segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri
Primeira peça de Gianfrancesco Guarnieri, Eles não usam black-tie, de 1958, foi encenada pela primeira vez quando o movimento Cinema Novo começava a surgir e a convocar a arte ao neo-realismo. No lugar de cenários pomposos e figurinos luxuosos, ficaram apenas os elementos de cena indispensáveis. Ao invés de personagens ricos e nobres, operários e moradores do morro tomaram o palco. Ali, em plenos anos 50, negros eram cidadãos comuns. Pela primeira vez, os conflitos da realidade brasileira ganhavam espaço na caixa cênica.Eles não usam black-tie situa-se numa favela, nos anos 50, e tem como tema a greve, e ao lado da greve a peça tem como pano de fundo um debate sobre as grandes verdades eternas, reflexões universais sobre a frágil condição humana, sobre os homens e seus conflitos. É a história de um choque entre pai e filho com posições ideológicas e morais completamente opostas e divergentes, o que, por sinal, dá a tônica dramática ao texto. O pai, Otávio, é operário de carreira, um sonhador, um idealista, leitor de autores socialistas e, ao mesmo tempo um revolucionário por convicção e consciente de suas lutas. Forte e corajoso entre os seus companheiros, experimentou várias lideranças, algumas prisões, com isso ganha destaque entre os seus transformando-se num dos cabeças do movimento grevista. O filho, Tião, em razão das prisões do pai grevista, é criado praticamente, na cidade, longe do morro, com os padrinhos, sem conviver com esse mundo de luta e reivindicação da classe operária. Hoje adulto e morando no morro com os pais, vive um dos maiores conflitos de sua vida. Em primeiro lugar não quer aderir à greve, pois acha que essa é uma luta inglória, sem maiores resultados para a classe. Em segundo lugar pretende se casar com Maria, moça simples, porém determinada e leal ao seu povo, e está esperando um filho seu. Desta forma, Tião está mais preocupado com o seu futuro do que com a luta de seus companheiros, que sonham com melhores salários. Para Tião, greve é algo utópico. Ele não tem tempo para esperar, precisa resolver seus problemas de imediato, ou seja, se casar. É preciso esclarecer que Tião, ao contrário de seu amigo Jesuíno, malandro, fraco e oportunista, é um jovem corajoso, mesmo porque fura a greve sem medo dos companheiros, achando que está agindo corretamente. Por essa atitude, acaba perdendo a amizade de todos de seu grupo, restando apenas um colega da fábrica e João, irmão de Maria, um homem ponderado e maduro capaz de compreender a situação conflitante vivida pelo amigo Tião e ainda apoiar sua irmã neste momento difícil. Na realidade, Tião não tem medo do confronto com o inimigo. O seu medo é outro, é o grande medo de toda a sociedade, o medo de ser pobre, por isso quer subir na vida e deixar para trás a condição difícil e miserável do morro, que, por sinal, é desafiada cotidianamente pela coragem e bravura de Romana, sua mãe, mulher de pulso e determinação e responsável pelo equilíbrio da casa e da família. Eles não usam black-tie é um texto político e social, sempre atual no qual Gianfracesco Guarnieri criou de um lado, personagens marcantes e populares como Terezinha, Chiquinho, Dalvinha e Jesuíno que nos revelam um mundo alegre, descontraído e aparentemente feliz. Já por outro lado a peça se apresenta forte e densa revelando de maneira real os conflitos que atormentam personagens como Otávio, Romana, Tião, Maria e Bráulio. São tais encontros e são esses momentos alegres e comoventes , que nos provocam o riso e a dor, alegria e tristeza. Assim, se por um lado mostra um olhar profundo dentro da sociedade brasileira, por outro esse olhar vem embalado por um valor poético materializado na visão romântica do mundo de seus personagens. Embora, na convencional teoria de dramaturgia teatral não se enquadre essa abordagem, o drama social é de natureza épica e por isso mesmo uma contradição em si mesma. Aqui, novamente Guarnieri quebrou também outra regra essencial, presente nos manuais do "bom drama": ao invés de trazer personagens "superiores" como protagonistas, ele se utilizou de gente humilde, trabalhadores comuns, para conduzir sua história. Mesmo as mais simples metáforas, foram pinçadas nos mais básicos valores de nossa cultura popular, como por exemplo, na metáfora do amor, o feijão, prato massivo na América do Sul, teria um "coração de mãe". A temática não é política, muito menos panfletária. O que discorre são relações de amor, solidariedade e esperança diante dos percalços de uma vida miserável. Assim, a peça alia temas como greve e vida operária com preocupações e reflexões universais do ser humano. Sob o olhar de Karl Marx, em um retrato iluminado por um feixe de luz na parede do cenário, o debate entre a coletividade e o individualismo, simultaneamente cru e sensível, vai crescendo. Eles não usam black-tie é um marco do teatro de temática social. Foi com a encenação de Eles não usam black-tie, que se iniciou uma produção sistemática e crítica de textos dispostos a representar as classes subalternas, com ênfase para a representação do proletariado. Nesse sentido, a peça de Guarnieri insere-se num quadro que se ampliou a partir da década de 1950, quando surgiu uma dramaturgia com preocupações ligadas à representação de uma camada específica da sociedade brasileira e, para além disso, em busca da construção de uma identidade nacional pautada em variedades culturais internas.


fonte: www.passeiweb.com

ELES NÃO USAM BLACK TIE - 1981 - Gianfrancesco Guarnieri





DVD Título: Eles Não Usam Black Tie
Gênero: Drama Duração: 134 min
Lançamento: 1981
País: Brasil
Direção: Leon Hirszman
Fotografia: Lauro Escorel
Produção: Leon Hirszman
Produções: Embrafilme
Música: Adoniran Barbosa, Chico Buarque de Hollanda e Gianfrancesco Guarnieri Elenco: Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes, Lélia Abramo, Milton Gonçalves.

Baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri.

Um filme de cunho social-político que alia temas como greve e vida operária com preocupações e reflexões universais do ser humano. O filme traz o conflito, onde um operário à beira de ser pai e casar-se, fura um movimento grevista pois teme perder o emprego. Indo contra seus próprios princípios, entra em conflito consigo e com seu pai, um velho militante sindical, que passou três anos na cadeia durante o regime militar. Este filme retrata, com grande dramaticidade, o abismo social existente entre a periferia e as classes mais abastadas da maior cidade industrial da América do Sul. O foco da narrativa é dirigido sobre duas famílias operárias que vivem as contradições e as violências reinantes no início da década de 80.


