terça-feira, 22 de maio de 2012

Saiba mais sobre o Período Regencial (1831-1840)


 Saiba mais sobre o Período Regencial brasileiro





Teste seus conhecimentos sobre o Período Regencial (1831-1840)

1. (Enem 2010) Após a abdicação de D. Pedro I, o Brasil atravessou um período marcado por inúmeras crises: as diversas forças políticas lutavam pelo poder e as reivindicações populares eram por melhores condições de vida e pelo direito de participação na vida política do país. Os conflitos representavam também o protesto contra a centralização do governo. Nesse período, ocorreu também a expansão da cultura cafeeira e o surgimento do poderoso grupo dos "barões do café", para o qual era fundamental a manutenção da escravidão e do tráfico negreiro.

O contexto do Período Regencial foi marcado
a) por revoltas populares que reclamavam a volta da monarquia.  
b) por várias crises e pela submissão das forças políticas ao poder central.  
c) pela luta entre os principais grupos políticos que reivindicavam melhores condições de vida.  
d) pelo governo dos chamados regentes, que promoveram a ascensão social dos "barões do café".  
e) pela convulsão política e por novas realidades econômicas que exigiam o reforço de velhas realidades sociais.  

Resposta da questão 1:[E]

O período regencial é normalmente entendido como “de crise”, perceptível pelas grandes rebeliões que ocorreram nas diversas regiões do Brasil, levadas a cabos pelas camadas excluídas do poder, agravadas pela exclusão econômica e social em alguns casos.
Apesar de sabermos que o tráfico não permanecerá por muito tempo, ele ainda existiu por quase 20 anos após a abdicação de D. Pedro I. A Lei de 1831 do ministro Feijó não foi cumprida, dada à tendência da elite tradicional em manter o braço escravo na lavoura (situação que se modificou em grande parte fruto das pressões inglesas). 


2. (Pucrs) Responder à questão sobre os grupos políticos no Império (período regencial), numerando a coluna II de acordo com a coluna I. 
COLUNA I
1. Farroupilhas
2. Chimangos
3. Caramurus

COLUNA II
( ) Grupo composto basicamente por burocratas, comerciantes e proprietários cafeeiros do Centro-Sul. Defendiam o retorno de D. Pedro ao trono brasileiro.
( ) Defendiam a manutenção da ordem através de um governo centralizado, opondo-se às reformas sociais e econômicas, mas admitiam alterações na Carta de 1824.
( ) Defendiam reformas mais profundas, tais como a extensão do direito de voto e a autonomia das províncias.
( ) Representavam parcelas da aristocracia agrária e também eram conhecidos como liberais moderados.

Relacionando-se a coluna da esquerda com a coluna da direita, obtêm-se de cima para baixo, os números na seqüência:
a) 2, 1, 3, 2
b) 3, 2, 1, 2
c) 3, 1, 2, 1
d) 1, 2, 3, 2
e) 3, 2, 1, 1


resposta da questão 2:[B]

3. (FGV) A abdicação de D. Pedro I em 1831 deu início ao chamado período regencial, sobre o qual se pode afirmar:
I. As elites nacionais reformaram o aparato institucional de modo a estabelecer maior descentralização política.
II. Foi um período convulsionado por revoltas, entre elas, a Farroupilha e a Sabinada. 
III. D. Pedro II sucedeu ao pai e impôs, logo ao assumir o trono, reformas no regime escravista.
IV. O exercício do Poder Moderador pelos regentes e pelo Exército conferia estabilidade ao regime.

As afirmativas corretas são:
a) I e II
b) I, II e III
c) I e III
d) II, III e IV
e) II e lV


resposta da questão 3:[A]


4. (Uel) "...valorizava-se novamente o município, que fora esquecido e manietado durante quase dois séculos. Resultava a nova lei na entrega aos senhores rurais de um poderoso instrumento de impunidade criminal, a cuja sombra renascem os bandos armados restaurando o caudilhismo territorial (...). O conhecimento de todos os crimes, mesmo os de responsabilidade (...), pertencia à exclusiva competência do Juiz de Paz. Este saía da eleição popular, competindo-lhe ainda todas as funções policiais e judiciárias: expedições de mandatos de busca e seqüestro, concessão de fianças, prisão de pessoas, ..."

Em relação ao período regencial brasileiro, o texto refere-se
a) ao Ato Adicional.
b) à Lei de Interpretação.
c) ao Código de Processo Criminal.
d) à criação da Guarda Nacional.
e) à instituição do Conselhos de Províncias.


Resposta da questão 4:[C]

5. (Ufrgs 2011)  O cargo de juiz de paz teve suas funções regulamentadas pelo Código de Processo Criminal de 1832. Esses juízes representavam o liberalismo brasileiro durante o período regencial.
Esses magistrados eram
a) nomeados diretamente pelo Imperador, exercendo as funções de chefe de polícia.  
b) designados diretamente pelo ministro da Justiça, exercendo as funções de promotor público.  
c) eleitos pelos cidadãos para exercer funções conciliatórias e de qualificação eleitoral.  
d) eleitos pelos deputados gerais para administrar os bens dos órfãos e de pessoas ausentes.  
e) indicados pelo presidente provincial para pacificar os conflitos pela terra.  

Resposta da questão 5:[C]

O ano de 1832 foi marcado por uma série de medidas consideradas liberais, no início do período regencial. Nesse período, o ministro da justiça Feijó, era o homem forte do governo e ao criar o cargo de juiz de paz procurou descentralizar as estruturas administrativas. Os juízes de paz seriam eleitos localmente pelo voto censitário; eles teriam funções de controle moral, papel conciliatório e eleitoral. 

6. (Uece) "O período regencial foi um dos mais agitados da história política do país e também um dos mais importantes. Naqueles anos, esteve em jogo a unidade territorial do Brasil, e o centro do debate político foi dominado pelos temas da centralização ou descentralização do poder, do grau de autonomia das províncias e da organização das Forças Armadas."
(FAUSTO, Boris. HISTÓRIA DO BRASIL. 2 ed. São Paulo: EDUSP, 1995. p. 161.)

