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domingo, 15 de novembro de 2015

Vestibular UNESP 2016

Confira a resolução comentada das questões de História do vestibular UNESP 2016

31. A cidade tira de seu império uma parte da honra, da qual todos vós vos gloriais, e que deveis legitimamente apoiar; não vos esquiveis às provas, se não renunciais também a buscar as honras; e não penseis que se trata apenas, nesta questão, de ser escravos em vez de livres: trata-se da perda de um império, e do risco ligado ao ódio que aí contraístes.
(Péricles apud Pierre Cabanes. Introdução à história da Antiguidade, 2009.)

O discurso de Péricles, no século V a.C., convoca os atenienses para lutar na Guerra do Peloponeso e enfatiza

(A)a rejeição à escravidão em Atenas e a defesa do trabalho livre como base de toda sociedade democrática.
(B)a defesa da democracia, por Atenas, diante das ameaças aristocráticas de Roma.
(C) a rejeição à tirania como forma de governo e a celebração da república ateniense.
(D) a defesa do território ateniense, frente à investida militar das tropas cartaginesas.
(E) a defesa do poder de Atenas e a sua disposição de manter-se à frente de uma confederação de cidades.




resposta da questão 31:[E]
Comentário da questão:
Péricles marca o auge da democracia ateniense, cujo modelo escravista sempre se baseou na exploração do trabalho escravo em benefício dos cidadãos livres, garantindo-lhes o chamado ócio indispensável para a pratica de suas virtudes políticas e culturais. Diante da ameaça de ruptura da hegemonia ateniense, construída a partir da formação da Confederação de Delos, Péricles convoca os atenienses para defender a liderança exercida pela cidade. Perceba, que como as palavras de Péricles permitem asseverar, seu foco concentra-se mais na "perda de um império" que na perda de sua liberdade.




32. Eis dois homens a frente: um, que quer servir; o outro, que aceita, ou deseja, ser chefe. O primeiro une as mãos e, assim juntas, coloca-as nas mãos do segundo: claro símbolo de submissão, cujo sentido, por vezes, era ainda acentuado pela genuflexão. Ao mesmo tempo, a personagem que oferece as mãos pronuncia algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece “o homem” de quem está na sua frente. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de acordo e de amizade. Eram estes – muito simples e, por isso mesmo, eminentemente adequados para impressionar espíritos tão sensíveis às coisas – os gestos que serviam para estabelecer um dos vínculos mais fortes que a época feudal conheceu.
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.)

Miniatura do Liber feudorum Ceritaniae, século XIII

O texto e a imagem referem-se à cerimônia que
(A) consagra bispos e cardeais.
(B) estabelece as relações de vassalagem.
(C) estabelece as relações de servidão.
(D) consagra o poder municipal.
(E) estabelece as relações de realeza.




resposta da questão 32:[B]
Comentário da questão:
Trata-se de uma questão clássica de vestibulares a respeito de um dos tópicos fundamentais das relações de poder dentro do sistema feudal: a suserania e vassalagem. A referência ao beijo na boca feita no texto não deixa nenhuma dúvida de que se trata de uma cerimônia entre senhor e cavaleiro, ambos pertencentes à mesma ordem social, por isso assim se consumava a relação de vassalagem entre ambos, na qual o vassalo jura fidelidade ao seu suserano, que o recompensa com um feudo.


33. As reformas protestantes do princípio do século XVI, entre outros fatores, reagiam contra
(A) a venda de indulgências e a autoridade do Papa, líder supremo da Igreja Católica.
(B) a valorização, pela Igreja Católica, das atividades mercantis, do lucro e da ascensão da burguesia.
(C) o pensamento humanista e permitiram uma ampla re-visão administrativa e doutrinária da Igreja Católica.
(D) as missões evangelizadoras, desenvolvidas pela Igreja Católica na América e na Ásia.
(E) o princípio do livre-arbítrio, defendido pelo Santo Ofício, órgão diretor da Igreja Católica.




resposta da questão 33:[A]
Comentário da questão:
 A questão aborda um tema tradicional dos vestibulares: a Reforma Protestante. Nesse caso, o vestibulando deveria saber os motivos causadores do processo reformista, iniciado por Martinho Lutero, tais como a oposição aos abusos do alto clero católico (venda das indulgências) e a questão teológica (contra a autoridade papal e os dogmas católicos).

34. Os diários, as memórias e as crônicas de viagens escritas por marinheiros, comerciantes, militares, missionários e exploradores, ao lado das cartas náuticas, seriam as principais fontes de conhecimento e representação da África dos séculos XV ao XVIII. A barbárie dos costumes, o paganismo e a violência cotidiana foram atribuídos aos africanos ao mesmo tempo em que se justificava a sua escravização no Novo Mundo. A desumanização de suas práticas serviria como justificativa compensatória para a coisificação dos negros e para o uso de sua força de trabalho nas plantations da América. 
(Regina Claro. Olhar a África, 2012. Adaptado.) 

A partir do texto, é correto afirmar que a dominação europeia da África, entre os séculos XV e XVIII,

(A) derivou prioritariamente dos valores do islamismo, aprisionando os corpos dos africanos para, com o sacrifício, salvar suas almas.
(B) foi um esforço humanitário, que visava libertar povos oprimidos por práticas culturais e hábitos pré-históricos e selvagens.
(C) baseou-se em avanços científicos e em pressupostos liberais, voltados à eliminação de preconceitos raciais e sociais.
(D) sustentou-se no comércio e na construção de um imaginário acerca do continente africano, que legitimava a ideia de superioridade europeia.
(E) fundamentou-se nas orientações dos relatos de via-jantes, que mostravam fascínio e respeito pelas culturas nativas africanas.




resposta da questão 34:[D]
Comentário da questão:
A questão aborda a colonização da África pelos europeus, processo inserido na lógica do colonialismo, típico dos séculos XV ao XVIII. Esse colonialismo era uma consequência da lógica mercantilista, que pregava o acúmulo de metais precisos (metalismo) e a busca por uma balança comercial favorável. Desse modo, a dominação europeia da África pretendia desenvolver o comércio, sobretudo de especiarias e escravos, produtos lucrativos dentro da lógica mercantilista. Além da questão econômica, o domínio europeu da África e de outras regiões (como América e partes da Ásia) se pautou na ideia de superioridade dos europeus que se achavam civilizados perante os povos africanos. Os europeus não valorizavam e não respeitavam as culturas africanas, o que contribuiu para legitimar a conquista e a exploração dessas áreas coloniais. 



35. Os diários, as memórias e as crônicas de viagens escritas por marinheiros, comerciantes, militares, missionários e exploradores, ao lado das cartas náuticas, seriam as principais fontes de conhecimento e representação da África dos séculos XV ao XVIII. A barbárie dos costumes, o paganismo e a violência cotidiana foram atribuídos aos africanos ao mesmo tempo em que se justificava a sua escravização no Novo Mundo. A desumanização de suas práticas serviria como justificativa compensatória para a coisificação dos negros e para o uso de sua força de trabalho nas plantations da América. 
(Regina Claro. Olhar a África, 2012. Adaptado.) 

