Mostrando postagens com marcador Coluna Prestes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coluna Prestes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Simulado de História do Brasil

Confira a correção do SIMULADO DE HISTÓRIA
 
PRIMEIRA SÉRIE


QUESTÃO 28
(FUVEST adaptada)
Jean-Baptiste Debret, Diferentes Nações Negras de escravos no Brasil, 1831

"Angola, Congo, Benguela
  Monjolo, Cabinda, Mina
  Quiloa, Rebolo"
                                              (Jorge Benjor, África/Brasil-Zumbi)

Os textos referem-se a.
a) colônias holandesas de exploração na África do século XVI ao século XVIII.
b) grupos africanos escravizados e trazidos para o Brasil durante a colonização.
c) reinos africanos que se rebelaram contra a colonização portuguesa na época da independência do Brasil.
d) comunidades livres formadas por escravos fugitivos.
e) países africanos atuais que mantêm estreitos vínculos com a cultura brasileira.


QUESTÃO 29
(FUVEST) O tráfico de negros para o Brasil foi importante elemento de:
a) acesso a mão de obra de baixa rentabilidade econômica.
b) estímulo ao comércio de índios enviados para Portugal.
c) lucratividade, favorecendo a acumulação de capitais na metrópole.
d) incentivo à produção de manufaturas para o mercado interno.
e) predomínio da agricultura de subsistência e da policultura.


QUESTÃO 30
Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios africanos trazidos como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico, estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos.
SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 (adaptado).

Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência da escravidão no Brasil tornou possível a
a) formação de uma identidade cultural afro-brasileira.
b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.
c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia.
e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas.


GABARITO
QUESTÃO 28:[B]
Comentário da questão:
Os textos referem-se a grupos africanos escravizados e trazidos para o Brasil durante a colonização. Zumbi foi o chefe do maior quilombo construído no Brasil, o de Palmares. Em 1694, tropas comandadas pelo paulista Domingos Jorge Velho destruíram o quilombo de Palmares, que havia se formado desde o início do século XVII. Poucos sobreviveram ao ataque final, refugiando-se nas matas da Serra da Barriga sob a liderança de Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, depois de resistir por quase dois anos.A luta de Zumbi representa o episódio maior da resistências negra contra a escravidão.

QUESTÃO 29:[C]
Comentário da questão:
O tráfico de escravos, já praticado pelos portugueses desde o século XV para suprir a carência de mão de obra na Europa e em suas colônias das Antilhas, é um negócio altamente lucrativo para a metrópole. Ao contrário dos negócios em torno do escravo indígena, que geram um comércio interno cujos lucros não atingem a metrópole, o comércio do africano se inicia sob o seu controle. Como consequência, o grau de dependência da economia colonial acentuou-se devido ao controle de um setor estratégico praticado de perto pela metrópole. O tráfico negreiro aprofunda os objetivos mercantilistas da Coroa portuguesa ao tornar-se uma atividade altamente lucrativa, especialmente a partir do aumento da produção canavieira, ainda no século XVI. Expande-se por todas as atividades da colônia, tornando-se a base sobre a qual se ergue a sua economia.


QUESTÃO 30: [A]
Comentário da questão:
Segundo o texto de Robert Slenes, ao serem transferidos para o Brasil na condição de escravos, os africanos também traziam sua cultura e seus costumes. Através do contato e interação com outros povos de matriz africana no território brasileiro, os escravos foram os responsáveis pela formação da cultura afro-brasileira.


SEGUNDA SÉRIE

QUESTÃO 31
(G1) A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do governo de Campos Salles, caracterizava-se por:
a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder.
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.

QUESTÃO 32
(UNESP) A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República.
b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas.
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas.
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira.



QUESTÃO 33
(G1) O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como:

a) Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados.
b) Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c) Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d) Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.
e) Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle.

QUESTÃO 34
(ENEM) Sobre a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que muito influenciaria a Semana de Arte Moderna, Monteiro Lobato escreveu, em artigo intitulado Paranoia ou Mistificação:

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres (...) A outra espécie é formada dos que vêem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva (...). Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso & Cia.

(O Diário de São Paulo, dez/1917)

Em qual das obras abaixo se identifica o estilo de Anita Malfatti criticado por Monteiro Lobato no artigo?

GABARITO
QUESTÃO 31:[C]
Comentário da questão:
A política dos governadores foi um sistema político não oficial, idealizado e colocado em prática pelo presidente Campos Sales (1898 – 1902), que consistia na troca de favores políticos entre o presidente da República e os governadores dos estados. De acordo com esta política, o presidente da República não interferia nas questões estaduais e, em troca, os governadores davam apoio político ao executivo federal.