Sobre as várias revoltas nas províncias durante o período da Regência, podemos afirmar corretamente que:
a) eram levantes republicanos em sua maioria, que conseguiam sempre empolgar a população pobre e os escravos
b) a principal delas foi a Revolução Farroupilha, acontecida nas províncias do nordeste, que pretendia o retorno do Imperador D. Pedro I
c) podem ser vistas como respostas à política centralizadora do Império, que restringia a autonomia financeira e administrativa das províncias
d) em sua maioria, eram revoltas lideradas pelos grandes proprietários de terras e exigiam uma posição mais forte e centralizadora do governo imperial


resposta da questão 6:[C]

7. (Mackenzie) Do ponto de vista político podemos considerar o período regencial como:
a) uma época conturbada politicamente, embora sem lutas separatistas que comprometessem a unidade do país.
b) um período em que as reivindicações populares, como direito de voto, abolição da escravidão e descentralização política foram amplamente atendidas.
c) uma transição para o regime republicano que se instalou no país a partir de 1840.
d) uma fase extremamente agitada com crises e revoltas em várias províncias, geradas pelas contradições das elites, classe média e camadas populares.
e) uma etapa marcada pela estabilidade política, já que a oposição ao imperador Pedro I aproximou os vários segmentos sociais, facilitando as alianças na regência.


Resposta da questão 7:[D]

8. (Fuvest) O período regencial foi politicamente marcado pela aprovação do Ato Adicional que:
a) criou o Conselho de Estado.
b) implantou a Guarda Nacional.
c) transformou a Regência Trina em Regência Una.
d) extinguiu as Assembléias Legislativas Provinciais.
e) eliminou a vitaliciedade do Senado.


resposta da questão 8:[C]

9. (Fuvest) Em agosto de 1831, Feijó cria a Guarda Nacional. Qual o papel dessa instituição militar no Período Regencial e no Segundo Reinado?


resposta da questão 9:
 
Com a Guarda Nacional, começa a se constituir no país uma força armada vinculada diretamente à aristocracia rural, com organização descentralizada, composta por membros da elite agrária e seus agregados. Os oficiais de alta patente são eleitos nas regiões e, para muitos historiadores, é um dos componentes fundamentais do coronelismo político – instituição não-oficial determinante na política brasileira e que chega ao apogeu durante a República Velha.

10. (Pucmg) O período regencial no Brasil (1830-1840) foi um dos mais agitados da história política do país. Foram questões centrais do debate político que marcaram esse período, EXCETO:
a) a questão do grau de autonomia das províncias.
b) a preocupação com a unidade territorial brasileira.
c) os temas da centralização e descentralização do poder.
d) o acirramento das discussões sobre o processo abolicionista.


resposta da questão 10:[D]

11. (Ufrs) Associe os acontecimentos e medidas políticas do Brasil Império listados na coluna 1 com as respectivas conjunturas políticas constantes na coluna 2.

Coluna 1
1 - Avanço Liberal
2 - Regresso Conservador

Coluna 2
( ) aprovação do Código de Processo Criminal
( ) criação da Guarda Nacional
( ) definição dos partidos políticos imperiais
( ) aprovação do Ato Adicional
( ) Lei de Interpretação do Ato Adicional

A seqüência numérica correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) 1 - 1 - 2 - 2 - 1.
b) 1 - 2 - 1 - 2 - 1.
c) 1 - 1 - 2 - 1 - 2.
d) 2 - 1 - 2 - 1 - 2.
e) 2 - 2 - 1 - 1 - 2.


resposta da questão 11:[C]

12. (Ufrgs 2008)  Assinale a alternativa correta em relação aos eventos políticos ocorridos no período regencial.
a) Na Regência Una do Padre Feijó, foi suspenso parcialmente o uso do Poder Moderador pelos regentes.  
b) Na Regência Una de Araújo Lima, promulgou-se a Lei Interpretativa do Ato Adicional.  
c) Na Regência Trina Provisória, foram criados os partidos progressista, regressista, liberal e conservador.  
d) Na Regência da Princesa Isabel, eclodiu o movimento oposicionista da Confederação do Equador.  
e) Na Regência Trina Permanente, foi criada a Guarda Nacional.  
 
Resposta da questão 12:[B] 


13. (Ufv 2010)  Observe a imagem a seguir:
 


Com relação à Guarda Nacional, criada durante o Império, é CORRETO afirmar que:
a) funcionava como única força armada que podia defender os interesses dos escravistas e coibir a fuga dos escravos.  
b) objetivava o controle da Corte e da burocracia imperial, alvos frequentes de manifestações populares de descontentamento.  
c) tinha por finalidade a garantia da segurança e da ordem, defendendo a Constituição, a obediência às leis e a integridade do Império.  
d) atuava na defesa das fronteiras externas brasileiras, impedindo a expansão dos países platinos em direção ao território brasileiro.  


Resposta da questão 13:[C]

A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial para assegurar o respeito à Constituição em vigor e conter rebeliões nas províncias. Foi desmobilizada em 1922. 

14. (Espm 2011)  No século XIX, quando o Brasil era um império, ocorreu a aprovação de medida que continha algumas significativas decisões, tais como:

Art. 1º - Câmaras dos Distritos e Assembleias substituirão os Conselhos Gerais, sendo estabelecido em todas as províncias com o título de Assembleias Legislativas Provinciais.

Art. 26º - Se o Imperador não tiver parente algum, que reúna as qualidades exigidas, será o Império governado, durante a sua menoridade, por um regente eletivo e temporário, cujo cargo durará quatro anos, renovando-se para esse fim a eleição de quatro em quatro anos.

Art. 32º - Fica suprimido o Conselho de Estado.

(Ilmar Rohloff de Mattos. O Império da Boa Sociedade: A consolidação do Estado Imperial Brasileiro)

Os artigos devem ser relacionados com:
a) Constituição de 1891;  
b) Código do Processo Criminal;  
c) Projeto da Mandioca;  
d) Código do Processo Civil;  
e) Ato Adicional de 1834.  

