadas na sociedade de ordens.
e) A divisão apresentada, característica do período entre os séculos XI e XIII, revela a estagnação econômica da sociedade, o que explica a crise agrícola e o recuo demográfico.
Resposta da questão 13: [A]
14. "Eu, Preste João, sou o Senhor dos Senhores e me avantajo a todos os reis da terra inteira em todas as abundâncias que existem debaixo do céu, em força e em poder. A Nossa Magnificência domina as três Índias; o nosso território começa na Índia posterior, na qual repousa o corpo do apóstolo São Tomé, estende-se pelo deserto em direção ao berço do sol, e desce até a deserta Babilônia, contígua à torre de Babel.[...] Na nossa terra nascem e crescem elefantes, dromedários, camelos, hipopótamos, crocodilos, metagalináceos, grifos, [...] homens com cornos, faunos, sátiros e mulheres da mesma raça, pigmeus, cinocéfalos, gigantes cuja altura é de quarenta côvados, monóculos, ciclopes [...] e quase todo o gênero de animais que existem debaixo do céu."
(Disponível em: <http://wwwricardocosta.com/pub/publica.htm>. Consulta em: 05/07/2006.)
O texto acima é um fragmento da "carta do Preste João" (apócrifa) - do século XII - endereçada ao imperador de Bizâncio. Preste João, um rei padre que se dizia cristão, declarava-se senhor das três Índias e dono de riquezas fabulosas. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Idade Média, é correto afirmar:
a) Na época representada no texto, predominavam geografias imprecisas e imaginárias, onde o maravilhoso e o estranho preenchiam o lugar do
Resposta da questão 14: [A]
15. (Unicamp 2011)

Maître de Talbot, “Les travailleurs”, reproduzido de Edward Landa & Christian Feller (Ed.), Soil and culture. New York: Springer, 2010, p. 16.
No quadro acima, observa-se a organização espacial do trabalho agrícola típica do período medieval. A partir dele, podemos afirmar que
a) os camponeses estão distantes do castelo porque já abandonavam o domínio senhorial, num momento em que práticas de conservação do solo, como a rotação de culturas, e a invenção de novos instrumentos, como o arado, aumentavam a produção agrícola.
b) os camponeses utilizavam, então, práticas de plantio direto, o que permitia a melhor conservação do solo e a fertilidade das terras que pertenciam a um senhor feudal, como sugere o castelo fortificado que domina a paisagem ao fundo do quadro.
c) um castelo fortificado domina a paisagem, ao fundo, pois os camponeses trabalhavam no domínio de um senhor; pode-se ver também que utilizavam práticas de rotação de culturas, visando à conservação do solo e à manutenção da fertilidade das terras.
d) a cena retrata um momento de mudança técnica e social: desenvolviam-se novos instrumentos agrícolas,
como o arado, e o uso de práticas de plantio direto, o que levava ao aumento da produção, permitindo que os camponeses abandonassem o domínio senhorial.
Resposta da questão 15:[C]
Resolução
Apesar da pouca clareza da imagem, nela se reconhece uma cena típica do trabalho agrícola no período medieval: podemos identificar o castelo ao fundo e os camponeses trabalhando. Sabemos que a rotação de culturas (que pode ser inferida da imagem, uma vez que a terra no primeiro plano está sendo cultivada, e a terra em segundo plano não), muito utilizada na Idade Média, tinha como objetivo evitar o esgotamento do solo e a manutenção de sua fertilidade.
Comentário da questão:
A alternativa b também poderia ser considerada correta, dependendo do significado do conceito de “plantio direto” dado pela banca. Partimos do princípio de que não há um conceito consensual de “plantio direto” que possa ser utilizado para o período. Portanto acreditamos que o assunto não deva fazer parte do cabedal de conhecimento dos alunos de Ensino Médio.
16. (UFPE 2011) O Feudalismo não foi uniforme em toda a Europa, mas, na administração de todas as suas propriedades, contou com a participação da Igreja Católica. Apesar dos princípios cristãos de amor e de generosidade, os trabalhadores, reconhecidos como servos, no feudalismo, eram:
0-0) tratados como escravos, inclusivamente no tempo da colonização portuguesa, embora tivessem certos direitos mantidos pela tradição da época.
1-1) assalariados, como pequenos proprietários de terra, conseguindo viver com certa dignidade e benevolência por parte dos senhores dominantes.
2-2) moradores entre os feudos com ampla garantia de proteção no caso de guerras, embora fossem proibidos de cultivar sua própria agricultura.
3-3) bastante explorados pelos senhores feudais, dispondo apenas de um tempo bastante restrito para cuidar das suas próprias vidas.
4-4) considerados importantes para o cultivo da terra e limpeza dos canais; pagavam impostos aos senhores feudais.
Resposta da questão 16: FFFVV
Justificativa:
0-0) Falsa. A escravidão não tinha relevância no sistema feudal. Os servos estavam ligados à propriedade e com uma imensa carga de trabalho.
1-1) Falsa. Os trabalhadores tinham imensas obrigações, para com o senhor feudal, com péssimas condições de vida e constante exploração.
2-2) Falsa. Possuíam pouco tempo para seus afazeres, embora pudessem cultivar seu pedaço de terra e sobreviver com o mínimo necessário.
3-3) Verdadeira. A exploração dos trabalhadores era grande, e suas condições de vida, miseráveis. Não prevaleciam os princípios do cristianismo.
4-4) Verdadeira. Os trabalhadores eram a mão de obra básica, mas não estavam livres do pagamento dos impostos.
18. (UFTM MG/2011) A cada um a sua função e o seu lugar na terra. No topo estão os religiosos, intermediários indispensáveis entre a cidade terrestre e a cidade celeste (...). Depois vêm os nobres, que receberam da Providência a qualidade de guerreiros e estão, portanto, investidos da missão de manutenção da ordem.
Finalmente, para o último lugar são relegados os trabalhadores, destinados ao trabalho e ao sofrimento para o bem comum.
(Pierre Bonnassie. Dicionário de história medieval, 1985. Adaptado.)
O texto faz referência
A) a um tipo de organização social que se apoiava nas diferentes aptidões dos seres humanos.
B) às crenças milenaristas, segundo as quais apenas os pobres alcançariam o reino dos céus.
C) à igualdade social, que caracteriza a sociedade ocidental desde a Antiguidade.
D) ao antropocentrismo, que reservava lugar de destaque para a vontade dos indivíduos.
E) à divisão da sociedade em três ordens, colocada em xeque pela Revolução Francesa.
Resposta da questão 18: [E]
Comentário da questão:
O texto do dicionário faz menção à organização social da Idade
Média, em que o clero seria responsável por rezar, os nobres deveriam guerrear e os camponeses deveriam trabalhar para sustentar essa ordem estamental. No período pré-revolucionário, houve a contestação desse sistema social, pois não havia apenas camponeses “carregando” o Estado francês, mas também trabalhadores urbanos (sans-culottes) e a burguesia, alguns dos grupos responsáveis pela Revolução Francesa.
19. (UFG GO/2011)
Leia o documento a seguir.
Em 1391, os desventurados das comarcas ao sudoeste da Inglaterra começaram a se sublevar dizendo que se lhes mantinha numa servidão excessiva e que no começo do mundo não havia servos, somente homens semelhantes aos seus senhores. E tratavam-nos como animais, coisa que não podiam seguir suportando: queriam ser todos iguais, e se cultivavam ou faziam algum trabalho para seus senhores, queriam receber o seu salário.
Crônicas de Jean Froissant. PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000. p. 201; 207.
A Baixa Idade Média europeia foi marcada por várias revoltas populares no campo. Considerando a leitura do documento,
A) caracterize a servidão, estatuto contra o qual os camponeses passaram a se rebelar, no século XIV.
B) relacione o aumento da exploração servil e o desenvolvimento do comércio europeu no século XIV.
resposta da questão 19:
A) O estatuto da servidão caracterizava-se pela ligação compulsória do servo à terra. Isso quer dizer que o servo estava preso ao feudo. Decorrente dessa condição, ao servo eram atribuídas obrigações para com o senhor feudal. Essas obrigações poderiam ser pagas, por exemplo, na forma de trabalho compulsório nas reservas do senhor (corveia) e na destinação de parte da produção obtida no manso servil para o senhor feudal (talha). Cabia ao servo, também, pagar tributo ao senhor pelo uso de equipamentos comuns no feudo, tais como o arado, o moinho e o forno (banalidade). Diante das transformações ocorridas no século XIV, o estatuto da servidão passa a ser questionado, sendo reivindicada inclusive, conforme o documento, a remuneração da sua mão de obra (assalariamento).
B) O documento expressa uma crítica ao estatuto da servidão e indica que, no século XIV, a condição do servo piorou (há, conforme anotado, uma servidão excessiva). O aprofundamento da exploração servil relacionava-se diretamente às transformações ocorridas na economia europeia do período. A intensificação do comércio interno, associado ao abastecimento das cidades em expansão, e do externo, relacionado às rotas comerciais com o Oriente, resultou no aprofundamento da exploração servil de forma a garantir os rendimentos feudais e a gerar excedentes de produção dirigidos ao mercado.
20. (Unesp 2010) Sobre essas festas medievais, podemos dizer que
A) muitos relatos do cotidiano medieval indicam que havia um confronto entre as festas de origem pagã e as criadas pelo cristianismo.
B) os torneios eram as principais festas e rompiam as distinções sociais entre senhores e servos que, montados em cavalos, se divertiam juntos.
C) a Igreja Católica apoiava todo tipo de comemoração popular, mesmo quando se tratava do culto a alguma divindade pagã.
D) as festas rurais representavam sempre as relações sociais presentes no campo, com a encenação do ritual de sagração de cavaleiros.
E) religiosos e nobres preferiam as festas privadas e pagãs, recusando-se a participar dos grandes eventos públicos cristãos.
Resposta da questão 20:[A]
Comentário da questão:
A Idade Média aglutinou a tradição greco-romana, o cristianismo e os costumes bárbaros germânicos, entre outros. Dessa maneira as festas medievais e outras manifestações culturais expressam, como mencionou Jacques Le Goff, a fusão entre as tradições pagãs e as criadas pelo cristianismo.
21. (UFBA - 2011) A Idade Média, na Europa, foi caracterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado "feudalismo". Esse sistema começou a se estruturar na Europa, ao final do Império Romano do Ocidente (século V), atingiu seu apogeu no século X e registrou-se o seu declínio ao final do século XV.
22. (PUC 2010) “A Idade Média não é o período dourado que certos românticos quiseram imaginar, mas também não é, apesar das fraquezas e aspectos dos quais não gostamos, uma época obscurantista e triste, imagem que os humanistas e os iluministas quiseram propagar.”
Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 18
A ambígua imagem da Idade Média que hoje temos deriva, em parte, de representações
A) negativas do período, que destacam a opressão a que os camponeses eram submetidos, a intolerância da Igreja e as repetidas temporadas de fome.
B) positivas do período, que destacam o papel relevante que as mulheres tinham na vida social, o avanço tecnológico e o desenvolvimento nas artes visuais.
C) negativas do período, que destacam a atuação do Tribunal da Inquisição, a ausência de mobilizações sociais e o direito divino que justificava o absolutismo.
D) positivas do período, que destacam o resgate de valores religiosos oriundos da Antiguidade Clássica, a arquitetura românica e gótica e as festas populares.
E) negativas do período, que destacam a ausência de liberdades políticas, a persistência do politeísmo e de práticas de bruxaria em toda a Europa Ocidental.
resposta da questão 22:[A]
Comentário da questão:
A interpretação da Idade Média como sendo um período de ignorância e crise, uma “Idade das Trevas”, em oposição às luzes da ciência e à Modernidade, está associada às dificuldades materiais do período e ao papel repressor do clero católico.