PRÊMIOS: Festival de Veneza 1981 (Itália) - Leon Hirszman: prêmio FIPRESCI e Grande Prêmio Especial do Júri. Festival de Havana 1981 (Cuba) - Melhor Direção Prêmio Grand Coral Troféu APCA 1982 - Melhor Ator: Gianfrancesco Guarnieri Marga rida de Prata 1982 ( Brasil)


Conquista Sangrenta, Fresh + Blood
paixão, aventura, sexo e violência


Sinopse
Na era medieval, em meio às pragas que assolam a terra, Martin (Rutger Hauer) é o líder de um bando de brutais mercenários que após ser traído por seu rei, contra ataca e rapta a jovem Agnes (Jennifer Jason Leigh), que estava prometida em casamento ao príncipe Steven (Tom Burlinson). Em meio a combates sanguinários e estupros covardes, os selvagens comandados por Martin invadem o castelo e expulsam seus ocupantes. Agora, em sua nova casa, eles são atacados pelos homens do príncipe Steven que a qualquer custo quer salvar sua amada Agnes. Porém, uma chama se acende entre Martin e Agnes despertando a fúria de Celine (Susan Tyrrell) uma antiga paixão. Enquanto a destruição se aproxima, em meio a violentas, terríveis e sangrentas batalhas, o grupo de Martin luta contra a rivalidade interna e contra os soldados do príncipe, uma guerra de onde somente o mais forte sobreviverá.

CONQUISTA SANGRENTA

Paul Verhoeven, Flesh + Blood, EUA/Esp/Hol, 1985
O que para os desavisados pode parecer apenas um detalhe, o ano – 1501 – no qual se passa a ação de Conquista Sangrenta é essencial para uma leitura acurada do filme. Os que não atentam para este fato podem erroneamente classificá-lo como uma aventura medieval, e coisas sobre o filme já foram escritas analisando-o como tal. Mas essa data nos situa no início do que se convencionou chamar de "Era Moderna", e justamente é uma reflexão sobre essa transição para a modernidade, o que salta aos olhos numa visão mais cuidadosa.O conhecimento acadêmico nos diz que a "Era Moderna" marca a cristalização do domínio do capitalismo, onde o acúmulo do lucro passa a ser objetivo principal. Pois bem, é um ato ligado ao capital que detona o início da trama de Conquista Sangrenta, quando o nobre Arnolfini resolve trair a horda de combatentes que havia colaborado para a retomada de seus domínios sob a promessa de posse do saque. Ao desejar manter para si todo o botim, Arnolfini rompe os laços medievais de "honra" e "vassalagem" para priorizar o ganho escuso e a exploração. Desse modo, encurrala e expulsa os mercenários liderados por Martin (Rutger Hauer), um grupo formado por diversas espécies de párias sociais, como homens brutos e violentos, prostitutas, um padre nada ortodoxo e até mesmo dois mercenários homossexuais. Ao se unir contra toda a opressão, o bando de Martin se vê tomado por misticismo quando da descoberta de uma estátua de São Martin, que guiaria e protegeria o grupo, fazendo com que o homônimo líder fosse visto como sua reencarnação terrena. Vemos aí um outro fenômeno da modernidade, uma descentralização do poder da Igreja Católica e a proliferação de novas crenças e cultos cristãos, se bem que a manifestação mística do bando também pode ser vista como bastante próxima das heresias que abundaram durante o período medieval. Principalmente durante o primeiro terço de Conquista Sangrenta, Martin e seu grupo podem ser encarados como uma visão mais crua do mito de Robin Hood, e a seqüência do ataque à caravana de Arnolfini que culmina com o seqüestro não-intencional de Agnes (Jennifer Jason Leigh), a prometida de seu filho, não estaria muito deslocada em qualquer das muitas versões cinematográficas da história do arqueiro de Sherwood.A entrada em cena de Agnes faz com que o filme cresça em ambigüidade. Num filme marcado pela ausência de heróis, com personagens quase sempre dúbios, Agnes é a mais pura encarnação da ambigüidade, a princípio por uma questão de mera sobrevivência, mas pouco a pouco tornando-se ciente de seu próprio poder, seduzindo e dominando Martin gradativamente, tornando-o cada vez mais distante dos objetivos comuns de seu grupo. É justamente na seqüência que marca a ascendência de Agnes sobre Martin que aparece mais uma curiosa manifestação da modernidade, o chamado "processo civilizatório", quando a moça mostra ao grupo, habituado a comer com as mãos, como usar talheres.Outra transição bastante caracterizada no filme é a ascensão do racionalismo e da ciência, personalizados em Steven (Tom Burlinson), o filho de Arnolfini que, após ter o pai ferido, assume o comando de suas tropas na perseguição a Martin e no resgate da noiva. Com a ascensão de novas armas e máquinas de guerra, os combates tornam-se ainda mais brutais e quem domina a tecnologia ascendente tenderá a um melhor resultado. Steven é um cientista fascinado pelos modelos de Da Vinci, e se, no cerco ao castelo, sua engenhosa (e inverossímil) máquina de guerra é vista sendo destruída por Martin, é por uma técnica que esse havia aprendido com o próprio Steven, demonstrando que, por mais avançada a tecnologia, ainda é necessária a sabedoria humana em poder aplicá-la. Mesmo as transformações na medicina são abordadas em Conquista Sangrenta quando, já numa das últimas seqüências, o médico do grupo de Steven decide abandonar as infrutíferas técnicas de sangria que remontam aos romanos em favor da lancetagem das lesões – rejeitada por ser difundida pelos "infiéis" muçulmanos, mas muito mais eficaz.Tratando mais especificamente dos aspectos puramente narrativos, Conquista Sangrenta, apesar de flagrantes defeitos, como uma certa redundância no terço final e algumas incoerências no roteiro, é um filme que por suas particularidades marca uma identidade única entre obras a princípio similares. Já foi dito que se houvesse uma máquina do tempo e o homem contemporâneo regressasse 500 anos no passado, este simplesmente não agüentaria os cheiros exalados. Verhoeven transmite muito bem essa sensação de putrefação em um clima seco e bastante brutal, o que se exalta em diversas seqüências, como as de combate, a da defloração de Agnes e principalmente quando uma mãe se atira com a filha infante da torre de seu castelo, após este ter sido invadido pelo bando.Está certo que seus detratores poderiam classificar sua abordagem histórico-social de pouco sutil, mas sabemos que Paul Verhoeven nunca foi homem dado a sutilezas. Não falta sequer uma excitante cena de sexo com a marca inconfundível de Verhoeven – Martin e Agnes na banheira.


Mas, se Conquista Sangrenta é acima de tudo um filme que retrata transições, é também um filme que caracteriza um flagrante momento de transição na carreira de seu diretor. Foi o último trabalho rodado na Europa, ainda que já com participação americana na produção (de orçamento bastante modesto, por sinal), mas também o primeiro falado em língua inglesa, além de marcar o final de uma longa parceria com o ator Rutger Hauer. Uma espécie de preparação para a estréia, por assim dizer, oficial em Hollywood, que viria dois anos depois com Robocop.

Por: Gilberto Silva Jr.

Belle de jour
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Belle de Jour (br: A Bela da Tarde) é um filme francês de 1967, do gênero drama, dirigido por Luis Buñuel, e com roteiro baseado na obra de Joseph Kossel.