As “plantations da América”, citadas no texto, correspondem a 

(A) um esforço de coordenação da colonização ao redor do Atlântico, com a aplicação de modelos econômicos idênticos nas colônias ibéricas da América e da costa africana. 
(B) uma estratégia de valorização, na colonização da América e na África, das atividades agrícolas baseadas em mão de obra escrava, com a consequente eliminação de toda forma de artesanato e de comércio local. 
(C) um modelo de organização da produção agrícola caracterizado pelo predomínio de grandes propriedades monocultoras, que utilizavam trabalho escravo e destinavam a maior parte de sua produção ao mercado externo. 
(D) uma forma de organização da produção agrícola, implantada nas colônias africanas a partir do sucesso da experiência de povoamento das colônias inglesas na América do Norte.
(E) uma política de utilização sistemática de mão de obra de origem africana na pecuária, substituindo o trabalho dos indígenas, que não se adaptavam ao sedentarismo e à escravidão.




resposta da questão 35:[C]
Comentário da questão:
A questão aborda um tema clássico no processo de colonização europeia da América: o sistema de plantation. Adotado como modelo de organização de produção nas colônias. O sistema de plantation foi utilizado nos processos de colonização do Brasil, América Espanhola (sobretudo na América Central) e no sul das Treze Colônias inglesas. Trata-se da implantação da grande propriedade agrícola (latifúndio), monocultura (geralmente com a produção de cana ou algodão), com a produção voltada para abastecer o mercado externo (no caso o europeu) e a utilização de trabalho compulsório (sobretudo o escravo africano). O sistema de plantation foi utilizado dentro da lógica mercantilista e tinha, como grande objetivo, fazer com que a colônia complementasse a economia metropolitana. 


36. A divisão capitalista do trabalho – caracterizada pelo célebre exemplo da manufatura de alfinetes, analisada por Adam Smith – foi adotada não pela sua superioridade tecnológica, mas porque garantia ao empresário um papel essencial no processo de produção: o de coordenador que, combinando os esforços separados dos seus operários, obtém um produto mercante. 

(Stephen Marglin. In: André Gorz (org.). Crítica da divisão do trabalho, 1980.) 

Ao analisar o surgimento do sistema de fábrica, o texto destaca 
(A) o maior equilíbrio social provocado pelas melhorias nos salários e nas condições de trabalho. 
(B) o melhor aproveitamento do tempo de trabalho e a autogestão da empresa pelos trabalhadores. 
(C) o desenvolvimento tecnológico como fator determinante para o aumento da capacidade produtiva. 
(D) a ampliação da capacidade produtiva como justificativa para a supressão de cargos diretivos na organização do trabalho. 
(E) a importância do parcelamento de tarefas e o estabelecimento de uma hierarquia no processo produtivo. 



resposta da questão 36:[E]
Comentário da questão:
Ótima questão a respeito da Revolução Industrial e da divisão capitalista do trabalho enunciada por Adam Smith. Lendo o texto com bastante atenção, o vestibulando perceberia que duas palavras são escritas em itálico: (...) "combinando os esforços separados de seus operários, obtém um produto mercante". Tal jogo de palavras reforça a máxima de Adam Smith de que a divisão de tarefas do sistema fabril aumenta a produtividade, que combinada à hierarquia representada pelo empresário como coordenador do processo, converge para o sucesso inconteste da atividade industrial.


37. O fato de ser a única monarquia na América levou os governantes do Império a apontarem o Brasil como um solitário no continente, cercado de potenciais inimigos. Temia-se o surgimento de uma grande república liderada por Buenos Aires, que poderia vir a ser um centro de atração sobre o problemático Rio Grande do Sul e o isolado Mato Grosso. Para o Império, a melhor garantia de que a Argentina não se tornaria uma ameaça concreta estava no fato de Paraguai e Uruguai serem países independentes, com governos livres da influência argentina. 
(Francisco Doratioto. A Guerra do Paraguai, 1991.) 

Segundo o texto, uma das preocupações da política externa brasileira para a região do Rio da Prata, durante o Segundo Reinado, era 
(A) estimular a participação militar da Argentina na Tríplice Aliança. 
(B) limitar a influência argentina e preservar a divisão política na área. 
(C) facilitar a penetração e a influência política britânicas na área. 
(D) impedir a autonomia política e o desenvolvimento econômico do Paraguai. 
(E) integrar a economia brasileira às economias paraguaia e uruguaia. 



resposta da questão 37:[B] 
Comentário da questão:
 A questão exigia do aluno interpretação atenta do texto. O texto de Francisco Doratioto demonstra a luta por poder na região platina, envolvendo o Império Brasileiro e a república argentina, uruguaia e paraguaia. Com base exclusivamente na interpretação do texto, fica evidente que o Brasil pretendia limitar a influência argentina na região e, para isso, deveria garantir a independência de Paraguai e Uruguai. A livre navegação no Rio da Prata, visto então como a porta de saída das exportações destes países, precisava ser garantida como instrumento fundamental dentro da política imperialista do Segundo Reinado Brasileiro.

38. Entre os mecanismos que sustentavam o regime político da Primeira República brasileira, pode-se citar 
(A) a Constituição, que restringia aos chamados homens bons o acesso aos principais postos dos poderes executivo e legislativo. 
(B) a política de compromissos, que vinculava os sindicatos de trabalhadores urbanos ao Ministério do Trabalho. 
(C) a política do café com leite, que proibia as candidaturas eleitorais de representantes dos estados do Sul e Nordeste. 
(D) a política dos governadores, que articulava a ação do governo federal aos interesses das oligarquias locais. 
(E) a reforma política, que eliminou o voto censitário e instituiu o sufrágio universal nas eleições parlamentares.



resposta da questão 38:[D]
Comentário da questão:
A questão aborda os mecanismos de poder que sustentara as oligarquias na Primeira República Brasileira (1889-1930). No caso, a única alternativa correta é a D, que se refere à Política dos Governadores. Criada por Campos Sales (1898-1902), ocorria uma troca de favores entre o presidente (governo federal) e os governadores de estado (oligarquias locais), em que o presidente entregava cargos e verbas públicas em troca de apoio político por parte dos governadores. Trata-se de um pacto federativo, que manteve as oligarquias no poder.



39. Enquanto os franceses e os britânicos tinham emergido da Primeira Guerra Mundial com um profundo trauma dos horrores da guerra e a convicção de que um novo conflito deveria, se possível, ser evitado, na Alemanha só ocorreria algo parecido depois da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos de 1945 levaram a uma profunda mudança na cultura popular e política da parte ocidental da Alemanha. Aos olhos desses alemães, a extrema violência de 1945 fez da Segunda Guerra Mundial “a guerra para acabar com todas as guerras”. 
(Richard Bessel. Alemanha, 1945, 2010. Adaptado.) 

