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domingo, 25 de novembro de 2012

Correção da Fuvest 2013

Correção das questões de História do vestibular da FUVEST 2013



Questão 46 
A escravidão na Roma antiga
a) permaneceu praticamente inalterada ao longo dos séculos, mas foi abolida com a introdução do cristianismo.
b) previa a possibilidade de alforria do escravo apenas no caso da morte de seu proprietário.
c) era restrita ao meio rural e associada ao trabalho braçal, não ocorrendo em áreas urbanas, nem atingindo funções intelectuais ou administrativas.
d) pressupunha que os escravos eram humanos e, por isso, era proibida toda forma de castigo físico.
e) variou ao longo do tempo, mas era determinada por três critérios: nascimento, guerra e direito civil. 

 


resposta:[E] 


A alternativa contempla exclusivamente a origem da condição de escravo na Roma antiga, não abordando a situação do cativo na sociedade nem as relações com seu proprietário. Limita-se a enumerar as três formas de escravidão existentes: a natural (nascer de mãe escrava), a mais praticada (captura em guerra) e a determinada por legislação até 367 a.C., quando foi revogada a escravidão por dívidas.

Questão 47 
Quando Bernal Díaz avistou pela primeira vez a capital asteca, ficou sem palavras. Anos mais tarde, as palavras viriam: ele escreveu um alentado relato de suas experiências como membro da expedição espanhola liderada por Hernán Cortés rumo ao Império
Asteca. Naquela tarde de novembro de 1519, porém, quando Díaz e seus companheiros de conquista emergiram do desfiladeiro e depararam-se pela primeira vez com o Vale do México lá embaixo, viram um cenário que, anos depois, assim descreveram:“vislumbramos tamanhas maravilhas que não sabíamos o que dizer, nem se o que se nos apresentava diante dos olhos era real”.
Matthew Restall. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 15-16. Adaptado.
 
O texto mostra um aspecto importante da conquista da América pelos espanhóis, a saber,
a) a superioridade cultural dos nativos americanos em relação aos europeus.
b) o caráter amistoso do primeiro encontro e da posterior convivência entre conquistadores e conquistados.
c) a surpresa dos conquistadores diante de manifestações culturais dos nativos americanos.
d) o reconhecimento, pelos nativos, da importância dos contatos culturais e comerciais com os europeus.
e) a rápida desaparição das culturas nativas da América Espanhola.
 



resposta[C] 

O etnocentrismo dos europeus na época das Grandes Navegações (e também presente nos séculos seguintes) fazia com que eles se considerassem superiores às populações pagãs do ultramar. Isso explica seu espanto diante de civilizações como a asteca, capaz de edificar cidades com dimensões e planejamento urbano superior.


Questão 48 
“O senhor acredita, então”, insistiu o inquisidor, “que não se saiba qual a melhor lei?” Menocchio respondeu: “Senhor, eu penso que cada um acha que sua fé seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor; mas, porque meu avô, meu pai e os meus são cristãos, eu quero continuar cristão e acreditar que essa seja a melhor fé”.
Carlo Ginzburg. O queijo e os vermes. São Paulo:  Companhia das Letras, 1987, p. 113.
 
O texto apresenta o diálogo de um inquisidor com um homem (Menocchio) processado, em 1599, pelo Santo Ofício. A posição de Menocchio indica
a) uma percepção da variedade de crenças, passíveis de serem consideradas, pela Igreja Católica, como heréticas.
b) uma crítica à incapacidade da Igreja Católica de combater e eliminar suas dissidências internas.
c) um interesse de conhecer outras religiões e formas de culto, atitude estimulada, à época, pela Igreja Católica.
d) um apoio às iniciativas reformistas dos protestantes, que defendiam a completa liberdade de opção religiosa. 
e) uma perspectiva ateísta, baseada na sua experiência familar.
 


resposta:[A] 



Este teste nos oferece um exemplo do individualismo e do racionalismo que constituem algumas das características do pensamento renascentista, combatido muitas vezes pela Igreja porque questionava a postura dogmática daquela instituição. O texto mostra que, para a autoridade inquisitorial, a doutrina católica era única e inquestionável, devendo ser considerada herética qualquer variação interpretativa, ainda que dentro do pensamento cristão.



Questão 49 
A população indígena brasileira aumentou 150% na década de 1990, passando de 294 mil pessoas para 734 mil, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento médio anual foi de 10,8%, quase seis vezes maior do que o da população brasileira em geral.  http://webradiobrasilindigena.wordpress.com, 21/11/2007.
A notícia acima apresenta
a) dado pouco relevante, já que a maioria das populações indígenas do Brasil encontra-se em fase de extinção, não subsistindo, inclusive, mais nenhuma população originária dos tempos da colonização portuguesa da América.
b) discrepância em relação a uma forte tendência histórica observada no Brasil, desde o século XVI, mas que não é uniforme e absoluta, já que nas últimas décadas não apenas tais populações indígenas têm crescido, mas também o próprio número de indivíduos que se autodenominam indígenas. 
c) um consenso em torno do reconhecimento da importância dos indígenas para o conjunto da população brasileira, que se revela na valorização histórica e cultural que tais elementos sempre mereceram das instituições nacionais.
d) resultado de políticas públicas que provocaram o fim dos conflitos entre os habitantes de reservas indígenas e demais agentes sociais ao seu redor, como proprietários rurais e pequenos trabalhadores.
e) natural continuidade da tendência observada desde a criação das primeiras políticas governamentais de proteção às populações indígenas, no começo do século XIX, que permitiram a reversão do anterior quadro de extermínio observado até aquele momento.
 