55. (FAAP/SP) Entre os principais
povos bárbaros que invadiram o Império Romano, podemos citar:
DUBY, G. Ano 2000 na pista do
nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado).
Ao comparar as maneiras com que
as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve um processo
de
a) mercantilização das crenças
religiosas.
b) transformação das
representações sociais.
c) disseminação do ateísmo nos
países de maioria cristã.
d) diminuição da distância entre
saber científico e eclesiástico.
e) amadurecimento da consciência
ligada à civilização moderna.
Resposta da questão 1:[B]
Comentário da questão:
O texto de Georges Duby mostra o
quanto as representações sociais mudaram ao longo do tempo. Na Idade Média, a
sociedade era muito influenciada pelo cristianismo, e a representação social
feita da morte estava muito relacionada a uma passagem para a “vida eterna” em
outro mundo. Na sociedade contemporânea, há uma diminuição da religiosidade, o
que acarreta a diminuição das crenças sobre a morte, transformando-a em um
total desconhecido, e sendo assim, em algo que provoca medo e temor nas
pessoas.
2. (Unesp 2013) Nos arredores de Assis, dois leprosários [...] hospedavam os homens e mulheres de visão repugnante escorraçados por todos: considerava-se que os leprosos eram assim por castigo de Deus, por causa dos pecados cometidos, ou porque tinham sido concebidos em pecado. Por isso, ao se movimentarem, eram obrigados a bater certas castanholas, para que os sãos pudessem evitá-los, fugindo a tempo.
(Chiara Frugoni. Vida de um homem: Francisco de Assis, 2011.)
(A) resultavam do descuido das vítimas e os médicos se dedicavam apenas aos doentes graves ou terminais.
(B) atingiam basicamente as populações rurais, pois as condições de higiene e saneamento nas cidades eram melhores.
(C) atacavam e matavam igualmente nobres e pobres, pois não existiam hospitais ou remédios.
(D) eram consideradas contagiosas e, devido a isso, não havia pessoas dispostas a cuidar dos enfermos.
(E) eram muitas vezes atribuídas à ação divina e as vítimas eram tratadas como responsáveis pelo mal.
resposta da questão 2:[B]
Comentário da questão:
O enfraquecimento do poder laico e a emergência de uma sociedade fortemente influenciada pela religiosidade, esta sob a liderança católica, deram vazão na Idade Média a uma interpretação irracional de eventos naturais, tais como a ocorrência de enfermidades e epidemias em geral. As condições precárias de higiene, em especial nas zonas urbanas onde a aglomeração humana acentuava a disseminação de pragas, acabavam por facilitar a eclosão de epidemias de grande extensão. Apesar da existência de centros dedicados a tratar de enfermos, tais como os leprosários citados no texto e mosteiros que recebiam os doentes, a falta de conhecimento e de uma medicina mais preparada (O conceito biológico de contágio não existia ainda na Idade Média) dificultavam o tratamento eficiente dos doentes. Deste modo, as epidemias e outras doenças eram atribuídas a um suposto castigo divino em decorrência dos pecados cometidos por aquele que adquiriu a doença, desta forma imputando ao doente a culpa pelo seu próprio sofrimento. Lembre-se que a Igreja buscava incutir na população a noção de que a vida terrena seria exatamente o locus no qual a penitência devia ser cumprida.
I. A Baixa Idade Média transcorreu alheia às práticas heréticas em solo europeu.
II. Cidades, como Roma e Santiago de Compostela, eram destinos recorrentes no itinerário dos peregrinos.
III. Os mosteiros e as catedrais podem ser considerados as edificações mais significativas da Igreja medieval.
IV. As universidades foram as primeiras instituições a se preocuparem com o legado clássico na Idade Média.
V. A arte do mosaico se desenvolveu nas igrejas medievais de influência bizantina.
Estão CORRETAS
a) I, II e IV.
b) II, III e V.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) I, II e III
Resposta da questão 3: [B]
Comentário da questão:
A Alta Idade Média foi marcada pelo domínio da Igreja Católica
Apostólica Romana, que combateu as Heresias, monopolizou a cultura e educação através dos estudos clássicos (gregos e romanos).
4. (IFSP 2013) Leia a descrição abaixo.
Esses homens não recebiam salário, mas trabalhavam em troca de moradia e proteção. Eles trabalhavam em terras que não eram suas, mas de um proprietário que exigia parte da produção. Ali viviam até a morte, nunca podendo abandonar seu trabalho. Porém, eles não poderiam ser negociados ou expulsos da propriedade.
Esse trabalhador descrito identifica-se como
a) um homem que viveu sob o regime de parceria, trabalho típico da segunda metade do século XIX no Brasil.
b) um escravo da Antiguidade romana, que não recebia salário nem terras, vivendo ao lado de seu proprietário.
c) um servo feudal, preso à terra e às tradições medievais. Morava no feudo de seu senhor e pagava pela proteção recebida, a talha e a corveia.
d) um colono que, após 20 anos de trabalho, recebia a propriedade da terra, através da Lei de Terras de 1850.
e) um vassalo que jurava obediência ao seu senhor, seu suserano. Além dos serviços agrícolas prestados, esse vassalo ia à guerra, defendendo os interesses de seu senhor.
Resposta da questão 4: [C]
Comentário da questão:
O texto retrata o trabalho servil, característico da Idade Média europeia, no qual o trabalhador está “preso à terra”, ou seja, não é escravo (não é propriedade de alguém), mas não pode abandoná-la; em compensação, também não pode ser expulso pelo proprietário. Considera-se que o servo devia ao senhor feudal um conjunto de “obrigações”, sendo que as mais importantes eram corveia, talha e banalidades.
5. (Espcex [Aman] 2013) O período conhecido por Idade Média prevaleceu na Europa desde a queda do Império Romano ocidental (Séc. V) até a queda de Constantinopla (Séc. XV). Nesse período, o sistema vigente era o feudal.
Leia atentamente os itens abaixo:
I. Fortalecimento do poder real e enfraquecimento dos poderes locais;
II. Declínio das atividades comerciais urbanas e fortalecimento da vida rural;
III. Uso generalizado de trabalho escravo no campo;
IV. Os nobres estavam obrigados a pagarem aos seus servos uma pequena indenização, que passou a ser conhecida por banalidade;
V. Existência de vínculos pessoais entre os nobres mais poderosos e os nobres mais fracos (suserania e vassalagem).
Assinale a única alternativa que apresenta todos os itens com características desse período.
a) I e II
b) II e IV
c) III e V
d) I e IV
e) II e V
Resposta da questão 5: [E]
Comentário da questão:
Uma das características do feudalismo foi a descentralização do poder, com o fortalecimento do poder local, ou seja, dos senhores feudais, em detrimento do poder real. A economia essencialmente agrária estava baseada no trabalho servil, realizado pelo camponês livre – não escravo –porém “preso à terra” por um conjunto de obrigações costumeiras, como a corveia, a talha e as banalidades; esta última uma obrigação paga pelo servo ao senhor feudal, em produtos, como taxas pela utilização de recursos como moinho e fornalha. No interior da elite, a nobreza, as relações pessoais se fortaleceram e se estabeleceram os lações de suserania e vassalagem, sempre entre nobres.
6. (Unesp 2012) (...) o elemento religioso não limitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cavaleiro receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações.
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.)
O texto mostra que os cavaleiros medievais, entre outros aspectos de sua formação e conduta,
a) mantinham-se fieis aos comerciantes das cidades, a quem deviam proteger e defender na vida cotidiana e em caso de guerra.
b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios militares.
c) valorizavam os torneios, pois neles mostravam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder no mundo medieval.
d) agiam apenas de forma individual, realizando constantes disputas e combates entre si.
e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas mantinham vínculos profundos com a Igreja.
resposta da questão 6:[E]
Comentário da questão:
As estruturas que se desenvolveram e formaram o feudalismo agregaram elementos de origem bárbara – como valor militar e do guerreiro -; com elementos de origem romana – como o
cristianismo. Dessa forma, a cultura da camada elitizada, a nobreza, prezava a formação de cavaleiro como elemento fundamental. Desde a infância, os homens da elite aprendiam a lutar e cavalgar, ao mesmo tempo em que eram formados pelos valores morais da Igreja Católica, que propunha o uso da força para a defesa da Igreja, das donzelas e dos oprimidos, justificando ideologicamente a cultura bélica da nobreza.
6. (Fuvest 2012) A palavra “feudalismo” carrega consigo vários sentidos. Dentre eles, podem-se apontar aqueles ligados a
a) sociedades marcadas por dependências mútuas e assimétricas entre senhores e vassalos.
b) relações de parentesco determinadas pelo local de nascimento, sobretudo quando urbano.
c) regimes inteiramente dominados pela fé religiosa, seja ela cristã ou muçulmana.
d) altas concentrações fundiárias e capitalistas.
e) formas de economias de subsistência pré-agrícolas.
Resposta da questão 6: [A]
Comentário da questão:
O termo feudalismo designa um sistema complexo, de relações sociais variadas envolvendo duas camadas sociais ou internas à mesma classe. Em seu interior se desenvolveu a relação de suserania e vassalagem, que envolvia nobres – portanto membros de uma mesma camada social – em situações distintas, sendo considerado suserano aquele que concedia um benefício e era considerado vassalo, aquele que recebia o benefício e passava ter certas obrigações para com suserano, que caracterizará a ideia de assimétrica na relação, no entanto vale ressaltar que são elementos da mesma classe e é INCORRETA a ideia de que vassalos são servos. Como são indivíduos que pertencem à mesma classe, essa relação é considerada horizontal.
8. (IFSP 2012) (...) a própria vocação do nobre lhe proibia qualquer atividade econômica direta. Ele pertencia de corpo e alma a sua função própria (...).
(Bloch, Marc. A Sociedade Feudal. Lisboa, 1987)
Tomando por base o contexto da Europa Medieval, é possível concluir que a nobreza feudal
a) por ser proprietária das terras, trabalhava arduamente na produção agrícola dos feudos.
b) enriquecia de maneira indireta, fazendo o comércio e obtendo lucro com a venda dos excedentes.
c) dedicava-se às atividades militares, cabendo aos servos as tarefas produtivas.
d) contrariando a Igreja, obtinha lucro emprestando dinheiro aos servos e cobrando juros.
e) dedicava-se ao trabalho manufatureiro, considerado mais nobre do que o trabalho agrícola.
Resposta da questão 7: [C]
Comentário da questão:
A sociedade feudal era dividida basicamente em duas classes sociais, definidas a partir do nascimento, portanto, era considerada estamental. Os nobres eram, socialmente falando, considerados guerreiros, com a função de proteger a sociedade, seus valores e costumes, segundo definição da Igreja Católica da época; enquanto os servos eram responsáveis diretos pelo trabalho, ela, pela produção.
8. (UPF 2012) O Medievo tem como marco inicial a migração de povos chamados bárbaros para a Europa Ocidental.
Sobre esse processo de migração é incorreto afirmar:
a) Suas monarquias estavam baseadas na força militar.
b) Os reis “bárbaros” eram proprietários dos reinos comandados por suas dinastias, fracionando-os entre seus herdeiros quando da morte do rei.
c) Muitos grupos foram conduzidos a migrar devido à pressão do avanço dos hunos às planícies da Europa Oriental.
d) Os contatos anteriores com os romanos haviam estabelecido trocas culturais expressivas, como a adoção do arianismo, forma de cristianismo, e a adoção de elementos do direito romano por alguns dos grupos germânicos.
e) Sua noção de Estado era sólida, mas a concepção territorial previa mobilidade contínua até o esgotamento das riquezas de cada região de migração.
Resposta da questão 9: [E]
Comentário da questão:
A migração dos povos bárbaros teve início no século III e contribuiu para desestabilizar o Império Romano, que se esfacelou – no ocidente – dois séculos depois. No século V começa o “Medievo”, ou Idade Média, caracterizado pela formação do feudalismo, estrutura em que o poder conheceu significativo processo de pulverização, com o enfraquecimento do Estado.
