Correção da avaliação de História

1. (FUVEST) A expressão “política do café com leite” é muito
utilizada para caracterizar a Primeira República no Brasil.
Sobre essa política, descreva
a) seu funcionamento
b) seu colapso na década de 1920.
2. (UFRN 2009) Analisando a
modernização da sociedade brasileira, os historiadores Antônio Paulo Rezende e
Maria Thereza Didier afirmam: A década de 1920 foi muito importante, porque
representou um momento significativo de reflexão sobre nosso passado e nossa
identidade histórica. Apesar do autoritarismo, o povo não assistiu passivamente
à ação de seus governantes; não se
entregou a uma apatia desmobilizante nem se submeteu à vontade quase imperial
dos coronéis.
REZENDE, Antônio Paulo,
DIDIER, Maria Thereza. Rumos da história. São Paulo: Atual, 2005. p. 495.
A partir desse fragmento textual,
a) cite e explique três elementos
que caracterizam o poder político vigente, no Brasil, na década de 1920.
b) cite e explique duas
manifestações sociais contrárias ao poder político vigente ocorridas nesse período.
3. (UNESP) Na Primeira República
(1889-1930) houve a reprodução de muitos aspectos da estrutura econômica e
social constituída nos séculos anteriores. Noutros termos, no final do século
XIX e início do XX conviveram, simultaneamente, transformações e permanências
históricas.
(Francisco de Oliveira.
Herança econômica do Segundo Império, 1985.)
O texto sustenta que a Primeira
República brasileira foi caracterizada por permanências e mudanças históricas.
De maneira geral, o período republicano, iniciado em 1889 e que se estendeu até
1930, foi caracterizado
a) pela predominância dos
interesses dos industriais, com a exportação de bens duráveis e de capital.
b) por conflitos no campo, com o
avanço do movimento de reforma agrária liderado pelos antigos monarquistas.
c) pelo poder político da
oligarquia rural e pela economia de exportação de produtos primários.
d) pela instituição de uma
democracia socialista graças à pressão exercida pelos operários anarquistas.
e) pelo planejamento econômico
feito pelo Estado, que protegia os preços dos produtos manufaturados.
4. Leia o trecho a seguir:
“Os autores que veem coronelismo no meio urbano e em fases recentes da história do país estão falando simplesmente de clientelismo. As relações clientelísticas, nesse caso, dispensam a presença do coronel, pois ela se dá entre o governo, ou políticos, e setores pobres da população. Deputados trocam votos por empregos e serviços públicos que conseguem graças à sua capacidade de influir sobre o Poder Executivo. Nesse sentido, é possível mesmo dizer que o clientelismo se ampliou com o fim do coronelismo e que ele aumenta com o decréscimo do mandonismo. À medida que os chefes políticos locais perdem a capacidade de controlar os votos da população, eles deixam de ser parceiros interessantes para o governo, que passa a tratar com os eleitores, transferindo para estes a relação clientelística.”
4. Leia o trecho a seguir:
“Os autores que veem coronelismo no meio urbano e em fases recentes da história do país estão falando simplesmente de clientelismo. As relações clientelísticas, nesse caso, dispensam a presença do coronel, pois ela se dá entre o governo, ou políticos, e setores pobres da população. Deputados trocam votos por empregos e serviços públicos que conseguem graças à sua capacidade de influir sobre o Poder Executivo. Nesse sentido, é possível mesmo dizer que o clientelismo se ampliou com o fim do coronelismo e que ele aumenta com o decréscimo do mandonismo. À medida que os chefes políticos locais perdem a capacidade de controlar os votos da população, eles deixam de ser parceiros interessantes para o governo, que passa a tratar com os eleitores, transferindo para estes a relação clientelística.”
(CARVALHO, José Murilo de.
Mandonismo, Coronelismo, Clientelismo: Uma Discussão Conceitual. Dados, Rio de
Janeiro, v. 40, n. 2, 1997.)
No texto acima, o historiador
José Murilo de Carvalho está reivindicando um maior cuidado com o uso do termo
“coronelismo” para analisar a história política brasileira, insistindo em não
confundir clientelismo com coronelismo. Acompanhando o raciocínio de José
Murilo de Carvalho, o coronelismo pode ser identificado como uma política
praticada:
a) tipicamente no Sudeste do
Brasil, em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, a partir da década de 1970.
b) majoritariamente nos grandes
centros urbanos, a partir dos anos 2000.
c) tipicamente no período
colonial pelos presidentes das províncias.
d) tipicamente nas regiões do
interior do Brasil, com predominância agrária, na época da República Velha, na
virada do século XIX para o XX.
e) tipicamente no período imperial
por políticos que queriam romper com o poder central do império, sem se
estender à República.
