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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Conquista Sangrenta, Fresh + Blood
paixão, aventura, sexo e violência


Sinopse
Na era medieval, em meio às pragas que assolam a terra, Martin (Rutger Hauer) é o líder de um bando de brutais mercenários que após ser traído por seu rei, contra ataca e rapta a jovem Agnes (Jennifer Jason Leigh), que estava prometida em casamento ao príncipe Steven (Tom Burlinson). Em meio a combates sanguinários e estupros covardes, os selvagens comandados por Martin invadem o castelo e expulsam seus ocupantes. Agora, em sua nova casa, eles são atacados pelos homens do príncipe Steven que a qualquer custo quer salvar sua amada Agnes. Porém, uma chama se acende entre Martin e Agnes despertando a fúria de Celine (Susan Tyrrell) uma antiga paixão. Enquanto a destruição se aproxima, em meio a violentas, terríveis e sangrentas batalhas, o grupo de Martin luta contra a rivalidade interna e contra os soldados do príncipe, uma guerra de onde somente o mais forte sobreviverá.

CONQUISTA SANGRENTA

Paul Verhoeven, Flesh + Blood, EUA/Esp/Hol, 1985
O que para os desavisados pode parecer apenas um detalhe, o ano – 1501 – no qual se passa a ação de Conquista Sangrenta é essencial para uma leitura acurada do filme. Os que não atentam para este fato podem erroneamente classificá-lo como uma aventura medieval, e coisas sobre o filme já foram escritas analisando-o como tal. Mas essa data nos situa no início do que se convencionou chamar de "Era Moderna", e justamente é uma reflexão sobre essa transição para a modernidade, o que salta aos olhos numa visão mais cuidadosa.O conhecimento acadêmico nos diz que a "Era Moderna" marca a cristalização do domínio do capitalismo, onde o acúmulo do lucro passa a ser objetivo principal. Pois bem, é um ato ligado ao capital que detona o início da trama de Conquista Sangrenta, quando o nobre Arnolfini resolve trair a horda de combatentes que havia colaborado para a retomada de seus domínios sob a promessa de posse do saque. Ao desejar manter para si todo o botim, Arnolfini rompe os laços medievais de "honra" e "vassalagem" para priorizar o ganho escuso e a exploração. Desse modo, encurrala e expulsa os mercenários liderados por Martin (Rutger Hauer), um grupo formado por diversas espécies de párias sociais, como homens brutos e violentos, prostitutas, um padre nada ortodoxo e até mesmo dois mercenários homossexuais. Ao se unir contra toda a opressão, o bando de Martin se vê tomado por misticismo quando da descoberta de uma estátua de São Martin, que guiaria e protegeria o grupo, fazendo com que o homônimo líder fosse visto como sua reencarnação terrena. Vemos aí um outro fenômeno da modernidade, uma descentralização do poder da Igreja Católica e a proliferação de novas crenças e cultos cristãos, se bem que a manifestação mística do bando também pode ser vista como bastante próxima das heresias que abundaram durante o período medieval. Principalmente durante o primeiro terço de Conquista Sangrenta, Martin e seu grupo podem ser encarados como uma visão mais crua do mito de Robin Hood, e a seqüência do ataque à caravana de Arnolfini que culmina com o seqüestro não-intencional de Agnes (Jennifer Jason Leigh), a prometida de seu filho, não estaria muito deslocada em qualquer das muitas versões cinematográficas da história do arqueiro de Sherwood.A entrada em cena de Agnes faz com que o filme cresça em ambigüidade. Num filme marcado pela ausência de heróis, com personagens quase sempre dúbios, Agnes é a mais pura encarnação da ambigüidade, a princípio por uma questão de mera sobrevivência, mas pouco a pouco tornando-se ciente de seu próprio poder, seduzindo e dominando Martin gradativamente, tornando-o cada vez mais distante dos objetivos comuns de seu grupo. É justamente na seqüência que marca a ascendência de Agnes sobre Martin que aparece mais uma curiosa manifestação da modernidade, o chamado "processo civilizatório", quando a moça mostra ao grupo, habituado a comer com as mãos, como usar talheres.Outra transição bastante caracterizada no filme é a ascensão do racionalismo e da ciência, personalizados em Steven (Tom Burlinson), o filho de Arnolfini que, após ter o pai ferido, assume o comando de suas tropas na perseguição a Martin e no resgate da noiva. Com a ascensão de novas armas e máquinas de guerra, os combates tornam-se ainda mais brutais e quem domina a tecnologia ascendente tenderá a um melhor resultado. Steven é um cientista fascinado pelos modelos de Da Vinci, e se, no cerco ao castelo, sua engenhosa (e inverossímil) máquina de guerra é vista sendo destruída por Martin, é por uma técnica que esse havia aprendido com o próprio Steven, demonstrando que, por mais avançada a tecnologia, ainda é necessária a sabedoria humana em poder aplicá-la. Mesmo as transformações na medicina são abordadas em Conquista Sangrenta quando, já numa das últimas seqüências, o médico do grupo de Steven decide abandonar as infrutíferas técnicas de sangria que remontam aos romanos em favor da lancetagem das lesões – rejeitada por ser difundida pelos "infiéis" muçulmanos, mas muito mais eficaz.Tratando mais especificamente dos aspectos puramente narrativos, Conquista Sangrenta, apesar de flagrantes defeitos, como uma certa redundância no terço final e algumas incoerências no roteiro, é um filme que por suas particularidades marca uma identidade única entre obras a princípio similares. Já foi dito que se houvesse uma máquina do tempo e o homem contemporâneo regressasse 500 anos no passado, este simplesmente não agüentaria os cheiros exalados. Verhoeven transmite muito bem essa sensação de putrefação em um clima seco e bastante brutal, o que se exalta em diversas seqüências, como as de combate, a da defloração de Agnes e principalmente quando uma mãe se atira com a filha infante da torre de seu castelo, após este ter sido invadido pelo bando.Está certo que seus detratores poderiam classificar sua abordagem histórico-social de pouco sutil, mas sabemos que Paul Verhoeven nunca foi homem dado a sutilezas. Não falta sequer uma excitante cena de sexo com a marca inconfundível de Verhoeven – Martin e Agnes na banheira.


