segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 1 - O Governo Dutra


Problematização do tema

Poucos conceitos são tão discutidos e tão pouco consensuais como o do populismo. Até algumas décadas atrás, o populismo era entendido como um fenômeno particular que ocorria em sociedades que faziam sua transição de tradicionais para modernas.

As massas, migrantes do campo para as cidades, atraídas pelos empregos nas indústrias emergentes, perdiam os laços de referências e da solidariedade que estabeleceram nas sociedades rurais. Tornavam-se, nos centros urbanos, “massa disponível”, pronta para ser interpelada pelos políticos populistas. Assim, o populismo era “uma forma de fazer política”, utilizada por políticos carismáticos, interessados no desenvolvimento nacional, algumas vezes oportunistas, que manipulavam as massas desorganizadas.

Atualmente, as discussões sobre o conceito de populismo se tornaram mais sofisticadas e há autores que sequer o concebem como um fenômeno político real, mas como um mito político, uma das construções míticas mais importantes do imaginário político e social do Brasil. Sua contrapartida na cena política seria a cultura do trabalhismo.
Outros o analisam como fruto de uma “matriz teológica”, originada ainda no Império Português. Nessa abordagem, o populismo apresentaria uma característica messiânica, com a espera de um “salvador” pelas massas subalternas.

Uma outra interpretação, bastante plausível, é a que entende o populismo como um tipo específico de relação entre governantes e governados. Entres esses dois autores, estabelecer-se-ia uma relação direta (e autoritária), porque não é mediada por instituições políticas.

Enfim, há inúmeras possibilidades de se analisar o conceito e deve-se sempre ter em conta os contextos históricos em que surge o populismo, porque há diferenças consideráveis entre os políticos chamados populistas. Na imagem vemos o presidente da República, Eurico Gaspar Dutra.

Nesta unidade – O período populista – você vai estudar a conjuntura histórica brasileira que se estende do governo Dutra ao golpe político civil e militar de 1964. Esse contexto, é geralmente, entendido como um momento de reordenação democrática, após a promulgação da Constituição de 1946, eleições livres e intensa competição político-partidária. No campo econômico, estabeleceu-se o debate entre a melhor adequação em se adotar um projeto nacionalista ou um projeto internacionalista para o nosso país. Esse debate e a adoção de um ou outro projeto levaram a situações políticas tensas, como no segundo governo de Vargas e às vésperas do golpe de 1964.

No que se refere à ordem mundial, o contexto que se iniciou em 1947 insere-se no quadro de disputas entre o bloco capitalista, liderado pelos EUA, e o bloco socialista, sob a liderança da URSS. A disputa pela adesão dos países da América Latina a um ou outro bloco gerou impactos significativos em suas ordens políticas, principalmente após o ingresso de Cuba na órbita da URSS. Por isso, não se pode desconsiderar a Guerra Fria, elemento importante na história do Brasil desse período.

Neste capítulo – O Governo Dutra – você vai estudar a agonia do Estado Novo que levou à renúncia de Getúlio Vargas e às eleições de dezembro de 1945. Vitorioso o candidato do PSD, General Dutra, foi desmontado todo o aparato da política econômica de Vargas, ao se adotar o projeto internacionalista, além da política extremamente repressiva de Dutra.

Pense sobre o que você acabou de ler e discuta:

1. Como se entendia o populismo até algumas décadas atrás?

Até algumas décadas atrás, o populismo era entendido como um fenômeno particular que ocorria em sociedades que faziam sua transição de tradicionais para modernas.
2. O que significa tratar o populismo como um mito político ou como uma “matriz teológica”?
Nessa abordagem, o populismo apresentaria uma característica messiânica, com a espera de um “salvador” pelas massas subalternas.

3. Quais são as outras possibilidades de tratamento do populismo?

Como um tipo específico de relação entre governantes e governados. Entres esses dois autores, estabelecer-se-ia uma relação direta (e autoritária), porque não é mediada por instituições políticas.
4. Por que se deve levar em conta a especificidade dos contextos históricos em que surge o populismo?

Uma vez que há inúmeras possibilidades de se analisar o conceito e deve-se sempre ter em conta os contextos históricos em que surge o populismo, porque há diferenças consideráveis entre os políticos chamados populistas.


5. O que caracteriza o contexto histórico brasileiro entre o governo Dutra e o golpe de 1964?

Esse contexto, é geralmente, entendido como um momento de reordenação democrática, após a promulgação da Constituição de 1946, eleições livres e intensa competição político-partidária. No campo econômico, estabeleceu-se o debate entre a melhor adequação em se adotar um projeto nacionalista ou um projeto internacionalista para o nosso país.
6. Por que é importante considerar a Guerra Fria na análise desse período?

Pois a disputa pela adesão dos países da América Latina a um ou outro bloco gerou impactos significativos em suas ordens políticas, principalmente após o ingresso de Cuba na órbita da URSS.
7. Quais as características mais marcantes do governo Dutra?

São características marcantes do Governo Dutra (1946-1950)o desmantelamento de todo o aparato da política econômica de Vargas, ao se adotar o projeto internacionalista, além da adoção de uma política extremamente repressiva.