QUESTÃO 32: [C]
Comentário da questão:
O tenentismo, cuja mais expressiva manifestação foi a Coluna Prestes, buscava, através da luta armada, pôr fim ao regime oligárquico, típico da Primeira República brasileira. Lutou contra o governo de Artur Bernardes e o sistema oligárquico até a Revolução de 1930.

QUESTÃO 33:[D]

Comentário da questão:
O coronelismo foi uma experiência típica dos primeiros anos da república brasileira. De fato, essa experiência faz parte de um processo de longa duração que envolve aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais do Brasil. A construção de uma sociedade vinculada com bases na produção agrícola latifundiária, desde os tempos da colônia, poderia contar como um dos fatos históricos responsáveis pelo aparecimento do chamado “coronel”.


QUESTÃO 34:[E]
Comentário da questão:
Na tela A Boba, cuja autora é Anita Malfatti, verifica-se o estilo artístico criticado por Lobato. Trata-se de uma obra afinada com as vanguardas artísticas. Observe-se que ela transgride a noção tradicional de perspectiva e de figuração clássica. A imagem deforma as proporções e acentua as cores (o que não pode ser apreciado na ilustração em branco e preto) de acordo com propostas do Expressionismo, além de estilizar as formas de modo a ressaltar volumes geometrizados, o que se pode associar também ao Cubismo.

domingo, 17 de junho de 2012

Saiba mais sobre as revoltas da Primeira República

Roteiro de estudo: As revoltas da República Velha





Lista de exercícios sobre as revoltas da República Velha
 
1. (Ufpr 2011)  Os movimentos messiânicos brasileiros, como Canudos e Contestado, ocorreram entre o final do século XIX e início do XX. Sobre esses movimentos, considere as seguintes afirmativas:

1. Foram movimentos de resistência social, liderados pelos anarquistas de origem italiana.
2. Foram movimentos baseados na religiosidade popular, como reação à laicização do estado brasileiro imposta pela proclamação da República.
3. Foram movimentos religiosos liderados pela Igreja Católica, contrária às reformas políticas do estado brasileiro.
4. Foram movimentos relacionados à disputa pelo poder local e à luta pela terra, acirrados pelas reformas impostas pelo regime republicano.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.  
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.  
c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.  
d) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.  
e) Somente a afirmativa 4 é verdadeira.  
 
 Resposta:[D]

Foram movimentos de sertanejos pobres e explorados, marcados pela situação de ignorância e de forte misticismo. Como seus líderes eram homens comuns, de origem popular e congregaram centenas e milhares de adeptos, foram estigmatizados e perseguidos pela Igreja Católica. Os dois movimentos, apesar da distancia no tempo entre eles, contestaram de alguma forma o governo e as instituições republicanas. 

2. (Unesp 2008) Observe a fotografia dos habitantes de Canudos aprisionados pelas tropas federais em 1897.
Caracterize as circunstâncias sociais da formação do arraial de Canudos e o contexto histórico de sua destruição.

Resolução 

O contexto sócio-econômico da Guerra de Canudos é o de marginalização da população sertaneja, isolada geograficamente e socialmente, a mercê do poder dos grandes latifundiários e ignorada pelo regime recém instalado. Liderados por Antônio Conselheiro, os sertanejos de Canudos tentaram manter um modo de vida solidário e alternativo em pleno sertão baiano.
Considerados perigosos por propagar supostas propostas de restauração monárquica, acusados de fanáticos, loucos e até de “comunistas”, os revoltosos foram combatidos por quatro expedições do Exército até a destruição completa do arraial em 1897.

 
3. (G1 - ifce 2011)  A Revolta de Canudos (1893-1897) se insere no contexto das lutas populares da República Velha e se caracteriza como movimento messiânico. Melhor caracteriza esta revolta: 
a) movimento de rebeldia social que, sob o comando do cangaceiro Virgulino Ferreira – o Lampião – lutava contra a opressão da vida nordestina.   
b) liderada por José Maria, cujo nome verdadeiro era Miguel Lucena Boaventura, reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundou com eles alguns povoados, a chamada “Monarquia Celeste”.   
c) ocorrida no governo do presidente Rodrigues Alves, no Rio de Janeiro, contra as péssimas condições de vida da população pobre, como epidemias, pobreza e desemprego.   
d) movimento liderado por Antônio Conselheiro (Antônio Mendes Maciel), que fundou, no sertão da Bahia, uma comunidade que congregava ex-escravos, sertanejos sem terra, gente perseguida pelos coronéis ou pela polícia.   
e) reuniu 2 mil marujos da Marinha brasileira, sob a liderança de João Cândido, que reivindicavam o fim dos castigos físicos, da má alimentação e dos baixos soldos (salários).  