10. (UNESP 2012) [Na época feudal] o mundo terrestre era visto como palco da luta entre as forças do Bem e as do Mal, hordas de anjos e demônios. Disso decorria um dos traços mentais da época: a belicosidade.
(Hilário Franco Junior. O feudalismo, 1986. Adaptado.)
A belicosidade (disposição para a guerra) mencionada expressava-se, por exemplo,
a) no ingresso de homens de todas as camadas sociais na cavalaria e na sua participação em torneios.
b) no pacto que reunia senhores e servos e determinava as chamadas relações vassálicas.
c) na ampla rejeição às Cruzadas e às tentativas cristãs de reconquista de Jerusalém.
d) no empenho demonstrado nas lutas contra muçulmanos, vikings e diferentes formas de heresias.
e) na submissão de senhores e vassalos, reis e súditos, ao Islamismo.
Resposta da questão 10: [D]
Comentário da questão:
A cavalaria era uma instituição cultural relativa apenas aos elementos da nobreza, assim como a relação de suserania e de vassalagem. As cruzadas podem ser vistas como o maior exemplo de belicosidade, envolvendo centenas de nobres de diversas regiões da Europa. A preparação e disposição para o combate estava presente na formação do cavaleiro desde a infância do nobre. Combater invasores, defender as donzelas e a Igreja eram ideais dessa formação.
11. (Uepa 2012) As relações servis de produção, vigentes na Alta Idade Média da Europa Ocidental, implicavam um vínculo desigual de obrigações entre senhor e servo. Apesar de vigorar um sistema social estanque e de classes estamentais, em que as pesadas obrigações do trabalhador adstrito à gleba eram previsíveis e inquestionáveis, algumas brechas de liberdade possíveis aos servos serviam para contrabalançar o poder dos senhores como:
a) a existência de um laço religioso de obrigações sagradas entre senhor e servo, que impedia qualquer tipo de excesso da parte dos primeiros no caso de punições aos trabalhadores.
b) a elasticidade das práticas senhoriais de patronagem e proteção necessárias para aplacar os reclamos e as privações dos servos e de suas famílias.
c) a participação nas guerras, ao lado dos senhores, quando os servos atuavam como guerreiros vinculados aos senhores, e assim poderiam tomar parte na divisão das pilhagens.
d) a dependência econômica dos senhores relativa às taxas pagas pelos servos pelo uso dos equipamentos do feudo, as chamadas “banalidades”.
e) o cultivo ou as pastagens nas terras comunais, quando os camponeses, livres ou servos, trabalhavam em conjunto e realizavam festas de colheita com sentido religioso.
Resposta da questão 11: [E]
Comentário da questão:
A alternativa [A] está errada, porque a ligação entre o servo e o senhor feudal era de cunho econômico, e não religioso. A expressão "patronagem" da alternativa [B] refere-se ao clientelismo romano, sendo que nas relações servis eram de trabalho e tributação, diferentemente dos clientes plebeus em Roma. O exército do feudo era formado por cavaleiros profissionais e não servos, como afirma a alternativa [C]. Os senhores eram os donos das terras, único meio de subsistência, razão porque os servos dependiam deles, e não o contrário, estando a letra [D] errada. Somente a alternativa [E] responde corretamente ao questionamento levantado já que, apesar de toda a exploração, o servo não era um escravo e detinha alguns direitos.
12. (UNESP 2010) [Na Idade Média], chamava-se ‘lepra’ a muitas doenças. Toda erupção pustulenta, a escarlatina, por exemplo, qualquer afecção cutânea passava por lepra.
Ora, havia, com relação à lepra, um terror sagrado: os homens daquele tempo estavam persuadidos de que no corpo reflete-se a podridão da alma. O leproso era, só por sua aparência corporal, um pecador.
Desagradara a Deus e seu pecado purgava através dos poros.
(DUBY, Georges. Ano 1000 Ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998.)
O texto mostra a associação entre doença e religião na Idade Média. Isso ocorre porque os homens do período
a) abandonaram o conhecimento científico, acumulado na Antiguidade, sobre saúde e doença; daí a época medieval ser apropriadamente chamada de “era das trevas”.
b) recusavam-se a admitir que as condições de higiene então existentes fossem inadequadas e preferiam criar explicações astrológicas para os males que os afligiam.
c) estigmatizavam os portadores de doenças e os isolavam, ao contrário do que ocorre hoje, quando todos os doentes são aceitos no convívio social e recebem tratamento adequado.
d) eram marcados pelo imaginário cristão, que apresentava o mundo como um espaço de conflito ininterrupto entre forças divinas e forças demoníacas.
e) rejeitavam a medicina, pois a associavam a práticas mágicas e a curandeirismo, preferindo recorrer a exorcistas a aceitar os tratamentos prescritos nos hospitais.
Resposta da questão 12: [D]
Comentário da questão:
O conhecimento que se desenvolveu na Idade Média esteve intimamente marcado pela religiosidade e pelo poder de influência da Igreja Católica, que reforçou a cultura teocrática e dogmática, em oposição à forma de pensar dos antigos gregos, marcada pelo racionalismo. Isso, porém, não significa que os conhecimentos sobre doenças tenham sido abandonados.
13. "Aqui em baixo uns rezam, outros combatem e outros ainda trabalham.
(DE LAON, Adalberão. Carmen ad Rodbertum Regem. In: DUBY, G. "As três ordens:o imaginário do feudalismo". Lisboa: Editora Estampa, 1982. p. 25.)
Esse preceito, apresentado inicialmente pelo bispo Adalberão, no século XI, em parte reflete as funções/atividades mais características do período medieval, em parte tem função ideológica, pois esse ordenamento pretendia fortalecer a divisão e a
hierarquia. Ainda sobre a sociedade medieval, é correto afirmar:
a) A divisão acima mencionada reflete uma sociedade na qual a religiosidade se impõe nas várias esferas da vida, em que o braço armado tende a impor seu poder sobre os desarmados, em que a economia se fundamenta no trabalho agrícola.
b) Definida a sociedade entre religiosos, guerreiros e camponeses a partir do Tratado de Verdum, as atividades não permitidas pela Igreja oram perseguidas pelos tribunais inquisitoriais.
c) Diante da limitação das funções às três ordens e perseguição aos comerciantes promovida pelas monarquias nascentes, a atividade comercial declinou, situação essa que se reverteu no século
XVI no contexto do Renascimento Comercial.
d) O poder eclesiástico se impunha a partir do momento do batismo, quando era definido o destino de cada criança, de acordo com as necessidades fundadas na sociedade de ordens.
e) A divisão apresentada, característica do período entre os séculos XI e XIII, revela a estagnação econômica da sociedade, o que explica a crise agrícola e o recuo demográfico.
Resposta da questão 13: [A]
14. "Eu, Preste João, sou o Senhor dos Senhores e me avantajo a todos os reis da terra inteira em todas as abundâncias que existem debaixo do céu, em força e em poder. A Nossa Magnificência domina as três Índias; o nosso território começa na Índia posterior, na qual repousa o corpo do apóstolo São Tomé, estende-se pelo deserto em direção ao berço do sol, e desce até a deserta Babilônia, contígua à torre de Babel.[...] Na nossa terra nascem e crescem elefantes, dromedários, camelos, hipopótamos, crocodilos, metagalináceos, grifos, [...] homens com cornos, faunos, sátiros e mulheres da mesma raça, pigmeus, cinocéfalos, gigantes cuja altura é de quarenta côvados, monóculos, ciclopes [...] e quase todo o gênero de animais que existem debaixo do céu."
(Disponível em: <http://wwwricardocosta.com/pub/publica.htm>. Consulta em: 05/07/2006.)
a) Na época representada no texto, predominavam geografias imprecisas e imaginárias, onde o maravilhoso e o estranho preenchiam o lugar do
Resposta da questão 14: [A]
15. (Unicamp 2011)

Maître de Talbot, “Les travailleurs”, reproduzido de Edward Landa & Christian Feller (Ed.), Soil and culture. New York: Springer, 2010, p. 16.
No quadro acima, observa-se a organização espacial do trabalho agrícola típica do período medieval. A partir dele, podemos afirmar que
a) os camponeses estão distantes do castelo porque já abandonavam o domínio senhorial, num momento em que práticas de conservação do solo, como a rotação de culturas, e a invenção de novos instrumentos, como o arado, aumentavam a produção agrícola.
b) os camponeses utilizavam, então, práticas de plantio direto, o que permitia a melhor conservação do solo e a fertilidade das terras que pertenciam a um senhor feudal, como sugere o castelo fortificado que domina a paisagem ao fundo do quadro.
c) um castelo fortificado domina a paisagem, ao fundo, pois os camponeses trabalhavam no domínio de um senhor; pode-se ver também que utilizavam práticas de rotação de culturas, visando à conservação do solo e à manutenção da fertilidade das terras.
d) a cena retrata um momento de mudança técnica e social: desenvolviam-se novos instrumentos agrícolas,
como o arado, e o uso de práticas de plantio direto, o que levava ao aumento da produção, permitindo que os camponeses abandonassem o domínio senhorial.
Resposta da questão 15:[C]
Resolução
Apesar da pouca clareza da imagem, nela se reconhece uma cena típica do trabalho agrícola no período medieval: podemos identificar o castelo ao fundo e os camponeses trabalhando. Sabemos que a rotação de culturas (que pode ser inferida da imagem, uma vez que a terra no primeiro plano está sendo cultivada, e a terra em segundo plano não), muito utilizada na Idade Média, tinha como objetivo evitar o esgotamento do solo e a manutenção de sua fertilidade.
Comentário da questão:
A alternativa b também poderia ser considerada correta, dependendo do significado do conceito de “plantio direto” dado pela banca. Partimos do princípio de que não há um conceito consensual de “plantio direto” que possa ser utilizado para o período. Portanto acreditamos que o assunto não deva fazer parte do cabedal de conhecimento dos alunos de Ensino Médio.
16. (UFPE 2011) O Feudalismo não foi uniforme em toda a Europa, mas, na administração de todas as suas propriedades, contou com a participação da Igreja Católica. Apesar dos princípios cristãos de amor e de generosidade, os trabalhadores, reconhecidos como servos, no feudalismo, eram:
0-0) tratados como escravos, inclusivamente no tempo da colonização portuguesa, embora tivessem certos direitos mantidos pela tradição da época.
1-1) assalariados, como pequenos proprietários de terra, conseguindo viver com certa dignidade e benevolência por parte dos senhores dominantes.
2-2) moradores entre os feudos com ampla garantia de proteção no caso de guerras, embora fossem proibidos de cultivar sua própria agricultura.
3-3) bastante explorados pelos senhores feudais, dispondo apenas de um tempo bastante restrito para cuidar das suas próprias vidas.
4-4) considerados importantes para o cultivo da terra e limpeza dos canais; pagavam impostos aos senhores feudais.
Resposta da questão 16: FFFVV
Justificativa:
0-0) Falsa. A escravidão não tinha relevância no sistema feudal. Os servos estavam ligados à propriedade e com uma imensa carga de trabalho.
1-1) Falsa. Os trabalhadores tinham imensas obrigações, para com o senhor feudal, com péssimas condições de vida e constante exploração.
2-2) Falsa. Possuíam pouco tempo para seus afazeres, embora pudessem cultivar seu pedaço de terra e sobreviver com o mínimo necessário.
3-3) Verdadeira. A exploração dos trabalhadores era grande, e suas condições de vida, miseráveis. Não prevaleciam os princípios do cristianismo.
4-4) Verdadeira. Os trabalhadores eram a mão de obra básica, mas não estavam livres do pagamento dos impostos.