ANASTASIA, Carla. História: ensino médio, livro 2/ Carla Maria Junho Anastásia, Elizabeth Seabra. – 1. ed, - Belo Horizonte: Editora Educacional, 2010. pp. 36-7.?

sábado, 2 de outubro de 2010

Saiba mais sobre o Estado Novo

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - A Era Vargas
Capítulo 2
O Estado Novo
Análise e interpretação: versões, opiniões e fontes diversas
Leia os versos de Wilson Batista e Henrique Alves

Meu pai trabalha tanto
Que eu já nasci cansado
Ai patrão, sou um homem liquidado
No meu barraco chove
Meu terno está furado
Ai patrão, trabalhar não quero mais
Eu não sou caranguejo
Que só sabe andar pra trás
(Nasci cansado, Wilson Batista e Henrique Alves)
O sambista Wilson Batista fez bastante sucesso na década de 1930.
A6. Analise os versos de Wilson Batista e Henrique Alves.
Resposta: Os versos representam a negação do trabalho, próprio da cultura da malandragem durante a Era Vargas (1930-1945).
O tema em foco

Em meados dos anos 40, o rádio era um veículo de comunicação consolidado e em franco processo de expansão, sobretudo entre as classes populares urbanas. No campo específico da música popular, inaugurava-se uma nova etapa, marcada pela penetração de novos gêneros estrangeiros, principalmente o bolero, a rumba, o cha-cha-cha e o cool jazz. O baião e outros gêneros “regionalis (embolada, coco, moda-de-viola) também foram ganhando espaço no rádio, tornando-se referência para além de suas regiões de origem.Na virada dos anos 40 para os 50, a cena musical era dominada por sambas-canções abolerados, de andamento lento, e músicas carnavalhescas voltadas para os segmentos mais populares. Havia também um considerável espaço para a corrente mais tradicional do samba, o "samba-de-morro", sobretudo através dos trabalhos de Wilson Batista e Geraldo Pereira e para criações mais refinadas, do ponto de vista harmônico-melódico, de Ary Barroso e Dorival Caymmi [...]
Dorival Caymmi e Ary Barroso protagonizaram grande sucesso na Era de ouro do rádio no Brasil.
Essas são as divas que disputavam o título de rainhas do rádio entre as décadas de 40 e 50 do século passado.

A era da música mais despojada, com arranjos mais leves [...] (como as de Pixinguinha, por exemplo) e interpretação vocal sutil e cheio de "bossa", como se dizia, parecia uma coisa do passado. As letras também perdiam a ironia e o humor coloquial que marcaram os anos 30 e passavam aexpressar ora um sentimentalismo mais carregado, ora uma brejeirice provinciana. A febre em torno do concurso "rainha do rádio", desde 1949, era o auge da participação desta nova audiência popular, caracterizada preconceituosamente como "macacas de auditório" que parecia dominar o cenário musical brasileiro dos anos 50. Na perspectiva de um certo elitismo cultural, elas se contrapunham ao "respeitável ouvinte" dos anos 30, quando o rádio era mais elitizado.
NAPOLITANO, Marcos. História & Música. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. p. 56-7

A7. Caracterize os movimentos musicais do rádio nos anos 30 e meados dos anos 40.
Resposta: Nos anos 30 e 40 do século XX, o rádio era mais elitizado, com a penetração de novos gêneros musicais estrangeiros e "regionais", com letras irônicas e de humor coloquial.
Confira abaixo um exemplo de ritmo regional com letra irônica e humor coloquial produzida nesse período


A embolada do grande Jackson do Pandeiro, um paraibano que fez grande sucesso no Sul Maravilha durante essa referida época.
De olho no vestibular
Q1. (FEI) Sobre o Estado Novo (1937 - 1945), é incorreto afirmar que:

a) foi caracterizado por um forte intervencionismo estatal.
b) criou órgãos de censura e de repressão.
c) apoiava-se num discurso nacionalista.
d) era um regime de partido único.
e) exercia um grande controle sobre os sindicatos, tanto de trabalhadores quanto patronais.
Resposta: D

Q2. (FATEC) Considere as asserções seguintes sobre o governo de Getúlio Vargas e a industrializaçào nacional.

I. Ocorreram incentivos ao processo de industrialização, a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e da Companhia Vale do Rio Doce.
II. Foi adotada uma política de incentivos no sistema de crédito, uma política cambial protecionista, controle de preços, incentivos fiscais e tributários e contençào salarial.
III. A Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) assegurou as condições extemas para a continuidade do processo de industrialização brasileiro, pois os países em guerra investiram praticamente toda sua produção no setor militar.
IV. O desenvolvimento do processo de industrialização, no período Vargas, trouxe para o trabalhador melhores condições de vida, principalmente pela política de aumentos salariais constantes, adotada pelo Estado, sempre que o setor industrial conseguisse alcançar bons lucros.

Das asserções acima estão corretas apenas

a) I, III e IV
b) I, II e IV.
c) I, II, e III.
d) II, III, e IV
e) II e III

Resposta: C
Q3. (FGV) Em 21 de dezembro de 1941, Getúlio Vargas recebeu Osvaldo Aranha, seu ministro das Relações Exteriores, para uma reunião. Leia alguns trechos do diário do presidente: "À noite, recebi o Osvaldo. Disse-me que o governo americano não nos daria auxílio, porque não confiava em elementos do meu governo, que eu deveria substituir. Respondi que não tinha motivos para desconfiar dos meus auxiliares, que as facilidades que estávamos dando aos americanos não autorizavam essas desconfianças, e que eu não substituiria esses auxiliares por imposições estranhas."
VARGAS, Getúlio, Diário. São Paulo / Rio de Janeiro, Siciliano/ Fundação Getúlio Vargas, 1995, vol. II, p. 443.
A respeito desse período, podemos afirmar:

a) As desconfianças norte-americanas eram completamente infundadas porque não havia nenhum simpatizante do nazi-fascismo entre os integrantes do governo brasileiro.
b) Com sua política pragmática, Vargas negociou vantagens econômicas com o governo americano e manteve em seu governo simpatizantes dos regimes
nazi-fascistas.
c) Apesar das semelhanças entre o Estado Novo e os regimes fascistas, Vargas não permitiu nenhum tipo de relacionamento diplomático entre o Brasil e os
países do Eixo.
d) No alto escalão do governo Vargas havia uma série de simpatizantes do regime comunista da União Soviética e de seu líder Joseph Stalin.
e) As pressões do governo norte-americano levaram Vargas a demitir seu ministro da Guerra, o general Eurico Gaspar Outra, admirador dos regimes nazi-fascistas.