Resposta da questão 14:[E]

Questão que exige conhecimento específico e memorização. Ao ler o texto é necessário saber e lembrar que tais mudanças foram realizadas pelo Ato Adicional, conjunto de leis de 1834 que promoveu alterações na Constituição do país. Tais medidas pretendiam promover menos centralização da estrutura política e, para muitos historiadores, representou uma “experiência republicana”, pois garantia alguma autonomia às províncias e estabelecia a eleição do governante, com mandato definido, num modelo que se assemelhava ao existente nos Estados Unidos. 


15. (Ufc 2009)  O Ato Adicional, decretado no período das regências no Brasil pela Lei n0. 16, de 12 de agosto de 1834, estabeleceu algumas modificações na Constituição de 1824. Acerca dessas alterações, assinale a alternativa correta.
a) O Conselho de Estado foi reorganizado para que fosse possível conter os conflitos provinciais.  
b) Os presidentes provinciais passaram a ser eleitos e a ter o poder de aprovar leis e resoluções referentes ao controle dos impostos.  
c) O estabelecimento da Regência Una, ao invés da Regência Trina, significou a eleição de um único regente, com mandato até a maioridade de D. Pedro II.  
d) As assembleias legislativas provinciais foram criadas para proporcionar autonomia política e administrativa às províncias no intuito de atender às demandas locais.  
e) A Corte, com sede no Rio de Janeiro, por meio da aliança entre progressistas e regressistas, continuou centralizando as ações em defesa da Constituição de 1824.  


Resposta da questão 15: [D] 





16. (Ufc 2008)  Em 07 de abril de 1831, o Imperador D. Pedro I renunciou ao trono do Brasil, deixando como herdeiro seu filho de apenas cinco anos de idade, o futuro D. Pedro II.
a) Cite quatro elementos que provocaram a renúncia de D. Pedro I.
b) Como ficou conhecido o sistema de governo que vigorou no período entre a abdicação de D. Pedro I e a coroação de D. Pedro II?
c) O que motivou a instalação desse sistema de governo?
d) Cite dois fatores que contribuíram diretamente para a antecipação da coroação de D. Pedro II, por meio do "golpe da maioridade".

Resposta da questão 16:
 No início da década de 1830, a continuidade do reinado de D. Pedro I tornou-se insustentável. A crise financeira, desencadeada pelo declínio das exportações, pelo crescente endividamento externo e pelos gastos com a Guerra da Cisplatina, resultou em um aumento da inflação e no agravamento da pobreza. A isso somou-se a insatisfação com a centralização do poder e o autoritarismo do Imperador, levando a intensos conflitos entre facções favoráveis (em sua maioria ligados ao Partido Português) e contrárias (em sua maioria ligados ao Partido Brasileiro) ao Imperador. Outro fator importante foi o empenho do Imperador na luta a favor de seu irmão, D. Miguel, o qual disputava, com a própria filha, D. Maria II, a sucessão do trono português, após a morte de D. João VI. A junção destes elementos provocou a renúncia do Imperador ao trono brasileiro em favor de seu filho, o príncipe D. Pedro de Alcântara. A menoridade do herdeiro, que tinha, à época da abdicação, apenas cinco anos de idade, o impossibilitou de governar. Por esse motivo, foi estabelecido um governo regencial, que deveria dirigir o Império até que o príncipe atingisse a maioridade. Entrementes, alguns fatores ligados à disputa política entre Regressistas (depois chamados Conservadores) e Progressistas (depois chamados Liberais) e às revoltas e rebeliões que ocorriam nas províncias, fomentaram o "golpe da maioridade", antecipando a coroação do príncipe, que foi declarado Imperador do Brasil, sob o título de D. Pedro II, em 1840, quando tinha apenas 14 anos de idade. Foram causas imediatas disso: a ascensão dos Regressistas ao poder, com a regência de Pedro Araújo Lima (1837) e o consequente alijamento dos Progressistas; a limitação da autonomia provincial, com a aprovação da Lei de Interpretação do Ato Adicional (1840); a articulação entre liberais e palacianos ou áulicos em favor da antecipação da maioridade do príncipe herdeiro; o interesse dos grandes proprietários rurais em restabelecer a "ordem social", convulsionada pelos sucessivos levantes populares ocorridos no período regencial, como a Revolta dos Malês (1835); o desejo das elites políticas de evitar que a unidade territorial brasileira fosse quebrada por movimentos separatistas, como a Farroupilha (1835) e a Sabinada (1837). 


17. (Fuvest) Bernardo Pereira Vasconcelos, político brasileiro do período regencial, afirmou na segunda metade dessa fase da História do Brasil ser necessário "parar o carro da revolução".
a) Qual o contexto político e social a que ele se referiu com essa avaliação?
b) Como foi encaminhada a superação dessa situação?


resposta da questão 17:
a) Rebeliões regenciais.
b) A aristocracia rural reprimiu a esses movimentos com a guarda nacional.


18. (Uerj) O Sete de Abril de 1831, mais do que o Sete de Setembro de 1822, representou a verdadeira independência nacional, o início do governo do país por si mesmo, a Coroa agora representada apenas pela figura quase simbólica de uma criança de cinco anos. O governo do país por si mesmo, levado a efeito pelas regências, revelou-se difícil e conturbado. Rebeliões e revoltas pipocaram por todo o país, algumas lideradas por grupos de elite, outras pela população tanto urbana como rural, outras ainda por escravos. (...) A partir de 1837, no entanto, o regresso conservador ganhou força, até que o golpe da Maioridade de 1840 colocou D. Pedro II no trono, inaugurando o Segundo Reinado. Estava estruturado o Império do Brasil com base na unidade nacional, na centralização política e na preservação do trabalho escravo.
(CARVALHO, J. Murilo et al. Documentação política, 1808-1840. In: "Brasiliana da Biblioteca Nacional". Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Nova Fronteira, 2001.)

Indique um exemplo de revolta popular, ocorrida no período regencial e explique por que a antecipação da maioridade de D. Pedro II foi uma solução para a crise.


resposta da questão 18:

O aluno poderá mencionar: Cabanagem, Sabinada, Revolta dos Malês, Balaiada ou Guerra dos Farrapos. A antecipação da maioridade do imperador visava pacificar as diversas revoltas que eclodiram pelo país ao longo do período regencial e ao mesmo tempo evitar o temor por parte das elites de que houvesse fragmentação política do território brasileiro uma vez que algumas revoltas eram republicanas e separatistas.