17. (EsPCEx-2010) - Durante o
feudalismo na Europa Ocidental, uma série de obrigações submetia servos e
vilões aos seus senhores. Uma delas era a banalidade, que consistia na(o)
a) Prestação de serviços
gratuitos no campo do senhor em alguns dias da semana.
b) Entrega de parte da produção
agrícola ou do rebanho do servo ao senhor.
c) Pagamento de taxas ao senhor
pelo uso de instalações do feudo, como o moinho, o forno, o
celeiro, bem como outras
instalações.
d) Pagamento de tributo pela
família de um servo morto para que seus herdeiros mantivessem a posse da terra.
e) Pagamento de uma taxa ao
senhor, correspondente ao número de pessoas que o servo mantinha sob sua
responsabilidade.
resposta da questão 17:[C]
Comentário da questão:
A. Correto: Corvéia – trabalho forçado,
realizado por servos e vilões nas reservas senhoriais, em alguns dias da
semana, em geral três dias. Além do cultivo da terra, os servos trabalhavam
também nas construções de pontes, estradas, represas e canais.
B. Correto: Talha – imposto pago sob a forma
de produtos agrícolas ou pecuários, que correspondia a uma parte de tudo o que
era produzido no manso servil.
C. Correto: Banalidade – pago ao senhor pelo
uso das instalações do domínio, tais como: celeiro, moinho, forno, tonéis e
moradias.
D. Correto: Mão-Morta – tributo pago após a
morte de um servo pela sua família, para que seus herdeiros mantivessem a posse
da terra.
E. Correto: Capitação – imposto pago por
cabeças somente pelos servos.
Finalmente, para o último lugar são relegados os trabalhadores, destinados ao trabalho e ao sofrimento para o bem comum.
(Pierre Bonnassie. Dicionário de história medieval, 1985. Adaptado.)
O texto faz referência
A) a um tipo de organização social que se apoiava nas diferentes aptidões dos seres humanos.
B) às crenças milenaristas, segundo as quais apenas os pobres alcançariam o reino dos céus.
C) à igualdade social, que caracteriza a sociedade ocidental desde a Antiguidade.
D) ao antropocentrismo, que reservava lugar de destaque para a vontade dos indivíduos.
E) à divisão da sociedade em três ordens, colocada em xeque pela Revolução Francesa.
Resposta da questão 18: [E]
Comentário da questão:
O texto do dicionário faz menção à organização social da Idade
Média, em que o clero seria responsável por rezar, os nobres deveriam guerrear e os camponeses deveriam trabalhar para sustentar essa ordem estamental. No período pré-revolucionário, houve a contestação desse sistema social, pois não havia apenas camponeses “carregando” o Estado francês, mas também trabalhadores urbanos (sans-culottes) e a burguesia, alguns dos grupos responsáveis pela Revolução Francesa.
19. (UFG GO/2011)
Leia o documento a seguir.
Em 1391, os desventurados das comarcas ao sudoeste da Inglaterra começaram a se sublevar dizendo que se lhes mantinha numa servidão excessiva e que no começo do mundo não havia servos, somente homens semelhantes aos seus senhores. E tratavam-nos como animais, coisa que não podiam seguir suportando: queriam ser todos iguais, e se cultivavam ou faziam algum trabalho para seus senhores, queriam receber o seu salário.
Crônicas de Jean Froissant. PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000. p. 201; 207.
A Baixa Idade Média europeia foi marcada por várias revoltas populares no campo. Considerando a leitura do documento,
A) caracterize a servidão, estatuto contra o qual os camponeses passaram a se rebelar, no século XIV.
B) relacione o aumento da exploração servil e o desenvolvimento do comércio europeu no século XIV.
resposta da questão 19:
A) O estatuto da servidão caracterizava-se pela ligação compulsória do servo à terra. Isso quer dizer que o servo estava preso ao feudo. Decorrente dessa condição, ao servo eram atribuídas obrigações para com o senhor feudal. Essas obrigações poderiam ser pagas, por exemplo, na forma de trabalho compulsório nas reservas do senhor (corveia) e na destinação de parte da produção obtida no manso servil para o senhor feudal (talha). Cabia ao servo, também, pagar tributo ao senhor pelo uso de equipamentos comuns no feudo, tais como o arado, o moinho e o forno (banalidade). Diante das transformações ocorridas no século XIV, o estatuto da servidão passa a ser questionado, sendo reivindicada inclusive, conforme o documento, a remuneração da sua mão de obra (assalariamento).
B) O documento expressa uma crítica ao estatuto da servidão e indica que, no século XIV, a condição do servo piorou (há, conforme anotado, uma servidão excessiva). O aprofundamento da exploração servil relacionava-se diretamente às transformações ocorridas na economia europeia do período. A intensificação do comércio interno, associado ao abastecimento das cidades em expansão, e do externo, relacionado às rotas comerciais com o Oriente, resultou no aprofundamento da exploração servil de forma a garantir os rendimentos feudais e a gerar excedentes de produção dirigidos ao mercado.
20. (Unesp 2010) Sobre essas festas medievais, podemos dizer que
A) muitos relatos do cotidiano medieval indicam que havia um confronto entre as festas de origem pagã e as criadas pelo cristianismo.
B) os torneios eram as principais festas e rompiam as distinções sociais entre senhores e servos que, montados em cavalos, se divertiam juntos.
C) a Igreja Católica apoiava todo tipo de comemoração popular, mesmo quando se tratava do culto a alguma divindade pagã.
D) as festas rurais representavam sempre as relações sociais presentes no campo, com a encenação do ritual de sagração de cavaleiros.
E) religiosos e nobres preferiam as festas privadas e pagãs, recusando-se a participar dos grandes eventos públicos cristãos.
Resposta da questão 20:[A]
Comentário da questão:
A Idade Média aglutinou a tradição greco-romana, o cristianismo e os costumes bárbaros germânicos, entre outros. Dessa maneira as festas medievais e outras manifestações culturais expressam, como mencionou Jacques Le Goff, a fusão entre as tradições pagãs e as criadas pelo cristianismo.
21. (UFBA - 2011) A Idade Média, na Europa, foi caracterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado "feudalismo". Esse sistema começou a se estruturar na Europa, ao final do Império Romano do Ocidente (século V), atingiu seu apogeu no século X e registrou-se o seu declínio ao final do século XV.
(MELLO; COSTA, 1994, p. 235).
De acordo com o texto e com os
conhecimentos sobre o sistema econômico e político-administrativo que
caracterizou o feudalismo na Europa, indique uma característica do seu apogeu,
no século X, e um fator responsável pelo seu declínio no final do século XV.
• Século X — apogeu:
• Século XV — declínio:
Resposta da questão 21:
Século X – apogeu:
Características:
• vigência das relações de
suserania e vassalagem;
• complexa hierarquia feudal,
baseada nas relações de dependência entre os diferentes papéis representados
pela nobreza;
• confirmação do poder figurativo
dos reis;
• fortalecimento da sociedade
estamental, legitimada pela ideologia católica expressa na "Cidade de
Deus" de Santo Agostinho.
• fortalecimento do feudalismo
como modo de produção: terra/servidão/economia fechada e autossuficiente.
Século XV – declínio:
Fatores responsáveis:
• crescimento demográfico na
Europa Ocidental criando novas demandas de consumo;
• renascimento das cidades e
ocorrência de lutas visando à autonomia por parte das mais fortes e
desenvolvidas;
• revolução comercial na área
europeia/mediterrânea, trazendo novas práticas financeiras e comerciais;
• mudanças na estrutura social
com a formação da burguesia comercial;
• guerra dos Cem Anos;
• peste Negra;
• formação das monarquias
nacionais e expansão marítimo-comercial.
Vale destacar que essa cronologia
e interpretação são tradicionais e podem variar. Muitos historiadores
consideram que, a partir do século XI a Europa vivenciou o apogeu do
feudalismo.
Segundo a divisão que adotamos, a
questão deve ser enquadrada em duas classificações, Alta e Baixa Idade Média.
22. (PUC 2010) “A Idade Média não é o período dourado que certos românticos quiseram imaginar, mas também não é, apesar das fraquezas e aspectos dos quais não gostamos, uma época obscurantista e triste, imagem que os humanistas e os iluministas quiseram propagar.”
Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 18
A ambígua imagem da Idade Média que hoje temos deriva, em parte, de representações
A) negativas do período, que destacam a opressão a que os camponeses eram submetidos, a intolerância da Igreja e as repetidas temporadas de fome.
B) positivas do período, que destacam o papel relevante que as mulheres tinham na vida social, o avanço tecnológico e o desenvolvimento nas artes visuais.
C) negativas do período, que destacam a atuação do Tribunal da Inquisição, a ausência de mobilizações sociais e o direito divino que justificava o absolutismo.
D) positivas do período, que destacam o resgate de valores religiosos oriundos da Antiguidade Clássica, a arquitetura românica e gótica e as festas populares.
E) negativas do período, que destacam a ausência de liberdades políticas, a persistência do politeísmo e de práticas de bruxaria em toda a Europa Ocidental.
resposta da questão 22:[A]
Comentário da questão:
A interpretação da Idade Média como sendo um período de ignorância e crise, uma “Idade das Trevas”, em oposição às luzes da ciência e à Modernidade, está associada às dificuldades materiais do período e ao papel repressor do clero católico.
23. (Fuvest) A palavra
“feudalismo” carrega consigo vários sentidos. Dentre eles, podem-se apontar
aqueles ligados a
a) sociedades marcadas por
dependências mútuas e assimétricas entre senhores e vassalos.
b) relações de parentesco
determinadas pelo local de nascimento, sobretudo quando urbano.
c) regimes inteiramente dominados
pela fé religiosa, seja ela cristã ou muçulmana.
d) altas concentrações fundiárias
e capitalistas.
e) formas de economias de
subsistência pré-agrícolas.
resposta da questão 23:[A]
24. (UFPI) Entre as
características do feudalismo, sistema político, social e econômico estruturado
na Europa medieval, estão:
a) A existência de uma forte
concentração de poder nas mãos dos monarcas.
b) Uma forte monetarização das
relações econômicas, favorecendo o crescimento dos núcleos urbanos.
c) A terra não tinha valor, sendo
inúmeras vezes concedida aos servos para que cultivassem a agricultura
livremente.
d) A existência de uma sociedade
estamental, formada por grupos sociais com status fixos, os senhores e os
servos, em que os servos eram presos à terra e obrigados a prestar serviços e
pagar impostos aos senhores.
e) Uma base econômica voltada ao
comércio entre os vários feudos existentes.
resposta da questão 24:[D]
25. (Unifesp) Sabe-se que o
feudalismo resultou da combinação de instituições romanas com instituições
bárbaras ou germânicas. Indique e descreva no feudalismo uma instituição de
origem
a) romana.
b) germânica.
resposta da questão 25:
a) A servidão medieval, marcada
pelo vínculo dos camponeses à terra, teve origem na instituição do colonato
durante o Baixo Império Romano.
b) A instituição da vassalagem
entre os nobres feudais tem sua origem associada à tradição germânica de
alianças militares, definida como comitatus.
26. (ESPM jul08) Leia o documento
que se segue e responda:
Em primeiro lugar, prestaram
homenagem da maneira seguinte: o conde perguntou ao seu interlocutor se queria
tornar-se seu homem, sem reserva, e este respondeu: - Quero; depois estando as
suas mãos apertadas pelas do conde, aquele que havia prestado homenagem fez
compromisso da sua fidelidade ao ‘avant-parlier’ (porta-voz) do conde, nestes
termos: — Prometo pela minha —, ser, a partir deste instante, fiel ao conde
Guilherme e guardar-lhe, contra todos e inteiramente à minha homenagem, de boa
fé e sem dolo; em terceiro lugar jurou o mesmo sobre as relíquias dos santos.