Resposta: B
Resolução: A política pragmática adotada por Vargas foi justificada elo discurso nacionalista, ou seja, "o bem do país" independentemente das posturas ideológicas e dos interesses dos outros países. Dessa maneira Vargas negócios acordos tanto com a Alemanha, como com os EUA, alinhando-se a este país em 1942.

Q4. (MACKENZIE)Sobre o Estado Novo, implantado por Vargas em 1937, é INCORRETO afirmar que:
a) o nacionalismo econômico e o intervencionismo estatal foram traços marcantes desse período da Era Vargas.
b) a forte centralização política mantinha, por meio do DIP e do DOPS, o controle da opinião pública e a repressão aos inimigos do regime.
c) a CLT representou uma conquista nas relações entre o capital e o trabalho, embora a manipulação e o paternalismo do governo impedissem um sindicalismo livre.
d) o regime tinha, dentre suas bases de sustentação, as forças armadas e a burocracia estatal.
e) o liberalismo econômico e a neutralidade brasileira, durante a Segunda Guerra Mundial, consolidaram o governo Vargas após o conflito.
Resposta: E
Resolução: A fase do Estado Novo (1937-45) durante a Era Vargas teve caráter ditatorial. Nesse período, a economia foi marcada pela forte intervenção do Estado, e no campo da política externa, apesar da inspiração fascista, Getúlio Vargas, sob pressão dos EUA, apoiou os aliados na Segunda Guerra Mundial, contribuindo para o enfraquecimento do regime Varguista e para a redemocratização do país.

Q5. (PUC-SP) 1930: Vamos deixar como está para ver como fica. 1945: Vamos deixar como está para ver como eu fico. Máximas e mínimas do Barão de Itararé. Rio de Janeiro: Record, 1987. p.67.
As frases, atribuídas pelo humorista Barão de Itararé a G. Túlio Vargas, são evidentemente uma brincadeira com o nome do Presidente da República e com as diferenças políticas entre 1930 e 1945. As alusões à posição de Vargas em 1930 e em 1945 referem-se, respectivamente, à

a) ausência de uma proposta de reformulação constitucional e à tentativa de manter-se na Presidência num contexto de redemocratizações.
b) aliança com a política café-com-leite e à candidatura presidencial, por via direta, de Vargas.
c) manutenção do modelo econômico de base agro-exportadora e à política industrialista voltada à busca da auto-suficiência nacional.
d) reiteração da proposta federalista da Primeira República e à defesa de um Estado em que o poder estivesse centralizado nas mãos do Presidente.
e) dependência econômica em relação à Inglaterra e aos Estados Unidos e à tentativa de consolidar um Estado Nacional autônomo.

Resolução: Recém-empossado na chefia do Estado em 1930, Vargas suspendeu a Constituição de 1891 e procurou retardar ao máximo a promulgação de uma nova Carta Magna, pois assim gozaria de poderes ditatoriais. Já em 1945, com o Estado Novo em franco declínio, Vargas tentou permanecer no poder por meio do "Movimento Querenista"; acabou, no entanto, sendo derrubado por um golpe militar que levou o País a concluir o processo de redemocratização.
Resposta: A


Q6. (UNESP) Entre fins de fevereiro de 1945, quando José Américo de Almeida rompeu o cerco da censura, e 29 de outubro, com a deposição de Vargas, a sociedade brasileira, em pleno processo de democratização política e mobilizada em dois campos antagônicos, assistiu e participou de um movimento de massa, de proporções grandiosas.

(Jorge Ferreira, in O Brasil republicano: o tempo da experiência democrática.)

Esse movimento de massa de que fala o historiador, acontecido imediatamente após a deposição de Getúlio Vargas, ficou conhecido como

a) queremismo.
b) o dia do Fico de Vargas.
c) crencionismo.
d) getulismo.
e) populismo.

Resolução: Na medida em que se configura a crise do Estado Novo, organiza-se um movimento popular de apoio à Getúlio Vargas, que pregava a realização de eleições para a Assembleia Constituinte com a permanência de Vargas no poder. Os lemas desse movimento eram "Constituite com Getúlio" e "Queremos Getúlio" daí o movimento ser conhecido como "queremismo". Observa-se entretanto que o queremismo ocorre antes da deposição de Vargas. Dessa forma, contraria o enunciado da questão: "acontecido imediatamente após a deposição de Getúlio Vargas".

Resposta: A


Para saber mais
Livro
LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil república. São Paulo: Contexto, 1997.
FilmesRadio Days (A Era do Rádio) Diretor: Woody Allen. 1987.
Memórias do Cárcere. Diretor: Nelson Pereira dos Santos, 1982.
Olga. Diretor: Jayme Monjardim, 2004.