19. (Ufrrj) O texto a seguir refere-se ao período da política regencial no Brasil . A Câmara que se reunia em 1834 trazia poderes constituintes para realizar a reforma constitucional prevista na lei de 12 de outubro de 1832. De seu trabalho resultou o Ato Adicional publicado a 12 de agosto de 1834 (...) O programa de reformas já fora estabelecido na lei de 12 de outubro, o Senado já manifestara sua concordância em relação ao mesmo e só havia em aberto, questões de pormenor. No decorrer das discussões poder-se-ia fixar o grau maior ou menor das autonomias provinciais, mas já havia ficado decidido que não se adotaria a monarquia federativa, o que marcava como que um teto à ousadia dos constituintes.
CASTRO, P. P. de. A experiência republicana, 1831-1840. In: HOLANDA, S. B. de. "História Geral da Civilização Brasileira." v. 4. São Paulo: Difel, 1985, p. 37.
a) Cite duas reformas instituídas pelo Ato Adicional de 12 de agosto de 1834.
b) Aponte a razão pela qual se costuma dizer que a Regência correspondeu a uma "experiência republicana".


resposta da questão 19: 
a) O Ato Adicional de 1834 transformou a Regência Trina em Regência Una e estabeleceu a criação das Assembleias Legislativas nas províncias brasileiras.
b) O governo regencial representou uma vitória dos liberais moderados, que avançaram algumas propostas descentralizadoras de governo. Mas apesar de derrotados, algumas das propostas dos exaltados foram ao menos parcialmente contempladas. Entre elas está a autonomia provincial. Ora, o modelo de república que estes exaltados tinham na cabeça era precisamente o modelo americano, que punha uma ênfase forte na autonomia das unidades federativas. Assim, apesar de não se tratar de uma federação, tal como a americana, alguns autores têm falado em "experiência republicana" para se referir a algumas das conquistas dos exaltados/republicanos durante a Regência, inclusive o autor citado, Paulo P. de Castro.  



20. (Uff) O Período Regencial, compreendido entre 1831 e 1840, foi marcado por grande instabilidade, causada pela disputa entre os grupos políticos para o controle do Império e também por inúmeras revoltas, que assumiram características bem distintas entre si. Em 1838, eclodiu, no Maranhão, a Balaiada, somente derrotada três anos depois. Pode-se dizer que esse movimento:
a) contou com a participação de segmentos sertanejos - vaqueiros, pequenos proprietários e artesãos - opondo-se aos bem-te-vis, em luta com os negros escravos rebelados, que buscavam nos cabanos apoio aos seus anseios de liberdade;
b) foi de revolta das classes populares contra os proprietários. Opôs os balaios (sertanejos) aos grandes senhores de terras em aliança com escravos e negociantes;
c) foi, inicialmente, o resultado das lutas internas da Província, opondo cabanos (conservadores) a bem-te-vis (liberais), aprofundadas pela luta dos segmentos sertanejos liderados por Manuel Francisco dos Anjos, e pela insurreição de escravos, sob a liderança do Negro Cosme, dando características populares ao movimento;
d) lutou pela extinção da escravidão no Maranhão, pela instituição da República e pelo controle dos sertanejos sobre o comércio da carne verde e da farinha - então monopólio dos bem-te-vis -, sendo o seu caráter multiclassista a razão fundamental de sua fragilidade;
e) sofreu a repressão empreendida pelo futuro Duque de Caxias, que não distinguiu os diversos segmentos envolvidos na Balaiada, ampliando a anistia decretada pelo governo imperial, em 1840, aos balaios e aos negros de Cosme, demonstrando a vontade do Império de reintegrar, na vida da província, todos os que haviam participado do movimento.


resposta da questão 20:[C]

21. (Ufpa 2008)  Leia atentamente o texto a seguir sobre a Cabanagem:

"É preciso compreender que se fazer cabano no Pará era uma opção difícil e que precisa ser analisada à luz de todo um modo de pensar e de estratégias de lutas, que, em certo modo, constituíam a vida cotidiana daqueles homens e mulheres de 1835 - 1837, porém que foram gestados muito tempo antes, entre pessoas concretas que vinham de inúmeros lugares, com línguas, tradições e trabalhos diferenciados dentro da realidade amazônica".
            Magda Ricci. De la independencia a la revolución cabana: la Amazonia y el nacimiento de Brasil (1808-1840). In: PEREZ, José Manuel Santos & PETIT, Pere. "La Amazonia Brasileña en perspectiva histórica". Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2006, p. 88.

A Cabanagem, um dos mais expressivos movimentos sociais do Brasil, ocorrido no Pará, no século XIX, tem suas raízes históricas na
a) opressão histórica que índios e tapuios sofreram do domínio português, e a própria luta empreendida contra os privilégios das elites portuguesas, que foram mantidos após a independência do País, deixando esta gente pobre e até mesmo remediados e abastados, excluídos da participação política e dos negócios do governo provincial.  
b) diferença no tratamento dos assuntos políticos, estabelecida pelo governo provincial, entre os que eram nativos, como os índios e os tapuios, e aqueles que eram de nacionalidade estrangeira, ou que pelo menos tivessem um título nobiliárquico outorgado pelo Imperador do Brasil.  
c) memória de exploração que a sociedade nativa amazônica tinha do cativeiro imposto pelos senhores de escravos portugueses durante as lutas de Independência, considerando-se que essas lutas levaram a província do Pará a sofrer um período de escassez de produtos alimentícios, especialmente da farinha de mandioca.  
d) época em que os "malvados" cabanos, sem qualquer sentimento humanitário e sem comando revolucionário, trucidavam todos aqueles que fossem simpatizantes do governo regencial ou tivessem propriedades fundiárias na ilha do Marajó.  
e) revolta das camadas populares, especialmente negras e mestiças, contra o governo do regente Diogo Feijó, porque este havia determinado que todos os portugueses fossem expulsos da Província do Pará e a direção do governo provincial fosse entregue ao Barão do Marajó.  
 
