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segunda-feira, 14 de março de 2016

Teste seus conhecimentos

Teste seus conhecimentos

Mesopotâmia

28. (FUVEST 2015) A maior parte das regiões vizinhas [da antiga Mesopotâmia] caracteriza-se pela aridez e pela falta de água, o que desestimulou o povoamento e fez com que fosse ocupada por populações organizadas em pequenos grupos que circulavam pelo deserto. Já a Mesopotâmia apresenta uma grande diferença: embora marcada pela paisagem desértica, possui uma planície cortada por dois grandes rios e diversos afluentes e córregos. 
(Marcelo Rede. A Mesopotâmia, 2002.) 

A partir do texto, é correto afirmar que 
(A) os povos mesopotâmicos dependiam apenas da caça e do extrativismo vegetal para a obtenção de alimentos. 
(B) a ocupação da planície mesopotâmica e das áreas vizinhas a ela, durante a Antiguidade, teve caráter sedentário e ininterrupto.
(C) a ocupação das áreas vizinhas da Mesopotâmia tinha características nômades e os povos mesopotâmicos praticavam a agricultura irrigada. 
(D) a ocupação sedentária das regiões desérticas representava uma ameaça militar aos habitantes da Mesopotâmia. 
(E) os povos mesopotâmicos jamais puderam se sedentarizar, devido às dificuldades de obtenção de alimentos na região.
29. (IFSP 2014) Leia o texto, a seguir, que explica os mecanismos de escravização na Assíria da Antiguidade.
Os pequenos cultivadores, que tomavam valores ou mercadorias emprestados, deviam encontrar-se constantemente na impossibilidade de reembolsar seus credores, os quais se ressarciam escravizando-os. O resultado dessa situação é que pessoas arruinadas vendiam seus filhos para subsistir. Entretanto, a grande massa de escravos provinha dos prisioneiros de guerra, resultados de operações militares.
(GARELLI, Paul. Oriente próximo asiático: impérios mesopotâmicos, Israel. São Paulo: EDUSP, 1982, p.120. Adaptado)

Considerando as informações apresentadas, é correto afirmar que a escravidão da Assíria antiga
(A) empregava predominantemente a mão de obra de negros africanos escravizados em batalhas.
(B) estava relacionada às práticas econômicas de empréstimos e às guerras de expansão territorial.
(C) resultava do excesso populacional na Assíria durante o período de expansão do Império Islâmico.
(D) baseava-se na discriminação racial aos povos de origem judaica que circulavam como nômades.
(E) organizava-se de acordo com o modelo econômico mercantilista, visando à acumulação de capitais.

30. (UFRR 2015) O Iraque, país localizado no Oriente Médio, atualmente, convivendo com instabilidade política e social, bem como, ameaças de grupos terroristas, já foi palco de uma importante civilização da antiguidade denominada Mesopotâmia. 

Sobre esta importante civilização pode se afirmar que: 
A) foi a primeira civilização da História, era formada de povos nômades que mudavam-se constantemente em busca de alimentos; 
B) é considerada o berço da civilização, pois foi o primeiro povo que utilizou instrumentos importantes que, posteriormente, deram origem à medicina; 
C) foi a primeira civilização que cultivou o milho e a cevada dando início assim a agricultura, e o sistema era plantation; 
D) foi pioneira na utilização da escrita, da matemática e da astronomia; 
E) foi a primeira civilização a praticar o cultivo dos alimentos dando início ao que mais tarde chamou-se agricultura, o primeiro e principal produto era o café.

GABARITO
Resposta da questão 28:[C]
Resposta da questão 29:[B]
Resposta da questão 30:[D]


Revolução Francesa

31. (ENEM 2010) Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela moral, a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as conveniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império da razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a insolência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o amor ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio, o brilho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da felicidade, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do homem.
HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: PERROT, M. (Org.) História da Vida Privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São Paulo: Companhia das Letras, 1991 (adaptado).

O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro de 1794, do qual o trecho transcrito é parte, relaciona-se a qual dos grupos político-sociais envolvidos na Revolução Francesa?
A) À alta burguesia, que desejava participar do poder legislativo francês como força política dominante.
B) Ao clero francês, que desejava justiça social e era ligado à alta burguesia.
C) A militares oriundos da pequena e média burguesia, que derrotaram as potências rivais e queriam reorganizar a França internamente.
D) À nobreza esclarecida, que, em função do seu contato, com os intelectuais iluministas, desejava extinguir o absolutismo francês.
E) Aos representantes da pequena e média burguesia e das camadas populares, que desejavam justiça social e direitos políticos.