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista (1946-1964)
Saiba mais sobre o Populismo no Brasil

O professor de História Clides Morais apresenta nesta teleaula um apanhado com as principais características do perído populista no Brasil entre 1946 e 1964.
A República Populista
Por: Professor Jailson Marinho
A década de 30 trouxe profundas mudanças na estrutura social e econômica brasileiras. Houve um avanço na industrialização brasileira, grande desenvolvimento urbano – com aumento da população.

O urbanismo favoreceu o crescimento da burguesia industrial, da classe média e do proletariado. O fortalecimento destas novas forças sociais trouxe uma mudança no aparelho estatal: a permanência do populismo, transformado em prática política costumeira com o intuito de conquistar o apoio das massas – principalmente a urbana.

O fenômeno do populismo consiste, enfim, na manipulação – por parte do Estado ou dos políticos – dos interesses da classe trabalhadora. O período que vai de 1945 (fim do Estado Novo) até 1964 (golpe militar) apresentou as características acima.


Governo de Eurico Gaspar Dutra (1946/1951)

Marcado pela aliança política PSD/PTB, apresentou aspectos conservadores. Em setembro de 1946 foi promulgada uma nova constituição, onde manteve-se a república presidencialista e o princípio federativo. Foi instituído o voto secreto e universal e a divisão do estado em três poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário).

Externamente seu governo foi marcado pela aproximação com os Estados Unidos – início da guerra fria e a opção brasileira pelo capitalismo. Como reflexo desta política houve o rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética e o Partido Comunista foi colocado na ilegalidade.

No plano interno, Dutra procurou colocar em prática o primeiro planejamento global da economia brasileira, o Plano Salte (saúde, alimentação, transporte e energia). Houve a pavimentação da rodovia Rio-São Paulo e a instalação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF).

Verificou-se uma enorme inflação, em razão do aumento da emissão de papel-moeda. Ao mesmo tempo elevava-se o preço do café e das matérias-primas, auxiliando a balança comercial brasileira.

Governo de Getúlio Vargas ( 1951/1954 )

A Segunda presidência de Vargas foi marcada pelo nacionalismo e pelo intervencionismo estatal na economia, trazendo insatisfações ao empresariado nacional e ao capital internacional.

No ano de 1951 o nacionalismo econômico de Vargas efetivou-se no projeto de estabelecer o monopólio estatal do petróleo. Esse programa, que mobilizou boa parte a população brasileira tinha como slogan “O Petróleo é nosso”, resultando na criação da Petrobrás – empresa estatal que monopolizou a exploração e o refino do petróleo no Brasil.

Vargas planejava também a criação da Eletrobrás, com o objetivo de monopolizar a geração e distribuição de energia elétrica. Propôs, no ano de 1954, um reajuste de 100% no salário mínimo, como forma de compensar as perdas salariais, em virtude da inflação.

Getúlio Vargas foi o precurssor do populismo no Brasil.


A aplicação de uma política nacionalista, bem como a aproximação de Vargas à classe trabalhadora, preocupava a classe dominante. Temia-se a criação de uma República Sindicalista, como na Argentina de Perón. O líder da oposição a Vargas era o jornalista Carlos Lacerda, que denunciava uma série de irregularidades do governo; Lacerda também era o porta-voz dos setores ligados ao capital estrangeiro.

Neste contexto ocorreu o atentado da Rua Toneleiros, uma tentativa de assassinar Carlos Lacerda. No episódio foi morto o major da aeronáutica Rubens Vaz. Os resultados da investigação apontaram que Gregório Fortunato - principal guarda-costas do presidente - como o responsável pelo acontecimento.

Embora nunca tivesse ficado provado a participação de Getúlio Vargas no episódio, este foi acusado pelos opositores como o mandante do atentado. Em 23 de agosto o vice-presidente, Café Filho rompeu com o presidente; no mesmo dia, o Exército divulga um manifesto exigindo a renúncia de Vargas. Na madrugada de 24 de agosto, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração.

Governo de Café Filho ( 1954/1955 )

Após a morte de Vargas, Café Filho – vice de Vargas assumiu o poder. Nas eleições de 1956, o candidato da aliança PSD-PTB – Juscelino Kubitschek – venceu. O período de governo de Café Filho apresentou uma crise política quando o coronel Bizarria Mamede, da Escola Superior de Guerra, proferiu um discurso contra a posse de JK.

O então Ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, resolveu punir o coronel – ferindo a hierarquia, pois a punição deveria ser dada pelo presidente da República – ao qual o ministro era subordinado.

Café Filho foi afastado da presidência, por motivos de saúde, assumindo o presidente da Câmara de Deputados, Carlos Luz. Este era do PSD, da ala conservadora, e inimigo político de Juscelino. Carlos Luz resolveu não punir o general Mamede – tornando-se cúmplice de suas declarações e forçando o pedido de demissão do general Lott.

Ficava claro a tentativa de um golpe e Henrique Lott, um defensor da legalidade constitucional e da posse dos candidatos eleitos, antecipou-se aos golpistas. Lott não assinou o pedido de demissão e organizou um contra-golpe. Ordenou que as tropas fossem às ruas, reassumiu o poder e afastou Carlos Luz da presidência.

A presidência foi entregue ao presidente do Senado, Nereu Ramos, que governou até a posse de Juscelino Kubitschek (31/01/56).

Governo de Juscelino Kubitschek ( 1956/1961)

Governo marcado pelo grande desenvolvimento econômico. Política econômica delineada pelo Plano de Metas, que tinha como lema “Cinqüenta anos de progresso em cinco de governo.”