Sinopse

Séverine (
Catherine Deneuve) é a lindíssima mulher do doutor Pierre (Jean Sorel), uma burguesia de classe, que lida com a sua sexualidade reprimida (possivelmente resultado de experiências traumáticas na infância) da forma mais original: torna-se numa prostituta de luxo no bordel de Madame Anais (Geneviève Page), depois de ter tomado conhecimento do mesmo através de Henri Husson (Michel Piccoli), o amigo do seu marido (com uma obsessão doentia por sexo) que a repulsa de tal forma que é ocasionalmente alvo das suas fantasias sexuais. Problemas perturbam a vida íntima de Séverine e Pierre. Ele é médico e não tem filhos com a bela mulher que ama, mas que sente distante. Ela sonha, mas não pode contar seus sonhos, que são alimentados pelos relatos do gozador Husson e de sua amante sobre certos prostíbulos. Devido às exigências do seu horário de trabalho - das 14h às 17h - ela adopta o nome de "Belle de Jour". Por outro lado, Husson surge como o contraponto perfeito de Séverine, como o homem sincero relativamente às suas fantasias e perfeitamente descarado quanto às suas intenções e obsessões sexuais.








Segundo Catherine Deneuve, "'A Bela da Tarde' é um filme que ficou maior com o tempo. Foi bem quando lançado, mas só mais tarde se tornou um filme mítico, quase cult. E aquele personagem se tornou uma espécie de símbolo, uma estranha heroína. E, porque a interpretei, pessoas fizeram deduções a meu respeito."


Sobre o filme
O filme causou escândalo quando da sua estreia. Luis Buñuel é completamente inclemente na forma como nos apresenta esta história, e ataca os impecáveis costumes burgueses. A primeira cena apresenta uma fantasia de Séverine, onde esta é chicoteada e abusada sexualmente a mando do marido. Atualmente, numa época em que os limites do cinema são mais largos, o poder escandaloso das imagens é menor, mas o seu desconforto permanece intacto, representando a acidez do humor de Buñuel em detrimento da mera exploração da sexualidade. E não é só dessa vertente sexual que vive Belle de Jour, sendo que o realizador espanhol não resiste em conjugar essa temática com a dimensão religiosa: há uma delirante cena em que Séverine é abordada por um homem para reencenar um velório, e tal cena é construída quase como uma forma de comparação com uma fantasia de um cliente do bordel. Desde o seu famoso primeiro curta-metragem,
Un Chien Andalou, Buñuel abordou essas temáticas sem medo e sem pudor.

Elenco
Catherine Deneuve ....Séverine Serizy
Jean Sorel .... Pierre Serizy
Michel Piccoli .... Henri Husson
Geniviève Page .... Madame Anaïs
Pierre Clémenti .... Marcel
Françoise Fabian .... Charlotte
Macha Méril .... Renée
Muni .... Pallas
Maria Latour .... Mathilde
Francisco Rabal .... Hyppolite

A Bela da Tarde (Belle de Jour) 1967

A história de Séverine (Catherine Deneuve), jovem rica e infeliz que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


O Resgate do Soldado Ryan
Na linha de frente
Por: João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação

Viver o cotidiano de uma guerra faz com que uma pessoa carregue pelo resto de sua vida as marcas de uma trágica e dura experiência. Ninguém, por mais corajoso ou valente que seja, por mais que seja insensível ou tenha um "coração de pedra", consegue escapar das lembranças marcantes de um conflito violento, desumano. Se falamos de qualquer guerra e carregamos de dor essa narrativa, imagine então ter estado na 1ª ou na 2ª Guerras Mundiais, enlouquecedor não acha?
Imagine ver seus filhos, todos eles partindo para as linhas de frente em locais tão distantes quanto à Itália, o norte da África, a Oceania ou a França (levando-se em conta que somos da América). Pense que naquela época, as comunicações não tinham a mesma facilidade de hoje em dia e que, para ter notícias de seus meninos, muitas e muitas semanas (ou meses) se passariam. Agora ponha-se no lugar de uma família em que não existam filhas, somente rapazes e que, todos eles tenham idade para servir o exército e que, todos eles tenham sido convocados para ir a guerra. Desesperador para qualquer pai ou mãe, não concorda?A premissa do filme "O Resgate do Soldado Ryan" é essa, apresentada nos parágrafos anteriores. Uma tradicional família americana, os Ryan, viu seus jovens filhos partirem para a 2ª Guerra Mundial. Todos eles tiveram destinos diferentes, foram lutar em frentes de batalha distantes, se separaram. Dois deles morreram, somente um deles continua vivo. Ciente do abalo a que seria submetida a família, o governo americano determinou que o rapaz que ainda estava vivo deveria ser resgatado e mandado de volta para os Estados Unidos.
O filme de Steven Spielberg conta a trajetória dos soldados encarregados de realizar essa busca e embarcar o sobrevivente Ryan (personagem vivido por Matt Damon, sempre a vontade nos papéis que lhe são destinados) para casa. O grupo é comandado pelo sargento John Miller (nova indicação ao Oscar para o premiadíssimo Tom Hanks), um professor transformado em líder de batalhão que está no meio do desembarque dos aliados na costa francesa da Normandia, no momento em que está acontecendo o dia D.
O cinema de Spielberg, de grande sucesso mundo afora, aclamado por filmes sérios como "A Cor Púrpura" ou "A Lista de Schindler", além de verdadeiros arrasa-quarteirões (filmes campeoníssimos de bilheteria) como "Caçadores da Arca Perdida", "E.T." ou "Parque dos Dinossauros", alterna-se entre produções voltadas para o mercado e filmes que primam por histórias marcantes, que fazem com que nos emocionemos e sejamos instigados a pensar. Apesar dessa mão dupla, em ambos os casos há de se ressaltar a qualidade técnica das produções, todas elas de ótima qualidade.






Seja em termos de reprodução de época (como no caso de "O Resgate do Soldado Ryan" ou em "O Império do Sol"), ou ainda em efeitos especiais (os dinossauros de Jurassic Park são impressionantes! A Industrial Light and Magic de George Lucas é responsável pelos efeitos dos filmes do diretor), figurinos (como os do ótimo "A Cor Púrpura" ou os de "A Lista de Schindler"), música (em boa parte de suas realizações Spielberg tem contado com o auxílio do maestro John Williams, um dos melhoresmúsicos norte-americanos), direção de arte,...





O Resgate" situa-se num meio termo entre filmes de grande apelo junto ao público e as temáticas mais respeitáveis trabalhadas por Spielberg em seus projetos. Mescla um tema histórico de grande repercussão (a 2ª Guerra Mundial) a uma trama bem trabalhada de busca de um soldado (apesar de pouco plausível já que parece pouco provável que o exército dos EUA iria despender recursos humanos e materiais para satisfazer as necessidades de uma família de norte-americanos comuns). Apesar disso, o filme foi grandioso sucesso junto aos espectadores do mundo todo e, teve forças para ser indicado a prêmios importantes como os Oscar de melhor filme e ator (Tom Hanks) e ter sido laureado no Globo de Ouro (melhor filme dramático) e ter arrebatado os prêmios da Academia nos quesitos diretor (Spielberg), fotografia e montagem.