32. (ENEM) Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da palavra "restaurante". Desde o final da Idade Média, a palavra 'restaurant' designava caldos ricos, com carne de aves e de boi, legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças dos trabalhadores. Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos 'restaurateurs', que serviam pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a utilização da palavra restaurante com o sentido atual.

A mudança do significado da palavra restaurante ilustra
a) a ascensão das classes populares aos mesmos padrões de vida da burguesia e da nobreza.
b) a apropriação e a transformação, pela burguesia, de hábitos populares e dos valores da nobreza.
c) a incorporação e a transformação, pela nobreza, dos ideais e da visão de mundo da burguesia.
d) a consolidação das práticas coletivas e dos ideais revolucionários, cujas origens remontam à
Idade Média.
e) a institucionalização, pela nobreza, de práticas coletivas e de uma visão de mundo igualitária.

33. (UECE 2014) “Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores, os professores, os advogados, os juízes, os funcionários – as classes educadas; eram os mercadores, os fabricantes, os banqueiros – as classes abastadas, que já tinham direitos e queriam mais.
Acima de tudo, queriam – ou melhor, precisavam – lançar fora o jugo da lei feudal numa sociedade que realmente já não era feudal. Precisavam deitar fora o apertado gibão feudal e substituí-lo pelo folgado paletó capitalista. Encontraram a expressão de suas necessidades no campo econômico, nos escritos dos fisiocratas de Adam Smith; e a expressão de suas necessidades, no campo social, nos trabalhos de Voltaire, Diderot e dos enciclopedistas. O laissez-faire no comércio e indústria teve sua contrapartida no ‘domínio da razão’ na religião e na ciência.”
HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª ed. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1986, p. 149.

Essa Burguesia, descrita por Leo Huberman, foi responsável por uma das principais transformações políticas e sociais, que teve um impacto duradouro na história do país onde ocorreu e, mais amplamente, em todo o continente europeu. Essa Burguesia está ligada à
a) Revolução Gloriosa, de 1688 a 1689.
b) Revolução Francesa, de 1789 a 1799.
c) Revolução Russa, de 1917.
d) Revolução de Avis, de 1383 a 1385.

34. (FUVEST 2013) Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos, arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam.
Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.

O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789. O autor
a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus métodos e costumes políticos.
b) apoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país.
c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.
d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França.
e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa.

GABARITO
Resposta da questão 31:[E]
Resposta da questão 32:[B]
Resposta da questão 33:[B]
Resposta da questão 34:[D]


Economia colonial na América Portuguesa

31. (ENEM) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras.
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.

Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de
A) o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.
B) os árabes serem aliados históricos dos portugueses
C) a mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.
D) as feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.
E) os nativos da América dominarem uma técnica de cultivo semelhante.

32. (VUNESP 2012) Observe o seguinte trecho do Tratado de Methuen.
Artigo 1º  – Sua Sagrada Majestade El-Rei de Portugal promete admitir para sempre de aqui em diante, no Reino de Portugal, os panos de lã e mais fábricas de lanifício da Inglaterra.
Artigo 2º  – É estipulado que Sua sagrada e Real Majestade Britânica será obrigada para sempre, de aqui em diante, de admitir na Grã-Bretanha os vinhos de Portugal, de sorte que em tempo algum não se poderá exigir direitos de Alfândega nestes vinhos.
Tratado de Methuen – 1703. In: Nelson Werneck Sodré, As Razões da Independência. Adaptado.

Entre outros fatores, foi devido ao Tratado de Methuen que:
a) as manufaturas têxteis se desenvolveram muito no Brasil.
b) Inglaterra e Portugal foram os primeiros países a se industrializarem.
c) a burguesia portuguesa enriqueceu e lutou contra a monarquia.
d) o ouro explorado no Brasil foi transferido para a Inglaterra.
e) Portugal diminuiu o seu interesse pela exploração da colônia.

33. (VUNESP) "E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moedas para os reinos estranhos e a menor é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil, salvo o que se gasta em cordões, arrecadas e outros brincos, dos quais se vêem hoje carregadas as mulatas de mau viver e as negras, muito mais que as senhoras".
(André João Antonil. "Cultura e opulência do Brasil", 1711.)