Entre os fatos que poderiam confirmar a interpretação, oferecida pelo texto, sobre a atitude de franceses e britânicos depois da Primeira Guerra Mundial, pode-se incluir 
(A) a participação em um organismo internacional para a mediação de conflitos e o pacifismo que marcou a reação da França e da Grã-Bretanha à ascensão do nazismo. 
(B) o fim da corrida armamentista entre as potências do Ocidente e do Leste europeu e a eliminação dos arsenais alojados na Europa, na Ásia e no Norte da África. 
(C) a repressão imediata e violenta, por França e Grã-Bretanha, a todos os projetos belicosos e autoritários que surgiram a Europa ao longo dos anos 1920 e 1930. 
(D) o acordo para a constituição de uma polícia internacional, que vigiasse as movimentações militares das grandes potências e fosse coordenada por um país não europeu, os Estados Unidos. 
(E) a liberação, pela França e pela Grã-Bretanha, no decorrer das décadas de 1920 e 1930, de todas as suas colônias, para evitar o surgimento de guerras de emancipação nacional.


resposta da questão 39:[A]
Comentário da questão:
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) teve consequências dramáticas para a França e a Inglaterra, não apenas devido ao grande número de baixas provocadas pelo conflito, mas também pelo perda da hegemonia econômica europeia em âmbito mundial. Com o fim do conflito, as duas nações patrocinaram a proposta do presidente americano Woodrow Wilson de criação de uma entidade supranacional com vistas a mediar futuros conflitos e encerrar disputas entre as nações. Desse modo, nascia a Liga das Nações, com o objetivo de garantir uma paz duradoura e a segurança coletiva. O fracasso em contar com a presença dos Estados Unidos e de outras potências importantes, bem como as dificuldades em administrar crises como na Manchuria e na Abissínia, levaram a Liga à irrelevância. A adoção da política do apaziguamento, aplicada tanto pela França quanto pela Inglaterra no âmbito da Liga, acabou por permitir a ascensão nazista e a construção do contexto para a eclosão da Segunda Guerra.


40. Enquanto os franceses e os britânicos tinham emergido da Primeira Guerra Mundial com um profundo trauma dos horrores da guerra e a convicção de que um novo conflito deveria, se possível, ser evitado, na Alemanha só ocorreria algo parecido depois da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos de 1945 levaram a uma profunda mudança na cultura popular e política da parte ocidental da Alemanha. Aos olhos desses alemães, a extrema violência de 1945 fez da Segunda Guerra Mundial “a guerra para acabar com todas as guerras”. 
(Richard Bessel. Alemanha, 1945, 2010. Adaptado.) 

A mudança de mentalidade na Alemanha ocidental, ocorrida, segundo o texto, ao final da Segunda Guerra Mundial, envolveu, entre outros fatores, 
(A) a decisão alemã de não voltar a se envolver em conflitos internacionais políticos ou diplomáticos. 
(B) a neutralidade do país diante da Guerra Fria, que caracterizou a segunda metade do século XX. 
(C) a desmobilização de todos os contingentes militares dentro e fora do país. 
(D) a celebração das conquistas territoriais ocorridas no século XIX e princípio do XX. 
(E) a rejeição do militarismo, que marcara o país desde a segunda metade do século XIX. 



resposta da questão 40:[E]
Comentário da questão:
 Desde a unificação do país com a proclamação do Segundo Reich, em 1871, a Alemanha herdara e mantivera a tradição militarista prussiana. Ao longo do processo imperialista e das duas guerras mundiais, os governantes alemães mantiveram o militarismo como um importante instrumento de mobilização de massas, amalgamando-o à própria identidade nacional. Entretanto, a revelação de todos os crimes cometidos pelos nazistas (entre eles o Holocausto) conduziu os alemães a uma reflexão sobre seu passado e identidade. O voluntarismo, indiferença e a ignorância de parte dos alemães diante do que ocorreu jogou o país em uma onda de negação de sua tradição belicista e mesmo de rejeição de seu passado, como se a vergonha pelo que ocorrera superasse qualquer resquício de orgulho coletivo. Contudo, a centralidade do território alemão no palco europeu da Guerra Fria e a relevância de sua economia para o sistema capitalista, mantiveram a Alemanha Ocidental como uma importante potência política. A renúncia ao militarismo foi acompanhada de uma nova postura tanto no campo político, como militar, de fiadora da democracia e fiel aliada do bloco capitalista, estreitando as relações da Alemanha Ocidental com os Estados Unidos.


41. Em março de 1988, o modelo sindical levado por Lindolfo Collor para o Ministério do Trabalho completou 57 anos de idade. Em todos estes anos foi olhado com suspeita pelos empresários e com bastante desconfiança pelos grupos socialistas, comunistas e pela esquerda em geral. Atribuía-se sua criação, na década de 30, à influência das doutrinas autoritárias e fascistas então na moda. 
(Letícia Bicalho Canêdo. A classe operária vai ao sindicato, 1988.) 

Entre as características do modelo citado no texto, sobressaíam 
(A) o direito de greve e a valorização da luta de classes. 
(B) a unicidade sindical por categoria e o corporativismo. 
(C) a liberdade de organização sindical e a conscientização política dos trabalhadores. 
(D) o predomínio de lideranças de esquerda e a autonomia de atuação dos sindicatos. 
(E) o controle governamental e a sindicalização obrigatória dos trabalhadores. 



resposta da questão 41:[B] 
Comentário da questão:
 O texto aborda a política trabalhista de Getúlio Vargas, sobretudo relacionada à organização sindical. Essa organização assemelhava-se em vários aspectos àquela imposta por Mussolini a partir da Carta del Lavoro, no Estado Italiano Fascista. O princípio corporativista se manifesta na construção do Estado como mediador nas relações entre patrões e trabalhadores, evitando a luta de classes (o que, como o texto afirma, causou desconfiança em grupos de esquerda). Desse modo, foi implantada a unidade sindical sob forte inspiração autoritária, então em voga com o regime fascista na Itália.



domingo, 22 de junho de 2014

Correção Unesp 2014

Confira a resolução comentada no vestibular 2014/2
2ª fase da VUNESP 
CIÊNCIAS HUMANAS
Foto: Unesp 2014/2: Baixe as provas da segunda fase do vestibular e acompanhe a correção http://abr.ai/1psnWqT

O tema da redação foi "A tolerância da sociedade brasileira à violência sexual contra mulheres".
1. Sob qualquer aspecto, este [a Revolução Industrial] foi provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo, pelo menos desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela Grã-Bretanha. É evidente que isto não foi acidental.
(Eric Hobsbawm. A era das revoluções: 1789-1848, 1986.)

Aponte dois fatores que justifiquem a importância dada pelo texto à Revolução Industrial e indique dois motivos do pioneirismo britânico.