A realização do Plano de Metas resultou na expansão e consolidação do "capitalismo associado ou dependente" brasileiro, pois o processo de industrialização ocorreu em torno das empresas estrangeiras ( as multinacionais ). Estas empresas controlaram os setores chaves da economia nacional – maquinaria pesada, alumínio, setor automobilístico, construção naval – ocasionando a desnacionalização econômica.

A política econômica de JK acarretou um processo inflacionário, em razão da intensa emissão monetária, e a política de abertura ao capital estrangeiro resultou em remessas de lucros e royalties ao exterior. O período de JK foi marcado, também, pela consrtrução de Brasília, pela criação da Sudene (Superitendência para o Desenvolvimento do Nordeste).

Juscelino Kubitschek e o seu Plano de Metas, sintetizado na expressão "50 anos em 5"
A era JK foi também marcada por crises políticas, ocorrendo duas tentativas de golpe: o levante de Jacareacanga e o de Aragarças – insurreições por parte de alguns militares. No final de seu governo a dívida externa brasileira aumentou consideravelmente, levando o país a recorrer ao FMI e ao seu receituário.

Em 1960 houve eleições e Jânio da Silva Quadros, então governador de São Paulo foi o vencedor, tendo como partido político a UDN e como vice-presidente João Goulart, da coligação PSD/PTB.

Governo de Jânio Quadros (1961)

Jânio Quadros assume a presidência em um contexto de grave crise financeira: intensa inflação, crescimento da dívida externa e déficit na balança de pagamentos. Visando restabelecer o equilíbrio financeiro do país, Jânio realizou um reajuste cambial, restringiu os créditos, incentivou as exportações e congelou os salários. Iniciou a apuração de denúncias de corrupção administrativa e nomeou uma comissão para definir a limitação da remessa de lucros para o exterior.

Nessa foto vemos a vassoura, símbolo da campanha eleitoral de Jânio Quadros, em 1960.


No campo externo, Jânio Quadros procurou estabelecer uma política externa independente dos Estados Unidos: aproximou-se dos países socialistas ao restabelecer as relações diplomáticas com a União Soviética, enviou o vice-presidente à China e prestigiou a Revolução Cubana, ao condecorar com a Ordem do Cruzeiro do Sul um de seus líderes, Ernesto “Che” Guevara. Semelhantes atitudes preocuparam os norte-americanos e a classe dominante nacional.

A oposição ao governo tinha em Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro, seu principal
representante e que articulava um golpe de estado.

Sem apoio político Jânio acabou renunciando no dia 25 de agosto de 1961 – após sete meses de governo. Sua renúncia nunca foi satisfatoriamente explicada. A renúncia gerou uma grave crise política envolvendo a posse, ou não, de seu vice-presidente João Goulart.

Governo de João Goulart ( 1961/1964 )

João Goulart – cujo apelido nos meios sindicais era Jango – não era bem visto pela elite nacional e pelas Forças Armadas. Era tido como agitador e com tendências comunistas. Representava uma ameaça a “segurança nacional” trazendo risco às instituições democráticas do país.

Sob estas alegações, os ministros militares pediram ao Congresso Nacional a permanência de Raniere Mazzilli na presidência –que assumiu interinamente visto que Jango estava na China. Contra a tentativa de golpe o governador do Rio Grande do Sul –Leonel Brizola-, e cunhado de João Goulart liderou a chamada “campanha de legalidade”, que buscava garantir a posse de João Goulart.

Para conciliar as duas correntes – favorável e contra a posse – o congresso Nacional aprovou um ato adicional em 02 de setembro de 1961, estabelecendo o sistema parlamentarista no Brasil. Com o parlamentarismo os poderes do presidente foram limitados sendo que o primeiro-ministro é que governaria de fato.

O primeiro a ser eleito a exercer tal função foi Tancredo Neves. Diante do fracasso do parlamentarismo foi convocado um plesbicito para decidir sobre a manutenção ou não do regime. O resultado foi a volta do presidencialismo (06/01/63).

Inicia-se uma segunda fase do governo de João Goulart marcada pela execução do chamado Plano Trienal, que buscava combater a inflação e realizar o desenvolvimento econômico. O plano deveria ser acompanhado de uma série de reformas estruturais, denominadas reformas de base, que incluía a reforma agrária; a reforma eleitoral – estendendo o direito de votos aos analfabetos; a reforma universitária, ampliando o número de vagas nas faculdades públicas e a reforma financeira e administrativa, procurando limitar a remessa de lucro e os lucros dos bancos.

O descontentamento com a política do governo aumentou a partir do dia 13 de março de 1964 quando, num comício na Central do Brasil – diante de 200 mil trabalhadores – Jango radicalizou sua promessa de reforma agrária, lançou a idéia de uma “reforma urbana” e decretou a nacionalização das refinarias particulares de petróleo.

João Goulart, acompanhado de sua esposa, durante o comício da Central do Brasil, onde pregava a necessidade da efetivação de suas Reformas de Base.


A reação uniu os grandes empresários, proprietários rurais, setores conservadores da Igreja Católica e a classe média urbana que realizaram a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade.

Em seguida houve uma revolta dos marinheiros do Rio de Janeiro, servindo de pretexto para o golpe militar alegava-se que a disciplina nas Forças Armadas estava em jogo. Na noite de 31 de março de 1964 o general Olympío Mourão Filho (arquiteto do falso plano Cohen) colocou a guarnição de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. No dia 1º de abril João Goulart foi deposto e exilou-se no Uruguai, no dia 2 de abril. Encerrava-se assim o período democrático e iniciava-se a República Militar no Brasil.