 resposta:[B]

A alternativa é autoexplicativa, mas justifica certos esclarecimentos. Ou seja, o declínio da população indígena brasileira, a partir do descobrimento, foi contínuo mas não uniforme, pois a mortandade de nativos pelos colonizadores variou de intensidade, de acordo com a maior ou menor ocupação do território. É interessante constatar que a questão reconhece não ser o mero crescimento vegetativo o fator dominante na reversão daquela tendência, observada nos últimos anos. Com efeito, a abertura de novas possibilidades aos cidadãos de etnia indígena (como o sistema de cotas) tem induzido muitos deles (como também ocorre com os afrodescescentes) a optar por essa identificação nos censos recentes.

Questão 50 
Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos, arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam.
Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo:  Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.
O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789.
O autor
a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus métodos e costumes políticos.
b) apoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país.
c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.
d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França.
e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa. 



resposta:[D]



Até o século XVIII, o aparelho judiciário do Antigo Regime se caracterizava pela crueldade dos métodos punitivos e dos processos de execução capital, com largo emprego de tortura, ainda reconhecida legalmente. Nas monarquias governadas por déspotas esclarecidos, tais procedimentos foram abrandados ou mesmo suprimidos; na França, porém, subsistiram até as vésperas da Revolução Francesa, o que explica a justificação de Babeuf aos excessos populares de 1789 (com na destruição da Bastilha e no Grande Medo que abalou as áreas rurais em julho-agosto daquele ano).

Questão 51 
A economia das possessões coloniais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia:
a) tabaco, algodão e derivados da pecuária.
b) ferro, sal e tecidos.
c) escravos indígenas, arroz e diamantes.
d) animais exóticos, cacau e embarcações.
e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria.



 resposta:[A]



Dos produtos citados, o tabaco foi o mais presente nas exportações brasileiras, tendo em vista sua importância no escambo por escravos africanos. O algodão (produzido no Maranhão desde o século XVII e depois cultivado em outras capitanias) ganhou destaque no século XVIII, em decorrência das necessidades geradas pela Revolução Industrial Inglesa. Quanto aos derivados da pecuária (couros e charque), sua relevância está relacionada com o Renascimento Agrícola de fins do século XVIII e início do XIX, quando a pauta de exportações ganhou maior diversidade.
 

Questão 52
Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu? Não sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...) Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta insuportável desgraça!
Mary Shelley. Frankenstein. 2ª ed. Porto Alegre: LPM, 1985.
O trecho acima, extraído de uma obra literária publicada pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente como uma
a) apologia à guerra imperialista, incorporando o desenvolvimento tecnológico do período.
b) crítica à condição humana em uma sociedade industrializada e de grandes avanços científicos.
c) defesa do clericalismo em meio à crescente laicização do mundo ocidental.
d) recusa do evolucionismo, bastante em voga no período.
e) adesão a ideias e formulações humanistas de igualdade social. 



 resposta:[B]

 


A avaliação apresentada pela alternativa foi feita com base no contexto vivido pela Europa Ocidental no início do século XIX: os avanços da Revolução Industrial, pondo em questão os valores sociais tradicionais e o progresso das ciências, da Física e sobretudo da eletricidade. No caso de Frankenstein, a jovem Mary Shelley, ao escrever aquela obra romântica, inspirou-se nas descobertas de Luigi Galvani sobre a capacidade de músculos gerarem eletricidade.


Questão 53 
Durante os primeiros tempos de sua existência, o PCB prosseguiu em seu processo de diferenciação ideológica com o anarquismo, de onde provinha parte significativa de sua liderança e de sua militância. Nesse curso, foi necessário, no que se refere à questão parlamentar, também proceder a uma homogeneização de sua própria militância. Houve algumas tentativas de participação em eleições e de formulação de propostas a serem apresentadas à sociedade que se revelaram infrutíferas por questões conjunturais. A primeira vez em que isso ocorreu foi, em 1925, no município portuário paulista de Santos, onde os comunistas locais, apresentando-se pela legenda da Coligação Operária, tiveram um resultado pífio. No entanto, como todos os atos pioneiros, essa participação deixou uma importante herança: a presença na cena política brasileira dos trabalhadores e suas reivindicações. Estas, em particular, expressavam um acúmulo de anos de lutas do movimento operário brasileiro.
Dainis Karepovs. A classe operária vai ao Parlamento.  São Paulo: Alameda, 2006, p.169.
A partir do texto acima, pode-se afirmar corretamente que
a) as eleições de representantes parlamentares advindos de grupos comunistas e anarquistas foram frequentes, desde a Proclamação da República, e provocaram, inclusive, a chamada Revolução de 1930.
b) comunistas, anarquistas e outros grupos de representantes de trabalhadores eram formalmente proibidos de participar de eleições no Brasil desde a proclamação da República, cenário que só se modificaria com a Constituição de 1988.
c) as primeiras décadas do século XX representam um período de grande diversidade político-partidária no Brasil, o que favoreceu a emergência de variados grupos de esquerda, cuja excessiva divisão impediuos de obterresultados eleitorais expressivos.
d) as experiências parlamentares envolvendo operários e camponeses, no Brasil da década de 1920, resultaram em sua presença dominante no cenário político nacional, após o colapso do primeiro regime encabeçado por Getúlio Vargas.
e) as primeiras participações eleitorais de candidatos trabalhadores ganharam importância histórica, uma vez que a política partidária brasileira da chamada Primeira República era dominada por grupos oriundos de grandes elites econômicas.