Resolução
Fatores que justificam a importância dada pelo texto à Revolução Industrial: grandes avanços tecnológicos, consolidação do sistema capitalista e transformações da sociedade, com a ascensão da burguesia e o surgimento do proletariado.
Motivos que justificam o pioneirismo inglês: maior acumulação primitiva de capitais durante a Idade Moderna, abundância de carvão e ferro, progressos na metalurgia, grande disponibilidade de mão de obra em consequência dos cercamentos, hegemonia marítima e controle sobre os mercados mundiais, fácil acesso à matéria-prima têxtil e maior participação da burguesia na vida política em função das Revoluções Inglesas do século XVII.

2. A transformação do Rio de Janeiro em corte real começou apenas dois meses antes da chegada do príncipe regente, quando notícias do exílio real – tão “agradáveis” quanto “chocantes”, cheias de “sustos e alegrias” – foram recebidas. Entretanto, como descobriram os residentes da cidade, os preparativos iniciais para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas o começo da transformação do Rio de Janeiro em corte real, pois o projeto de construir uma “nova cidade” e capital imperial perdurou por todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a arquitetura mundana como a monumental, juntamente com as práticas sociais e culturais dos seus residentes, projetassem uma imagem inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.
(Kirsten Schultz. Versalhes tropical, 2008. Adaptado.)


Explique o principal motivo da transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e indique duas mudanças importantes por que o Rio de Janeiro passou para receber e abrigar a família real.


Resolução
O principal motivo da transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808: fuga da Família Real à invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, invasão essa provocada pela desobediência portuguesa ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão contra a Grã-Bretanha.
Mudanças ocorridas no Rio de Janeiro para receber e abrigar a Família Real: desapropriação de residências para abrigar os recém-chegados e elevação dos impostos para atender às despesas decorrentes da transferência da corte e dos órgãos administrativos do Estado Português.




3. É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.)

Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial.


Resolução
Duas semelhanças: latifúndio, monocultura e direcionamento para exportação.
Duas diferenças: Na lavoura canavieira, predomínio do escravismo e do transporte por meio de tração animal; na lavoura cafeeira do Oeste Paulista, predomínio da mão de obra livre e do transporte ferroviário.


4. A chamada “abertura política”, do final da década de 1970 e início da década de 1980, foi um fator importante, ao lado de outros, para o encerramento do regime militar e para a redemocratização brasileira. Caracterize essa “abertura”, citando dois exemplos de ocorrências relacionadas a ela.


Resolução
A abertura política iniciada pelo governo Geisel foi definida pelo próprio presidente como “lenta, gradual e segura”, de modo a impedir represálias contra os agentes da repressão durante o regime militar.
Exemplos de ocorrências relacionadas com a abertura: extinção do AI-5 (1979), promulgação da Lei da Anistia (1979), restabelecimento do pluripartidarismo (1980) e eleição direta para governadores (1982).


5. 

A partir das informações apresentadas e de conhecimentos geográficos, indique as áreas e as razões que levam algumas zonas do planeta a estarem sujeitas a maior incidência de terremotos e, em seguida, aponte dois motivos que explicam por que determinadas regiões do planeta possuem um maior número de mortes por milhão de habitantes em consequência dos tremores de terra.


Resolução
As áreas onde a incidência de terremotos é maior se situam nas regiões de encontro ou de separação das placas tectônicas, locais do subsolo onde grandes quantidades de energia são liberadas pela movimentação do magma do manto. Essas regiões são conhecidas como “Círculo do Fogo” e incluem um cinturão que dá a volta na Terra envolvendo a costa oeste das Américas, a costa Leste da Ásia, o Sul da Europa e o Norte da África, o Oriente Médio, o Sudeste asiático, parte da Oceania Ocidental e regiões de fraturas tectônicas no interior dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico.
As regiões que apresentam maior número de mortos em função dos abalos sísmicos, causados pela movimentação tectônica (Oriente Médio, Ásia Oriental, América do Sul, Europa Oriental, Japão, Europa Ocidental, América do Norte, principalmente), são locais onde a ocorrência de terremotos é maior, possuem contingentes populacionais consideráveis, com grandes edificações, ou, no caso de regiões menos desenvolvidas, como o Oriente Médio, a América do Sul, a Ásia Oriental e a Europa Oriental, não possuem estrutura ou preparo para enfrentar tais cataclismos naturais.


6. O processo de inserção do neoliberalismo enquanto ideologia e corrente de pensamento para a condução das políticas e dos recursos públicos no território brasileiro se deu de forma lenta e gradual, num período que compreende quase três décadas.
(Mirlei Fachini Vicente Pereira e Samira Peduti Kahil. www.ub.edu.
Adaptado.)


Indique dois fundamentos da ideologia neoliberal e dê um exemplo de política ou prática neoliberal implantada no Brasil a partir dos anos 1990, apontando suas consequências à sociedade e à economia brasileiras.


Resolução
O neoliberalismo se baseia no retorno às ideias do liberalismo econômico que dominou a economia do mundo capitalista até a crise de 1929. Ele se pauta pelo retorno ao predomínio da livre iniciativa sobre o controle estatal da economia, a desregulamentação de leis que possam bloquear ou limitar o incremento do lucro (aumentando a especulação financeira), a abertura ao mercado externo e a transferência de empresas estatais para o setor privado. 
A partir do governo Collor de Melo e, notadamente, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Estado brasileiro passou a desburocratizar parte da economia, destacando-se nesse processo a abertura ao mercado externo, com o incremento das importações.
Essa aber tura provocou uma maior concorrência com os produtos de origem brasileira (principalmente a concorrência de produtos chineses e do leste asiático), causando o fechamento de diversas empresas nacionais (aquelas que não se modernizaram para concorrer), resultando em redução na oferta de em pregos; por outro lado, a maior concorrência forçou uma melhoria na qualidade dos produtos fabricados internamente. Outra medida adotada foi a venda de diversas empresas estatais, como a Companhia Vale do Rio do Doce (antiga CVRD, atualmente Companhia Vale), entre outras, que, com isso, desnacionalizou corporações genuinamente brasileiras. Por outro lado, essas empresas, uma vez privatizadas, dinamizaram suas administrações, reduzindo pessoal ocupado (o que resultou em desemprego). Mesmo assim, esse dinamismo passou a render maiores dividendos, aumentando sua lucratividade.


7. Examine a charge e leia o texto.



O fenômeno não é novo e nem universal e, nas duas últimas décadas, adquiriu uma escala internacional. Apesar de não serem novidade, os loteamentos murados e os condomínios fechados produziram, em função da sua escala e de sua extensão, uma nova morfologia urbana. Assemelham-se em várias cidades do mundo e têm a singularidade de ser um produto imobiliário com barreiras físicas que impedem a entrada dos não “credenciados”.
(Arlete Moysés Rodrigues. Loteamentos murados e condomínios fechados. In: Pedro de Almeida Vasconcelos et al. (orgs.). A cidade contemporânea, 2013. Adaptado.)

Indique dois fatores que contribuíram para a proliferação dos condomínios fechados e dos loteamentos murados e aponte  duas consequências resultantes da instalação desses empreendimentos imobiliários para as cidades brasileiras.