Além dos já mencionados méritos quanto à parte técnica e o bom roteiro, há de se destacar a seqüência inicial como sendo o melhor de tudo no filme. Trata-se de um trecho que tem entre 15 e 20 minutos durante os quais se reproduz o desembarque na praia de Omaha por parte de norte-americanos e ingleses no que ficou conhecido na história como sendo o dia D. O esmero na reprodução fez com que surgisse uma pequena obra-prima do realismo cinematográfico (discordem se acharem que estou exagerando!), o embate entre aliados e alemães nos é apresentado de forma nua e crua, com cenas chocantes pelo alto grau de violência e sofrimento dos envolvidos e, também, pelo ódio que toma conta dos participantes (tanto de germânicos quanto de americanos e britânicos). Se pensarmos que se trata apenas de um filme e que, portanto, os acontecimentos daquele episódio devem ter sido muito piores quando realmente aconteceram...
O filme é certeza de diversão mesmo sabendo-se que a trama não é totalmente verossímil, o que vale a pena mesmo é assistir para sentir-se dentro do clima tenso da guerra (especialmente no tocante ao dia D), acompanhando os passos dos soldados e vendo toda a destruição e o medo sentidos pelos civis e pelos próprios militares.


No que se refere à escola, o professor deve assistir e selecionar os trechos que considerar válidos de apresentação para os alunos (não se esqueçam das dicas sobre como lidar com filmes em sala de aula apresentadas na página de Cinema e Educação do portal Planeta Educação), procurar depoimentos sobre a guerra dados por sobreviventes (é possível encontra-los em livros paradidáticos), promover discussões envolvendo outras disciplinas como literatura, redação, geografia ou filosofia ou ainda pedir textos em que se peça ao aluno que escreva como se fosse um soldado, envolvido no meio daquele tremendo tiroteio do início do filme. Movimentando os alunos com atividades como essas, a tendência é que ele se sinta mais atraído pelo assunto e que aprenda com maior desenvoltura. Então, mãos a obra! Vamos ao filme!
Ficha Técnica
O Resgate do Soldado Ryan(Saving Private Ryan)
País/Ano de produção: EUA, 1998
Duração/Gênero: 170 min., drama/guerra/aventura
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Steven Spielberg Roteiro de Frank Darabont e Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Tom Sizemore, Edward Burns, Ted Danson, Matt Damon.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A música na ditadura militar brasileira - Análise da sociedade pela obra de Chico Buarque de Holanda
Por: Carina Gotardelo Ferro da Costa*
e Marcos Julio Sergl**

"A minha gente hoje anda/falando de lado/olhando pro chão"
(Chico Buarque de Holanda, "Apesar de você", 1970)

Resumo

Muito se fala sobre a ditadura militar brasileira, mas pouca certeza se tem do que realmente acontece nesse período. Partindo do princípio da arte como reflexo da sociedade, a presente pesquisa busca identificar como é a sociedade nesse período (1964-1984), bem como perceber o processo de crítica da classe artística, por meio da análise de mensagens subliminares embutidas nas canções de protesto de um compositor específico, ícone na luta contra a ditadura, Francisco Buarque de Holanda: o Chico Buarque.


1. Chico Buarque de Holanda e o golpe militar


No término da Segunda Guerra Mundial, o governo getulista chega ao fim no Brasil. A tradição autoritarista trazida por Vargas dá espaço a um período curto de liberalismo. É nesse momento que nasce Chico Buarque de Holanda.
Posteriormente, o governo de Juscelino Kubitschek traz uma política "desenvolvimentista". A inauguração de Brasília, em 1960, marco desse governo, traz à tona essa ideologia, que dá origem à produção de novas condições para a criação artística no país. Vemos surgir diversos artistas vanguardistas, como, por exemplo, os cineastas Glauber Rocha e Ruy Guerra, a bossa nova de João Gilberto e a arquitetura inovadora de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, idealizadores da nova capital brasileira.
Apesar do espaço aberto pelo fim do regime de Getúlio, porém, Chico pouco aproveita esse período, pois, quando desperta, aos 20 anos, para uma vida intelectual e artística conscientes, tem-se em 1964 o golpe militar, que dá início a uma ditadura que dura mais de 20 anos.
A década de 60 é marcada por efervescência no campo político-social do país. Uma vontade de participar ativamente da política interna é despertada em diversas camadas da sociedade. Os movimentos estudantis são intensificados e passam a agir junto ao povo. Podemos tomar como exemplo os Centros Populares de Cultura (CPCs), da União Nacional dos Estudantes (UNE). Destacamos ainda a mobilização do operariado e dos agricultores, que constituem o movimento sindical em torno da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e as Ligas Camponesas. "Tudo isso expressava grande inquietação social, em parte explicada pela situação crítica da economia do país, e que, na esfera política, se refletia em episódios tensos" (bolle, 1980, p. 93).
Dois momentos marcantes dessa época são, respectivamente, a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, e a posse de seu vice-presidente João Goulart, com idéias de reformas sociais e econômicas que deram origem ao golpe de 1964.
O governo de Goulart é marcado pelo agravamento da crise econômica e pela intensa vida política, bem como pelos conflitos sociais e políticos no país. Diante disso, alegando combater a subversão e assegurar a ordem democrática, os
militares tomam o poder na noite de 1º de abril de 1964. O que tem tudo para ser mentira, torna-se uma verdade que modificaria radicalmente as estruturas do país durante os anos seguintes.
Os efeitos em termos de censura cultural não se fizeram sentir imediatamente. Os estudantes e artistas não são reprimidos imediatamente, e é, aliás, após 1964 que as atividades artísticas, principalmente no teatro, intensificam-se. Surgem grupos como o Teatro de Arena e o Oficina, acentuando um caráter nacionalista na arte.
2. A sociedade se divide...

Após os primeiros anos, o governo militar torna-se mais rígido. Apesar das censuras impostas pelos primeiros presidentes, é no governo de Costa e Silva que a ditadura realmente se consolida. Com a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o país vê-se diante de uma política para aqual "tudo é proibido". As manifestações estudantis aumentam, tornando claras a inquietação política e a insatisfação da juventude politizada. Nesse período, entre 1965 e 1968, o movimento musical é intensificado com a chamada Era dos Festivais. As canções de protesto adquirem importância, ocupando o papel de contestadoras da sociedade. Muitos são perseguidos pela ditadura nessa época. É no governo de Medici, contudo, que essa perseguição torna-se mais presente no cotidiano dos cidadãos. Lançando a "política do desaparecimento", Medici inicia uma verdadeira "caça às bruxas", prendendo, torturando e exilando muitas pessoas. A censura é instaurada no teatro, na TV e no cinema, na música e até nas universidades. Isso elimina quase que totalmente a possibilidade de germinar uma cultura crítica. Podemos dizer que "o AI-5 foi um golpe dentro do golpe, um golpe de misericórdia na caricatura de democracia. Caímos, aí sim, na clandestinidade" (gabeira, 1984, p. 119).
Diante desses fatos e com o endurecimento cada vez maior da censura, a sociedade vê-se dividida em dois pólos: um defendendo a luta armada e outro, a diplomacia. O primeiro, dizendo ser possível a redemocratização sem o uso das armas, usa o bordão "o povo unido derruba a ditadura". O segundo toma o caminho oposto e busca exemplo em Che Guevara e na "guerrilha urbana", usando como símbolo uma frase contestatória à primeira, dizendo que "o povo armado derruba a ditadura". Constantemente essas frases vêm juntas em manifestações. A verdade é que, mesmo seguindo caminhos diferentes, ambas as vertentes são contestadoras do regime, portanto consideradas "subversivas". Isso faz com que tanto um grupo quanto o outro sofram com as medidas tomadas pelos militares. Uns são mortos, outros exilados, presos, torturados ou, simplesmente, desaparecem.