 
Resposta:[D]

Movimento messiânico, ou sebastianista, deu origem a uma comunidade independente, que não aceitava as estruturas políticas-republicanas e contestava a autoridade da Igreja Católica. Ao longo de anos, as pregações do beato, conhecido como Antônio Conselheiro, atraiu milhares de sertanejos pobres, vítimas da seca, da concentração fundiária e da violência dos coronéis.  
  
 
4. (Ufg 2010)  Analise a imagem e leia o fragmento a seguir.

           
            Protesto contra a perseguição que se está fazendo à gente de Antônio Conselheiro […] Não se lhe conhecem discursos. Diz-se que tem consigo milhares de fanáticos […] Se na última batalha é certo haverem morrido novecentos deles e o resto não se desapega de tal apóstolo, é que algum vínculo moral e fortíssimo os prende até a morte. Que vínculo é este?

ASSIS, Machado de. Jornal Gazeta de Notícias, 31 jan. 1897. In: ASSIS, Machado de, 1839-1908. Obra Completa. Organização de Aluízio Leite Neto, Ana Lima Cecílio e Heloísa Jahn. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 1365-1366. V. 2.

A figura de Antônio Conselheiro está associada à Guerra de Canudos (1893-1897). Quatro expedições militares foram necessárias para destruir a comunidade de Belo Monte, na Bahia.

Considerando o contexto das primeiras décadas republicanas, explique
a) as críticas presentes na charge e no texto de Machado de Assis;
b) o interesse do governo republicano em disseminar uma imagem negativa sobre a comunidade liderada por Antônio Conselheiro.

 
Resposta:
 a) Na charge, há um jogo de palavras. A ironia de que Antônio Conselheiro “estaria pintando o diabo” estabelece uma relação com a religiosidade popular, que encara o diabo como a representação do mal. Nesse sentido, a crítica relaciona-se à demonização de Antônio Conselheiro, disseminada durante o período republicano, quando sua figura passa a ser associada ao Monarquismo e ao fanatismo religioso. Ao mesmo tempo, há a indicação de um líder resistente, que “está dando o que fazer” e “pintando o diabo”. No fragmento de Machado de Assis, a referência ao desconhecimento do discurso dos amotinados de Canudos indica que, na realidade, há indiferença quanto aos princípios que mobilizam os seguidores de Conselheiro. Ainda, quando faz tal crítica, Machado sugere que é preciso algo mais do que apenas adjetivar os seguidores de Conselheiro como fanáticos, propondo, então, uma reflexão sobre o vínculo estabelecido entre o Conselheiro e seus seguidores – vínculo, segundo ele, “moral e fortíssimo”.

b) Era importante para o governo republicano disseminar uma imagem negativa da comunidade de Canudos, visto que a resistência dessa comunidade às incursões militares associava a República à fraqueza político-administrativa. Esse movimento reforçava as dificuldades vividas, no decurso das primeiras décadas republicanas, quando assistia-se às várias mobilizações sociais no campo e na cidade, que exigiam do governo ações pontuais para controlar os descontentamentos. Além disso, as pregações de Antônio Conselheiro foram vinculadas ao monarquismo por introduzirem críticas às políticas implementadas pelo regime republicano, tais como o casamento e o registro civil, e a separação entre Igreja e Estado.  

5. (Enem 2010)  As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos antigos revoltosos.
Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de
a) objetos arqueológicos e paisagísticos.   
b) acervos museológicos e bibliográficos.   
c) núcleos urbanos e etnográficos   
d) práticas e representações de uma sociedade.
e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.  
 
Resposta:[A]

A questão permite uma dupla interpretação. O ENEM considera a alternativa “A” como correta, pois a preocupação do Iphan foi preservar as ruínas, nas quais não se encontram elementos bibliográficos ou técnicos e não nos permite a compreensão de questões étnicas. No entanto, a alternativa “D” também pode ser considerada, pois as ruínas das construções de Canudos refletem o modo de vida da população daquela comunidade.  