Resolução
Entre as causas do surgimento de condomínios fechados ou murados, a principal apontada pode ser a concentração de renda das classes dominantes que, no condomínio murado, pretende isolar-se dos demais segmentos da população. Ao mesmo tempo, surge o temor de expressiva parcela dessa classe de ter sua segurança ou seu patrimônio afetado por parte dos despossuídos. Também a exclusividade de serviços ou bem estar que os mais ricos desejam usufruir poderia incluir   se entre as causas do isolamento nos condo mínios.
A instalação de condomínios fechados ou murados isola os grupos sociais, o que pode levar a uma maior animosidade entre eles, resultando em violências (assaltos, invasões). A paisagem da cidade mudará: numa aglomeração urbana comum, não há muros que separem bairros, enquanto nos condomínios fechados, os muros de proteção são o principal ele mento de segregação. Além disso, os condomínios fechados
incluem sistemas de monitoramento eletrônico e segurança privada, ao contrário da vigilância policial comum das cidades.

8. Analise o gráfico.




Indique dois desafios existentes ao deslocamento de pessoas e de mercadorias na cidade de São Paulo e aponte dois fatores que ajudam a explicar a evolução da frota e da participação de motocicletas no trânsito dessa cidade brasileira.


Resolução
A cidade de São Paulo caracteriza-se pelo gigantismo de seu espaço geográfico, chegando a distâncias quilométricas entre seus diversos bairros. Um dos desafios é cobrir esse espaço com um deslocamento em tempo hábil, de forma econômica e rápida, para se chegar aos destinos dentro dos horários exigidos.
Outro desafio é que a grande população em trânsito e a ausência de uma política de transportes consistente, ao longo de décadas, levou ao uso do veículo particular individual (de alto consumo de combustível e lento) como forma de deslocamento, gerando grandes congestionamentos. A motocicleta surge como solução para esses problemas, por ser um veículo pequeno, que ocupa pouco espaço, leve, que consome menor quantidade de combustível e, por esses motivos, chega aos destinos com maior rapidez, tornando-se acessível às populações de menor renda.


9. 
Texto 1
Você quer ter boa saúde e vida longa para você e sua família? Anseia viver num mundo onde a dor, o sofrimento e a morte serão coisas do passado? Um mundo assim não é apenas um sonho. Pelo contrário, um novo mundo de justiça logo será realidade, pois esse é o propósito de Deus. Jeová levará a humanidade à perfeição por meio do sacrifício de resgate de Jesus. Os humanos fiéis viverão como Deus queria: para sempre e com saúde perfeita.
(A Sentinela, dezembro de 2013. Adaptado.)

Texto 2
Assim, tenho de contradizê-lo quando prossegue argumentando que os homens são completamente incapazes de passar sem a consolação da ilusão religiosa, que, sem ela, não poderiam suportar as dificuldades da vida e as crueldades da realidade. Sem a religião, terão de admitir para si mesmos toda a extensão de seu desamparo e insignificância na maquinaria do universo; não podem mais ser o centro da criação, o objeto de terno cuidado por parte de uma Providência beneficente. Mas não há dúvida de que o infantilismo está destinado a ser supera do. Os homens não podem permanecer crianças para sempre; têm de, por fim, sair para a “vida hostil”. Podemos chamar isso de “educação para a realidade”.
(Sigmund Freud. O futuro de uma ilusão, 1974. Adaptado.)


Comente as diferenças entre os dois textos no tocante à religião.


Resolução
O texto 1 é um texto explicitamente religioso, cujo sentido se encontra apenas na fé. O discurso religioso revela um mundo cujo futuro é seguro e perfeito para os merecedores ou os “humanos fiéis”. É evidente que uma leitura mais ampla permite perceber que o discurso religioso não é tão otimista quanto parece, uma vez que pode prometer o mais terrível destino aos chamados infiéis (que não professam esta ou aquela fé). 
O texto 2 é produto do racionalismo do século XIX, do desenvolvimento do pensamento científico e que via no fenômeno religioso apenas um lenitivo para a condição humana, marcada pela falta de sentido, pela contingência e pelo abandono, como entendia Freud, pai da psicanálise. O problema evolveu para outras concepções, as quais procuraram ver na estrutura da consciência humana uma abertura para a transcendência, como fez um dos grandes discípulos de Freud, Carl Gustav Jung.



10
Texto 1
A natureza é hierárquica; assim, uma sociedade ordenada é naturalmente dividida em estratos ou classes, de modo que a igualdade, tanto política, social como econômica, vai contra a natureza. Para Edmund Burke (1729-1797), a ideia de igualdade, esta “monstruosa ficção” apregoada pela Revolução Francesa, só serve para subverter a ordem e para “agravar e tornar mais amarga a desigualdade real que nunca pode ser eliminada e que a ordem da vida civil estabelece”.
(Francisco Weffort. Os clássicos da política, vol. 2, 2001. Adaptado.)


Texto 2
Com Stuart Mill (1806-1873), o liberalismo despe-se de seu ranço conservador, defensor do voto censitário e da cidadania restrita, para incorporar em sua agenda todo um elenco de reformas que vão desde o voto universal até a emancipação da mulher. Na obra de Mill podemos acompanhar um esforço articulado e coerente para enquadrar e responder às demandas do movimento operário inglês.
(Francisco Weffort. Os clássicos da política, vol. 2, 2001. Adaptado.)


Classifique os dois pensadores citados nos textos, de acordo com as tendências liberal democrática ou liberal conservadora, e comente as diferenças que justificam essa classificação.


Resolução
Burke era um liberal conservador, o que pode ser verificado na justificação legitimadora das desigualdades sociais, baseada na hierarquia presente na natureza. Para ele, a democracia era "capaz de expressar as mais cruéis opressões sobre a minoria." E, nesse sentido, Burke se opôs à Revolução Francesa – para ele, um edifício erguido sobre mentiras e violência.
Já John Stuart Mill era um liberal democrata, o que pode ser identificado na defesa do voto universal. Mill admitia o despotismo em sociedades atrasadas, mas com a evolução humana e social, o homem caminharia naturalmente para uma sociedade mais democrática. 


11
Texto 1
A verdade é esta: a cidade onde os que devem mandar são os menos apressados pela busca do poder é a mais bem governada e menos sujeita a revoltas, e aquela onde os chefes revelam disposições contrárias está ela mesma numa situação contrária. Certamente, no Estado bem governado só mandarão os que são verdadeiramente ricos, não de ouro, mas dessa riqueza de que o homem tem necessidade para ser feliz: uma vida virtuosa e sábia.
(Platão. A República, 2000. Adaptado.)

Texto 2
Um príncipe prudente não pode e nem deve manter a palavra dada quando isso lhe é nocivo e quando aquilo que a determinou não mais exista. Fossem os homens todos bons, esse preceito seria mau. Mas, uma vez que são pérfidos e que não a manteriam a teu respeito, também não te vejas obrigado a cumpri-la para com eles.
Nunca, aos príncipes, faltaram motivos para dissimular quebra da fé jurada.
(Maquiavel. O Príncipe, 2000. Adaptado.)