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/

Segundo Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Unidade - O Período Populista
Capítulo 1 - O Governo Dutra

As eleições presidenciais de 1945





Figura: Vargas, pressionado pela oposição e pelos Estados Unidos, aceita adotar medidas como a suspensão da censura, a concessão de Habeas Corpus a oposicionistas exilados e anistia para os presos políticos.
Fonte: Théo. Careta. ano 38, nº 1926, 26 maio de 1945

Na charge acima, o cartunista Théo mostra a necessidade de Getúlio Vargas flexibilizar o regime em razõa dos resultados políticos da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ao lado das forças democráticas, das ácidas críticas dos oposicionistas, especialmente veiculadas no Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, das pressões da UNE e de entidades anti-fascistas.


A Constituição de 1937 previa a possibilidade de um plebiscito, após passados seis anos do golpe, para permitir a renovação dos cargos de presidente e interventores. Começaram a circular boatos de que haveria eleições, e logo surgiu o nome do brigadeiro Eduardo Gomes como possível candidato da oposição. As manifestações contrárias a Vargas cresciam.
Em janeiro de 1945, o Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, apresentou denúncias contundentes ao governo Vargas. Foi elaborada uma declaração de Princípios, em que se destacava a defesa da legalidade democrática, da liberdade de expressão, da realização de eleições.
A vida partidária começou a ser reorganizada. A lei eleitoral de 28 de maio de 1945 – a Lei Agamenon – exigiu que os partidos fossem nacionais e fixou a data de 2 de dezembro de 1945 para a escolha do Congresso e de um novo presidente para o Brasil.
A União Democrática Nacional (UDN), criada a partir da oposição liberal a Getúlio, apoiou a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes. Vargas criou o Partido Social Democrático (PSD), integrado pelas oligarquias regionais, industriais e banqueiros beneficiados pela sua política econômica, que lançou a candidatura do ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra. Para contar com o apoio dos trabalhadores e fazer frente ao Partido Comunista Brasileiro, a máquina governamental criou o Partido Trabalhista Brasileiro, apoiado na cultura política do trabalhismo.

Ouça esta marcha carnavalhesca "Palácio do Catete"
Composta por Herivelto Martins e Ciro de Souza de 1945, pouco antes da eleição presidencial depois da ditadura do Getúlio. Foi gravada pelo cantor Francisco Alves.



Palacete no Catete


Existe um palacete no Catete
E consta que foi desocupado
O vizinho do lado estava informado
Que o seu vizinho
Já pensava em se mudar
Este inquilino, apesar dos desenganos
Morou nesse palacete...15 anos!


Catete, zona preferida
Todo mundo quer
Porque lá é de colher
Bonde na porta
Condução lá é mato
Mas a senhoria
Quer seis anos de contrato


Eleições e Política Externa

Pio Penna Filho

Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

Estamos nos aproximando do segundo turno das eleições de 2010. No dia 31 deste mês os eleitores brasileiros retornarão às urnas para decidir quem será o próximo presidente do Brasil. Uma data importante e decisiva para os próximos 4 anos da vida da nação.
Dentre as várias atribuições do presidente da República está a de representar o país nas relações internacionais. Mas não só. Cabe, também ao presidente, assessorado pelo Ministério das Relações Exteriores, formular e executar a política externa do país.
Infelizmente, não existe entre nós, brasileiros, nem a tradição e nem o costume de nos preocuparmos com a nossa política externa. Na verdade, ela só aparece quando o fato está consumado ou quando se trata de algum aspecto polêmico, que logo ganha a graça da mídia, como foi o caso, por exemplo, da aproximação do Brasil com o Irã.
Na campanha para a presidência da República o assunto também é pouco contemplado por parte dos partidos políticos e dos candidatos. À parte uma ou outra declaração, geralmente marcada pela ambiguidade ou por um caráter essencialmente generalizante, quase nada nos dizem sobre o que pretendem fazer no plano da política externa.
Considerando que o Brasil é um ator que vem ganhando cada vez mais espaço e importância no âmbito das Relações Internacionais, já chegou a hora de nos preocuparmos mais com a nossa política externa. E, como dito acima, ela depende essencialmente de quem escolhermos para a presidência, uma vez que é função do presidente formular e executar a política externa da nação.
Os dois candidatos que estão disputando o segundo turno das eleições presidenciais defendem programas políticos distintos e partem de diferentes visões de mundo. No campo externo, esse aspecto fica ainda mais evidente. Portanto, é preciso refletir sobre isso quando da escolha do futuro líder do país, haja vista que a ele caberá a função de representante do Estado no plano internacional.
Para ilustramos um pouco mais sobre a responsabilidade do chefe de Estado no campo externo, basta dizer que a inserção internacional de um país pode ter um resultado extremamente benéfico para o mesmo, em termos de ganhos políticos e de atração de investimentos, ou seja, mais desenvolvimento, ou pode ter como resultado o aumento da desconfiança, do isolamento e, consequentemente, de prejuízos financeiros e econômicos. Tudo depende muito, pois, da visão do homem de Estado que está conduzindo o seu país e sua inserção internacional.
Quando refletimos sobre o contexto internacional dos dias de hoje existem ainda outros aspectos que demonstram a relevância e a necessidade de uma inserção internacional mais positiva e arrojada por parte de países que, como o Brasil, já atuam no primeiro escalão dos atores internacionais.
Estamos, pois, num momento decisivo para o nosso futuro como um país cada vez mais respeitado e relevante no cenário internacional. É importante, portanto, que os eleitores pensem e reflitam também no que diz respeitos às propostas de política externa que os candidatos a presidência do Brasil apresentaram para a sociedade.
Terceiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Avaliação de História Geral
1. (UEL) No período medieval a ordem social era organizada segundo as funções de orar, guerrear e trabalhar. Ou seja, uma sociedade hierarquicamente estratificada da seguinte maneira:
a) Evangélicos, exércitos e negociantes.
b) Padres, soldados e artífices urbanos.
c) Clero, nobreza e camponeses.
d) Santos, guerreiros e pastores.
e) Monges, oficiais e operários