Resposta da questão 21:[A] 


22. (FGV) Documentos inéditos descobertos na Inglaterra relatam que, apenas 13 anos depois de proclamada a Independência, o governo brasileiro pediu auxílio militar às grandes potências da época - Inglaterra e França - para reprimir a Cabanagem (...) no Pará. (...) Em 1835, o regente Diogo Antônio Feijó reuniu-se secretamente com os embaixadores da França e da Grã-Bretanha. Durante a reunião, Feijó pediu ajuda militar, de 300 a 400 homens para cada um dos países, no intuito de ajudar o governo central brasileiro a acabar com a rebelião.
(Luís Indriunas, "Folha de S. Paulo", 13.10.1999)

A partir das informações apresentadas pelos documentos encontrados, é correto afirmar que o período regencial
a) foi marcado pela disputa política entre regressistas e progressistas, que defendiam, respectivamente, a escravidão e a imediata abolição da escravatura.
b) pode ser considerado parte de um momento especial de construção do Estado nacional no Brasil, durante o qual a unidade territorial esteve em perigo.
c) não apresentou grande preocupação por parte das autoridades regenciais e nem da aristocracia rural, apesar das inúmeras rebeliões espalhadas pelo país.
d) teve como característica marcante a ampliação da participação popular por meio do voto universal e da criação do Conselho de Representantes das Províncias do Império.
e) teve como momento mais importante a aprovação do Ato Adicional de 1834, que estabeleceu medidas político-administrativas voltadas para a centralização política.


resposta da questão 22:[B]

23. (Ufg 2010)  A ocorrência de rebeliões, tais como a Cabanagem (1835-1840), no Pará, a Sabinada (1837-1838), na Bahia, e a Balaiada (1838-1841), no Maranhão, determinou a caracterização da Regência como um período conturbado. Todavia, a ocorrência de rebeliões tão distintas apresenta como aspecto comum a
a) reivindicação popular pela abolição da escravatura, tornando inviável o apoio das camadas médias urbanas aos movimentos contra a ordem regencial.  
b) influência da experiência republicana da América Hispânica, decorrente da proximidade intelectual entre as elites imperiais e os criollos.  
c) mobilização das camadas populares pelos segmentos da elite, objetivando o controle do poder nas referidas províncias.  
d) tentativa de restabelecer o poder moderador, transferindo-o para a Regência Una como forma de resistir às reformas liberais.  
e) rejeição ao regime monárquico, revelador da permanência do privilégio concedido ao português desde a Colônia.  

Resposta da questão 23:[C]

É muito comum compreender a História a partir da postura das elites, desprezando as necessidades, reivindicações e lideranças populares. Muitos autores – não apenas historiadores – entendem sempre a presença popular como “massa de manobra”, conforme propõe o exercício.
Durante esse período, o poder moderador não foi exercido e nem todas as rebeliões eram republicanas ou antilusitanas. 


24. (Unesp) Sobre as revoltas do Período Regencial (1831-1840), é correto afirmar que
a) indicavam o descontentamento de diferentes setores sociais com as medidas de cunho liberal e antiescravista dos regentes, expressas no Ato Adicional.
b) algumas, como a Farroupilha (RS) e a Cabanagem (PA), foram organizadas pelas elites locais e não conseguiram mobilizar as camadas mais pobres e os escravos.
c) provocavam a crise da Guarda Nacional, espécie de milícia que atuou como poder militar da Independência do país até o início do Segundo Reinado.
d) a Revolta dos Malês (BA) e a Balaiada (MA) foram as únicas que colocaram em risco a ordem estabelecida, sendo sufocadas pelo Duque de Caxias.
e) expressavam o grau de instabilidade política que se seguiu à abdicação, o fortalecimento das tendências federalistas e a mobilização de diferentes setores sociais.


resposta da questão 24:[E]

25. (Unb 2011)  Durante séculos, os escravos afro-americanos aprenderam a ler em condições extraordinariamente difíceis, arriscando a vida. Aqueles que quisessem se alfabetizar eram forçados a encontrar métodos tortuosos de aprender. Aprender a ler, para os escravos, não era um passaporte imediato para a liberdade, mas uma maneira de ter acesso a um dos instrumentos poderosos de seus opressores: o livro. Os donos de escravos (tal como os ditadores, tiranos, monarcas absolutos e outros detentores do poder) acreditavam firmemente no poder da palavra escrita. Como séculos de ditadores souberam, uma multidão analfabeta é mais fácil de dominar; uma vez que a arte da leitura não pode ser desaprendida, o segundo melhor recurso é limitar seu alcance. Os livros, escreveu Voltaire no panfleto satírico Sobre o Terrível Perigo da Leitura, “dissipam a ignorância, a custódia e a salvaguarda dos estados bem policiados”.

Alberto Manguel. Uma história da leitura. (Trad. Pedro Maia Soares). São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 312-15 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item abaixo.

Em Salvador, na rebelião conhecida como a Revolta dos Malês — confronto sangrento entre escravos africanos seguidores do islamismo e tropas do governo brasileiro —, destaca-se o fato de muitos revoltosos estarem aptos para ler e escrever no idioma árabe, o que contribuiu para a preparação da insurreição.
 
Resposta da questão 25:
 Correto – considerando que a base da religião é o Corão e que essa obra é escrita em língua árabe e não era traduzida, os convertidos de qualquer região acabavam forçados a aprender o árabe. Isso explica o fato de diversos povos africanos conhecerem essa língua, pois desde o século VII houve um processo de islamização em diferentes regiões do continente.
O conflito citado foi uma das rebeliões do período regencial, ocorrida em 1835 e massacrada pelo governo. 

26. (Ufc 2009)  Leia o texto a seguir.

Não há sombra de dúvidas sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835. Os rebeldes - ou uma boa parte deles - foram para as ruas com roupas usadas na Bahia pelos adeptos do islamismo. No corpo de muitos dos que morreram a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Qur'ãn usados para proteção.
            REIS, João José. "Rebelião escrava no Brasil". São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 158.