Comente as diferenças entre os dois textos no que se refere à necessidade de virtudes pessoais para o governante de um Estado.

Resolução
Platão era defensor da aristocracia, contudo não no sentido da riqueza material. Os filósofos e homens de nobreza intelectual e de caráter deveriam governar.
Maquiavel sustentou uma antropologia pessimista: o homem seria naturalmente mau. Assim, o Estado precisa ser coerente com seus fins, deixando de lado virtudes morais, como promessas, que podem corroer a boa administração pública.

12
Texto 1
Foi assim que, com Paracelso (1493-1541), nasceu e se impôs a iatroquímica. E os iatroquímicos, em certos casos, chegaram a alcançar grandes êxitos, muito embora as justificações de suas teorias, vistas com os olhos da ciência moderna, apareçam-nos hoje bastante fantasiosas.
Assim, por exemplo, com base na ideia de que o ferro é associado ao planeta vermelho Marte e a Marte, deus da guerra coberto de sangue e de ferro, administraram com sucesso sais de ferro a doentes anêmicos – e hoje conhecemos as razões científicas desse sucesso.
(Giovanni Reale e Dário Antiseri. História da filosofia, vol. 2, 1991.
Adaptado.)


Texto 2
A ciência busca compreender a realidade de maneira racional, descobrindo relações universais e necessárias entre os fenômenos, o que permite prever acontecimentos e, consequentemente, também agir sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático, preciso e objetivo.
(Maria Lúcia de A. Aranha e Maria Helena P. Martins. Temas de
filosofia, 1992.)

Baseando-se na descrição do método científico do texto 2, explique por que as fundamentações da iatroquímica podem ser caracterizadas como fantasiosas.

Resolução
A iatroquímica, fundada por Jan Baptista van Helmont, fundamentava-se na concepção do funcionamento do organismo humano a partir de processos e reações químicas, o que introduziu compostos químicos no tratamento de doenças. Porém, as ideias da iatroquímica eram imbuídas de uma concepção sobrenatural. Van Helmont achava que os fenômenos vitais eram determinados por uma força misteriosa cha mada “arqueus”, situada na região estomacal.
Iatroquímicos e alquimistas da época realizavam experiência com mínimo rigor científico e bastante fantasiosas. Nesse sentido, o texto exemplifica a relação que se estabelecia entre mitologia (deus Marte), astronomia (o planeta Marte) e os compostos químicos (no caso, ferro).


domingo, 24 de junho de 2012

Acompanhe a correção da 2ª fase do vestibular de meio de ano da Unesp



Confira a correção da prova da Unesp 2012
Ciências Humanas

Questão 1
[...] tudo que os renascentistas pretendiam era assumir a condição humana até seus limites, até as últimas consequências. Nem Deus e nem o demônio; todo o desafio consistia em ser absolutamente, radicalmente humano, apenas humano.
(Nicolau Sevcenko. O Renascimento, 1985.)

Explique a caracterização que o texto faz do Renascimento e dê exemplo de uma obra artística em que tal intenção se manifeste.

Resolução
O texto alude à principal característica do Renascimento, qual seja a valorização do ser humano pelos renascentistas – aspecto que pode ser denominado “humanismo” ou “antropocentrismo”, considerando-se neste último o homem como principal obra de Deus.
Exemplo: A Criação do Homem, afresco de Miguel Ângelo na capela sistina, no qual o próprio Deus aparece revestido de humanidade, tanto na representação formal como na simbolização da divindade.

Questão 2
“A questão social é um caso de polícia” — esta frase, atribuída a Washington Luís, presidente da República de 1926 até a sua deposição em 1930, é geralmente apontada como o sintoma de como as questões relativas ao trabalho (a “questão social”) eram descuidadas pelo Estado durante o período da chamada República Velha (1889-1930). E, de fato, a questão social era um caso de polícia.
(Kazumi Munakata. A legislação trabalhista no Brasil, 1981.)

Explique a frase final do texto, exemplificando-a, e indique a principal alteração que ocorreu no tratamento da questão social pelo Estado, após 1930.

Resolução
A frase citada reflete o tratamento repressivo (o que não implica “descuidar”, isto é não dar atenção, deixar de lado, abandonar) dispensado pelas autoridades da Primeira República ao movimento operário brasileiro, marcado até 1922 pela orientação anarcossindicalista e depois pela atuação do PCB.
Exemplos: a promulgação da Lei de Repressão ao Anarquismo (1906), que previa a deportação de líderes operários estrangeiros, e a violência policial contra os trabalhadores na greve geral de 1917, em São Paulo. A partir de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o Estado passou a tratar a “questão social” (na verdade, restrita à “questão operária”) de forma paternalista, canalizando o apoio dos trabalhadores para a pessoa do governante. Nesse sentido, foram concedidos os primeiros direitos trabalhistas e os sindicatos foram legalizados, mas subordinados ao Ministério do Trabalho. Posteriormente, a Era Vargas criaria o salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho, dentro da orientação populista que caracterizou o período.

Questão 3
 
(Augusto Bandeira apud Rodrigo Patto Sá Motta. Jango e o golpe de 1964 na caricatura, 2006.)

Analise a charge, publicada originalmente em 17.05.1963, e identifique como ela representa as dificuldades enfrentadas pelo governo João Goulart em seu projeto de reformas sociais.

Resolução
A charge faz referências às “reformas de base” (das quais a reforma agrária era o carro chefe) propostas por João Goulart, depois que seus poderes de governo foram acrescidos com o retorno do presidencialismo.
Ao mesmo tempo, aponta para a resistência político partidária ao projeto do presidente, feita principalmente pelo Partido Social Democrático e pela União Democrática Nacional. Estas eram as duas maiores agremiações do Congresso Nacional e, embora adversárias entre si, representavam as elites da sociedade brasileira, tendo portanto uma postura conservadora.

Questão 4
 
Em fevereiro de 2012, uma operação naval britânica no Atlântico Sul gerou tensões diplomáticas entre Argentina e Reino Unido. O episódio ocorreu às vésperas do trigésimo aniversário do início da Guerra das Malvinas.
Identifique dois motivos que provocaram tal guerra e a relacione com o regime militar que então controlava a Argentina.

Resolução
Motivos: A reivindicação argentina sobre as ilhas Falklands (ou Malvinas), em poder da Grã-Bretanha desde 1831 e de grande importância estratégica no Atlântico Sul; e o esforço da ditadura militar argentina (instaurada em 1976) para granjear o apoio da população, atendendo a uma antiga aspiração nacionalista. A humilhante derrota da Argentina no conflito que se seguiu desmoralizou e desestabilizou a ditadura militar, a qual cairia em 1983.