Mas, se Conquista Sangrenta é acima de tudo um filme que retrata transições, é também um filme que caracteriza um flagrante momento de transição na carreira de seu diretor. Foi o último trabalho rodado na Europa, ainda que já com participação americana na produção (de orçamento bastante modesto, por sinal), mas também o primeiro falado em língua inglesa, além de marcar o final de uma longa parceria com o ator Rutger Hauer. Uma espécie de preparação para a estréia, por assim dizer, oficial em Hollywood, que viria dois anos depois com Robocop.

Por: Gilberto Silva Jr.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


O Resgate do Soldado Ryan
Na linha de frente
Por: João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação

Viver o cotidiano de uma guerra faz com que uma pessoa carregue pelo resto de sua vida as marcas de uma trágica e dura experiência. Ninguém, por mais corajoso ou valente que seja, por mais que seja insensível ou tenha um "coração de pedra", consegue escapar das lembranças marcantes de um conflito violento, desumano. Se falamos de qualquer guerra e carregamos de dor essa narrativa, imagine então ter estado na 1ª ou na 2ª Guerras Mundiais, enlouquecedor não acha?
Imagine ver seus filhos, todos eles partindo para as linhas de frente em locais tão distantes quanto à Itália, o norte da África, a Oceania ou a França (levando-se em conta que somos da América). Pense que naquela época, as comunicações não tinham a mesma facilidade de hoje em dia e que, para ter notícias de seus meninos, muitas e muitas semanas (ou meses) se passariam. Agora ponha-se no lugar de uma família em que não existam filhas, somente rapazes e que, todos eles tenham idade para servir o exército e que, todos eles tenham sido convocados para ir a guerra. Desesperador para qualquer pai ou mãe, não concorda?A premissa do filme "O Resgate do Soldado Ryan" é essa, apresentada nos parágrafos anteriores. Uma tradicional família americana, os Ryan, viu seus jovens filhos partirem para a 2ª Guerra Mundial. Todos eles tiveram destinos diferentes, foram lutar em frentes de batalha distantes, se separaram. Dois deles morreram, somente um deles continua vivo. Ciente do abalo a que seria submetida a família, o governo americano determinou que o rapaz que ainda estava vivo deveria ser resgatado e mandado de volta para os Estados Unidos.
O filme de Steven Spielberg conta a trajetória dos soldados encarregados de realizar essa busca e embarcar o sobrevivente Ryan (personagem vivido por Matt Damon, sempre a vontade nos papéis que lhe são destinados) para casa. O grupo é comandado pelo sargento John Miller (nova indicação ao Oscar para o premiadíssimo Tom Hanks), um professor transformado em líder de batalhão que está no meio do desembarque dos aliados na costa francesa da Normandia, no momento em que está acontecendo o dia D.
O cinema de Spielberg, de grande sucesso mundo afora, aclamado por filmes sérios como "A Cor Púrpura" ou "A Lista de Schindler", além de verdadeiros arrasa-quarteirões (filmes campeoníssimos de bilheteria) como "Caçadores da Arca Perdida", "E.T." ou "Parque dos Dinossauros", alterna-se entre produções voltadas para o mercado e filmes que primam por histórias marcantes, que fazem com que nos emocionemos e sejamos instigados a pensar. Apesar dessa mão dupla, em ambos os casos há de se ressaltar a qualidade técnica das produções, todas elas de ótima qualidade.