Considerando os fatos descritos no episódio acima e o tema do islamismo, responda o que se pede a seguir.

a) Por qual nome ficou conhecida a rebelião de que trata o texto?

b) A imigração forçada de africanos ao Brasil trouxe para trabalhar como escrava uma população de diversas etnias, que pode ser englobada genericamente em dois grupos bastante distintos, com claras diferenciações culturais e linguísticas.
I. De qual desses dois grupos se originou a maior parte dos africanos islamizados?
II. De qual área geográfica da África esse grupo procede?

c) Como ocorreu a propagação da religião islâmica entre as populações da região africana citada acima?
 

Resposta da questão 26:
 O episódio descrito no texto ficou conhecido como a Revolta dos Malês, que teve a participação de uma maioria de negros muçulmanos. Os africanos trazidos ao Brasil entre os séculos XVI e XIX procederam de duas grandes regiões distintas. Os povos sudaneses, que desembarcaram em maior quantidade na Bahia, eram provenientes da África Ocidental, da grande região do Golfo da Guiné ou Costa da Mina ou, ainda, Costa do Ouro, onde atualmente se localizam Gana, o Benin, a Nigéria e a Guiné, entre outros países. Na Bahia, a maioria dos negros sudaneses islamizados pertencia às populações haussás, e também àquela dos nagôs ou iorubá. Já os povos bantos eram provenientes das atuais regiões do Congo e de Angola. A islamização de populações habitantes da África negra norte-ocidental foi feita a partir do século XI pelo contato delas com os mercadores árabes e berberes, viajantes através do deserto do Saara, principalmente pela rota de Tombuctou. Essas incursões islâmicas provocaram a desagregação do antigo Império de Ghana. No século XVI, início do tráfico de escravos para o Brasil, era o Reino Songai, o atual estado do Mali (daí uma das possibilidades para a origem do termo "malê"), que dominava todo o vale do rio Niger, região original das populações islâmicas (principalmente haussás e nagôs) que chegaram ao Brasil. 


27. (Fuvest 2009)  "Nossas instituições vacilam, o cidadão vive receoso, assustado; o governo consome o tempo em vãs recomendações... O vulcão da anarquia ameaça devorar o Império: aplicai a tempo o remédio."
            Padre Antonio Feijó, em 1836.

Essa reflexão pode ser explicada como uma reação à:
a) revogação da Constituição de 1824, que fornecia os instrumentos adequados à manutenção da ordem.  
b) intervenção armada brasileira na Argentina, que causou grandes distúrbios nas fronteiras.  
c) disputa pelo poder entre São Paulo, centro econômico importante, e Rio de Janeiro, sede do governo.  
d) crise decorrente do declínio da produção cafeeira, que produziu descontentamento entre proprietários rurais.  
e) eclosão de rebeliões regionais, entre elas, a Cabanagem no Pará e a Farroupilha no sul do país.  


Resposta da questão 27:[E] 


28. (Unesp 2010)  Entre as várias rebeliões ocorridas no período regencial, destaca-se a chamada Guerra dos Farrapos, iniciada em 1835. O conflito
a) prosseguiu até a metade da década seguinte, quando o governo do Segundo Império aumentou os impostos de importação dos produtos bovinos argentinos e anistiou os revoltosos.  
b) demonstra que as disputas comerciais entre Brasil e Argentina se iniciaram logo depois da independência e desde então se agravaram, até atingir a atual rivalidade entre os dois países.  
c) permitiu a adoção de um regime federalista no Brasil, uma vez que as negociações entre o governo imperial e os rebeldes determinaram a autonomia política rio-grandense.  
d) revela a impossibilidade de estabelecer relações políticas e diplomáticas na América Latina após a independência política e durante o período de formação dos estados nacionais.  
e) impediu a continuação do período regencial e levou à aceitação de outra exigência dos participantes da revolta: a antecipação da maioridade do futuro imperador Pedro II.  

Resposta da questão 28:[A]

A Guerra dos Farrapos envolveu principalmente os gaúchos – e também catarinenses – contra o governo central. Iniciou-se ainda no período regencial em 1835 e terminou durante o Segundo Reinado, em 1845, fruto de grande repressão movida pelo exército comandado pelo Duque de Caxias e por concessões aos revoltosos.
A Guerra foi motivada pela elevação dos impostos internos sobre a carne do Rio Grande e por uma postura separatista da elite estancieira. 

29. (Pucpr 2010)  “O Rio Grande do Sul era um caso especial entre as regiões brasileiras desde os tempos da Colônia. Por sua posição geográfica, formação econômica e vínculos sociais, os gaúchos tinham muitas ligações com o mundo platino, em especial com o Uruguai. Os chefes de grupos militarizados da fronteira – os caudilhos -, que eram também criadores de gado, mantinham extensas relações naquele país. Aí possuíam terra e se ligavam, pelo casamento, a muitas famílias da elite.”
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 91.

Com base no exposto, é CORRETO afirmar em relação à Revolução Farroupilha:
a) Foi uma guerra civil que levou ao confronto dois grupos políticos rivais no Rio Grande do Sul: os maragatos e os farroupilhas. Estes últimos exigiam mudanças profundas no governo, acusando-o de não atender às necessidades da província.  
b) Os farroupilhas exigiam maior autonomia da província em relação ao governo central, o que, no decorrer da luta, resultou na proclamação de uma República Federal na região Sul do Brasil, que englobava também Santa Catarina e partes do Paraná.  
c) Foi causada essencialmente pelo descontentamento dos estancieiros gaúchos com os altos impostos que eram obrigados a pagar e com os baixos preços estabelecidos pelo governo para a venda de gado, charque, couros e peles ao restante do país.  
d) A Guerra dos Farrapos, que durou dez anos, iniciou-se em 1893, quando os farroupilhas exigiram a destituição do novo presidente da província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga. Em setembro daquele ano, as tropas do chefe farroupilha Bento Gonçalves ocuparam Porto Alegre e proclamaram a independência do Rio Grande do Sul.  
e) A Guerra dos Farrapos terminou em negociações com o governo, que acabaram favorecendo os interesses da burguesia urbana de Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. Os estancieiros, que mais se dedicaram ao processo revolucionário, pouco foram beneficiados.   