3. o artesão da linguagem x o poetapopular
Todos os acontecimentos acima citados acabam por se refletir no setor cultural. A exemplo do que ocorre entre os "guerrilheiros" e os "diplomatas", os artistas também se dividem, tomando posições diferenciadas. Especificamente na música vemos bem clara essa divisão. De um lado, tem-se aqueles que buscam um afrontamento direto ao regime, questionando e criticando a realidade da sociedade. De outro, encontram-se os que usam os recursos da linguagem para esconder suas mensagens de modo subliminar nas canções. Os primeiros sendo ovacionados pelo público e duramente reprimidos pela censura, os segundos, muitas vezes, sendo reprimidos por ambas as partes. Nesse contexto, citamos dois grandes compositores, ícones na época e causadores de grande polêmica: o artesão da linguagem (bolle, 1980, p. 101), Chico Buarque de Holanda, e o poeta popular, Geraldo Vandré.
De um lado vemos um garoto de classe média alta, conhecedor da língua portuguesa a fundo e apreciador das palavras, com fama de bom moço e conhecido por seu lirismo e seus belos olhos verdes. De outro, o cantor popular vindo da Paraíba para o Rio de Janeiro, falando de forma clara e objetiva. É nos Festivais da Canção, citados anteriormente, que encontramos o palco para suas "disputas". É no ano de 1966, no II Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record, que esses dois célebres cantores encontram-se em uma final pela primeira vez. Chico Buarque apresenta sua música "A banda", interpretada juntamente com a cantora Nara Leão, e Vandré concorre com "Disparada", interpretada por Jair Rodrigues, Tri Maraiá e Trio Novo. Para desgosto do público, que não vê "A banda" como uma canção de protesto, os cantores dividem o primeiro lugar do Festival.




Vandré concorre com a canção "Pra não dizer que não falei das flores" ou "Caminhando", que se torna o hino da resistência à ditadura. Há contestação do público, que, apesar do protesto contido em "Sabiá", vê a música de Chico como algo alienante.
Se analisarmos as quatro músicas citadas acima, vemos que todas possuem uma forma de protesto, porém com muita diferença entre Chico e Vandré.
Em "A banda", é possível notar o recorte de uma cena da vida urbana. Nessa música, Chico nos mostra a dureza da vida da "gente sofrida" que "despediu-se da dor". Ao mesmo tempo, Chico nos mostra a desesperança presente na sociedade da época, fala-nos de pessoas tristes, amedrontadas e solitárias e da clausura de cada pessoa por causa do regime militar. A canção é uma sobreposição de esperança e desesperança. A primeira, presente nos trechos iniciais da música e, a segunda, presente durante toda a canção e mais explicitada na última estrofe: "Mas para meu desencanto o que era doce acabou/tudo tomou seu lugar depois que a banda passou/e cada qual no seu canto, em cada canto uma dor/depois da banda passar cantando coisas de amor".
Em "Disparada", Vandré nos mostra alguns trechos muito mais agressivos, apesar do uso da linguagem poética. Suas mensagens são bem mais claras do que as de Chico em "A banda". Podemos dizer que a canção de Vandré é uma afronta direta ao governo e às torturas a que alguns eram submetidos pelos militares. Fala também da consciência política, de um despertar para o que ocorre na sociedade e da censura sofrida. Essas visões ficam claras, principalmente, nos seguintes versos: "Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo/E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando/As visões se clareando, até que um dia acordei/Então não pude seguir valente em lugar tenente/E dono de gado e gente, porque gado a gente marca/Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente/Se você não concordar não posso me desculpar/Não canto pra enganar, vou pegar minha viola/Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar". Na última frase de sua canção podemos notar uma crítica clara ao governo e a política militarista: "Laço firme e braço forte num reino que não tem rei".
Em "Sabiá", Chico fala do exílio e da vontade de voltar para a terra. Ao mesmo tempo em que mostra um saudosismo, faz uma crítica à sociedade, mostrando que tudo de que ele sente saudade nesta terra não existe mais. Podemos notar isso na seguinte estrofe: "vou voltar, sei que ainda vou voltar/vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há/colher a flor que já não dá". Já em "Caminhando", Vandré fala de forma explícita do governo. Cita ainda a luta armada e a imobilidade das pessoas que defendem a diplomacia, podemos notar ainda uma crítica aos movimentos que pregavam "a paz e o amor", mostrando que de nada adianta "falar de flores" àqueles que atacam com armas. Sua canção é um protesto escancarado, ao contrário do de Chico, e torna-se o hino da resistência. Podemos notar esse protesto nos seguintes trechos: "Há soldados armados, amados ou não,/quase todos perdidos de armas na mão,/nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição: de morrer pela pátria e viver sem razão./vem, vamos embora, que esperar não é saber,/quem sabe faz a hora, não espera acontecer", ou ainda no próprio título da canção "Pra não dizer que não falei das flores/Caminhando".