 resposta:[E]

A importância do movimento operário no Brasil já era expressiva, antes que ele participasse legalmente da vida política nas citadas eleições municipais de Santos, em 1925. Haja vista as inúmeras greves realizadas, com destaque para a ocorrida em São Paulo no ano de 1917. De qualquer forma, é inegável que o surgimento do PCB (então “Partido Comunista do Brasil”) deu àquele movimento um direcionamento mais preciso e consistente.


Questão 54 
Fosse com militares ou civis, a África esteve por vários anos entregue a ditadores. Em alguns países, vigorava uma espécie de semidemocracia, com uma oposição consentida e controlada, um regime que era, em última análise, um governo autoritário. A única saída para os insatisfeitos e também para aqueles que tinham ambições de poder passou a ser a luta armada. Alguns países foram castigados por ferozes guerras civis, que, em certos casos, foram alongadas por interesses extracontinentais.
Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos.Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 139.
Entre os exemplos do alongamento dos conflitos internos nos países africanos em função de “interesses extracontinentais”, a que se refere o texto, pode-se citar a participação 
a) da Holanda e da Itália na guerra civil do Zaire, na década de 1960, motivada pelo controle sobre a mineração de cobre na região.
b) dos Estados Unidos na implantação do apartheid na África do Sul, na década de 1970, devido às tensões decorrentes do movimento pelos direitos civis.
c) da França no apoio à luta de independência na Argélia e no Marrocos, na década de 1950, motivada pelo interesse em controlar as reservas de gás natural desses países. 
d) da China na luta pela estabilização política no Sudão e na Etiópia, na década de 1960, motivada pelas necessidades do governo Mao Tse-Tung em obter fornecedores de petróleo.
e) da União Soviética e Cuba nas guerras civis de Angola e Moçambique, na década de 1970, motivada pelas rivalidades e interesses geopolíticos característicos da Guerra Fria. 



 resposta:[E]


Nas décadas de 1960 e 1970, os governos de vários Estados africanos se autoproclamaram “socialistas” e se alinharam com a URSS, o que suscitou, em alguns deles, reações armadas com respaldo de potências capitalistas. Nos casos em que a oposição contrarrevolucionária se tornou mais ameaçadora para seus interesses (Angola, Moçambique e também Etiópia), a União Soviética concedeu apoio militar àqueles governos, enviando tropas cubanas equipadas com armamento russo. Essa interferência assegurou a sobrevivência dos regimes de esquerda nos países mencionados.
 
Questão 55 
O que acontece quando a gente se vê duplicado na televisão? (...) Aprendemos não só durante os anos de formação mas também na prática a lidar com nós mesmos com esse “eu” duplo. E, mais tarde, (...) em 1974, ainda detido para averiguação na penitenciária de Colônia-Ossendorf, quando me foi atendida, sem problemas, a solicitação de um aparelho de televisão na cela, apenas durante o período da Copa do Mundo, os acontecimentos na tela me dividiram em vários sentidos. Não quando os poloneses jogaram uma partida fantástica sob uma chuva torrencial, não quando a partida contra a Austrália foi vitoriosa e houve um empate contra o Chile, aconteceu quando a Alemanha jogou contra a Alemanha. Torcer para quem? Eu ou eu torci para quem? Para que lado vibrar? Qual Alemanha venceu?
Gunter Grass. Meu século. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 237. Adaptado.
O trecho acima, extraído de uma obra literária, alude a um acontecimento diretamente relacionado
a) à política nazista de fomento aos esportes considerados “arianos” na Alemanha.
b) ao aumento da criminalidade na Alemanha, com o fim da Segunda Guerra Mundial.
c) à Guerra Fria e à divisão política da Alemanha em duas partes, a “ocidental” e a “oriental”.
d) ao recente aumento da população de imigrantes na Alemanha e reforço de sentimentos xenófobos.
e) ao caráter despolitizado dos esportes em um contexto de capitalismo globalizado. 



 resposta:[C]





Em 1970, o mundo vivenciava o cenário da Guerra Fria com a bipolarização entre blocos liderados pelos Estados Unidos e URSS. Esse antagonismo era particularmente sentido no continente europeu, dividido pela “Cortina de Ferro”; pode-se portanto considerar o embate futebolístico entre Alemanha Ocidental (democrática e capitalista) e a Alemanha Oriental (totalitária * e socialista) um símbolo daquela conjuntura.

* Apesar de viver sob um regime ditatorial, a Alemanha Oriental era denominada oficialmente “República Democrática Alemã”.