Resposta da questão 29:[C]

A afirmativa correta já estabelece a causa fundamental da Guerra dos Farrapos (Revolução Farroupilha), a mais longa (estendeu-se ao Segundo Reinado) e expressiva das revoltas ocorridas no período regencial do Brasil. O movimento teve caráter separatista e republicano, o que pode ser identificado na proclamação das repúblicas do Piratini (Rio Grande do Sul) e Juliana (Santa Catarina). 


30. (Uerj 2011)  Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador e entreguei o governo ao seu substituto legal. E em nome do Rio Grande do Sul, digo que nesta província extrema, afastada da Corte, não toleramos imposições humilhantes. O Rio Grande é a sentinela do Brasil que olha vigilante o Rio da Prata. Não pode e nem deve ser oprimido pelo despotismo. Exigimos que o governo imperial nos dê um governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, ou, com a espada na mão, saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade.

Carta escrita em 1835 por Bento Gonçalves, líder farroupilha, ao Regente Feijó.
Adaptado de PESAVENTO, S. J. A Revolução Farroupilha. São Paulo: Brasiliense, 1990.

Rio-grandenses! Tenho o prazer de anunciar-vos que a guerra civil que por mais de nove anos devastou esta bela província está terminada. Os irmãos contra quem combatíamos estão hoje congratulados conosco e já obedecem ao legítimo governo do Império do Brasil.
União e tranquilidade sejam de hoje em diante nossa divisa. Viva a religião, viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. Viva a integridade do Império.

Proclamação feita pelo Barão de Caxias em 1845, fim da Revolução Farroupilha.
Adaptado de SOUZA, A. B. de. Duque de Caxias: o homem por trás do monumento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

A consolidação do Império do Brasil, entre as décadas de 1830 e 1850, significou a vitória de determinado projeto político e também o combate de propostas, como as defendidas pelos que lutaram na Revolução Farroupilha.
Aponte uma das propostas dos líderes farroupilhas e explique por que esse movimento foi considerado ameaçador pelos dirigentes do Império do Brasil.

 Resposta da questão 30:
 Uma das propostas:
• defesa do federalismo.
• abolição da escravidão.
• possibilidade de separatismo.
• defesa do regime republicano.
• revisão da política tributária imperial relativa ao charque sulino.

Os farroupilhas criticavam a monarquia e principalmente sua política centralizadora e unitarista, ameaçando a integridade territorial da nação e o ideal de unidade estabelecido pela Constituição de 1824.

A principal ameaça da rebelião gaúcha era o separatismo, que romperia a integridade do império do ponto de vista político e territorial. A Revolução Farroupilha iniciou-se no período regencial, marcado pela reorganização do Estado brasileiro e por lutas que ameaçam a estrutura tradicional de poder e encerrou-se já durante o Segundo Reinado, após forte repressão, mas com a preocupação de reconciliação, como se depreende do discurso de Duque de Caxias. 

31. (G1 - col.naval 2011)  "A revolta de 1835, também chamada a 'grande insurreição', foi o ponto culminante de uma série que vinha desde 1807. A revolta desses escravos islamizados, em consequência, não será apenas uma eclosão violenta mas desorganizada, apenas surgida por um incidente qualquer. Será, pelo contrário, planejada nos seus detalhes, precedida de todo um período organizativo (...). Reuniam-se regularmente para discutirem os planos de insurreição, muitas vezes j untamente com elementos de outros grupos do centro da cidade. (...) O movimento vinha sendo articulado também entre os escravos dos engenhos e os quilombolas da periferia. (...) O plano não foi cumprido na íntrega porque houve delação. (...) os escravos, vendo que tinham de antecipar a revolta, lançaram-se à carga de qualquer maneira. (...) Derrotada a insurreição, os seus líderes se portaram dignamente."

(Moura,Clóvis. Os Quilombos e a Rebelião Negra. 7 ed. São Paulo, Brasiliense, 1987. pp. 63-69.)

Sobre a rebelião escrava relatada no texto, é correto afirmar que:
a) foi comandada por Ganga Zumba que planejava implantar um território livre no Recôncavo Baiano.  
b) nessa rebelião, chamada de Revolta dos Males, participaram escravos de diversas etnias que pretendiam acabar com a escravidão na Bahia.  
c) a revolta ocorreu devido à intolerância religiosa, já que os escravos foram impedidos de praticar sua religião, o Candomblé.  
d) seu líder Zumbi dos Palmares, após longa resistência às tropas do governo, acabou sendo preso e enforcado e o quilombo foi destruído.  
e) nessa rebelião, denominada Conjuração Baiana, os revoltosos queriam a independência do Brasil e o fim da escravidão.  

Resposta da questão 31:[B]

Rebelião que ocorreu no período regencial é pouco conhecida e pouco estudada. Organizada por escravos africanos muçulmanos, o principal objetivo era a luta pela liberdade e, ao mesmo tempo, foi movida por forte sentimento “racial”, em oposição ao “domínio branco”. A organização dos escravos de Salvador foi, ao longo do tempo, influenciada pelos acontecimentos no Haiti, que redundaram na independência daquele país, a partir de uma verdadeira “Revolução Negra”. 


32. (Unicamp simulado 2011)  Desde 1835 cogitava-se antecipar a ascensão de D. Pedro II ao trono. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança e estabilidade ao país era muito grande. Na imagem do monarca, buscava-se unificar um país muito grande e disperso.

(Adaptado de Lilia Moritz Schwarcz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91.)

No período regencial, a estabilidade e a unidade do país estavam ameaçadas porque
a) a ausência de um governo central forte causara uma crise econômica, devido à queda das exportações e à alta da inflação, o que favorecia a ocorrência de distúrbios sociais e o aumento da criminalidade.  
b) o desenvolvimento econômico ocorrido desde a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro levou as elites provinciais a desejarem a emancipação em relação à metrópole.  
c) a ausência de um representante da legitimidade monárquica no trono permitia questionamentos ao governo central, levando ao avanço do ideal republicano e à busca de maior autonomia por parte das elites provinciais.  
d) a expansão da economia cafeeira no sudeste levava as elites agrárias a desejarem uma maior participação no poder político, levando à ruptura da ordem monárquica e à instauração da república.  
e) a expansão da economia cafeeira no sudeste levava as elites agrárias a desejarem uma maior participação no poder político, levando à ruptura da ordem monárquica e à instauração da república.  