Vemos então as diferenças entre Chico e Vandré. Apesar de ambos utilizarem a linguagem popular de forma poética, o protesto de Chico, inicialmente, é mais sutil que o de Vandré. As canções de Vandré são claras e objetivas e mais simplificadas que as de Chico, tanto na linguagem quanto no arranjo musical.
Por causa de seu protesto sutil, Chico é fortemente criticado, acusado de ser lírico e ter letras alienantes. Essas críticas levam o compositor, mais tarde, a dar "um chute no lirismo" e "um tiro no sabiá", compondo canções mais diretas. Tal atitude lhe rende a proibição de algumas de suas músicas, uma vasta ficha na Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), por ser subversivo, e, mais tarde, com o pseudônimo de Julinho de Adelaide também teria outras músicas proibidas pela censura. O fato de Chico ter um espantoso domínio da palavra pode ser um dos fatores que influenciem nessa sofisticação e na sua sutileza. O próprio compositor declara: "Tudo o que é ligado à palavra me interessa" (bolle, 1980, p. 97).
Às críticas feitas por ser de uma classe mais alta, Chico responde dizendo que:"O artista popular revolucionário poderia ser o indivíduo que mora na Zona Sul, trabalha e ganha dinheiro, tem mãe, mas vê que a favela é logo ali e que na porta de seu edifício dorme um mendigo adulto. Sente-se, então, compelido a renegar sua existência de ‘burguês de doirada tez’ para juntar-se ao povo. Sua opção é moral. Sua ação política é uma questão de honra e de doutrina" (holanda, 1981, p. 25).
Apesar de todas as críticas recebidas, Chico é um dos poucos compositores que resgatam gêneros tradicionais, utilizando-os em suas canções. Apesar de muito criticado pelo público "militante", até mesmo algumas músicas consideradas líricas trazem algum tipo de protesto embutido em suas letras. Afinal, como é possível falar de "uma gente sofrida" que "despede-se da dor pra ver a banda passar tocando coisas de amor" sem falar do povo?
4. o reflexo da ditadura na arte e na sociedade
O fato de os compositores, por sua produção musical, buscarem um novo meio de demonstrar os seus sentimentos e revolta em relação ao momento pelo qual passa o Brasil, trazendo seus protestos não apenas em letras, mas também na busca de autenticidade, resgatando nossas raízes, presentes nas melodias que apresentam, faz com que a censura endureça ainda mais. Aqueles que criam letras mais ousadas e "provocativas" ao governo tornam-se símbolos de subversão para os censores. Esse trabalho dos censores influencia ainda mais o modo de os músicos comporem suas letras e melodias.
Disso nos fala Chico Buarque, relatando que:"O artista, com o trabalho da censura, corre o risco de ter um álibi até para se esforçar menos. Ou o artista é até obrigado a fazer ginásticas incríveis, usar de metáforas às vezes que, com o passar do tempo, parecem ridículas. A gente olha para trás e vê coisas que estão escritas de certa maneira e foram porque na época a gente teve dificuldade de conseguir realizar. Era a pressão que atuava sobre a criação, no ato mesmo da cria-ção. Depois passa o tempo, e o texto fica vazio, a forma mesma é alterada na medida em que você procura mil artimanhas para tentar passar uma idéia. No final das contas, não passa, só passa para os iniciados" (khéds, 1981, p. 178).
Assim, chegamos ao fim da década de 70 com um imenso empobrecimento cultural. Percebe-se que os valores ainda são os mesmos dos anos 60. Os artistas não podem expressar-se. Durante a ditadura, porém, os músicos encontram nas canções de protesto o meio para defender seus direitos e denunciar as mazelas de uma população que vive "confinada" por leis que a impedem de defender seus ideais. Isso faz com que a produção musical seja muito intensa, ao contrário do que ocorre em outros setores, como, por exemplo, no teatro, que se vê obrigado a reproduzir peças antigas para não ser censurado, usando as metáforas como principal arma, mesmo assim ainda sofrendo grandes represálias. No cinema, alguns filmes são proibidos de serem exibidos e só voltam a ser apresentados após a "redemocratização" do Brasil. Literalmente, os artistas ficam fadados ao silêncio.
Economicamente, temos uma inflação galopante, arrocho salarial, proletarização de classe média, pauperização da renda em níveis assustadores, violência. Se no início da década vê-se a violência política, agora deparamos com a violência econômica, que acaba por desencadear a violência social, à qual nos "acostumamos" a assistir, refletida na sociedade atual, como, por exemplo, desemprego, assaltos, roubos, crimes e marginalização do menor.
5. conclusões pessoais
Ao analisar as obras de Chico, é inegável que vemos em suas composições certo requinte na linguagem e na melodia, dado pelo modo com que utiliza as palavras e diversas expressões populares e o modo pelo qual combina com maestria os acordes da canção. Até que ponto, porém, esses recursos linguísticos são entendidos pela grande massa e qual o tipo de público que Chico busca atingir?
Partindo da análise dessas canções, bem como do próprio autor na história, é possível questionarmos o entendimento de suas canções. Se o compositor buscou fazer com que a grande massa, e não apenas os letrados, se mobilizassem com suas canções de protesto, podemos levantar a hipótese de que essa tentativa não foi bem-sucedida; afinal, as mensagens são formuladas de forma tão subliminar, que, muitas vezes, nem os próprios letrados a compreendem (visto, por exemplo, o compositor ter sido criticado e acusado de ser "alienante"). No podemos negar, porém, o fato de que suas canções agradam ao público menos abastado, de outra forma diferente do protesto, pelos ditos populares, que constantemente usava, e da identificação com a letra. Podemos dizer que essa identificação, ocorrida talvez pelo fato de as pessoas se enxergarem nas letras de Chico, torna-se uma das principais causas de seu sucesso.
Partindo desse ponto de vista, podemos afirmar que as canções de Chico ganham mais importância no período da ditadura a partir do momento em que o compositor torna mais explícita em suas obras as mensagens subliminares. Em algumas das músicas proibidas a mensagem ainda está presente, mas torna-se mais inteligível do que em suas canções supostamente "líricas". Um exemplo disso é a música "Cálice", na qual o uso de palavras homônimas2 e de rimas leva-nos a ter outra interpretação da letra.


Há de se lembrar ainda de suas peças teatrais e das canções feitas para essa mesma área artística, que se tornam mais apreciadas.
Ainda, não podemos esquecer o fato de que o compositor é famoso até a atualidade, apesar de ser visto por alguns como um cantor de elite, não há uma camada social que nem ao menos tenha escutado falar de Chico.
Chegamos então à conclusão de que as canções de Chico não têm um público especificamente definido, mas são feitas para quem quiser ouvir (não apenas para quem puder), e, não importando a época, fica evidente que de um modo ou de outro atingem a todos os segmentos de público.
Seja como forma de protesto, canção de ninar, reflexo da sociedade, canção popular, usada para análise, peças de teatro ou como "música para se ouvir em momentos especiais", as obras de Chico estão presentes na história e no imaginário do povo brasileiro, que "canta, samba, dança e sorri".


Referências bibliográficas
ALBIN, R. C. O Livro de Ouro da MPB:Aa história de nossa música popular de sua origem até hoje. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
ALMEIDA, C. A. Cultura e sociedade no Brasil: 1990-1968. Col. Discutindo a História. São Paulo: Cultural, 1996.
BAHIANA, A. M. Nada será como antes: MPB nos anos 70. Col. Retrato do Brasil, Vol. 141. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
BOLLE, A. B. de M. Chico Buarque de Holanda – Seleção de textos, notas, estudo biográfico, histórico e crítico. São Paulo: Abril Educação, 1980, pp. 93-102.
DANTAS, J. M. de S. MPB: O canto e a canção. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1988.
GABEIRA, F. O que é isso, companheiro? São Paulo: Abril Cultural, 1984.
GASPARI, E.. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
GUERRA, M. A. Carlos Queiroz Telles: História e dramaturgia em cena (década de 70), 2ª ed. São Paulo: Annablume, 2004.
HOLANDA, H. B. de. Impressões de viagem – CPC, vanguarda e desbunde: 1960-70, 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 25.
KUCINSKI, B.. O fim da ditadura militar. Col. Repensando a História. São Paulo: Contexto, 2001.
MACHADO, A. Os anos de chumbo - Mídia poética e ideologia no período de resistência ao autoritarismo militar (1968-1985). Porto Alegre: Sulina, 2006.
PILAGALLO, O. A história do Brasil no século XX (1940-1960). Col. Folha Explica. São Paulo: Publifolha, 2003, pp. 63-86.
SOUZA, T. de. O som nosso de cada dia. Porto Alegre: L & PM, 1983.
TINHORÃO, J. R. Pequena história da música popular: Da modinha a canção de protesto. 2ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1975.
__________. História social da música popular brasileira. Lisboa: Caminho, 1990.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