No trecho transcrito, o autor denuncia:
 a) a corrupção dos proprietários de lavras no desvio de ouro em seu próprio benefício e na compra de escravos.
b) a transferência do ouro brasileiro para outros países em decorrência de acordos comerciais internacionais de Portugal.
c) o prejuízo para o desenvolvimento interno da colônia e da metrópole gerado pelo contrabando de ouro brasileiro.
d) o controle do ouro por funcionários reais preocupados em esbanjar dinheiro e dominar o poder local.
e) a ausência de controle fiscal português no Brasil e o desvio de ouro para o exterior pelos escravos e mineradores ingleses.

34. (FUVEST 2013) A economia das possessões coloniais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. 

Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia:
a) tabaco, algodão e derivados da pecuária.
b) ferro, sal e tecidos.
c) escravos indígenas, arroz e diamantes.
d) animais exóticos, cacau e embarcações.
e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoarias.

GABARITO
Resposta da questão 31:[A]
Resposta da questão 32:[D]
Resposta da questão 33:[C]

Resposta da questão 34:[A]

quarta-feira, 9 de março de 2011

Saiba mais sobre o século XVIII e a mineração no Brasil colônia

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes

Terceiro Ano - Primeiro Bimestre

Coleção Pitágoras

A mineração no período colonial brasileiro

O século de ouro no Brasil

Em 1703 Portugal assinou com a Inglaterra o Tratado de Methuen. As conseqüências desse acordo agravaram a situação da balança comercial portuguesa, já fragilizada pelo declínio da cana-de-açúcar. Pouco tempo depois, foi encontrada no Brasil a primeira grande jazida de ouro. A Coroa viu nessa descoberta a possibilidade de sanar todos os problemas que assolavam a sua economia.

O ciclo econômico da mineração na América portuguesa teve início no final do século XVII, após a decadência da produção açucareira. A atividade extrativista era voltada para o ouro e os diamantes, nas regiões onde hoje se encontram os estados de Goiás, Mato Grosso e, especialmente, Minas Gerais. O apogeu da mineração ocorreu entre 1750 e 1770, justamente quando a Inglaterra começou a se consolidar como potência industrial e exercer influência econômica cada vez maior sobre Portugal.

A metrópole procurava por minérios preciosos em sua colônia desde a descoberta das Minas de Potosí na América espanhola, em 1530. A primeira descoberta de jazidas de ouro é atribuída a um paulista, Antonio Rodrigues Arzão, em 1638. Porém, a disputa pelo ouro só se iniciou de fato em 1698, com a descoberta das jazidas de Ouro Preto (MG).

Os governadores relataram a descoberta ao rei de Portugal. A notícia desencadeou um enorme deslocamento populacional – homens em busca de enriquecimento rápido – de Portugal e de diversos pontos da colônia, provocando profunda carestia numa região ainda selvagem e sem estrutura para receber aquela quantidade de pessoas. Outra conseqüência dessa “febre do ouro” foi a evasão de grande parte da população de diversas regiões da colônia, bem como da metrópole, tornando muitas delas despovoadas.

A população era bastante heterogênea, com predomínio dos paulistas, que em geral andavam descalços. Era fácil diferenciá-los dos estrangeiros, que chegavam à colônia calçados e com roupas pesadas e por isso ficaram conhecidos como emboabas, “pássaro emplumado” em tupi.

Os paulistas se julgavam donos das minas por direito de descoberta e não queriam dividir os lucros com os emboabas. Estes controlavam as entradas e saídas da minas, assim como a quantidade de ouro extraída. Representavam a Coroa portuguesa e se fixaram especialmente na Bahia, sob o comando do comerciante Nunes Viana.

Para melhor controlar a mineração, Portugal decidiu que todo ouro deveria permanecer em Minas Gerais até que os impostos fossem pagos, o que atrapalhou muito o comércio com a Bahia e os negócios de muitos emboabas que lá viviam. Irritado com a nova lei, Nunes Viana se desentendeu com Borba Gato, guarda-mor das minas. Viana decidiu não acatar a decisão da Coroa e foi expulso. Porém, como não contava com o apoio dos emboabas, estes se rebelaram e, com isso, surgiu o primeiro grande conflito entre nativos e estrangeiros na colônia.