Questão 56 
Quando a guerra mundial de 1914-1918 se iniciou, a ciência médica tinha feito progressos tão grandes que se esperava uma conflagração sem a interferência de grandes epidemias. Isso sucedeu na frente ocidental, mas à leste o tifo precisou de apenas três meses para aparecer e se estabelecer como o principal estrategista na região (...). No momento em que a Segunda Guerra Mundial está acontecendo, em territórios em que o tifo é endêmico, o espectro de uma grande epidemia constitui ameaça constante. Enquanto estas linhas estão sendo escritas (primavera de 1942) já foram recebidas notificações de surtos locais, e pequenos, mas a doença parece continuar sob controle e muito provavelmente permanecerá assim por algum tempo. 
Henry E. Sigerist, Civilização e doença.  São Paulo: Hucitec, 2010, p. 130-132.
O correto entendimento do texto acima permite afirmar
que
a) o tifo, quando a humanidade enfrentou as duas grandes guerras mundiais do século XX, era uma ameaça porque ainda não tinha se desenvolvido a biologia microscópica, que anos depois permitiria identificar a existência da doença.
b) parte significativa da pesquisa biológica foi abandonada em prol do atendimento de demandas militares advindas dessas duas guerras, o que causou um generalizado abandono dos recursos necessários ao controle de doenças como o tifo.
c) as epidemias, nas duas guerras mundiais, não afetaram os combatentes dos países ricos, já que estes, ao contrário dos combatentes dos países pobres, encontravam-se imunizados contra doenças causadas por vírus.
d) a ameaça constante de epidemia de tifo resultava da precariedade das condições de higiene e saneamento decorrentes do enfrentamento de populações humanas submetidas a uma escala de destruição incomum promovida pelas duas guerras mundiais.
e) o tifo, principalmente na Primeira Guerra Mundial, foi utilizado como arma letal contra exércitos inimigos no leste europeu, que eram propositadamente contaminados com o vírus da doença.



 resposta:[D]


A questão enfatiza a relação entre a ocorrência do tifo e a precariedade das condições de higiene e saneamento – agravados, no caso, pelo desenrolar de conflitos bélicos em escala até então jamais vista. Resta lembrar que o texto permite depreender a existência de uma maior letalidade da doença na Primeira Guerra Mundial, dados os progressos na medicina registrados no Período Entreguerras.

domingo, 12 de junho de 2011

Resolução comentada das questões da Fuvest 2011 2ª fase


Questão 9

Desde a Antiguidade até a época helênica, e durante a Idade Média (em algumas culturas, até hoje) se conferiu aos terremotos, como a todos os fenômenos cuja causa se desconhecia, uma explicação mística. Os filósofos da antiga Grécia foram os primeiros a aventar causas naturais dos terremotos; no entanto, durante o período medieval, explicações desse tipo foram formalmente proibidas por serem consideradas heréticas, e a única causa aceita na Europa era a da cólera divina. Somente em princípios do século XVII é que se voltou a especular acerca das causas naturais de tais fenômenos.

Alejandro Nava, Terremotos. 4a ed. México: FCE, 2003, p.24-25. Traduzido e adaptado.

O texto menciona mudanças, da Antiguidade até o início do século XVII, na explicação dos fenômenos naturais. Hoje em dia, também é preciso considerar que as consequências dos terremotos não dependem só de sua magnitude, mas também do grau de desenvolvimento social do local onde ocorrem, como foi possível notar nos terremotos de 2010 no Haiti.

a) Identifique e explique as mudanças que, no contexto intelectual do século XVII, contribuíram para que os terremotos e outros fenômenos naturais deixassem de ser vistos apenas como fenômenos místicos.

b) No caso do Haiti, a pobreza do país ampliou o efeito devastador do fenômeno natural. Explique, historicamente, essa pobreza e seu impacto no agravamento das consequências dos terremotos.



Resolução

a) No século XVII, encontrava-se em marcha na Europa uma verdadeira revolução científica. Fundada no Racionalismo (herdado do movimento renascentista), essa revolução caracterizou-se pelo surgimento de um grande número de teorias e princípios que questionavam antigos dogmas, e conhecimentos baseados na tradição religiosa. Isaac Newton, Descartes e John Locke fizeram parte dessa revolução. Tendo como pano de fundo o crescente acúmulo do capital mercantil e o crescimento da influência social da burguesia, essa explosão do conhecimento científico trouxe desdobramentos não só no campo político (como o questionamento do poder absoluto do Estado), mas também no campo dos estudos dos fenômenos naturais — atmosféricos, mecânicos, gravitacionais e também geológicos, como os terremotos.

b) A dramática situação econômica haitiana possui raízes históricas antigas, que remontam ao período colonial e ao estabelecimento de uma estrutura econômica exploratória e dependente nos séculos XVI e XVII; à independência marcada pela revolução social negra e abolicionista que desestrutura a base produtiva do país no fim do século XVIII e ao longo do XIX; e à instabilidade política num século XX marcado pela Guerra Fria e pela manutenção de regimes políticos oligárquicos e ditatoriais.

O resultado desse processo histórico é uma economia e um Estado desestruturados já antes do terremoto, num país onde a precariedade dos serviços públicos e das construções, por exemplo, contribuíram para agravar os danos causados por essa tragédia natural.