5. (ENEM) Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não
lendo jornais, nem revistas, nas quais se limita a ver as figuras, o
trabalhador rural, a não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de
benfeitor. No plano político, ele luta com o "coronel" e pelo
"coronel". Aí estão os votos de cabresto, que resultam, em grande
parte, da nossa organização econômica rural.
LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo:
Alfa-Ômega, 1978 (adaptado).
O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais
características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da
cidadania. Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social
a) igualitária, com um nível
satisfatório de distribuição da renda.
b) estagnada, com uma relativa
harmonia entre as classes.
c) tradicional, com a manutenção
da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.
d) ditatorial, perturbada por um
constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.
e) agrária, marcada pela
concentração da terra e do poder político local e regional.
GABARITO
resposta da questão 1:
a) “Política do café com leite” é
o termo que designa a hegemonia política das oligarquias aliadas de Minas
Gerais (leite) e São Paulo (café) na Primeira República brasileira, baseada na
chamada política dos governadores, no coronelismo e nos currais eleitorais.
b)
O colapso da política do café com leite e a decorrente revolução de 30 está
relacionado à crise de superprodução do café, na década de 1920, que
enfraqueceu as oligarquias hegemônicas e ao crescimento de novos “atores
sociais” no início do século XX, como o operariado industrial, o movimento
tenentista e a burguesia industrial que, juntamente às oligarquias dissidentes,
buscavam maior espaço político.
resposta da questão 2:
a) Poder local
controlado pelo coronel – Os grandes proprietários de terras exerciam o
controle político dos municípios e articulavam-se às oligarquias dominantes em
nível federal.
• Mecanismo de sustentação do poder coronelístico – O
clientelismo e a violência de suas milícias sustentavam o poder dos coronéis,
que se valiam de um sistema eleitoral fraudulento, que incluía o “voto de
cabresto” e os “currais eleitorais”.
• Políticas de alianças no plano federal –
A “política dos governadores” (troca de favores entre os governos estaduais e o
governo federal) e a política do “café-com-leite” (acordos entre oligarcas
mineiros e paulistas, com o intuito de controlar a Presidência da República).
b) Tenentismo – militares se sentiam marginalizados na República e protestavam
contra o sistema vigente. Faziam oposição ao governo central. A Revolta do
Forte, por exemplo, é um evento tenentista.
• Coluna Prestes – organizada por
Luís Carlos Prestes, a Coluna percorreu diferentes estados brasileiros,
denunciando os desmandos do sistema eleitoral.
• Fundação do PCB – O Partido
Comunista Brasileiro, fundado em 1922, protestava contra a situação vivenciada
pelo país, em especial, pelo operariado.
• Organização operária – possibilitou
a formação de grandes greves, pois, desde a Proclamação da República, os
operários, sobretudo os migrantes, reivindicavam melhorias sociais, como o
salário mínimo e a jornada de trabalho de 8 horas diárias.
• Semana de Arte
Moderna – ocorrida de 11 a 18 de fevereiro de 1922, propunha a renovação da
cultura e reforçava o nacionalismo.
• Cangaço – movimento surgido no sertão nordestino
em razão das péssimas condições de vida da população desfavorecida
economicamente e excluída dos privilégios sociais.
• Movimento Sufragista –
lideranças feministas que reivindicavam maior participação das mulheres no
cenário político nacional. A luta pelo direito ao voto constituía a bandeira
desse movimento.
• Criação do BOC – nesse contexto, as organizações operárias
marcaram presença no Parlamento brasileiro, a exemplo da formação do Bloco
Operário e Camponês, de considerável influência comunista.
resposta da questão 3:[C]
resposta da questão 4:[D]
Comentário da questão:
O coronelismo ocorreu nas regiões
centro-oeste e norte-nordeste (em especial, no sertão), principalmente na época
da República Velha (1889-1930), ainda que tenham existido “ecos” de suas
estruturas para além desse período.
resposta da questão 5:[E]
Comentário da questão:
Durante a Primeira República, o
Brasil era predominantemente um país agrário. Nesse quadro predominava um
fenômeno denominado “coronelismo”, decorrente na enorme concentração de terra
nas mãos de poucos fazendeiros que exerciam poder de mando local. Esses
chamados “coronéis” garantiam o controle do voto da população de determinadas
localidades através do “voto de cabresto”, ou seja, recorria à violência ou a
sua influência para obrigar o eleitor a votar no candidato de sua preferência.
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