Resposta da questão 32:[C]

Estendendo-se de 1831 a 1840, o governo regencial abriu espaço para diferentes correntes políticas, como a dos liberais, subdivididos entre moderados e exaltados, cujas posições políticas iam desde a manutenção das estruturas monárquicas até a formulação de um novo governo republicano e a dos restauradores, em sua maioria portugueses defensores de que a estabilidade só se daria com o retorno de Dom Pedro I.
A existência de diferentes posições políticas, revelando a falta de unidade entre os integrantes da política nacional, gerou um quadro de disputas e instabilidade. Umas das mais claras consequências desses desacordos foram as revoltas deflagradas durante a regência. A Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão e a Revolução Farroupilha na região Sul foram todas manifestações criadas em consequência da desordem que marcou todo o período regencial. 

33. (Unicamp 2010)  O imperador D. Pedro II era um mito antes de ser realidade. Responsável desde pequeno, pacato e educado, suas imagens constroem um príncipe diferente de seu pai, D. Pedro I. Não se esperava do futuro monarca que tivesse os mesmos arroubos do pai, nem a imagem de aventureiro, da qual D. Pedro I não pôde se desvincular. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança e estabilidade ao país era muito grande. Na imagem de um monarca maduro, buscava-se unificar um país muito grande e disperso.

(Adaptado de Lilia Moritz Schwarcz, As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91)

a) Segundo o texto, quais os significados políticos da construção de uma imagem de D. Pedro II que o diferenciasse de seu pai?
b) Que características do período regencial ameaçavam a estabilidade do país?


Resposta da questão 33:
 a) De acordo com o texto, a construção da imagem de D. Pedro II, diferenciada da de seu pai, representaria segurança e estabilidade para o país e sua unificação em torno da figura do imperador.

b) Das características do período regencial que ameaçavam a estabilidade do país, pode-se considerar a vacância do trono em razão da menoridade de D. Pedro II e a ocorrência de revoltas de caráter separatistas autonomistas em algumas províncias.  

34. (Unicamp 2007)  Iniciada como conflito entre facções da elite local, a Cabanagem, no Pará (1835-1840), aos poucos fugiu ao controle e tornou-se uma rebelião popular. A revolta paraense atemorizou até mesmo liberais como Evaristo da Veiga. Para ele, tratava-se de gentalha, crápula, massas brutas. Em outras revoltas, o conflito entre elites não transbordava para o povo. Tratava-se, em geral, de províncias em que era mais sólido o sistema da grande agricultura e da grande pecuária. Neste caso está a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que durou de 1835 a 1845.
            (Adaptado de José Murilo de Carvalho. "A construção da ordem: a elite imperial. Teatro de sombras: a política imperial". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 252-253.)

a) Segundo o texto, o que diferenciava a Cabanagem da Farroupilha?
b) Quais os significados das revoltas provinciais para a consolidação do modelo político

Resposta da questão 34:
 a) A Cabanagem foi uma revolta de caráter popular, realizada pelas camadas despossuídas, representadas pelos cabanos, populações ribeirinhas do Pará. Já a Revolução Farroupilha teve caráter elitista, por ter sido conduzida pelos estancieiros ligados à grande propriedade rural.

b) As revoltas provinciais puseram em risco a unidade do Brasil, na medida em que representaram a defesa de interesses localizados, representados pelas proposições federalistas e/ou separatistas presentes nos movimentos. Assim sendo, a derrota desses movimentos significou a consolidação do centralismo/unitarismo e dos interesses da aristocracia fundiária e escravista que marcaram a política do Segundo Reinado.

c) Essas elites provinciais rebelavam-se fundamentalmente contra o excessivo centralismo do Império, pois aspiravam à autonomia de suas províncias. No caso da Revolução Farroupilha, deve-se acrescentar o descontentamento com as altas taxas cobradas sobre o charque e outros produtos sul-rio-grandenses. 





35. (Ufc 2007)  Leia o texto a seguir.

            "Frequentemente, os liberais reformistas propunham as reformas e os conservadores as implementavam."
            CARVALHO, José Murilo de. "A construção da ordem: a elite política imperial". 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 224.

Os conservadores e os liberais, citados anteriormente, foram protagonistas de um sistema político engenhoso, que funcionava ao modo de uma monarquia parlamentar, de um lado garantindo a estabilidade política do País, a partir da defesa da "ordem" e da "civilização", de outro retardando reformas necessárias, como a abolição. A partir dessas informações e dos seus conhecimentos, responda às questões propostas.
a) Cite dois grupos sociais que compuseram cada um desses dois partidos. (Partido Conservador e Partido Liberal)
b) Apresente uma razão pela qual padres e soldados tiveram sua ação política limitada durante a Regência e o Segundo Reinado.

Resposta da questão 35:
 a) O partido Conservador congregava os proprietários de terra ligados ao setor exportador e burocratas, em grande parte, magistrados, de importância na consolidação do Estado brasileiro, devido a sua ação em prol da centralização administrativa.
O Partido Liberal reunia proprietários ligados ao mercado interno e às áreas recentes de colonização e profissionais liberais, na sua maioria advogados, professores, jornalistas, médicos e engenheiros.

b) Os limites a atuação política de padres e soldados podem ser explicados pelo fato de:
- A Constituição de 1824, por unir a Igreja ao Estado, conferindo ao último o poder de nomear os bispos e a responsabilidade de pagar os salários dos padres, a deterioração do ensino religioso e do clero e a situação financeira dos seminários maiores, colocava os religiosos sob a dependência e a autoridade do Estado.
- Os soldados, aceitos na véspera e após a independência, pela oposição aos oficiais e comerciantes portugueses, foram descartados na Regência, com a criação da Guarda Nacional, por Feijó. O histórico de participação desses militares em movimentos de cunho popular atemorizava as elites. Com o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, reativaram a ação política. 

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