Questão 10

Viver numa grande cidade implica o reconhecimento de múltiplos sinais. Trata-se de uma atividade do olhar, de uma identificação visual, de um saber adquirido, portanto. Se o olhar do transeunte, que fixa fortuitamente uma mulher bonita e viúva ou um grupo de moças voltando do trabalho, pressupõe um conhecimento da cor do luto e das vestimentas operárias, também o olhar do assaltante ou o do policial, buscando ambos a sua presa, implica um conhecimento específico da cidade.

Maria Stella Bresciani, Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1982, p. 16. Adaptado.

O texto mostra como o forte crescimento territorial e demográfico de algumas cidades europeias, no século XIX, redefiniu formas de convivência e sociabilidade de seus habitantes as quais, em alguns casos, persistem até hoje.

a) Cite e explique dois motivos do crescimento de cidades como Londres e Paris, no século XIX.

b) Indique e analise uma característica, dentre as mencionadas no texto, que se faça presente em grandes cidades atuais.

Resolução

a) O expressivo crescimento territorial e demográfico de Paris e Londres, no século XIX, pode ser explicado em grande parte pela consolidação do capitalismo. Esse período caracterizou-se pela industrialização das cidades e pela inserção do campo no processo produtivo urbano. Em consequência, acentuou-se o êxodo rural, que produziu uma forte concentração populacional nas duas cidades em questão, estruturando ao mesmo tempo uma sociedade característica.

b) Dentre as características mencionadas no texto, o candidato poderia citar:

A vida na cidade enquanto experiência fundada no reconhecimento de códigos e comportamentos que permitem a sociabilidade. Os códigos são percebidos pelo olhar: trata-se de uma experiência cultural, um “saber adquirido” que implica o “reconhecimento de múltiplos sinais”.

A referência ao grupo de moças voltando do trabalho identificadas como operárias. Muitas das grandes cidades do século XIX eram sobretudo centros industriais, e a vocação urbana da atividade industrial permanece até hoje.

A referência ao policial e ao assaltante, na medida em que as grandes cidades são espaço de desigualdade social, uma vez nem que todos os seus habitantes encontram ocupação na economia urbana.



3º dia



Questão 1

Se utilizássemos, numa conversa com homens medievais, a expressão “Idade Média”, eles não teriam ideia do que isso poderia significar. Eles, como todos os homens de todos os períodos históricos, se viam vivendo na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade Antiga ou Média representa uma rotulação posterior, uma satisfação da necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um desprezo indisfarçado pelos séculos localizados entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI.

Hilário Franco Júnior, A Idade Média. Nascimento do Ocidente. 3a ed. São Paulo: Brasiliense, s.d. [1986]. p. 17. Adaptado.

A partir desse trecho, responda:

a) Em que termos a expressão “Idade Média” pode carregar consigo um valor depreciativo?

b) Como o período comumente abarcado pela expressão “Idade Média” poderia ser analisado de outra maneira, isto é, sem um julgamento de valor?

Resolução

a ) Como observa Hilário Franco Jr. no excerto apresentado, a expressão “Idade Média” foi cunhada no século XVI, em meio à movimentação renascentista europeia. Na verdade, ela remeteria à ideia de um período histórico intermediário, sem grande importância e até mesmo marcado por uma certa mediocridade. Assim, sua escolha para designar o período localizado “entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI” revela a visão dos intelectuais humanistas da época, para os quais era um “período de trevas”.

b) Contrariando o desprezo dos pensadores renascentistas, é possível julgar o período chamado de “Idade Média” levando em consideração seus aspectos positivos. Sob essa interpretação, os séculos entre a Antiguidade e o XVI estariam marcados também pela continuidade da cultura e da tradição clássicas, não configurando, desse modo, ruptura ou intervalo.



Questão 2

Observe a imagem e leia o texto a seguir





Fonte: Michelangelo, A criação de Adão, detalhe do teto da Capela Sistina,

Vaticano (c. 1511). www.rastel.com.

Michelangelo começou cedo na arte de dissecar cadáveres. Tinha apenas 13 anos quando participou das primeiras sessões. A ligação do artista com a medicina foi reflexo da efervescência cultural e científica do Renascimento. A prática da dissecação, que se encontrava dormente havia 1.400 anos, foi retomada e exerceu influência decisiva sobre a arte que então se produzia.

Clayton Levy, “Pesquisadores dissecam lição de anatomia de Michelangelo”, Jornal da Unicamp, n º 256, junho de 2004,

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2004/ju256pag1.html. Acessado em 11/06/2010.

a) Explique a relação, mencionada no texto, entre artes plásticas e dissecação de cadáveres, no contexto do Renascimento.

b) Identifique, na imagem acima, duas características da arte renascentista.

Resolução

a) Em um momento em que as inter-relações entre arte e ciência eram intensas, os artistas da renascença encontravam-se envolvidos em diversas questões que transitavam entre as pesquisas científicas e as aspirações artísticas. Michelangelo aprofundava seus conhecimentos sobre anatomia humana (dissecando cadáveres, por exemplo) e buscava, em suas pinturas e esculturas, a representação das formas o mais perfeita possível.

b) A imagem acima é fragmento da pintura de Michelangelo na Capela Sistina. O ideal estético da sua criação estava condicionado ao conhecimento científico e a concepções filosóficas neoplatônicas acerca do cristianismo. Desse modo, expressava os fundamentos do naturalismo e do racionalismo.