Seja em termos de reprodução de época (como no caso de "O Resgate do Soldado Ryan" ou em "O Império do Sol"), ou ainda em efeitos especiais (os dinossauros de Jurassic Park são impressionantes! A Industrial Light and Magic de George Lucas é responsável pelos efeitos dos filmes do diretor), figurinos (como os do ótimo "A Cor Púrpura" ou os de "A Lista de Schindler"), música (em boa parte de suas realizações Spielberg tem contado com o auxílio do maestro John Williams, um dos melhoresmúsicos norte-americanos), direção de arte,...





O Resgate" situa-se num meio termo entre filmes de grande apelo junto ao público e as temáticas mais respeitáveis trabalhadas por Spielberg em seus projetos. Mescla um tema histórico de grande repercussão (a 2ª Guerra Mundial) a uma trama bem trabalhada de busca de um soldado (apesar de pouco plausível já que parece pouco provável que o exército dos EUA iria despender recursos humanos e materiais para satisfazer as necessidades de uma família de norte-americanos comuns). Apesar disso, o filme foi grandioso sucesso junto aos espectadores do mundo todo e, teve forças para ser indicado a prêmios importantes como os Oscar de melhor filme e ator (Tom Hanks) e ter sido laureado no Globo de Ouro (melhor filme dramático) e ter arrebatado os prêmios da Academia nos quesitos diretor (Spielberg), fotografia e montagem.



Além dos já mencionados méritos quanto à parte técnica e o bom roteiro, há de se destacar a seqüência inicial como sendo o melhor de tudo no filme. Trata-se de um trecho que tem entre 15 e 20 minutos durante os quais se reproduz o desembarque na praia de Omaha por parte de norte-americanos e ingleses no que ficou conhecido na história como sendo o dia D. O esmero na reprodução fez com que surgisse uma pequena obra-prima do realismo cinematográfico (discordem se acharem que estou exagerando!), o embate entre aliados e alemães nos é apresentado de forma nua e crua, com cenas chocantes pelo alto grau de violência e sofrimento dos envolvidos e, também, pelo ódio que toma conta dos participantes (tanto de germânicos quanto de americanos e britânicos). Se pensarmos que se trata apenas de um filme e que, portanto, os acontecimentos daquele episódio devem ter sido muito piores quando realmente aconteceram...
O filme é certeza de diversão mesmo sabendo-se que a trama não é totalmente verossímil, o que vale a pena mesmo é assistir para sentir-se dentro do clima tenso da guerra (especialmente no tocante ao dia D), acompanhando os passos dos soldados e vendo toda a destruição e o medo sentidos pelos civis e pelos próprios militares.


No que se refere à escola, o professor deve assistir e selecionar os trechos que considerar válidos de apresentação para os alunos (não se esqueçam das dicas sobre como lidar com filmes em sala de aula apresentadas na página de Cinema e Educação do portal Planeta Educação), procurar depoimentos sobre a guerra dados por sobreviventes (é possível encontra-los em livros paradidáticos), promover discussões envolvendo outras disciplinas como literatura, redação, geografia ou filosofia ou ainda pedir textos em que se peça ao aluno que escreva como se fosse um soldado, envolvido no meio daquele tremendo tiroteio do início do filme. Movimentando os alunos com atividades como essas, a tendência é que ele se sinta mais atraído pelo assunto e que aprenda com maior desenvoltura. Então, mãos a obra! Vamos ao filme!
Ficha Técnica
O Resgate do Soldado Ryan(Saving Private Ryan)
País/Ano de produção: EUA, 1998
Duração/Gênero: 170 min., drama/guerra/aventura
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Steven Spielberg Roteiro de Frank Darabont e Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Tom Sizemore, Edward Burns, Ted Danson, Matt Damon.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