A Guerra dos Emboabas

A maior parte das minas estava concentrada nas mãos dos emboabas. Os paulistas, que contavam com a ajuda dos índios, ocupavam especialmente a região do Rio das Mortes. Os emboabas decidiram expulsá-los de lá, encurralando-os e massacrando-os.

Assim, os emboabas assumiram o controle da maior parte das minas, desafiando a autoridade portuguesa. Foi necessário que a Coroa enviassem um novo governador para negociar com os emboabas e lhes prometer inúmeros privilégios em troca do controle político da região.

Os paulistas derrotados seguiram para Mato Grosso, onde descobriram ouro em 1719, e para Goiás. Isso deslocou e expandiu ainda mais a ocupação portuguesa, fazendo do ouro uma febre e algo que parecia ser uma garantia de riqueza perpétua.

A exploração do ouro

O ouro explorado por aqui ficou conhecido como ouro de aluvião, depositado no fundo dos rios e de fácil extração (ao contrário das minas de prata, que exigiam uma escavação profunda). A extração de aluvião era mais fácil e por outro lado, de esgotamento mais rápido.

Havia basicamente duas formas de explorar o ouro:

- Lavra: grande extração, que utilizava mão de obra escrava. À medida que o ouro do local ia se esgotando, a lavra se deslocava para outra região, deixando o que restara para a faiscação, praticada por pequenos mineradores.

- Faiscação: pequena extração, praticada quase sem o trabalho de escravos. Técnica de baixo custo, que tornava a mineração acessível a qualquer homem livre.

A fiscalização portuguesa

A fiscalização sobre a extração do ouro foi extremamente rigorosa, uma vez que o objetivo de Portugal era garantir sua renda sobre o metal.

O imposto cobrado sobre o ouro garimpado era o quinto. A cobrança se dava da seguinte forma:

- Toda jazida descoberta deveria ser imediatamente comunicada à Intendência das Minas mais próxima (órgão que fiscalizava a extração do ouro).

- O intendente dividia a área descoberta em “datas”.

- O descobridor podia escolher duas datas: uma como descobridor e outra como mineiro. A terceira data era escolhida pela Coroa.

Como as técnicas utilizadas eram rudimentares, cresceu a dependência do trabalho escravo: só com o aumento de trabalho é que poderia haver crescimento da produção. Assim, os escravos eram submetidos a um esforço físico brutal.

Porém, por mais que a exploração crescesse, a arrecadação do quinto não aumentava, pois as fraudes eram comuns.

Em 1690 foram criadas as Casas de Fundição, estabelecimentos controlados pela Fazenda Real que recebiam todo o ouro extraído, transformavam-no em barras timbradas e devidamente quintada e, após esse processo, devolviam-nas ao proprietário.

As Casas de Fundição causaram enorme revolta entre os colonos. O trabalho que tinham para transportar o ouro até elas, a burocracia, as taxas e a dificuldade de contrabandear contribuíram para piorar as relações entre Metrópole e colônia. Num determinado momento, o conflito explodiu, na Revolta de Vila Rica, em 1720 (também conhecida como Revolta de Filipe dos Santos, nome de seu líder). Os mineradores foram derrotados e obrigados a pagar 52 arrobas de ouro por ano para substituir o sistema das Casas. Isso aumentou a arrecadação de Portugal até 1730, quando voltou a cair. Para evitar a queda, a Coroa instaurou uma cobrança de impostos per capita: uma taxa sobre cada morador da zona mineradora.

Os mineradores não concordaram e propuseram um acordo, sugerindo 100 arrobas anuais de ouro. O rei português, D. José, decidiu manter o imposto, tendo as 100 arrobas como piso mínimo. Se esse teto não fosse atingido seria aplicada a derrama, cuja importância cresceu desde 1690. Porém, a partir de 1760, a produção de ouro começou a decair rapidamente, embora Portugal tenha insistido em manter a mesma arrecadação. Isso resultou em diversas revoltas de cunho econômico contra a metrópole.

As consequências do ouro

Urbanização: graças à altíssima migração para a região das minas iniciou-se um intenso processo de urbanização no interior da colônia, em vez de no litoral. Um grande número de povoados surgiu, logo se transformando em cidades importantes, onde foram instalados os serviços de fiscalização da Coroa e de administração urbana. Havia também a presença da Igreja Católica.