(F.L.Ganshof. O que é
Feudalismo?)
Assinale a alternativa que
apresenta, respectivamente, quem se submetia a tal juramento e uma de suas
obrigações:
a) Suserano; corvéia, ou
prestação de trabalho por 3 dias da semana ao senhor.
b) Suserano; banalidade ou taxas
pagas pelo uso das instalações do feudo.
c) Vassalo; formariage ou taxa
paga para poder se casar.
d) Vassalo; auxílio militar
obrigatório durante quarenta dias ao ano.
e) Servo; auxílio financeiro para
quando do casamento da filha mais velha do suserano.
resposta da questão 26:[D]
27. (GV Econ. Dez06) “Em primeiro
lugar, fizeram homenagem desta maneira: o conde perguntou ao futuro vassalo se
queria tornar-se seu homem sem reservas, e este respondeu: ‘Eu o quero’;
estando então suas mãos apertadas nas mãos do conde, eles se uniram por um
beijo. Em segundo lugar, aquele que havia feito homenagem hipotecou sua fé
(...); em terceiro lugar, ele jurou isto sobre as relíquias dos santos. Em
seguida, com o bastão que tinha à mão, o conde lhes deu a investidura (...).”
Galbert de Bruges, in Gustavo de
Freitas, 900 textos e documentos de História
Da situação descrita no
documento, resultou
a) a formação de um exército de
mercenários, pois os vassalos lutavam por terras, o que se tornou fundamental
às monarquias nacionais.
b) o fortalecimento da autoridade
dos monarcas, que ganharam o direito de comandar seus vassalos e, assim,
reprimir as rebeliões senhoriais e camponesas.
c) a organização das Cruzadas,
devido ao interesse do Papado em reafirmar seu poder sobre a cristandade após o
Cisma do Oriente.
d) o surgimento de Estados
nacionais, já que os reis conseguiram o apoio militar e financeiro dos nobres
em sua luta contra os poderes locais.
e) a fragmentação do poder real,
uma vez que os vassalos deviam obediência direta a seu suserano, que exercia
autoridade em sua região.
resposta da questão 27:[E]
28. (GV Econ. Dez07) A palavra
servo vem de servus (latim), que significa “escravo”. No período medieval, esse
termo adquiriu um novo sentido, passando a designar a categoria social dos
homens não livres, ou seja, dependentes de um senhor. (...) A condição servil
era marcada por um conjunto de direitos senhoriais ou, do ponto de vista dos
servos, de obrigações servis.
(Luiz Koshiba, História: origens,
estruturas e processos)
Assinale a alternativa que
caracterize corretamente uma dessas obrigações servis.
a) Dízimo era um imposto pago por
todos os servos para o senhor feudal custear as despesas de proteção do feudo.
b) Talha era a cobrança pelo uso
da terra e dos equipamentos do feudo e não podia ser paga com mercadorias e sim
com moeda.
c) Mão morta era um tributo anual
e per capita, que recaía apenas sobre o baixo clero, os vilões e os cavaleiros.
d) Corvéia foi um tributo
aplicado apenas no período decadente do feudalismo e que recaía sobre os servos
mais velhos.
e) Banalidades eram o pagamento
de taxas pelo uso das instalações pertencentes ao senhor feudal, como o moinho
e o forno.
resposta da questão 28:[E]
29. (Unesp) Desde o final do
Império Romano até o início da Idade Moderna, pode-se dizer que o continente
europeu viveu sob o feudalismo ou regime feudal.
a) Qual era a base de exploração
de mão-de-obra durante o regime feudal?
b) Do ponto de vista econômico e
político, como se caracterizava o feudalismo?
resposta da questão 29:
a) A servidão, pela qual o
camponês preso a terra pagava obrigações a seu senhor em troca de proteção.
b) A economia feudal era agrária
e auto-suficiente (base agrícola e de subsistência) e amonetária, sendo o
comércio local realizado com base em trocas naturais. Politicamente, o
feudalismo caracterizava-se pela descentralização do poder (localismo) na
medida em que os senhores feudais eram autônomos em seus domínios, inexistindo
a autoridade do rei.
30. (Ufpel) TEXTO I
"Deus quis que, entre os
homens, uns fossem senhores e outros, servos, de tal maneira que os senhores
estejam obrigados a venerar e amar a Deus, e que os servos estejam obrigados a
amar e venerar o senhor..." St. Laud de Angers, Documents d Historie
Vivante.
In: FREITAS, Gustavo de.
"900 textos e documentos de história". Vol. 1 Lisboa, Plátano, 1975.
TEXTO II
"Capítulos do projeto de
concórdia entre os camponeses da Catalunha e seus senhores. [...] VIII - que o
senhor não possa dormir a primeira noite com a mulher do camponês: Pretendem
alguns senhores que, quando o camponês toma a mulher, o senhor há de dormir a
primeira noite com ela, e, em sinal de senhorio, a noite em que o camponês deva
contrair núpcias, a mulher, estando deitada, vem o senhor, sobe à cama,
passando sobre a dita mulher e como isso é infrutuoso para o senhor e uma
grande humilhação para o camponês, um mau exemplo e uma ocasião para o mal,
pedem e suplicam que isso seja totalmente abolido".
PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe.
"História: textos e testemunhas". São Paulo: UNESP, 2000.
Os documentos se referem às
práticas do
a) helenismo grego.
b) anglicanismo.
c) germanismo.
d) catolicismo medieval.
e) feudalismo europeu.
resposta da questão 30:[E]
31. (cftce) O Feudalismo foi o
sistema econômico, político e social característico da Europa durante a Idade
Média. É traço do Feudalismo:
a) baseava-se nas relações
trabalhistas de produção.
b) economia natural e
auto-suficiente.
c) intenso comércio.
d) intenso desenvolvimento
urbano.
e) relações políticas baseadas no
poder republicano.
resposta da questão 31:[B]
32. (cftpr) A expressão
"Idade Média" surgiu no século XIV, durante o Renascimento, para
denominar um período de quase mil anos (de 476 a 1453). Para facilitar o
estudo, os historiadores costumam dividir esse período em Alta Idade Média
(séculos V a IX) e Baixa Idade Média (séculos IX a XIV).
Sobre a Idade Média, podemos
afirmar que:
I) Este período é caracterizado
pela ruralização, culminando na formação do feudalismo. A economia era de
subsistência e sustentava-se no trabalho servil. Presos à terra, entre várias
obrigações, os servos estavam submetidos a prestações em produtos (talha e
banalidade) e em trabalho (corvéia).
II) A sociedade era estamental,
sem mobilidade vertical e hierarquizada em ordens: o clero (que rezava),
nobreza (que guerreava) e os servos (que trabalhavam).
III) A cultura mesclava a
religiosidade cristã com o espírito guerreiro feudal, numa época marcada por
invasões, constituindo-se na identidade da Europa Ocidental. Em suas
manifestações, a cultura idealizava as relações guerreiras da nobreza como a
cavalaria, a suserania e a vassalagem.
IV) Influenciados pelo
cristianismo, todos acreditavam que o reino da Terra tinha sido concebido por
Deus. Contudo, a Igreja Católica não conseguiu impor uma ordem política, uma
vez que a nobreza detinha o monopólio da violência e conseguiu obter o poder
político autônomo, sem interferências religiosas.
Das proposições anteriores, são
corretas somente:
a) II, III e IV.
b) I, III e IV.
c) I, II e III.
d) I e IV.
e) I e II.
resposta da questão 32:[C]
33. (cftce) Leia atentamente o
texto a seguir:
"Os clérigos devem por todos
orar
Os cavaleiros sem demora
Devem defender e honrar
E os camponeses sofrer
Cavaleiros e clérigos sem falha
Vivem de quem trabalha
Têm grande canseira e dor
Pagam princípios, corvéias,
orações ou talha...
E com coisas costumeiras..."
(Estevão de Fourieges, in:
COTRIM, Gilberto. "História global - Brasil e geral." Vol. Único. São
Paulo: Saraiva, 2002.)
Os versos se referem:
a) aos estamentos sociais típicos
do feudalismo;
b) aos estamentos característicos
da sociedade romana
c) às classes sociais da época
moderna
d) aos grupos sociais franceses
formados com a Revolução Francesa
e) aos grupos sociais surgidos na
Rússia a partir da Revolução Soviética de 1917
resposta da questão 33:[A]
34. (cftce) É alternativa
verdadeira, correspondente às principais características do Feudalismo.
a) economia e sociedade agrárias
e cultura predominantemente laica;
b) trabalho assalariado, cultura
teocêntrica e poder político centralizado nas mãos do rei;
c) trabalho assalariado e
economia agrária, auto-suficiente e natural;
d) trabalho regulado pelas
obrigações servis e sociedade com grande mobilidade;
e) as relações entre a nobreza
feudal baseavam-se nos laços de suserania e vassalagem: tornava-se suserano o
nobre que doava um feudo a outro; e vassalo, o nobre que recebia o feudo.
resposta da questão 34:[E]
35. (Ufpel) "Os clérigos
devem por todos orar os cavaleiros sem demora devem defender e honrar e os
camponeses, sofrer cavaleiros e clero sem falha vivem de quem trabalha têm
grande canseira e dor pagam primícias, corvéias, orações ou talha e cem coisas
costumeiras e quanto mais pobre viver mais mérito terá das faltas que cometeu
se paga a todos o que deve se cumpre com lealdade a sua fé se suporta paciente
o que lhe cabe: angústias e sofrimentos."
ESTEVÃO DE FOUREGES. In: COTRIM,
Gilberto. "História global: Brasil e Geral". 6
ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
O poema está diretamente
relacionado
a) à Revolução Francesa,
enfatizando as obrigações servis, como a corvéia - que era a entrega da
primeira colheita ao senhor.
b) à estratificação social, no
feudalismo europeu, justificada pela Igreja, e composta pelo clero, pela
nobreza e pelo povo.
c) ao final da Idade Média,
durante a expansão colonial européia na América, com o apoio da Igreja.
d) à ideologia burguesa, nas
Cruzadas, quando os cavaleiros defenderam os valores cristãos ocidentais contra
os muçulmanos.
e) ao período medieval, por
referir a exploração dos camponeses através de trabalho escravizado, bem como
pela talha - que era o pagamento pelo uso do moinho.
resposta da questão 35:[B]
36. (Puc-rs) "Há de se
notar, em especial, que a dupla necessidade que os autores [...] sentiram de,
por um lado, utilizar a insubstituível utensilagem intelectual do mundo
greco-romano e de, por outro lado, vazá-la em moldes cristãos, facilitou ou
criou, mesmo, hábitos intelectuais muito perniciosos: a sistemática deformação
do pensamento dos autores, o perpétuo anacronismo, o raciocínio por citações
isoladas do contexto. O pensamento antigo só humilhado, deformado e atomizado
pelo pensamento cristão pôde sobreviver [...]."
(Adaptado de Jacques Le Goff,
1964, p. 151).