CINE HISTÓRIA
Cold Mountain
(Cold Mountain)
ano de lançamento ( Inglaterra ) : 2003
direção:
Anthony Minghella
atores:
Jude Law , Nicole Kidman , Renée Zellweger , Eileen Atkins , Brendan Gleeson
duração: 02 h 35 min
sinopse

Após o término da Guerra Civil Americana, o soldado Inman Balis (Jude Law) inicia o percurso para retornar à sua casa, na vila de Cold Mountain. Lá está à sua espera Ada (Nicole Kidman), sua namorada, que luta para administrar uma grande fazenda após a morte de seu pai. Para ajudá-la na tarefa chega Ruby (Renée Zellweger), enviada por sua vizinha Sally (Kathy Baker), que cria uma grande amizade com Ada. No caminho de volta Inman encontra diversos outros soldados, feridos como ele, com quem divide suas experiências da guerra.




Resenha do filme
portal terra

Cold Mountain carrega na dor para mostrar Guerra Civil
Divulgação
Cena do filmeCold Mountain foi um dos filmes mais aguardados do ano de 2003, mas o público talvez o ache um pouco carregado demais na dor. O trabalho mantém-se fiel ao espírito do romance de Charles Frazier que o inspirou, sobre a Guerra Civil americana, fazendo um retrato sombrio e muitas vezes deprimente da selvageria e traição humanas.
O roteirista e diretor Anthony Minghella (O Paciente Inglês e O Talentoso Ripley construiu um épico intimista que, embora tenha um tom um pouco cerebral, visa claramente traduzir para o cinema a visão de Frazier sobre a esperança humana em meio à brutalidade da guerra.
Como fez em O Paciente Inglês, Minghella criou um filme de guerra que pode interessar mais às mulheres do que aos homens. O orgulho masculino é visto como erro fatal que conduz a sofrimentos e tragédias inimagináveis, que levarão gerações inteiras para ser superados.
Um elenco sólido retrata muito bem os sulistas interioranos atrasados da época.
Nicole Kidman aparece glamourosa demais para a situação dificílima em que sua personagem se encontra, mas consegue captar os anseios e esperanças de uma mulher que aguarda a volta do homem que ama, um soldado que vai voltar de uma guerra que faz cada vez menos sentido.
Renée Zellweger, indicada ao Oscar 2004 de Melhor Atriz Coadjuvante por este papel, se transforma por completo na personagem de uma mulher do campo corajosa que ajuda e salva a fazendeira aristocrática representada por Kidman, que não sabe o que fazer sozinha.
Jude Law às vezes é um pouco distante, embora manifeste muito bem a exaustão de um soldado e sua determinação de voltar do campo de batalha para casa. Ele também foi indicado ao Oscar, na categoria melhor ator.
Memórias precisasNo romance, Frazier transpôs a Odisséia, de Homero, para o final da Guerra Civil, quando um soldado confederado ferido parte no caminho de volta para sua casa.


Frazier baseou-se em histórias ouvidas de seus antepassados na Carolina do Norte para relatar a viagem de Inman (Jude Law), que sai de um hospital do exército e parte numa viagem longa, atravessando florestas e montanhas repletas de perigos.
Tanto o livro quanto o filme se dividem entre a história da viagem e sobrevivência do soldado e as lutas da mulher que ele deixara em casa.
Inman conheceu Ada (Kidman) pouco antes da guerra começar, de modo que as memórias que eles têm um do outro são poucas, mas preciosas.
O pai de Ada, um pastor (Donald Sutherland), se mudara com a filha para Cold Mountain, onde queria pregar. Mas sua morte repentina deixa a filha, que só aprendera música e francês, sem saber lidar com a fazenda que herdou.
Uma vizinha bondosa (Kathy Bates) envia para ajudá-la uma mulher local cheia de garra chamada Ruby (Zellweger), que, apesar de não ter instrução, é mais durona do que a maioria dos homens e sabe tudo sobre cuidar de uma fazenda.
Inman viaja apenas por trilhas secundárias, enquanto a Guarda Nacional percorre o campo em busca de desertores para executar.
Em suas viagens, o soldado topa com um pastor decadente (Philip Seymour Hoffman), um camponês ignorante (Giovanni Ribisi) que chefia uma família de mundanas, uma jovem viúva (Natalie Portman) vitimada pelos soldados federais soltos, e um anjo da guarda disfarçado de pastora de cabras (Eileen Atkins).
Realismo da carnificinaEnquanto isso, Ada e Ruby são obrigadas a defender-se da Guarda Nacional local, liderada pelo traiçoeiro Teague (Ray Winstone) e seu capanga de longos cabelos loiros, Bosie (Charlie Hunnam).
Elas se surpreendem com a volta para casa do pai de Ruby (Brendan Gleeson), um tocador de rabeca que ela imaginava estar morto mas que retorna como desertor, na companhia de dois outros músicos (Jack White e Ethan Suplee).
Minghella modificou - e em alguns casos melhorou - os episódios descritos no romance, aguçando a conexão emocional entre os amantes separados há tanto tempo e acentuando os perigos de uma terra da qual a guerra roubou a moral e os valores humanos.
As cenas de combate, na parte inicial do filme, e o que vem depois, com moscas pousando sobre pilhas de cadáveres decompostos, transmitem com realismo marcante a carnificina indizível da Guerra Civil.
E tudo isso contrasta com as memórias que Inman tem do início da guerra, três anos antes, quando os jovens de Cold Mountain saudavam seu começo com entusiasmo.
A equipe de produção, que inclui o diretor de fotografia John Seale, o editor Walter Murch, a figurinista Ann Roth (auxiliada por Carlo Poggioli) e o designer de produção Dante Ferretti, fez um trabalho belíssimo ao recriar na zona rural da Romênia a beleza agreste e assustadora da comunidade de Cold Mountain, nas montanhas Blue Ridge, e toda região selvagem atravessada por Inman.
A música melancólica criada por Gabriel Yared, inspirada em canções folclóricas da época, parece ser uma parte integrante do filme.
Redação Terra