2. (UFSM) A respeito do feudalismo na Europa Medieval, pode-se afirmar:
a) O trabalho era fundado na servidão, o que mantinha os trabalhadores presos à terra e subordinados a uma série de obrigações como impostos e serviços.
b) A utilização da tecnologia mais avançada no século V até o VII, como o uso do arado e a rotação de culturas, permitiu uma produção agrícola em larga escala, comercializada entre os reinos.
c) O cultivo da terra, a qual era propriedade dos servos, atendia ao consumo local; áreas restritas eram exploradas em benefício dos senhores feudais.
d) A sociedade feudal era dividida em dois grupos sociais, senhores e servos, que repartiam a terra, de forma que cada grupo ficasse com a parte que conseguia explorar.
e) O capital comercial acumulado com a produção agrícola permitiu que os Estados nacionais europeus se lançassem às grandes navegações no século XIII.

3. (Unicamp) O historiador Pierre Deyon diz: "O mercantilismo foi definido e batizado por seus adversários", ou seja, o mercantilismo, enquanto sistema de pensamento e intervenção na vida econômica, foi definido pelos liberais do século XVIII. Cite três características da política mercantilista e explique por que o liberalismo critica o mercantilismo.


4. (FGV) Analise as afirmações sobre o Ocidente na Idade Moderna.
I. Em muitos relatos, a América foi representada como o Paraíso Terrestre dada a abundância de recursos e sua população, em uma visão etnocêntrica, foi considerada bárbara, devendo ser catequizada.
II. A colonização da América Latina baseou-se, fundamentalmente, em princípios liberais cabendo às colônia fornecer metais preciosos, ferramentas e produtos primários para dinamizar o comércio europeu e enriquecer suas metrópoles.
III.Na América espanhola, predominaram formas de trabalho compulsório dos indígenas, sob o sistema de “encomienda e mita”; já na América portuguesa, a escravidão, principalmente dos negros, foi a base da economia agroexportadora e mineradora.
IV.O tráfico negreiro modificou as sociedades africanas, não apenas porque tirou do continente milhões de pessoas, mas também porque lá introduziu novos produtos, por exemplo o tabaco, que eram trocados por escravos.
V. Como resultado da rivalidade entre Espanha e Holanda e da União Ibérica, os holandeses invadiram o Nordeste brasileiro e regiões da África, a fim de controlarem a produção açucareira e fontes de mão-de-obra.

São corretas as afirmações
a) I, III e V, apenas.
b) II, IV e V, apenas.
c) I, III, IV e V, apenas
d) I, II, III e IV, apenas.
e) I, II, III, IV e V.

5. Maquiavel aconselhou aos governantes do início da Idade Moderna formas de como manter o poder:
"É de notar-se, aqui, que, ao apoderar-se de um Estado, o conquistador deve determinar as injúrias que precisa levar a efeito, e executá-las todas de uma só vez, para não ter que renová-las dia-a-dia. Deste modo, poderá incutir confiança nos homens e conquistar-lhes o apoio, beneficiando-os. Quem age por outra forma, ou por timidez ou por força de maus conselhos, tem sempre necessidade de estar com a faca na mão e não poderá nunca confiar em seus súditos, porque estes, por sua vez, não se podem fiar nele, mercê das suas recentes e contínuas injúrias. As injúrias devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, tornando-se-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam melhor saboreados."
(MAQUIAVEL, Nicolau. "O Príncipe". (Coleção Os Pensadores) 1. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 44).
Suas ideias são características da conjuntura histórica que, na Europa, favoreceu:
a) a Escolástica e as Corporações de Ofício nas cidades.
b) o Teocentrismo e a fragmentação política do Império Romano.
c) o Renascimento e a centralização política que levou à formação dos Estados Nacionais.
d) o Iluminismo e o Liberalismo Econômico.
e) o Despotismo Esclarecido e a Revolução Industrial.
RESPOSTAS
1. C
2. A
3. Intervenção do Estado na economia, protecionismo alfandegário, manutenção de balança comercial favorável.
4. C
5. C
Terceiro Ano - CNDL
Quarto Bimestre - História do Brasil
Colégio Notre Dame de Lourdes
Coleção Pitágoras
Caderno Revisional
A revolução Científica do século XVII

Na história da ciência, revolução científica é o período que se dá a partir do momento em que Galileu, Kepler, entre outros pensadores do século XVII iniciam suas descobertas. A partir desse período, a Ciência, que até então estava atrelada à Filosofia, separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático.

Houve muitas teorias revolucionárias que diferem na intensidade com que influenciaram o pensamento humano. Algumas representaram profundas modificações na forma do homem examinar a natureza, como por exemplo, a introdução de um tratamento matemático na descrição dos movimentos dos planetas, introduzida pelos babilônios e depois aperfeiçoada pelos gregos. Outras representaram micro-revoluções, como o sistema de classificação de seres vivos, introduzida por Aristóteles. A maior revolução científica de todos os tempos ocorreu no início do século XV e modificou a estrutura da ciência, o que poderia explicar sua grande influência no pensamento humano. As causas principais da revolução podem ser resumidas em: renascimento cultural, a imprensa, a reforma protestante e o hermetismo.