O fragmento do texto acima se
refere
a) ao tratamento dado às antigas
fontes pagãs pela maioria dos pensadores medievais da Alta Idade Média, em que
o essencial era o que os autores haviam dito, e que podia ser utilizado
conforme conviesse pela elite intelectual da Igreja Católica para servir aos
propósitos do cristianismo.
b) à cultura renascentista, que
deturpou o sentido das fontes originais, atitude justificada pela busca
extremada do uso da razão, eliminando qualquer possibilidade de expressão dos
indivíduos pelo sentimento, tônica da tradição antiga, presente nos textos.
c) ao período bizantino, em que
as fontes gregolatinas precisavam sofrer um processo de releitura para se
ajustar às concepções políticas e religiosas que combatiam as influências
orientais presentes no pensamento ocidental.
d) à educação desenvolvida
durante o Império Romano, em que a história escrita, antes da dominação de
vastos territórios pelos exércitos romanos, precisava sofrer alterações em sua
análise e interpretação, bem de acordo com a política externa romana: um
império, um pensamento.
e) ao período de transição do
feudalismo para o capitalismo, no qual a cultura precisava se adequar às novas
transformações econômicas, políticas e sociais, sendo adotada como primeira
medida a substituição do pensamento antigo pelo científico.
resposta da questão 36:[A]
37. (cftsc 2007) Assinale a
proposição CORRETA. Sobre as idéias econômicas e sociais da Igreja na época
feudal podemos afirmar:
a) Estimulavam o comércio e o
enriquecimento individual.
b) Condenavam a rígida estrutura
econômica e social do feudalismo.
c) Estimulavam os empréstimos a
juros, porque aliviavam a situação dos aflitos.
d) Justificavam a estrutura
social do feudalismo e consideravam o comércio reprovável.
e) Santificavam o trabalho como
forma de ascensão social e econômica.
resposta da questão 37:[D]
38. (Uel 2008) "Aqui em
baixo uns rezam, outros combatem e outros ainda trabalham.
(DE LAON, Adalberão. Carmen ad
Rodbertum Regem. In: DUBY, G. "As três ordens: o imaginário do
feudalismo". Lisboa: Editora Estampa, 1982. p. 25.)
Esse preceito, apresentado
inicialmente pelo bispo Adalberão, no século XI, em parte reflete as
funções/atividades mais características do período medieval, em parte tem
função ideológica, pois esse ordenamento pretendia fortalecer a divisão e a
hierarquia. Ainda sobre a sociedade medieval, é correto afirmar:
a) A divisão acima mencionada
reflete uma sociedade na qual a religiosidade se impõe nas várias esferas da
vida, em que o braço armado tende a impor seu poder sobre os desarmados, em que
a economia se fundamenta no trabalho agrícola.
b) Definida a sociedade entre
religiosos, guerreiros e camponeses a partir do Tratado de Verdum, as
atividades não permitidas pela Igreja oram perseguidas pelos tribunais
inquisitoriais.
c) Diante da limitação das
funções às três ordens e perseguição aos comerciantes promovida pelas
monarquias nascentes, a atividade comercial declinou, situação essa que se
reverteu no século XVI no contexto do Renascimento Comercial.
d) O poder eclesiástico se
impunha a partir do momento do batismo, quando era definido o destino de cada
criança, de acordo com as necessidades fundadas na sociedade de ordens.
e) A divisão apresentada,
característica do período entre os séculos XI e XIII, revela a estagnação
econômica da sociedade, o que explica a crise agrícola e o recuo demográfico.
resposta da questão 38:[A]
39. (Ufpel) Ilustração do século
XV que representa os servos prestando serviços sob a fiscalização de um agente
do senhor.
Durante o feudalismo europeu,
este tipo de obrigação, que era cumprida através de trabalho gratuito nas
terras senhoriais, era denominada de
a) talha.
b) banalidades.
c) mão-morta.
d) comitatus.
e) corvéia.
resposta da questão 39:[E]
40. (Fuvest Jan07) Na Europa
Ocidental, durante a Idade Média, o auge do feudalismo (século X ao XIII)
coincide com o auge da servidão. Explique
a) no que consistia a servidão.
b) por que a servidão entrou em
crise e deixou de ser dominante a partir do século XIV.
resposta da questão 40:
a) A servidão, durante a Idade
Média, consistiu na mais importante modalidade de trabalho na Europa Ocidental.
Os servos (camponeses) tinham vínculos com a terra e, pelo direito de usá-la
para seu sustento e em troca de proteção, eram explorados e submetidos a
diversas obrigações pelos nobres detentores das terras.
b) No século XIV, o sistema
feudal europeu foi se desestruturando em meio a uma grave crise, vinculada à
disseminação de epidemias (peste), à Guerra dos Cem Anos (1337-1453) e à
eclosão de inúmeras revoltas camponesas (Jacqueries). O surgimento de contratos
de arrendamento da terra, assalariamento e novas formas de exploração do
trabalho são sintomas da desagregação da servidão e da expansão de diversas
relações econômicas fundadas no capitalismo comercial.
41. (Mack Jun07) (...) Resta
enfim a inatividade sagrada: a vida terrestre do homem é uma prova que, em caso
de sucesso, conduz à felicidade eterna; o culto de Deus e dos santos é,
portanto, uma atividade espiritual mais importante que o trabalho material.
Este é imposto ao homem como resgate do pecado e como meio de santificação, mas
não tem por fim senão a subsistência do homem. Nem o trabalho nem o produto do
trabalho são um fim em si. O calendário litúrgico impunha, pois, aos fiéis a
cessação de toda atividade laboriosa por ocasião de um grande número de festas,
a fim de que eles se consagrassem inteiramente ao culto. Assim, em razão do
número de festas e de vigílias, a duração média do trabalho semanal não parece
ter sido superior a quatro dias! No século XV suprimiu-se um bom número de
festas com folga, mas no século XVI contavam-se ainda, anualmente, além dos
domingos, umas sessenta delas. É evidente que a mentalidade medieval ignorava a
obsessão pelo trabalho e pela produtividade, que seria rigorosa na época
mercantilista (...).
Guy Antonetti — A economia
medieval
Segundo o trecho acima, sobre a
Idade Média, é correto afirmar que:
a) a economia, naquela época,
conheceu períodos de profunda estagnação em razão do absoluto desinteresse dos
homens pelo trabalho material e pelo lucro, preocupados que estavam apenas com
o culto de Deus e dos santos.
b) um traço próprio da
mentalidade medieval, quando comparada à de uma época posterior, é a ausência
da obsessão pelo trabalho material e sua produtividade.
c) o excessivo número de festas
religiosas imposto pela Igreja reduzia drasticamente os dias úteis de trabalho,
provocando períodos de escassez de alimentos e, em conseqüência, uma maior
preocupação dos homens com a vida eterna.
d) o anseio por resgatar-se do
pecado original e por santificar-se levou o homem medieval a considerar o
trabalho e seu produto um bem em si, ou seja, o caminho único que conduziria à
felicidade eterna.
e) na época mercantilista, a
supressão de um bom número de feriados religiosos foi a causa de ter nascido
nos homens a obsessão pelo trabalho e pela produtividade, bem própria da
mentalidade capitalista então nascente.
resposta da questão 41:[B]
42. (Mack Jun06) Os homens deste
tempo [...] dividem-se em três “ordens”. Entendamo-las como categorias
nitidamente delimitadas, estáveis, estabelecidas por Deus mesmo e, todos o
crêem, desde a criação, para assegurar a ordem do mundo, e cada qual
correspondente a um “estado” particular, a uma missão especial. Na primeira
classe, situam-se os que rezam e sua missão é cantar a glória de Deus e obter a
salvação de todos; seguem-se os que combatem, encarregados de defender os
fracos e impor a paz divina; enfim, figuram os trabalhadores, que, segundo o
plano providencial, devem contribuir, pelo seu labor, para o sustento dos
especialistas da prece e do combate.
E. Perroy — A sociedade feudal
A respeito do trecho acima, são
feitas as seguintes afirmações:
I. As três “ordens” mencionadas
são, grosso modo, o clero, a nobreza e os servos.
II. A definição das funções
sociais das “ordens” obedece a uma razão religiosa, cujo propósito é assegurar
a ordem do mundo.
III. As categorias nitidamente
delimitadas conheciam uma intensa mobilidade social em razão do enriquecimento
rápido proporcionado aos trabalhadores pela atividade agrícola.
Assinale:
a) se apenas I é correta.
b) se apenas II é correta.
c) se apenas III é correta.
d) se apenas I e II são corretas.
e) se I, II e III são corretas.
resposta da questão 42:[D]
43. (Fuvest Jan08) Se, para o
historiador, a Idade Média não pode ser reduzida a uma “Idade das Trevas”, para
o senso comum, ela continua a ser lembrada dessa maneira, como um período de
práticas e instituições “bárbaras”.
Com base na afirmação acima, indique
e descreva
a) duas contribuições relevantes
da Idade Média.
b) duas práticas ou instituições
medievais lembradas negativamente.
resposta da questão 43:
a) A Idade Média legou
importantes contribuições para a posterioridade: inovações como um novo modo de
utilizar o moinho de vento e a invenção de um novo tipo de arado; o
desenvolvimento expressivo da arquitetura; e o desenvolvimento no campo das
idéias, a preservação e difusão da filosofia clássica e o modelo de
universidade, vigente até hoje.
b) A ideia de “Idade das Trevas”
foi concebida no Renascimento, reforçada pelo Iluminismo. Para o senso comum,
uma prática do período, a alquimia — embrião da química —, relacionava-se
normalmente à bruxaria. As práticas inquisitoriais da Igreja levaram à
perseguição de pessoas e grupos que questionassem a instituição. A própria
Igreja era vista equivocadamente como monopolizadora do saber, mas controlava
principalmente o saber erudito. Outra instituição feudal era a servidão,
lembrada negativamente como a submissão dos camponeses à exploração da nobreza.
44. (G1) Em relação ao feudalismo
vigente na período medieval na Europa Ocidental, responda:
a) O que eram as corveias e as
banalidades? Caracterize-as
b) Descreva como estava
organizada a sociedade feudal.
resposta da questão 44:
a) Corveias – consiste no
trabalho de 3 a 4 dias por semana na terra do senhor feudal.
Banalidades – Taxa pela
utilização dos bens comuns, como o moinho ou o forno.
b) A Sociedade estava organizada
baseada na hierarquia. Em primeiro lugar a Igreja detinha o poder, juntamente
com os reis, que eram seguidos por nobres ou senhores feudais e na base da
sociedade encontravam-se os servos e pequenos artesãos.
45. (UEL Dez07) Sobre a
religiosidade medieval, é correto afirmar:
a) Com o fim do Império Romano, o
Cristianismo, até então perseguido, difundiu-se pela Europa, sendo seus adeptos
liberados dos impostos pagos pelos idólatras.
b) A prática da bruxaria, então
disseminada nos meios clericais, provocou a reação dos crentes e a Revolução
Protestante, levando à renovação da experiência cristã.
c) O ateísmo foi combatido
duramente pela inquisição, tendo como conseqüência o desaparecimento dos
descrentes até o século XVIII.
d) A experiência da reclusão foi
bastante característica na vida religiosa do período medieval, sobressaindo-se
a ordem beneditina, fundada sobre o princípio da vida dedicada à oração e ao
trabalho.
e) A ativa participação dos
leigos na instituição eclesiástica, assim como uma tendência ao enfraquecimento
da hierarquia dessa, podem ser apontadas como características do período.
resposta da questão 47:[D]
48. (UNIFESP Dez06) O mosteiro
deve ser construído de tal forma que tudo o necessário (a água, o moinho, o
jardim e os vários ofícios) exerce-se no interior do mosteiro, de modo que os
monges não sejam obrigados a correr para todos os lados de fora, pois isso não
é nada bom para suas almas.
(Da Regra elaborada por São
Bento, fundador da ordem dos beneditinos, em meados do século VI.)
O texto revela
a) o desprezo pelo trabalho, pois
o mosteiro contava com os camponeses para sobreviver e satisfazer as suas
necessidades materiais.
b) a indiferença com o trabalho,
pois a preocupação da ordem era com a salvação espiritual e não com os bens
terrenos.
c) a valorização do trabalho, até
então historicamente inédita, visto que os próprios monges deviam prover a sua
subsistência.
d) a presença, entre os monges,
de valores bárbaros germânicos, baseados na ociosidade dos dominantes e no
trabalho dos dominados.
e) o fracasso da tentativa dos
monges de estabelecer comunidades religiosas que, visando a salvação, abandonavam
o mundo.
resposta da questão 48:[C]
49. (Ibmec 07) Utilize o texto abaixo
para responder aos testes 25 e 26.