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Spartacus (filme)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Spartacus (PT/BR)
Estados Unidos
1960 cor 184 min
Direção
Stanley Kubrick
Roteiro/Guião
Howard Fast / Dalton Trumbo
Elenco
Kirk Douglas
Laurence Olivier
Peter Ustinov
John Gavin
Jean Simmons
Charles Laughton
Tony Curtis
Género
épico / drama histórico
Idioma
inglês

Spartacus é um épico estadunidense de 1960, do gênero drama histórico, realizado por Stanley Kubrick, e que conta a história do escravo romano Espártaco.
Índice
1 Sinopse
2 Elenco
3 Principais prêmios e indicações
4 Ligações externas


Sinopse
Um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Ele, por sua vez, não tem muito com o que sonhar, pois foi condenado à morte por morder um guarda em uma mina na Líbia. Mas seu destino foi mudado por um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Até que um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva.
As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até à morte e Spartacus é escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos. Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Inicialmente as legiões romanas subestimaram seus adversários e foram todas massacradas, por homens que não queriam nada de Roma, além de sua própria liberdade. Até que, quando o Senado Romano toma consciência da gravidade da situação, decide reagir com todo o seu poderio militar.
O ápice do filme é a extraordinária cena da batalha onde os escravos são derrotados pelas legiões romanas. Na cena, mostra muito bem como as legiões romanas se movimentavam no campo de batalha. Spartacus sem sombra de dúvidas foi um dos melhores feitos na História do cinema no gênero épico.

Elenco
Kirk Douglas ... Spartacus
Laurence Olivier ... Crassus
Jean Simmons ... Varinia
Peter Ustinov ... Batiatus
Charles Laughton ... Graccus
John Gavin ... Caesar
Tony Curtis ... Antoninus
Nina Foch ... Helena Glabrus
John Ireland ... Crixus
Herbert Lom ... Tigranes
John Dall ... Glabrus
Woody Strode ... Draba

Principais prêmios e indicações


Oscar 1961 (EUA)
Venceu nas categorias de melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov), melhor direção de arte colorida , melhor fotografia colorida e melhor figurino colorido .
Indicado nas categorias de melhor edição e melhor trilha sonora de drama ou comédia .
BAFTA 1961 (Reino Unido)
Indicado na categoria de melhor filme de qualquer origem.
Globo de Ouro 1961 (EUA)
Venceu na categoria de melhor filme - drama.
Indicado nas categorias de melhor ator de cinema - drama, melho ator coadjuvante (Peter Ustinov e Woody Strode), melhor diretor de cinema e melhor trilha sonora.