Com a referida revolução, a ciência mudou sua forma e sua função, passando a ser repensada nos moldes na nova sociedade que estava emergindo nesta época. Os objetivos do homem da ciência e da própria ciência acabaram sendo redirecionados para uma era livre das influências místicas da idade média.

O renascimento cultural trouxe como uma de suas características o humanismo. Esta corrente de pensamento e comportamento pregava a utilização de um senso crítico mais elevado e uma maior atenção às necessidades humanas ao contrário do teocentrismo da Idade Média, que pregava a atenção total aos assuntos divinos e, portanto, um senso crítico menos elevado. Este maior senso crítico exigido pelo humanismo permitiu ao homem observar mais atentamente os fenômenos naturais em vez de renegá-los à interpretação da Igreja Católica.

A imprensa, inventada neste mesmo período, desempenhou um papel fundamental na revolução científica. Assim, desapareciam os erros de interpretação e cópia que acabavam por deturpar as traduções. A impressão em língua vernácula permitiu uma maior divulgação de material se comparado aos escritos em latim, que eram compreendidos apenas pelos estudiosos desta língua.

A reforma religiosa participou de modo decisivo do desencadeamento da revolução científica. Os reformistas pregavam que uma forma de se apreciar a existência de Deus era através das descobertas na ciência e por isto estas foram incentivadas, proporcionando uma propulsão ao desenvolvimento da revolução científica.

Finalmente, o hermetismo selou a revolução, na medida em que representava um conjunto de ideias quase mágicas, mas que exaltavam a concepção quantitativa do universo, encorajando o uso da matemática para relacionar grandezas e demonstrar verdades essenciais. A difusão da matemática criou um ambiente propício para o desenvolvimento de um método científico mais rigoroso e crítico, o que modificou a forma de fazer ciência.

Não é necessário enumerar as consequências deste período na história da ciência. Todos os grandes desenvolvimentos posteriores talvez não tivessem sido possíveis sem a reestruturação científica. Como toda revolução, esta não ocorreu de maneira isolada ou por motivos próprios, mas foi consequência principalmente de uma nova sociedade imbuída em novas ideias.

Grandes nomes
Isaac Newton
Suas descobertas durante o século XVII guiaram os estudos da física pelos 200 anos seguintes;
Por trás de fenômenos aparentemente banais construiu a base de teorias revolucionárias;
Nasceu em 25 de Dezembro de 1642, em Woolsthorpe, na Inglaterra;
Em 1661, com 18 anos, ingressa na universidade de Cambridge, estudou matemática e filosofia;
Em 1668, depois de idealizar as leis de reflexão e refração de luz, construiu o primeiro telescópio reflexivo;
Em 1669, assume o cargo de professor de matemática na universidade de Cambridge;
Em 1672, é convidado para a Real Sociedade Britânica;
Em 1687, publica “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, o famoso “Principia”, em que descreve as leis da gravidade e dos movimentos;
Em 1696, é nomeado Guardião da Casa da Moeda;
Em 1705, ele recebe um título de nobreza da rainha Anne e passa a se chamar Sir Isaac Newton; Em 1727, ele morre, no dia 20 de março e é enterrado na abadia londrina de Westminster, na Inglaterra.

Galileu Galilei
Viveu entre 1564 e 1642;
Criticava Aristóteles dizendo que “A tradição e a autoridade dos antigos sábios não são fontes de conhecimento científico” e que a única maneira de compreender a natureza é experimentando;
Achava que fazer ciência é comprovar através da experiência;
Dizia que “o livro da natureza é escrito em caracteres matemáticos”;
Foi acusado, pelas autoridades, de ser inimigo da fé. Foi julgado pelo tribunal do santo ofício, a Inquisição. Ele reconheceu diante dos inquisidores que estava “errado”, para poder terminar suas pesquisas. Segundo a lenda, ele disse baixo: "Eppur si muove", ou, “mas ela anda”, ou seja, que a Terra não é um ponto fixo no centro do universo.
A história de Galileu é um exemplo célebre de como a violação à liberdade de opinião das pessoas pode ser altamente prejudicial ao desenvolvimento das ciências.

René Descartes
Viveu entre 1596 e 1650;
Demonstrou como a matemática poderia ser utilizada para descrever as formas e as medidas dos corpos;
Inventou a geometria analítica;
Sua obra mais famosa chama-se “discurso sobre o método” (1636). Nela, Descartes procura nos convencer que o raciocínio matemático deveria servir de modelo para o pensamento filosófico e para todas as ciências;
Uma das frases mais célebres da história do pensamento filosófico é: "Penso, logo existo". Ele acreditava que dessa verdade ninguém poderia duvidar.
O raciocínio matemático é baseado, principalmente, na lógica dedutiva, em que nós partimos de uma verdade para encontrarmos outras verdades, ou seja, que uma verdade é consequência da outra.

Outros cientistas

Francis Bacon (1561 a 1626)

Mostrou a importância de um método de experimentação que reduzisse os equívocos tanto do intelecto quanto da pura experiência, aliando o melhor de ambos para a aquisição dos conhecimentos científicos. Defendeu o método indutivo nas ciências.

Nicolau Copérnico (1473 a 1543)
Mostrou que o sol fica no centro do sistema, mas, achava que a órbita da terra era uma circunferência perfeita, o que era errado, mas, o alemão Kepler (1571 a 1630) o corrigiu, mostrando que a distância da terra e do sol é variável, em forma de elipse.

Música para ouvir e refletir