CINE HISTÓRIA
Cold Mountain
(Cold Mountain)
ano de lançamento ( Inglaterra ) : 2003
direção:
Anthony Minghella
atores:
Jude Law , Nicole Kidman , Renée Zellweger , Eileen Atkins , Brendan Gleeson
duração: 02 h 35 min
sinopse

Após o término da Guerra Civil Americana, o soldado Inman Balis (Jude Law) inicia o percurso para retornar à sua casa, na vila de Cold Mountain. Lá está à sua espera Ada (Nicole Kidman), sua namorada, que luta para administrar uma grande fazenda após a morte de seu pai. Para ajudá-la na tarefa chega Ruby (Renée Zellweger), enviada por sua vizinha Sally (Kathy Baker), que cria uma grande amizade com Ada. No caminho de volta Inman encontra diversos outros soldados, feridos como ele, com quem divide suas experiências da guerra.




Resenha do filme
portal terra

Cold Mountain carrega na dor para mostrar Guerra Civil
Divulgação
Cena do filmeCold Mountain foi um dos filmes mais aguardados do ano de 2003, mas o público talvez o ache um pouco carregado demais na dor. O trabalho mantém-se fiel ao espírito do romance de Charles Frazier que o inspirou, sobre a Guerra Civil americana, fazendo um retrato sombrio e muitas vezes deprimente da selvageria e traição humanas.
O roteirista e diretor Anthony Minghella (O Paciente Inglês e O Talentoso Ripley construiu um épico intimista que, embora tenha um tom um pouco cerebral, visa claramente traduzir para o cinema a visão de Frazier sobre a esperança humana em meio à brutalidade da guerra.
Como fez em O Paciente Inglês, Minghella criou um filme de guerra que pode interessar mais às mulheres do que aos homens. O orgulho masculino é visto como erro fatal que conduz a sofrimentos e tragédias inimagináveis, que levarão gerações inteiras para ser superados.
Um elenco sólido retrata muito bem os sulistas interioranos atrasados da época.
Nicole Kidman aparece glamourosa demais para a situação dificílima em que sua personagem se encontra, mas consegue captar os anseios e esperanças de uma mulher que aguarda a volta do homem que ama, um soldado que vai voltar de uma guerra que faz cada vez menos sentido.
Renée Zellweger, indicada ao Oscar 2004 de Melhor Atriz Coadjuvante por este papel, se transforma por completo na personagem de uma mulher do campo corajosa que ajuda e salva a fazendeira aristocrática representada por Kidman, que não sabe o que fazer sozinha.
Jude Law às vezes é um pouco distante, embora manifeste muito bem a exaustão de um soldado e sua determinação de voltar do campo de batalha para casa. Ele também foi indicado ao Oscar, na categoria melhor ator.
Memórias precisasNo romance, Frazier transpôs a Odisséia, de Homero, para o final da Guerra Civil, quando um soldado confederado ferido parte no caminho de volta para sua casa.


Frazier baseou-se em histórias ouvidas de seus antepassados na Carolina do Norte para relatar a viagem de Inman (Jude Law), que sai de um hospital do exército e parte numa viagem longa, atravessando florestas e montanhas repletas de perigos.
Tanto o livro quanto o filme se dividem entre a história da viagem e sobrevivência do soldado e as lutas da mulher que ele deixara em casa.
Inman conheceu Ada (Kidman) pouco antes da guerra começar, de modo que as memórias que eles têm um do outro são poucas, mas preciosas.
O pai de Ada, um pastor (Donald Sutherland), se mudara com a filha para Cold Mountain, onde queria pregar. Mas sua morte repentina deixa a filha, que só aprendera música e francês, sem saber lidar com a fazenda que herdou.
Uma vizinha bondosa (Kathy Bates) envia para ajudá-la uma mulher local cheia de garra chamada Ruby (Zellweger), que, apesar de não ter instrução, é mais durona do que a maioria dos homens e sabe tudo sobre cuidar de uma fazenda.
Inman viaja apenas por trilhas secundárias, enquanto a Guarda Nacional percorre o campo em busca de desertores para executar.
Em suas viagens, o soldado topa com um pastor decadente (Philip Seymour Hoffman), um camponês ignorante (Giovanni Ribisi) que chefia uma família de mundanas, uma jovem viúva (Natalie Portman) vitimada pelos soldados federais soltos, e um anjo da guarda disfarçado de pastora de cabras (Eileen Atkins).
Realismo da carnificinaEnquanto isso, Ada e Ruby são obrigadas a defender-se da Guarda Nacional local, liderada pelo traiçoeiro Teague (Ray Winstone) e seu capanga de longos cabelos loiros, Bosie (Charlie Hunnam).
Elas se surpreendem com a volta para casa do pai de Ruby (Brendan Gleeson), um tocador de rabeca que ela imaginava estar morto mas que retorna como desertor, na companhia de dois outros músicos (Jack White e Ethan Suplee).
Minghella modificou - e em alguns casos melhorou - os episódios descritos no romance, aguçando a conexão emocional entre os amantes separados há tanto tempo e acentuando os perigos de uma terra da qual a guerra roubou a moral e os valores humanos.
As cenas de combate, na parte inicial do filme, e o que vem depois, com moscas pousando sobre pilhas de cadáveres decompostos, transmitem com realismo marcante a carnificina indizível da Guerra Civil.
E tudo isso contrasta com as memórias que Inman tem do início da guerra, três anos antes, quando os jovens de Cold Mountain saudavam seu começo com entusiasmo.
A equipe de produção, que inclui o diretor de fotografia John Seale, o editor Walter Murch, a figurinista Ann Roth (auxiliada por Carlo Poggioli) e o designer de produção Dante Ferretti, fez um trabalho belíssimo ao recriar na zona rural da Romênia a beleza agreste e assustadora da comunidade de Cold Mountain, nas montanhas Blue Ridge, e toda região selvagem atravessada por Inman.
A música melancólica criada por Gabriel Yared, inspirada em canções folclóricas da época, parece ser uma parte integrante do filme.
Redação Terra

terça-feira, 1 de setembro de 2009

JOANA D'ARC, A SANTA GUERREIRA






Jeanne d'Arc fr / The Messenger: The Story of Joan of Arcen (br: Joana d'Arc de Luc Besson / pt: Joana d'Arc) é um filme francês e estadunidense de 1999, do gênero drama biográfico, dirigido por Luc Besson.
O filme foi produzido pela Gaumont e distribuído pela Columbia Pictures e pela Sony Picture Entertainment. Foi produzido por Patrice Ledoux e a trilha sonora é de Eric Serra.