SPARTACUS, A REVOLTA DOS ESCRAVOS

Spartacus nasceu por volta do ano 100 a.C. na Trácia. Foi soldado romano mas, quando lhe pediram para lutar contra o seu povo, recusou e foi feito escravo juntamente com a sua mulher. Foram levados para Cápua, na península itálica, a cerca de 1500 kms da sua terra natal. Aí foi vendido e tornou-se um escravo gladiador. Fez amizade com outro escravo gladiador gaulês chamado Crixos.
Em 73 a.C., cerca de duzentos gladiadores revoltaram-se, devido aos maus tratos que recebiam, armados apenas com facas de cozinha e armas improvisadas e com o armamento que recolhiam dos guardas mortos. No entanto, apenas cerca de 78 conseguiram escapar, e agora armados devidamente, os gladiadores repeliram a guarnição de Cápua. Spartacus e Crixos lideraram a fuga.
Os primeiros dias foram dedicados à sobrevivência. Percorrem os campos do sul da península itálica roubando para se alimentarem, vestirem e armarem. Tinham um plano. A ideia era organizarem-se numa unidade móvel de combate de guerrilha e refugiarem-se num local de fácil defesa. Escolheram as encostas do monte Vesúvio.
As notícias da evasão chegaram a Roma que não se preocupa com a situação. É formado um pequeno exército de cerca de 3000 homens, quase todos recrutas sem experiência e que são enviados para capturar os escravos gladiadores fugitivos.
Spartacus que já tinha sido soldado romano sabe que estes gostam de combater em campo aberto e que a melhor tática de combate com eles é a tática de guerrilha que consiste em fazer armadilhas e ataques de surpresa seguidos de fuga.
Os 3000 romanos são facilmente derrotados por Spartacus depois de um ataque de surpresa. Durante a noite, Spartacus mandou atar cadáveres a postes no seu acampamento para que os romanos pensassem que eram sentinelas e que iriam aí passar a noite. Ao mesmo tempo desceu a encosta por um lugar de difícil acesso e, na manhã seguinte, atacou os romanos de surpresa pelas costas derrotando-os facilmente.
A notícia da vitória de Spartacus percorreu o sul da Itália e muitos escravos e camponeses pobres fogem ou abandonam as suas terras para se juntarem a Spartacus. O grupo de escravos já parece um exército...
Mas Roma continua pouco preocupada enviando pequenas legiões mal preparadas. Durante quase um ano, vão sendo sucessivamente derrotas e, o grupo de Spartacus, recebe cada vez mais apoiantes. É agora um verdadeiro exército. Spartacus sabe que com tantos homens lhe é cada vez mais difícil usar a táctica de guerrilha. Sabe também que é uma questão de tempo até os romanos os levarem mesmo a sério e a enviar verdadeiros exércitos com soldados experientes para os derrotar. Por isso pensa que a melhor solução é fugir para fora de Itália. Sonha fugir para a Trácia, sua terra natal. Mas o seu amigo Crixos tem outra opinião. Está demasiado auto-confiante e julga poder derrotar sempre os romanos. Para Crixos, a melhor solução é ficar em Itália e roubar o máximo que puder. Planeia mesmo conquistar a cidade de Roma. Crixos e os seus apoiantes afastam-se de Spartacus para seguir o seu plano.
Mas os romanos estão agora preocupados e enviam dois grandes exércitos com homens experientes. Sabem que os fugitivos se dividiram. Derrotam o grupo de Crixos e matam-no. Concentram-se agora em Spartacus. Este tenta fugir pelo sul para a ilha da Sicilia. Aluga barcos para atravessar o Mediterrâneo mas é enganado e os barcos não chegam a aparecer. Percorre a Itália, dirigindo-se a norte para ultrapassar os Alpes e fugir para a Trácia. Consegue derrotar os exércitos romanos que o perseguem. Segundo Apiano, historiador romano, Spartacus manteve 300 homens do general romano Gellius vivos e forçou-os a lutar entre si até à morte como Gladiadores.
Quando chega aos Alpes, os seus homens não o querem acompanhar. Querem voltar para trás e derrotar os romanos. Estes enviaram 10 legiões porque sabem que Roma corre um grande perigo. Spartacus é derrotado. O seu corpo nunca foi descoberto mas, à saída da cidade de Roma, na estrada para Cápua, foram crucificados 6 000 de escravos fugitivos que aí ficam expostos a apodrecer para servirem de exemplo a todos os escravos. Para que saibam o que acontece a quem se revolta contra Roma.
A revolta de Spartacus foi derrotada pelo homem mais rico de Roma, Marcus Licinius Crassus, que foi quem organizou as legiões romanas que o derrotaram. Mas quem ficou na História como herói foi Spartacus e não Crassus. Ainda hoje é recordado como um herói da liberdade.