Questão 5
 Seis estados disputam fábrica da BMW no país 
Seis estados disputam a fábrica da BMW no Brasil, após a matriz da montadora anunciar em março de 2011, na Alemanha, que considera instalar uma unidade na América do Sul. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia discutem com a empresa a possibilidade de conceder incentivos fiscais para sediar
o novo empreendimento. O sexto estado seria da região central do país. O presidente da companhia no Brasil, Jörg Henning Dornbusch, confirma o interesse e que há negociações em curso, mas não revela de que regiões do país as propostas começam a chegar. “Existe interesse dos estados, mas não há uma proposta fechada. O que está sendo feito é um mapeamento para avaliar o
mercado não só no Brasil, mas em outros países. O México é um forte concorrente, apesar de o Brasil ser o maior mercado da América do Sul em termos de relevância”, afirma o executivo.
                                      (www.folha.com.br, 12.05.2011. Adaptado.)

Explique no que consiste a chamada “guerra fiscal” ou “guerra dos lugares” e cite um efeito positivo e outro negativo resultantes da disputa entre os estados do país para a atração de empresas.
 
Resolução
De uma maneira geral, as grandes corporações mundiais procuram vantagens, como a isenção fiscal, ou a capacidade do país em oferecer desenvolvimento técnico e científico. Um bom exemplo são os tecnopolos, que surgem hoje em nações desenvolvidas, mas
também nas emergentes. Na luta por obter a instalação de plantas industriais que gerem capitais e empregos, os países sobrepõem ofertas sobre ofertas com incentivos fiscais, em disputas que envolvem descontos ou isenções cada vez maiores. Tal situação pode ocorrer também internamente num país, como no caso do Brasil, onde os estados disputam ofertas de isenção gerando o que a mídia alcunhou de “guerra fiscal”.

Questão 6

Analise a tabela.
EXPECTATIVA DE EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE ENERGIA
HIDRELÉTRICA NO BRASIL, 2009 – 2019

(Ministério de Minas e Energia. Plano Decenal de Expansão
de Energia, 2010.)
 
Indique as regiões brasileiras que sofrerão os maiores aumentos percentuais na capacidade de produção de energia hidrelétrica instalada até 2019.
Cite um exemplo de usina hidrelétrica que está em construção no Brasil e aponte duas consequências socioambientais resultantes da sua instalação.
 
Resolução
Regiões brasileiras que, em 2009, possuíam a maior capacidade hidroelétrica instalada: Sudeste/CO, Sul, Nordeste e Norte. As regiões que até 2019 terão os maiores aumentos de produção de energia elétrica são, em valores absolutos: Norte, Sudeste/CO, Nordeste e Sul. Há três grandes hi droelétricas em construção na Região Norte: Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará, e Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, estado de Rondônia. A construção de grandes hidroe létricas geralmente causa o deslocamento das popu lações ribeirinhas próximas ao local de construção das barra gens/represas; afogam imensas áreas de florestas, deslocando ou mesmo afogando animais; resultam em restos de árvores que apodrecem submersas, alterando a composição química das águas das barragens e dos rios; atraem contingentes de trabalhadores para as obras cujo contato social com os moradores locais nem sempre é benéfico.


Questão 7


Na Copa do Mundo de Futebol de 2014, para que o deslocamento não seja um problema para as equipes, a FIFA exige que as seleções participantes se hospedem em cidades localizadas nas proximidades dos estádios onde os jogos serão realizados. Como os dirigentes das seleções precisam conhecer a distância e a infraestrutura de transportes de cada cidade, as prefeituras municipais deverão enviar um mapa com a localização da cidade e do estádio que sediará os jogos de cada seleção.
Qual é a função da escala em um mapa? Considerando que a distância entre a cidade que hospedará determinada seleção e o estádio seja de 60 km, indique a escala numérica que deverá ser utilizada no mapa para representar essa distância em 12 cm.
 
Resolução
A escala cartográfica é a relação matemática que existe entre a real dimensão da Terra e sua representação no mapa.  Quanto ao uso prático, a escala permite estabelecer distâncias e calcular áreas disponíveis na carta. Sabendo-se que a distância máxima entre a cidade hospedeira e a sede dos jogos é de 60km e no mapa tal distância não pode ultrapassar 12 cm, dividindo-se 60km por 12 cm, obter-se-ão, para cada centímetro, 5km. A escala será, portanto, 1cm:5km; com todos os valores em centímetros, resultará numa escala de 1:500.000. Tal mapa caberia numa folha A4, num espaço 15cm x 20cm.

Questão 8

Analise o mapa.
 
               
Os eventos políticos e o conjunto de transformações econômicas e tecnológicas das últimas duas décadas permitem que se empreguem diferentes e, às vezes, divergentes visões sobre a Nova Ordem Mundial. A partir das informações apresentadas no mapa e de conheci mentos sobre a Nova Ordem Mundial, defina as visões de mundo unipolar e mundo multipolar, apresentando evidências que sustentem uma e outra visão.
 
Resolução
A visão de mundo unipolar é aquela na qual um país domina totalmente as relações de força, políticas, econômicas e militares no concerto das nações. Isso foi sugerido ao final da Guerra Fria, quando tudo indicava que os EUA sairiam como a maior potência militar do mundo, após o fim da União Soviética. Já o mundo multipolar prevê um conjunto de nações que disputam no mundo as áreas de influência política, econômica e militar. Essa situação se mostrou mais clara com a evolução da globalização, quando, além dos EUA, surgiram também áreas lideradas por União Europeia, Japão, depois China, e nações emergentes, como os componentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nesse último caso, a disputa é principalmente econômica.


Questão 9

 Texto 1
2012 começa sob a vibração positiva de uma Lua crescente em Áries logo no dia 1.º. Áries é o signo que tem tudo a ver com o início de algo e traz muita garra, coragem e esperança. Ainda na primeira semana, Mercúrio, das comunicações, forma um aspecto harmonioso com Saturno e Netuno, evidenciando um momento de descobertas, diálogo e de primeiros passos coletivos na consolidação de um sonho ou projeto comum, de muitos povos e sociedades. Acordos internacionais e negociações de paz podem ser feitos em um momento feliz e que promete bom desenvolvimento.
(Barbara Abramo. Céu de janeiro de 2012. http://horoscopo.uol.com.br, 01.01.2012.)
 
Texto 2
O Irã lançou ontem mísseis de cruzeiro melhorados, que podem ameaçar navios americanos, durante um exercícionaval que simula o fechamento do estreito de Hormuz - por onde passa cerca de um sexto da produção de petróleo mundial. O míssil Ghader (capaz, em farsi) foi desenvolvido com o objetivo de atacar navios de guerra e proteger o litoral do país. Duas unidades foram disparadas ontem da costa iraniana em um teste.
(Irã testa míssil que ameaça frota dos EUA. Folha de S.Paulo, 03.01.2012.)
 
Os dois textos, publicados no início de 2012, apresentamincompatibilidade lógica entre as formas pelas quais abordam a realidade. Responda quais são os pressupostos ou pontos de vista assumidos por cada um deles e explique os motivos dessa incompatibilidade.
 