Diversidade e mobilidade social: a cidade se desenvolve a partir de três locais básicos: o mercado, a prefeitura e a igreja.

Essa sociedade passou a agregar os mais diferentes tipos: mineradores ricos, faiscadores pobres, negros libertos, vendedores ambulantes, artesãos, profissionais liberais e mulheres de várias condições. Essa diversidade de grupos levou a uma variedade de interesses na colônia, distintos daqueles da Coroa.

Aos poucos, a diversidade aumentou:

- Mineradores começaram a oferecer a liberdade para alguns escravos em troca de uma cota de garimpo de outro. Cresceu o número de negros livres com dificuldade de conseguir trabalho.

- Mulheres eram raras na região. A maioria dos homens casados esperava voltar depressa para casa e não levava a esposa consigo. Isso aumentou muito a miscigenação, pois era comum mineradores ricos manterem amantes negras e mestiças, dando cargos importantes em seus negócios aos filhos dessas uniões ilegítimas.

A elite passou a ser educada na Europa, e jovens trouxeram para a colônia influências de correntes intelectuais estrangeiras, criando, no novo ambiente urbano, uma forte explosão cultural. Seu resultado foi o Barroco, um movimento artístico cujas produções locais traziam características próprias, além das presentes nos modelos europeus.

As reformas pombalinas

O marquês de Pombal foi ministro de d. José, que sucedeu D. João V, em 1750. Seu governo foi marcado por problemas econômicos causados pela diminuição da arrecadação aurífera na colônia e pelo aumento das dívidas com a Inglaterra. Pombal tomou as rédeas do governo, numa tentativa de tirar de Portugal os resquícios do Antigo Regime.

O projeto de reformas de Pombal era contraditório: buscava fortalecer a monarquia e ao mesmo tempo colocar Portugal no ritmo das mudanças que aconteciam na Europa, tentando estabelecer o absolutismo esclarecido no país.

As reformas pombalinas são tradicionalmente divididas em dois conjuntos, referindo-se a dois aspectos diferentes: colônia e metrópole. Elas agiam para aumentar o domínio metropolitano, fortalecendo o Pacto Colonial.

Em Portugal:

- Redução do poder da Companhia de Jesus. Pombal queria uma educação que fosse voltada para o desenvolvimento do Estado, com estudos de economia e ciência política. Era necessário afastar os jesuítas.

- A fim de conseguir mais capital, Pombal passou a proteger os cristãos-novos, dos de manufaturas, atacados pelos jesuítas. Criou leis que proibiam considerar os cristãos-novos inferiores aos antigos, igualando nobreza e mercadores burgueses.

- Educação: uma das reformas mais importantes, laicizando o ensino, reformando a Universidade de Coimbra e estimulando o ensino superior. A educação passou a ser controlada pelo Estado e o currículo escolar foi unificado. Os jesuítas foram substituídos nas escolas por diretores apontados por Pombal.

Na colônia:

- Centralização de poder na colônia: extinção das capitanias hereditárias; unificação dos estados do Maranhão e do Brasil; transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, determinando que o ouro e diamantes só poderiam sair da América por essa cidade.

- Expulsão dos jesuítas e proibição da escravidão indígena;

- Ensino deveria ser exclusivamente em português, mesmo para os índios, antes ensinados em tupi, idioma que foi banido da colônia;

- Aumento do quinto para 100 arrobas e intensificação da derrama;

- Criação de novas companhias de comércio em diversas regiões da colônia;

- Diversificação econômica: algodão no Maranhão, retomada da cana em Pernambuco, incentivo à produção de tabaco;

- Incentivo à produção de manufaturados.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mineração e violência no período colonial mato-grossense

Abordagem acerca do caráter violento presente na sociedade mineradora do período colonial em Mato Grosso e Goiás, locais em que roubos, raptos, assassinatos eram constantes. Além da atuação dos bandoleiros e salteadores, existia o perigo iminente do ataques de índios bravios e de escravos quilombolas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

História de Mato Grosso - Bandeirantes e mineração
O ínicio da exploração econômica de Mato Grosso com a penetração do território pelos bandeirantes, que à procura de índios para a escravidão, acabaram encontrando ouro em Cuiabá. São apresentadas também, algumas características das bandeiras e a consequente expansão territorial brasileira no século 18.