Sinopse
Em 1412, nasce em Domrémy, na França, uma menina chamada Joana. Ainda jovem, ela desenvolve uma fé tão intensa e fora do comum que fazia se confessar várias vezes por dia.
Eram tempos muito difíceis, pois a Guerra dos Cem Anos com a inimiga de sempre Inglaterra prolongava-se desde 1337. Em 1420, Henrique V e Carlos VI de França assinam o Tratado de Troyes, declarando que após a morte do rei, a França pertencerá a Inglaterra. Todavia, ambos os reis morrem e Henrique VI é o novo rei dos dois países rivais, mas tem poucos meses de idade e Carlos, o delfim de França, não deseja entregar de mãos beijadas o seu reino a uma criança.
Desta forma, os ingleses invadem o país e ocupam Compiègne, Reims e Paris, com o rio Loire conseguindo deter o avanço dos invasores. Carlos foge para Chinon, mas ele quer é ir para Reims, onde por tradição os soberanos franceses são coroados, mas como os ingleses dominam toda a região envolvente, isto torna-se um problema grave para ser contornado. Até que aparece Joana que, além de se auto-intitular a "Donzela de Lorraine" tinha uma determinação e fé inabalável e dizia que estava numa missão divina para libertar a França da opressão dos ingleses.
Desesperado por uma solução, o delfim finalmente aceita lhe dar um exército, com o qual ela consegue recuperar a cidade de Reims, onde o delfim é coroado rei, Carlos VII de França. Mas se finalmente para ele os problemas tinham acabado, para Joana seria o início do fim.


Trailer do filme


Elenco
Milla Jovovich .... Joana d'Arc
Dustin Hoffman .... Consciência
Faye Dunaway .... Yoland D'Aragon
John Malkovich .... Carlos VII
Tchéky Karyo .... Dunois
Pascal Greggory .... Duque de Alençon
Vincent Cassel .... Gilles de Rais
Desmond Harrington .... Aulon
Timothy West .... Cauchon
Rab Affleck .... Comrade
Edwin Apps .... bispo
Richard Ridings .... La Hire
David Bailie .... juiz inglês
David Barber .... juiz inglês










Contexto histórico

Joana d'Arc é contemporânea da Guerra dos Cem Anos, longa disputa entre Inglaterra e França. Heroína dessa guerra, foi presa pelos borguinhões e condenada à fogueira por prática de bruxaria. Contudo, cinco séculos depois, o processo que a condenou foi invalidado ela foi canonizada como santa pelo Papa Bento XV.

HISTÓRIA NA MÍDIA O Portal de Notícias da Globo
04/04/07 - 17h11 - Atualizado em 04/04/07 - 17h48

Restos de 'Joana d'Arc' pertenciam a múmia
Cientista forense da França usou análise química e 'cheiradores' para descoberta.Supostos ossos queimados na verdade foram tratados com resina e betume.
Da France Presse




Restos da heroína estão guardados em museu de Chinon, na França. (Foto: Nature/Reprodução)



Os supostos restos da heroína francesa Joana d'Arc, conservados numa cidade do centro da França, são na realidade fragmentos de uma múmia egípcia, revela um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo site da revista britânica "Nature".

Os fragmentos humanos aparentemente queimados, misturados a pequenos pedaços de madeira e de tecido e a pólen de pinheiro, foram apresentados em 1867 como pertencentes à heroína condenada à fogueira por heresia no ano de 1431, após ter liderado a resistência da França contra a ocupação inglesa. Várias pesquisas realizadas no século passado para determinar sua verdadeira origem forneceram resultados divergentes. Segundo a "Nature", o cientista forense Philippe Charlier, do Hospital Raymond Poincaré em Garches, perto de Paris, chegou à pista da múmia através de exames muito originais. Grandes perfumistas já haviam afirmado ter sentido junto aos restos um leve odor de baunilha - um perfume produzido pela "decomposição de um corpo", não por sua cremação, destaca Philippe Charlier. "E isso corresponde ao cheiro exalado por uma múmia." Uma análise microscópica e química do fragmento de costela mostrou, além disso, que não havia sido queimado, mas impregnado de um "produto vegetal e mineral" de cor negra. "Não se trata de um tecido humano queimado", acrescentou o cientista forense.

Apesar de queimada por sentença da Igreja, Joana D'Arc seria declarada santa. (Foto:Reprodução)







Além disso, não havia pinheiros na Normandia (nordeste da França) no momento da morte de Joana d'Arc, e o pólen dessa espécie de árvore encontrado nas relíquias é uma outra prova. A resina do pinheiro era usada no Egito nas cerimônias de embalsamamento. Finalmente, um estudo com carbono-14 (método de decaimento radioativo que permite estimar a idade de restos de matérias orgânica) data os restos entre os séculos 6 a.C. e 3 a.C. -- época em que os egípcios ainda mumificavam seus mortos. Charlier lembra que, na Idade Média, alguns medicamentos eram produzidos na Europa a partir de múmias. Assim, uma delas poderia ter sido usada para fabricar a falsa relíquia da santa.Joana d'Arc, uma camponesa nascida em 1412, conseguiu reunir tropas para combater os ocupantes ingleses, mas foi capturada e condenada à fogueira com a idade de 19 anos. Ela foi canonizada em 1920 pela Igreja Católica.



Joana D'Arc comandando o exército francês na Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra.
Cartaz do filme Joana D'Arc.



Joana D'Arc sendo condenada à morte na fogueira pela Inquisição sob a acusação de heresia.



Música e História

Eu Não Matei Joana D'arc
Camisa de Vênus
Composição: Gustavo Mullem - Marcelo Nova




Eu nunca tive nada
Com Joana Darc
Nós só nos encontramos
Prá passear no parque...
Ela me falou

Dos seus dias de glória
E do que não está escrito
Lá nos livros de história...
Que ficava excitada

Quando pegava na lança
E do beijo que deu
Na rainha da França...
Agora todos pensam

Que fui eu que a cremei
Mas eu não sou piromaníaco
Eu juro que não sei...
Ontem eu nem a vi

Sei que não tenho um álibi
Mas eu!
Eu não matei Joana Darc...(2x)
Eu nunca tive

Nada, nada, nada
Com Joana Darc
Nós só nos encontramos
Prá passear no parque...
Ela me falou

Que andava ouvindo vozes
Que prá conseguir dormir
Sempre tomava algumas doses...
Uma rede internacional

Iludiu aquela menina
Prometendo a todo custo
Transformá-la em heroína...
Agora eu tô entregue

À CIA e à KGB
Eles querem que eu confesse
Mas eu nem sei o quê...
Ontem eu nem a vi

Sei que não tenho um álibi
Mas eu!Eu não matei Joana Darc...(2x)
Eu não mateiJoana Darc...(2x)
Ontem eu nem a vi

Sei q'eu não tenho um álibi
Mas eu!
Eu não matei Joana Darc...(2x)
Não!Não fui eu!
Não, não, não!
Não fui eu!Não!Não fui eu!Não, não, não!
Ontem eu nem a vi

Sei q'eu não tenho um álibi
Mas eu!
Eu não matei Joana Darc...(2x)