Resolução
Os textos partem de linguagens e encadeamentos de discursos lógicos totalmente distintos. O primeiro aborda a realidade do pressuposto da astrologia e, portanto, sustenta-se num discurso mítico. O mundo, então, seria influenciado pelo comportamento dos astros, por exemplo. O segundo aborda a realidade utilizando uma linguagem jornalística factual, ou seja, descrevendo os acontecimentos. Outra diferença está no fato de que o primeiro aborda o futuro, o que poderá acontecer de acordo com a determinação dos astros; benquanto o segundo descreve um fato já ocorrido. A incompatibilidade se encontra na concep ção própria de realidade, pois o primeiro se sustenta em pressupostos míticos e o segundo, em pressupostos factuais e realistas. Outra incompatibilidade é veri ficada quando o primeiro texto se revela otimista em relação aos acordos internacionais e negociações de paz; enquanto o segundo revela a intenção belicosa do Irã. 


Questão 10

 Vigora entre educadores e intelectuais brasileiros uma correta e justificável ojeriza às ditaduras de direita. Infelizmente, o mesmo vigor não é encontrado quando se trata de ditaduras de esquerda. As notícias de perseguições, prisões, greves de fome, fuzilamentos e fugas envolvendo opositores às duras ditaduras esquerdistas são ignoradas. Quando fica impossível deixar de falar a respeito, são comuns alegações de que há exagero da imprensa ou, pior, sugestões de que os dissidentes são egoístas que, em nome do individualismo, ameaçam um regime que deveria servir de exemplo. São as velhas táticas de questionar a liberdade de imprensa quando as notícias são desfavoráveis e de desmerecer o opositor, em vez de enfrentar as opiniões contrárias com argumentos.
(Janaína Conceição Paschoal. Cuba é uma grande Guantánamo. Folha de S.Paulo, 14.02.2012.)
 
O texto descreve um conflito de natureza ideológica. Apresente uma definição que seja adequada para o conceito de “ideologia”, tal como ele é empregado pela autora, e comente uma diferença básica entre uma “ideologia de direita” e uma “ideologia de esquerda”.
 

Resolução
O conceito ideologia pode ser definido como um dis curso capaz de distorcer a visão da realidade com o objetivo de reproduzir uma relação de dominação (econômica ou política). A ideologia, nesse sentido, seria uma visão fechada e irrefletida, e, por isso mesmo, geralmente apresenta-se como um pensamento rígido, doutrinário e instrumental. Uma ideologia é vista aqui como fórmula dogmática, pronta, no sentido de fabricada e que tudo explica. Nesse sentido, uma ideologia visaria à estrutura inconsciente, tal qual ocorre com as propagandas que incitam o indivíduo ao consumismo.
Para outros autores, a ideologia representa apenas um referencial teórico. Uma espécie de encadeamento de ideias políticas aparentemente ou supostamente coerentes, capaz de dar consistência e conteúdo ao discurso ou à reflexão. No texto, o conceito de ideologia é empregado no sentido de posicionamento político. Podemos identificar uma ideologia de esquerda quando se trata de um posicionamento político de inspiração socialista, na defesa da causa operária ou do espaço coletivo, ou ainda pode ser identificada na pregação de uma sociedade igualitária; e, em oposição à anterior, uma ideologia de direita seria aquela que traz uma visão política conservadora, favorável à manutenção do quadro social estabelecido pelo desenvolvimento do capitalismo.


Questão 11

 As freiras da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, de Cascavel (PR) e, em particular, a Irmã Kelly Favareto poderão aparecer com os véus que cobrem cotidianamente suas cabeças na foto da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A decisão é da Justiça Federal, que aceitou recurso da Irmã contra a Resolução do Conselho Nacional de Trânsito que proíbe, por razões de segurança, que na foto da CNH o condutor apareça usando óculos, bonés, gorros, chapéus ou qualquer outro item que cubra parte do rosto ou cabeça, dificultando sua identificação. “Eu só ando de véu, que é um sinal de consagração a Deus, não é um acessório que posso tirar quando quiser”, alegou a Irmã.
 
(Evandro Fadel. Freira ganha direito de usar hábito na foto da CNH. O Estado de S.Paulo, 10.02.2012. Adaptado.)
 
Comente o significado filosófico do fato noticiado, abordando a relação entre indivíduo e Estado, e explique a relação entre esse fato e o movimento filosófico iluminista do século XVIII.
 
Resolução
Há um debate intenso acerca da relação entre símbolos religiosos e Estados laicos. Em geral, o uso de símbolos religiosos não ofende os princípios  constitucionais da laicidade, e a liberdade de expressão do indivíduo está de acordo com a filosofia iluminista que pregava a tolerância religiosa. A presença de símbolos religiosos em espaços públicos é natural e o Estado laico deve se manter indiferente às expressões religiosas. O Iluminismo defendeu a secularização, ou seja, o afastamento do Estado das influências religiosas. Além disso, há de se considerar que, no entendimento iluminista e de sua herança cultural, o Estado deve estar a serviço dos indivíduos, embora priorizando interesses coletivos, e não o contrário, o que estabeleceria Estados totalitários e autoritários.  No caso, o direito de uso do véu que cobre a cabeça das freiras está em concordância com três princípios iluministas: o da tolerância religiosa, o da separação entre questões políticas e religiosas e o do direito de expressão do indivíduo. Por outro lado, quando o uso de símbolos religiosos ostensivos representa uma ameaça à ordem devido à existência de conflitos entre grupos, como ocorrera na França, o Estado pode inibir o uso de tais símbolos.

Questão 12

De certo modo, a primeira fonte de ruptura com o antropocentrismo se encontra na teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, a assim chamada revolução copernicana. A segunda grande ruptura é provocada pelo que se poderia chamar, em analogia com a primeira, de revolução darwiniana, resultado da obra de Charles Darwin, A origem das espécies pela seleção natural, onde este formula sua famosa teoria da evolução das espécies.
 
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2001. Adaptado.)
A partir do texto, explique o significado do termo “antropocentrismo” e descreva por que as obras de Copérnico e de Darwin são apresentadas como momentos de ruptura com essa centralidade.
 

Resolução
Antropocentrismo é a concepção que coloca o Homem como centro da cultura. Embora o Humanismo e a Renascença tenham rompido com o teocentrismo medieval, o antropocentrismo ainda traria resquícios da concepção religiosa, pois o homem seria entendido como auge da criação de Deus e o planeta Terra como o centro do cosmos. Ora, Copérnico estabeleceu o heliocentrismo, segundo o qual a Terra giraria em torno do Sol e não o contrário, e, portanto, tal colocação questionou a centralidade do homem no cosmos.
O evolucionismo de Darwin posiciona o homem na cadeia evolutiva, introduzindo uma antropologia naturalista e não metafísica que atribui ao homem um papel de destaque no universo.  Darwin sustentou que nossos chamados “poderes superiores” da razão científica, estética e moral não exigiam uma intervenção divina especial, isto é, que eles poderiam ser vistos como o resultado genealógico de um continuum natural desses poderes existente no reino animal.