Questão 3

Observe a seguinte foto.




Fonte: imagens das estátuas de Antônio Raposo Tavares (esq.) e Fernão Dias Pais (dir.), existentes no salão de entrada do museu Paulista, São Paulo.



Essas duas estátuas representam bandeirantes paulistas do século XVII e trazem conteúdos de uma mitologia criada em torno desses personagens históricos.

a) Caracterize a mitologia construída em torno dos bandeirantes paulistas.

b) Indique dois aspectos da atuação dos bandeirantes que, em geral, são omitidos por essa mitologia.

Resolução

a) Ao longo do século XX, a oligarquia paulista procurou mitificar a figura do bandeirante, apresentando-o como o valente desbravador que contribuiu para ampliar as fronteiras de nossa pátria. De acordo com essa visão romântica, o bandeirante paulista seria um verdadeiro herói nacional.

b) Outra interpretação histórica sobre a atuação dos paulistas do século XVII busca apresentá-los como vilões, porque, através da bandeira de preação de índios, foram responsáveis por dizimar muitas comunidades tribais e assassinar os jesuítas que dirigiam as missões. Além disso, com as bandeiras de sertanismo de contrato, eles se transformaram em matadores de índios e destruidores de quilombos. Por isso as autoridades portuguesas caracterizavam São Paulo como uma terra “sem rei, sem lei e sem fé”, e seus habitantes eram chamados de “bandidos”, “rebeldes insolentes”, “bárbaros cruéis” e “assassinos sanguinários”.



Questão 4

Observe os dois quadros a seguir.



Fonte: Victor Meirelles de Lima, Combate naval do Riachuelo,

2ª versão, 1882 / 1883.


Fonte: Juan Manuel Blanes, A

destruição causada pela guerra, 1880.

Essas duas pinturas se referem à chamada Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai), ocorrida na América do Sul entre 1864 e 1870.

a) Esses quadros foram pintados cerca de dez anos depois de terminada a Guerra do Paraguai, o da esquerda, por um brasileiro, o da direita, por um uruguaio. Analise como cada um desses quadros procura construir uma determinada visão do conflito.

b) A Guerra do Paraguai foi antecedida por vários conflitos na região do Rio da Prata, que coincidiram e se relacionaram com o processo de construção dos Estados nacionais na região. Indique um desses conflitos, relacionando-o com tal processo.

Resolução

a) O primeiro quadro, pintado por um brasileiro, traz elementos que destacam uma visão heroica e de exaltação da vitória sobre o Paraguai. Os soldados estão acenando com seus chapéus e comemorando a destruição da frota inimiga, em chamas ao fundo.

O segundo quadro, pintado por um uruguaio, apresenta elementos que demonstram um visão mais crítica, de Renúncia das consequências da guerra. Uma mulher solitária observa corpos de soldados e material bélico destruído em um cenário arrasado pelos combates.

b) A Bacia Platina foi palco de diversos conflitos no século XIX. As posições conflitantes quanto à livre navegação e entre os projetos hegemônicos — como os da Argentina de Rosas e do Paraguai de Solano López — foram importantes ingredientes dessa situação. Entretanto estava também em pauta a formação e consolidação dos estados sul-americanos. Um exemplo relevante foi a “Guerra contra Oribe”, em que a interferência brasileira ocasionou a queda dos blancos e a ascensão dos colorados no Uruguai. Esse conflito desembocou ainda na “Guerra contra Rosas”, contra, Argentina.



Questão 5

Este livro não pretende ser um libelo nem uma confissão, e menos ainda uma aventura, pois a morte não é uma aventura para aqueles que se deparam face a face com ela. Apenas procura mostrar o que foi uma geração de homens que, mesmo tendo escapado às granadas, foram destruídos pela guerra.

Erich Maria Remarque, Nada de novo no front. São Paulo: Abril, 1974 [1929], p. 9.

Publicado originalmente em 1929, logo transformado em best seller mundial, o livro de Remarque é, em boa parte, autobiográfico, já que seu autor foi combatente do exército alemão na Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918. Discuta a ideia transmitida por “uma geração de homens que, mesmo tendo escapado

às granadas, foram destruídos pela guerra”, considerando:

a) As formas tradicionais de realização de guerras internacionais, vigentes até 1914 e, a partir daí, modificadas.

b) A relação da guerra com a economia mundial, entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX.

Resolução

a) A referência a “uma geração de homens” aponta para a Primeira Guerra Mundial como o primeiro grande conflito generalizado da era industrial. De fato, a mobilização tecnológica e industrial possibilitou não só a organização de exércitos formados por milhões de soldados, mas também a produção, em larga escala, de armas de grande efeito destrutivo.

b) As últimas décadas do século XIX foram marcadas pelo rápido desenvolvimento industrial de vários países europeus. Esse processo levaria a disputas imperialistas pelo mundo que contribuiriam para o desencadeamento da Primeira Guerra Mundial. A guerra, enquanto um conflito industrial em larga escala, traria efeitos para a economia mundial, como valorização de matérias-primas. Para os países diretamente envolvidos, implicaria a conversão da indústria convencional em bélica e o alto grau de endividamento, gerando grave crise econômica, desemprego e, portanto, um cenário desolador. Nesse contexto, o próprio modelo econômico liberal passaria por questionamentos.