25. A mulher deve ser governada.
Essa certeza encontra seu apoio nos textos da Sagrada Escritura e propõe a
imagem exemplar da relação homem-mulher. Essa relação deve ser hierárquica,
tomando o seu lugar na ordem hierárquica universal: o homem deve sujeitar as
mulheres que lhe são confiadas, mas amá-las também, e as mulheres devem ao
homem que tem poder sobre elas a reverência. Essa troca de dilectio e de reverentia
institui ordem no interior do grupo doméstico e, de início, no que forma o
núcleo desse grupo, o casal. Mas, da relação entre o esposo e a esposa, os
moralistas da igreja julgam naturalmente que esse outro sentimento, diferente
da dilectio, que eles chamam em latim de amor, deve ser excluído, porque o amor
sensual, o desejo, o impulso do corpo, é a perturbação, a desordem;
normalmente, ele deve ser rejeitado do quadro matrimonial, localizado no espaço
do jogo, da gratuidade, o lugar que lhe é concedido por este divertimento da
sociedade que chamamos de amor cortês. O casamento é coisa séria; ele exige
austeridade; a paixão não deve misturar-se aos assuntos conjugais.
(DUBY, Georges. Idade Média,
idade dos homens: do amor e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras,
1990, p. 93.)
No trecho acima, o historiador
Georges Duby traça o perfil da relação homem-mulher na Idade Média. Nesse
perfil, podemos perceber
a) a defesa da igualdade entre
homens e mulheres, já sentida nesse período, cerca de mil anos antes do
movimento feminista do século XX.
b) a existência da mulher como
cortesã, realizando o papel da esposa fiel que presta reverência a seu marido e
mantém a ordem do grupo doméstico.
c) a defesa do amor sensual para
a manutenção do núcleo familiar, dando a seriedade necessária aos assuntos
conjugais.
d) o casamento como uma
instituição necessária para estabelecer uma ordem universal, na qual os homens
se sujeitam às mulheres.
e) a importante presença da
Igreja como definidora do papel de submissão que a mulher deveria exercer
dentro do âmbito familiar na sociedade medieval.
resposta da questão 49:[E]
50. No que tange o mundo
ocidental, longo foi o percurso da luta pelos direitos da mulher, da idade
média aos nossos dias. Sobre esse percurso, é correto afirmar:
I. Pouca coisa mudou na relação
hierárquica entre homem e mulher no interior dos núcleos familiares, marcada
pela sujeição das mulheres e por sua reverência aos homens, relação essa
defendida nos países católicos em virtude de uma concepção ainda patriarcal da
família.
II. A presença das sufragistas só
aconteceu em meados do século XX, quando francesas e inglesas saíram às ruas,
lutando pelo direito ao voto, uma das bandeiras pela igualdade dos sexos.
III. A reivindicação pelos
direitos sobre o corpo e a sua conquista caracterizam o feminismo
contemporâneo, no qual a pauta do dia é a luta pela liberdade de contracepção e
o direito à interrupção voluntária da gravidez.
IV. No início dessa luta, a
simples presença das mulheres na rua, agindo em causa própria, era vista como
um ato subversivo e sentida como uma violência dentro da ordem estabelecida.
a) apenas III está correta.
b) apenas III e IV estão
corretas.
c) apenas I, II e III estão
corretas.
d) apenas I, II, IV estão
corretas.
e) apenas II, III e IV estão
corretas.
resposta da questão 50:[B]
51. (FUVEST) A economia da Europa
ocidental, durante o longo intervalo entre a crise do escravismo, no século
III, e a cristalização do feudalismo, no século IX, foi marcada pela
a) depressão, que atingiu todos
os setores, provocando escassez permanente e fomes intermitentes.
b) expansão, que ficou restrita à
agricultura, por causa do desaparecimento das cidades e do comércio.
c) estagnação, que só poupou a
agricultura graças à existência de um numeroso campesinato livre.
d) prosperidade, que ficou
restrita ao comércio e ao artesanato, insuficientes para resolver a crise
agrária.
e) continuidade, que preservou os
antigos sistemas de produção, impedindo as inovações tecnológicas.
resposta da questão 51:[A]
Comentário da questão:
O século III marca o
início da crise do Império Romano, caracterizada pela crise do escravismo, que
é um dos fatores para a desorganização da economia, assim como pela invasão dos
bárbaros, acentuando o processo de ruralização e retração das atividades
econômicas. Considera-se que o domínio muçulmano sobre o mediterrâneo também
tenha contribuído para a crise europeia.
52. (UNESP) "A fome é um dos
castigos do pecado original. O homem fora criado para viver sem trabalhar se
assim o quisesse. Mas, depois da queda, não podia resgatar-se senão pelo
trabalho... Deus impôs-lhe, assim, a fome para que ele trabalhasse sob o
império dessa necessidade e pudesse, por esse meio, voltar às coisas
eternas."
(Trecho do Elucidarium. Citado no
livro A CIVILIZAÇÃO DO OCIDENTE MEDIEVAL)
a) Como o texto, escrito durante
a Idade Média, justifica a fome?
b) Como era organizado o trabalho
na propriedade feudal?
resposta da questão 52:
a) Segundo o texto, a fome “é um
dos castigos do pecado original.”
b) No regime feudal prevalece a
servidão, que constitui uma forma de trabalho compulsório segundo a qual o servo paga com seus trabalhos o direito de
viver nas terras do senhor.
53. (FUVEST) A Alta Idade Média
européia é inseparável da civilização islâmica, já que consiste precisamente na
convivência, ao mesmo tempo positiva e negativa, do cristianismo e do
islamismo, sobre uma área comum
impregnada pela cultura Greco-romana.
(José Ortega y Gasset, 1833-1955)
O texto anterior permite afirmar
que, na Europa Ocidental Medieval:
a) Formou-se uma civilização
complementar à islâmica, pois ambas tiveram um mesmo ponto de partida;
b) Originou-se uma civilização
menos complexa que a islâmica devido à predominância da cultura
germânica;
c) Desenvolveu-se uma civilização
que se beneficiou tanto da herança Greco-romana quanto da islâmica;
d) Cristalizou-se uma civilização
marcada pela flexibilidade religiosa e tolerância cultural;
e) Criou-se uma civilização sem
dinamismo, em virtude de sua dependência de Bizâncio e do Islã;
resposta da questão 53:[C]
54. (UEL) A chamada
“desintegração” do Império Romano remodelou a Europa. As modificações que
ocorreram levaram á formação de uma sociedade com características próprias,
conhecida como sociedade medieval.
Sobre o período da Alta Idade
Média (do século V ao X), é correto afirmar:
a) os povos que ocuparam o
Império Romano mantiveram a estrutura política anterior, com uma divisão
equilibrada e estável das funções públicas;
b) Chamados de “bárbaros”, povos
como os germânicos e os hunos foram responsáveis pela retomada da atividade
mercantil e pela urbanização da Europa;
c) Com o caráter de migração ou
invasão, a chegada dos chamados “bárbaros” esteve relacionada à falência do
mundo escravista e à debilidade militar de Roma;
d) A população residente no
antigo Império Romano integrou-se com as várias tribos germânicas invasoras,
formando federações com a Gália e a Hispânia;
e) Os conflitos entre romanos e
germânicos, decorrentes das invasões, acabaram caracterizando a denominada
Guerra dos Cem Anos;
resposta da questão 54:[C]
a) os vândalos;
b) os francos;
c) os visigodos;
d) os ostrogodos;
e) todas as anteriores.
resposta da questão 55:[E]
Os povos bárbaros eram de origem
germânica e habitavam as regiões norte e nordeste da Europa e noroeste da Ásia,
na época do Império Romano. Viveram em relativa harmonia com os romanos até os
séculos IV e V da nossa era. Chegaram até a realizar trocas e comércio com os
romanos, através das fronteiras. Muitos germânicos eram contratados para
integrarem o poderoso exército romano.
Os romanos usavam a palavra
"bárbaro" para todos aqueles que habitavam fora das fronteiras do
império e que não falavam a língua oficial dos romanos: o latim. A convivência
pacífica entre esses povos e os romanos durou até o século IV, quando uma horda
de hunos pressionou os outros povos bárbaros nas fronteiras do Império Romano.
Neste século e no seguinte, o que se viu foi uma invasão, muitas vezes
violenta, que acabou por derrubar o Império Romano do Ocidente. Além da chegada
dos hunos, podemos citar como outros motivos que ocasionaram a invasão dos
bárbaros: a busca de riquezas, de solos férteis e de climas agradáveis.
Principais Povos Bárbaros:
- Alanos: originários do nordeste
do Cáucaso. Entraram no Império Romano entre os séculos IV e V. Ocuparam a região
da Hispânia e o norte da África.
- Saxões: originários do norte da
atual Alemanha e leste da Holanda. Penetraram e colonizaram as Ilhas Britânicas
no século V.
- Francos: estabeleceram-se na
região da atual França e fundaram o Reino Franco (veja exemplo de obra de arte
abaixo)
- Lombardos: invadiram a região
norte da Península Itálica
- Anglos e Saxões: penetraram e
instalaram-se no território da atual Inglaterra
- Burgúndios: estabeleceram-se na
sudoeste da França
- Visigodos: instalaram-se na
região da Gália, Itália e Península Ibérica (veja exemplo abaixo da arte
visigótica)
- Suevos: invadiram e habitaram a
Península Ibérica
- Vândalos: estabeleceram-se no
norte da África e na Península Ibérica
- Ostrogodos: invadiram a região
da atual Itália
56. (Puc-rj) Dentre os vários
Reinos Bárbaros que se formaram na Europa, após a queda do Império Romano
Ocidental, um teve grande destaque, em virtude de personagens como Clóvis e
Carlos Magno. O grupo Germano organizador de tal reino foi o dos:
a) Saxões.
b) Godos.
c) Ostrogodos.
d) Francos.
e) Vândalos.
resposta da questão 56:[D]
De todos os povos bárbaros germânicos, os francos merecem especial atenção, pois conseguiram estruturar um poderoso Estado de grande significação na Alta Idade Média europeia. Esse Estado franco formou-se e expandiu-se sob o governo de duas dinastias:
Dinastia dos Reis Merovíngios (século V a VIII) - período da formação do reino franco, das suas primeiras expansões territoriais e da aliança estabelecida entre o rei e a Igreja Católica Romana.
Dinastia dos Reis Carolíngios (século VIII e IX) - período do apogeu dos francos, da sua máxima expansão territorial e da tentativa de se fazer ressurgir, sob o governo dos francos, a autoridade de um império universal.
57. (FGV) A unificação da Gália
deu-se sob o controle de:
a) Clóvis, da dinastia
merovíngia;
b) Carlos Magno, da dinastia
carolíngia;
c) Carlos Magno, iniciador da
dinastia merovíngia;
d) Carlos Martel, da dinastia
capetíngia;
e) Filipe, o Belo, da dinastia
carolíngia.
resposta da questão 57:[A]
O Reino Franco tornou-se o mais importante e sua trajetória pode ser percebido desde seu início com Clóvis, considerado primeiro rei e iniciador da Dinastia Merovíngia. Sua política foi caracterizada pela unificação das diversas tribos francas, em um processo de centralização. A aliança com a Igreja Católica teve grande importância para o fortalecimento do poder real e para sua política de conquistas territoriais.
58. (FGV) A batalha de Poitiers
(732) é um dos momentos cruciais da evolução política da Europa, pois
a) terminou com a influência que
o Império de Bizâncio exercia sobre a cultura da França.
b) deteve a expansão das forças
muçulmanas, graças à enérgica ação de Carlos Martel.
c) representou a derrota naval
dos turcos que ameaçavam a primazia militar de Roma.
d) significou o fim da influência
dos governantes merovíngios, com a implantação do feudalismo.
e) unificou a Gália Cisalpina,
que passou a ser governada pelos Carolíngios impostos pela Igreja.
resposta da questão 58:[B]
Um dos mais célebres majordomus do Reino Franco foi Carlos Martel, sob cujo comando as tropas francas conseguiram limitar o avanço muçulmano na Europa. Em seu rápido processo de expansão, os islâmicos conquistaram a Península Ibérica, mas acabaram derrotados no atual território da França em 732, na famosa batalha de Poiters.