Questão 6

Considere as seguintes charges.




Fonte: Augusto Bandeira, Correio da Manhã, 14/07/1963 (esq.) e Biganti, O Estado de S. Paulo. 09/02/1964 (dir.). Imagens extraídas de: Rodrigo Patto Motta, Jango e o golpe de 1964 na caricatura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 98 e 165.


Essas charges foram publicadas durante a presidência de João Goulart (1961-1964).


a) Cada charge apresenta uma crítica a um determinado aspecto do governo de Goulart. Identifique esses dois aspectos.

b) Analise como esses dois aspectos contribuíram para a justificativa do golpe militar de 1964.


Resolução

a) O governo João Goulart, sobretudo na sua fase presidencialista, entre janeiro de 1963 e março de 1964, foi intensamente atacado por grupos conservadores contrários às suas diretrizes econômicas e políticas. A primeira charge aborda um aspecto econômico, na medida em que ressalta a inflação, heranças de governos anteriores que se agravava naquele momento. A segunda aborda um aspecto político, pois alude ao fantasma do comunismo, fazendo uma crítica no perfil esquerdista do governo de Jango. Esses dois aspectos foram habilmente trabalhadas pelos grupos conservadores, o que contribuiu para a deposição de João Goulart.


b) Os setores civis e militares que se articularam para a deposição de Jango, com o golpe de Estado de 1964, justificavam-se diante da sociedade apresentando o governo como incompetente, corrupto e esquerdista. Incompetente para superar a grave crise financeira que corroía os salários e construir um caminho alternativo para o nosso desenvolvimento; corrupto pelo apoio supostamente comprado que recebia dos partidos e sindicatos ligados ao regime populista; e esquerdizante dado o avanço de forças socialistas nos espaços políticos cedidos a elas pela postura conivente do Presidente e de seus aliados. Os três argumentos eram contestados pelo governo, o que não foi suficiente para evitar o desenlace golpista em 1964.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FUVEST 2010 - RESOLUÇÃO COMENTADA


10 E
Cesarismo/cesarista são termos utilizados para caracterizar governantes atuais que, à maneira de Júlio César (de onde o nome), na antiga Roma, exercem um poder
a) teocrático.
b) democrático.
c) aristocrático.
d) burocrático.
e) autocrático.
Resolução
O termo “cesarismo”, aplicado a governos autoritários de caráter personalista (o exemplo clássico é o de Napoleão Bonaparte) tem sua origem, mais do que na referência a Júlio César propriamente dito, na autocracia imperial romana, na qual os imperadores – intitulados “Césares” – governavam de forma discricionária.

11 D
“A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatuto jurídico dos camponeses, ou de seus mansos [parcelas de terra].”
Marc Bloch. Os caracteres originais da França rural, 1952.
Esta frase sobre o feudalismo trata
a) da vassalagem.
b) do colonato.
c) do comitatus.
d) da servidão.
e) da guilda.
Resolução
A corveia era a única obrigação servil, dentro do feudalismo, que não se caracterizava pelo pagamento em gêneros. Consistia no trabalho obrigatório do servo no manso senhorial (terra de uso exclusivo do senhor), duas ou três vezes por semana. Essa atividade não se restringia ao trabalho agrícola, podendo incluir outras tarefas, como a reparação de fortificações ou a desobstrução dos caminhos durante o inverno.

12 C
Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que
a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo desenvolvimento do barroco mineiro.
b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo reconhecimento dos direitos civis dos nativos.
c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e escrever”.
d) causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, esses religiosos, a preservação das culturas indígenas.
e) formularam acordos políticos e diplomáticos que garantiram a incorporação da região amazônica ao domínio português.
Resolução
A questão aborda a mais importante atividade desenvol vida no Brasil pela Companhia de Jesus (embora sua atuação mais conhecida seja a catequese dos índios): o controle do ensino na Colônia, o que contribuiu para dar certa unidade cultural a uma população dispersa por um imenso território.
Obs.: Os jesuítas notabilizaram-se como protetores dos índios e seus defensores contra a escravização. Nessa tarefa, promoveram a aculturação dos nativos, o que, paradoxalmente, contribuiu para que eles fossem submetidos com mais facilidade ao poder dos colonizadores.

13 B
“E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...”
João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711.
Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia
a) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal.
b) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra.
c) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha.
d) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata.
e) possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos.
Resolução
Alternativa escolhida por eliminação, pois o texto de Antonil – até por se referir a “reinos estranhos”, no plural – não permite afirmar que a Inglaterra seria a única beneficiária do ouro brasileiro; aliás, o autor sugere que o desvio do metal precioso poderia ser consequência de contrabando. Ademais, o Tratado de Methuen é apenas o fato mais notório da grande dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra, dependência essa que remontava ao primeiro empréstimo feito por Londres a Lisboa em 1641, logo após a Restauração.

14 A
Carlos III, rei da Espanha entre 1759 e 1788, implementou profundas reformas – conhecidas como bourbônicas – que tiveram grandes repercussões sobre as colônias espanholas na América. Entre elas,
a) o estabelecimento de medidas econômicas e políticas, para maior controle da Coroa sobre as colônias.
b) o redirecionamento da economia colonial, para valorizar a indústria em detrimento da agricultura de exportação.
c) a promulgação de medidas políticas, levando à separação entre a Igreja Católica e a Coroa.
d) a reestruturação das tradicionais comunidades indígenas, visando instituir a propriedade privada.
e) a decretação de medidas excepcionais, permitindo a escravização dos africanos e, também, a dos indígenas.
Resolução
Carlos III, representante espanhol do despotismo esclarecido, procurou deter a decadência que minava a Espanha, como, na mesma época Pombal tentava fazer em Portugal. Entre outras medidas de Carlos III para tornar mais rentável a exploração das colônias hispano-americanas, devem-se mencionar a criação de companhias de comércio, a supressão do regime de “porto único”, a criação do Vice-Reino do Prata e a extinção da mita.
Obs.: Didaticamente, as “reformas bourbônicas” ocorridas no reinado de Carlos III são atribuídas a seu principal ministro, o conde de Aranda.

15 D
“Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.”
F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854.
O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes
a) pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território.
b) contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região.
c) dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.
d) propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares.
e) implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra.
Resolução
A Revolução Pernambucana de 1817, ocorrida no quadro dos movimentos emancipacionistas latinoamericanos do início do século XIX, objetivava implantar uma república independente em Pernambuco. E, embora conduzida pelas classes dominantes, contou com o apoio dos setores populares.
Obs.: A alternativa a não pode ser inteiramente descartada, pois o movimento de 1817 pretendia de fato separar Pernambuco do Reino Unido criado em 1815; além disso, o antilusitanismo foi uma tônica presente nas principais insurreições lá ocorridas,
desde a Guerra dos Mascates (1710-12) até a Revolução Praieira (1848-49), passando pela Revolução de 1817 e pela Confederação do Equador em 1824.

16 E
No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da economia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”.
E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875.
A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, respectivamente, como
a) aristocrática e conservadoras.
b) socialista e anarquistas.
c) popular e democráticas.
d) tradicional e positivistas.
e) burguesa e liberais.
Resolução
O período citado envolve o início da Segunda Revolução Industrial e do capitalismo monopolista; ele corresponde à consolidação da ordem social dominada pela burguesia e, no plano políticoideológico e econômico, do liberalismo. Este último deve ser entendido em dois níveis: como acesso dos cidadãos à vida política, passando pelo crivo do voto censitário; e como não intervenção do Estado nas relações econômicas, embora coubesse aos governos capita listas um papel crucial na luta pela abertura e/ou conquista de mercados.
17 C
No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”
Essas passagens expressam a
a) defesa de concepções artísticas do impressionismo.
b) crítica aos princípios da Revolução Francesa.
c) valorização da cultura nacional.
d) adesão à ideologia socialista.
e) afinidade com a cultura norte-americana.
Resolução
O movimento antropofágico (e não “antropófago”) foi uma das correntes que, a partir de 1922, constituíramo Modernismo brasileiro. Caracterizadas pelo estar -dalhaço e pelo desejo de causar impacto, tinham comotraço comum a valorização da cultura brasileira e desuas raízes antropológicas. Esse viés nacionalista
explica a crítica feita no texto à Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa – o quepode ter induzido alguns candidatos a optar pela alternativa b.

18 B
A partir da redemocratização do Brasil (1985), é possível observar mudanças econômicas significativas no país.
Entre elas, a
a) exclusão de produtos agrícolas do rol das principais exportações brasileiras.
b) privatização de empresas estatais em diversos setores como os de comunicação e de mineração.
c) ampliação das tarifas alfandegárias de importação, protegendo a indústria nacional.
d) implementação da reforma agrária sem pagamento de indenização aos proprietários.
e) continuidade do comércio internacional voltado prioritariamente aos mercados africanos e asiáticos.
Resolução
Durante o regime militar (1964 - 85), registrou-se uma forte presença do governo na economia, tanto por meio de empresas estatais como por uma política francamente intervencionista. Com a redemocratização, passaram a prevalecer entre os dirigentes do País as ideias neoliberais, traduzidas em medidas como a facilitação das importações e a privatização de empresas e serviços estatais – processo que alcançou o ápice sob a administração de Fernando Henrique Cardoso (1995 - 2002).

19 A
“Mandela para presidente – a escolha do povo”
Fonte: AFP, 1984.
Cartaz de 1994 da campanha de Nelson Mandela à presidência da África do Sul.
Essa campanha representou a
a) luta dos sul-africanos contra o regime do apartheid então vigente.
b) conciliação entre os segregacionistas e os partidários da democracia racial.
c) proposta de ampliação da luta anti-apartheid no continente africano.
d) contemporização diante dos atos de violência contra os direitos humanos.
e) superação dos preconceitos raciais por parte dos africânderes.
Resolução
O regime do apartheid, instituído na África do Sul em 1948, começou a ser desmontado pelo presidente Frederik De Klerk, mas somente se plenificou com a eleição do líder negro Nelson Mandela para a Presidência da República, em 1994.