59. (Unesp) "Quando Pepino, o
Breve arriscou a usurpação que tantos outros tinham executado nos reinos
vizinhos, quis purificá-la pela mais inatacável consagração. Primeiro, levou o
papa a declarar que o título real devia caber a quem detivesse o verdadeiro
poder. Depois, eleito rei pela assembléia dos grandes, fez-se ungir por S.
Bonifácio, o mais ilustre dos missionários, na presença dos bispos franceses."
(Robert Lopez - O NACIONAL DA
EUROPA)
Pepino, o Breve tornou-se, assim,
o primeiro rei da dinastia
a) Merovíngia.
b) Carolíngia.
c) Capetíngia.
d) Valois.
e) Bourbon.
resposta da questão 59:[B]
Com grande prestígio e contando com o apoio do Papa, Pepino, o Breve depôs o último rei merovíngio, Childerico III, assumindo de fato o poder no Reino Franco e inaugurando a dinastia Carolíngia.
60. (PUC) No ano de 800, Carlos
Magno foi coroado imperador, na condição simbólica de sucessor dos Augustos.
Esse ato, representativo da
reconstituição de um sistema imperial no ocidente europeu, consolidava a
aliança tradicional entre o reino dos _________ e a _________, vínculo
fortalecido pelo combate à expansão _________ naquela região do continente.
A) Francos seita cristã albigense
bizantina
B) Lombardos Igreja cristã
ortodoxa islâmica
C) Francos Igreja cristã romana
islâmica
D) Lombardos seita cristã
albigense bizantina
E) Francos Igreja cristã romana
bizantina
resposta da questão 60:[C]
Comentário da questão:
Comentário da questão:
Os primeiros anos do reinado de Carlos Magno
são marcados por uma série de brilhantes campanhas militares, com as quais
consegue a ampliação das fronteiras. Carlos Magno reconstitui de fato a unidade
política romana, pelo menos em sua extensão ocidental. Árbitro da Europa,
Carlos Magno administra seus territórios através de enviados especiais, os
missi dominici, inspetores encarregados de receber os impostos e de aplicar as
decisões de arbitragem. Em 800 é coroado Imperador do Ocidente em Roma pelo
Papa Leão III, consolidando assim a aliança com a Igreja Católica e a defesa do
cristianismo.
61. (G1) Dentre os vários impostos
e obrigações impostas aos servos e vilões pela organização econômica e social
do feudalismo, destacavam-se:
a) o peculato e as talhas;
b) as aposentadorias e o
protecionismo;
c) as banalidades e as corveias;
d) a seguridade e o dízimo;
e) o seguro saúde e a taxa de
gleba.
respostada questão 61:[D]
Comentário da questão:
Comentário da questão:
Na época do feudalismo, durante a Idade Média,
os servos (camponeses) habitavam as terras dos senhores feudais. Em troca, eram
obrigados a pagar taxas em forma de trabalho e mercadorias. Quase tudo que
produziam acabava indo para as mãos dos senhores feudais. Para os servos,
sobrava apenas o pouco para a sobrevivência da família.
A talha era uma obrigação pela qual o
servo deveria passar, para o senhor feudal, metade de tudo que produzia nas
terras que ocupava no feudo. Se colhesse 20 quilos de batata, 10 quilos
deveriam ser separados para o pagamento da talha.
A corveia correspondia ao
pagamento através de serviços prestados nas terras ou instalações do senhor
feudal. De 3 a 4 dias por semana, o servo era obrigado a cumprir diversos
trabalhos como, por exemplo, fazer a manutenção do castelo, construir um muro,
limpar o fosso do castelo, limpar o moinho, etc. Podia também realizar
trabalhos de plantio e colheita no manso senhorial (parte das terras do feudo
de uso exclusivo do senhor feudal).
Já as banalidades correspondiam ao
pagamento pela utilização das instalações do castelo. Se o servo precisasse
usar o moinho ou o forno, deveria pagar uma taxa em mercadoria para o senhor
feudal.
Além da talha, da corveia e das
banalidades, os servos também deviam pagar outras taxas e impostos. Havia a
mão-morta, que era uma espécie de taxa que o servo devia pagar ao senhor feudal
para permanecer no feudo quando o pai morria. Havia também o Tostão de Pedro
(10% da produção), que o servo devia pagar à Igreja de sua região.
62. As principais características do feudalismo
eram:
a) Sociedade de ordens, economia
levemente industrial, unificação política e mentalidade impregnada pela
religiosidade.
b) Sociedade estamental, economia
tipicamente artesanal, organização política descentralizada e mentalidade
marcada pela ausência do cristianismo.
c) Sociedade de ordens, economia
terciária e competitiva, centralização política e mentalidade hedonista.
d) Sociedade de ordens, economia
agrária e auto-suficiente, fragmentação política e mentalidade fortemente
influenciada pela religiosidade.
e) Sociedade estamental, economia
voltada para o mercado externo, fragmentação política e ausência de mentalidade
religiosa.
resposta da questão 62:[D]
Comentário da questão:
Comentário da questão:
As características gerais do
feudalismo são: poder descentralizado (nas mãos dos senhores feudais), economia
baseada na agricultura e utilização do trabalho dos servos.
A sociedade feudal era estática
(com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores
feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e
arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha
um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade.
Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade
era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam
pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da
produção), banalidade (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor
feudal).
Prevaleceram na Idade Média as relações de
vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo,
sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O
vassalo oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de
proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam
por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.
Todos os poderes, jurídico,
econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de
lotes de terras (feudos).
Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o
cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo
de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja
também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e
até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis
pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e
copiando livros e a Bíblia.
63. (PUC RS) INSTRUÇÃO: Para responder à
questão, considere as seguintes afirmativas sobre o processo de formação do
Feudalismo na Europa Ocidental durante a Alta Idade Média.
I. Os povos germânicos que se
estabeleciam no Ocidente ainda estavam organizados em comunidades primitivas,
entretanto não mais constituíam sociedades igualitárias e já haviam abandonado
o nomadismo, praticando uma agricultura rudimentar.
II. Os processos de ruralização,
de decadência do comércio, de fragmentação política e de dependência dos
pequenos produtores em relação aos latifundiários foram introduzidos no
Ocidente pela invasão germânica, já que não se verificaram no Baixo Império
romano.
III. Até o século VIII, a ordem
jurídica dos reinos germânicos baseou-se exclusivamente nos códigos escritos
romanos, aos quais geralmente se submetiam tanto os habitantes romanizados
quanto os de origem germânica.
IV. As invasões de novos povos,
no século IX, incrementaram o processo de desagregação no Ocidente, acentuando
as características essenciais do mundo feudal.
Estão corretas somente as alternativas
A) I e II.
B) I e IV.
C) II e III.
D) I, II e IV.
E) II, III e IV
resposta da questão 63:[D]
I. Correto. Os povos germânicos que se estabeleceram no Império Romano possuíam entre suas principais características o fato de terem uma economia essencialmente agrícola tendendo à autossuficiência e estarem organizados politicamente de forma descentralizada sendo comandados por uma casta de guerreiros, também eram semi-nômades e politeístas.
II. Errado. Os processos de ruralização, de decadência do comércio, de fragmentação política e de dependência dos pequenos produtores em relação aos latifundiários não foram introduzidos no Ocidente pela invasão germânica, uma vez que já se verificaram no Baixo Império romano com o estabelecimento do Colonato nas Vilas dos latifundiários romanos.
III. Errado. Uma das grandes características dos povos germânicos era o Direito Consuetudinário, baseado na tradição (leis orais) .
IV. Correto. As invasões de novos povos (vikings, normandos e magiares), no século IX, incrementaram o processo de desagregação no Ocidente, acentuando as características essenciais do mundo feudal.
64. (PUC) O feudalismo europeu
foi resultante de uma lenta e complexa integração de estruturas sociais romanas
com estruturas dos povos conhecidos como germanos, ocorrida entre os séculos V
e IX. Uma das principais estruturas germânicas que compuseram o feudalismo foi
A) a vila, grande latifúndio que
tendia à autossuficiência econômica.
B) o colonato, sistema de
trabalho que vinculava o camponês à terra.
C) o burgo, cidade fortificada
onde se concentravam atividades artesanais.
D) o comitatus, relação de
fidelidade militar entre guerreiros e seu chefe.
E) o direito codificado, reunião
simplificada de leis escritas.
resposta da questão 64:[D]
Os povos germânicos trouxeram consigo certos
costumes que se incorporaram à sociedade nascente, como o padrão de justiça,
baseada na tradição (consuetudinário), e noções de honra e lealdade, que
fundamentavam as relações entre o chefe guerreiro e seus comandados.
65. (PUC) Ao longo da chamada
Alta Idade Média, na Europa Ocidental, o feudo torna-se progressivamente a
unidade básica da vida social. Entre as características essenciais da ordem
feudal, NÃO se pode apontar:
A) a existência de terras
comunais utilizadas por servos e senhores.
B) a constituição do burgo como
zona fortificada do castelo senhorial.
C) a independência da propriedade
da terra em relação aos laços políticos.
D) a posse camponesa da terra,
voltada à produção para subsistência.
E) o caráter moral e religioso
dos vínculos entre senhores e servos.
resposta da questão 65: [C]
Havia grandes laços de dependência durante o feudalismo, dentre os quais se destacam as relações de suserania e vassalagem (entre nobres) e a servidão, ou seja a relação de dependência dos camponeses (servos) em relação ao senhor feudal, o proprietário do benefício.
66. (PUC) “Há de se notar, em
especial, que a dupla necessidade que os autores [...] sentiram de, por um
lado, utilizar a insubstituível utensilagem intelectual do mundo greco-romano e
de, por outro lado, vazá-la em moldes cristãos, facilitou ou criou, mesmo,
hábitos intelectuais muito perniciosos: a sistemática deformação do pensamento
dos autores, o perpétuo anacronismo, o raciocínio por citações isoladas do
contexto. O pensamento antigo só humilhado, deformado e atomizado pelo
pensamento cristão pôde sobreviver [...].”
(Adaptado de Jacques Le Goff, 1964,
p. 151).
O fragmento do texto acima se
refere
A) ao tratamento dado às antigas
fontes pagãs pela maioria dos pensadores medievais da Alta Idade Média, em que
o essencial era o que os autores haviam dito, e que podia ser utilizado
conforme conviesse pela elite intelectual da Igreja Católica para servir aos
propósitos do cristianismo.
B) à cultura renascentista, que
deturpou o sentido das fontes originais, atitude justificada pela busca extremada
do uso da razão, eliminando qualquer possibilidade de expressão dos indivíduos
pelo sentimento, tônica da tradição antiga, presente nos textos.
C) ao período bizantino, em que
as fontes grego-latinas precisavam sofrer um processo de releitura para se ajustar
às concepções políticas e religiosas que combatiam as influências orientais
presentes no pensamento ocidental.
D) à educação desenvolvida
durante o Império Romano, em que a história escrita, antes da dominação de
vastos territórios pelos exércitos romanos, precisava sofrer alterações em sua
análise e interpretação, bem de acordo com a política externa romana: um
império, um pensamento.
E) ao período de transição do
feudalismo para o capitalismo, no qual a cultura precisava se adequar às novas
transformações econômicas, políticas e sociais, sendo adotada como primeira
medida a substituição do pensamento antigo pelo científico.
resposta da questão 66:[A]
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