6. (Uerj 2011)  
 
A Guerra de Canudos, de 1896 a 1897, foi um dos principais conflitos que marcaram o início do período republicano no Brasil. Os prisioneiros retratados na foto são sobreviventes dessa guerra, sertanejos vítimas de exclusão social e política.
Os fatores responsáveis por essa exclusão, naquele contexto, foram:
a) êxodo rural – voto de cabresto   
b) desemprego – reação monarquista   
c) crise agrícola – sincretismo religioso   
d) concentração fundiária – coronelismo   
  
 
Resposta:[D]

A Guerra de Canudos foi um dos conflitos sociais de maior gravidade no contexto dos anos iniciais de implantação da república no Brasil. Envolveu sertanejos pobres e um líder religioso, Antônio Conselheiro, fundadores de uma comunidade onde as condições de vida se diferenciavam das práticas de exclusão social e política, então predominantes naquele momento e pouco alteradas pelo regime republicano. Entre essas práticas, figuravam a concentração da propriedade fundiária e a exploração do trabalhador rural, decorrentes do poder político desfrutado pelos grandes coronéis.  

 
7. (Enem 2010)  A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento.

MACHADO P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Unicamp.
2004 (adaptado).

No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à região do meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização.
Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem da chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se
a) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural.   
b) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra.   
c) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região.   
d) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes. 
e) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional.  

 
Resposta:[C]

A Guerra do Contestado ocorreu no interior de Paraná e Santa Catarina e envolveu pequenos proprietários e principalmente a população sertaneja. Do ponto de vista econômico, a situação de pobreza da grande massa camponesa levou-os a contestar a política do governo federal de construir uma ferrovia na região, uma vez que todo o processo de derrubada da mata para a construção afetou a economia local, conforme descreve o texto, “os ervais nativos (...) eram destruídos”. Normalmente a Guerra do Contestado é apresentada apenas do ponto de vista ideológico, destacando-se a religiosidade, o messianismo, da população local.  

 
8. (Unesp) "Padre Cícero, prontamente, jurou lealdade ao Papa e à Constituição republicana do Brasil e, de imediato, recorreu aos potentados políticos do interior, atitudes com as quais ele, mais uma vez, desviou de si a hostilidade ambivalente do Estado e da Igreja. Desde que começara sua querela com a hierarquia eclesiástica do Ceará, em 1891, padre Cícero, diferentemente de Antônio Conselheiro, inúmeras vezes procurou, obteve e cultivou a proteção da hierarquia política local".
 (Ralph Della Cava. "Milagre em Joazeiro".)

O texto distingue a Canudos, de Antônio Conselheiro, do movimento de Joazeiro, no Ceará, liderado pelo padre Cícero. Apesar das suas diferenças, percebe-se pelas atitudes do padre Cícero que ele enfrentava problemas semelhantes aos confrontados por Antônio Conselheiro no interior da Bahia. Aos olhos de parcela das elites brasileiras da época, sobretudo litorâneas, estes movimentos
a) resultaram da reação da população brasileira à corrupção da Igreja e ao Dogma da Infalibilidade do Papa.
b) tinham propósitos distintos, porque padre Cícero era membro da Igreja e Antônio Conselheiro não era cristão.
c) ameaçavam a hierarquia eclesiástica, a ordem social no interior do país e a estabilidade do regime político vigente.
d) exprimiam os ideais da civilização cristã na sua fase de maior desenvolvimento nas sociedades americanas.
e) eram liderados por políticos republicanos radicais, insatisfeitos com os rumos tomados pelo governo.

resposta:[C]
 
9. (Unicamp 2011)  A denominação de república oligárquica é frequentemente atribuída aos primeiros 40 anos da República no Brasil.
Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento desse período.

(Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.)

Relacionando os termos do enunciado, a chamada “república oligárquica” pode ser explicada da seguinte maneira:
a) Os governadores representavam as oligarquias estaduais e controlavam as eleições, realizadas com voto aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio político dos governadores. 
b) Diante das revoltas populares do período, que ameaçavam as oligarquias estaduais, os governadores se aliaram aos coronéis, para que chefiassem as expedições militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca de maior poder político.   
c) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que detinham o poder político nos municípios, e estes fraudavam as eleições. Assim, os governadores elegiam candidatos que apoiariam o presidente da República, e este retribuía com recursos aos estados.   
d) Os governadores excluídos da política do “café com leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favoreceram uma série de revoltas chefiadas por coronéis, que comandavam bandos de jagunços.   

 
Resposta:[C]

A estrutura política estabelecida neste período baseava-se num encadeamento que envolvia as três esferas de poder: o Municipal, Estadual e o Federal. A política do café com leite se completava com o apoio dos governadores estaduais que, por sua vez, dependia dos coronéis e do controle que estes exerciam sobre a população pobre através do voto de cabresto.  

 
10. (Enem 2ª aplicação 2010)  Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei.

LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa Omega.

Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada
a) pela força política dos burocratas do nascente Estado republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para controlar e dominar o poder nos municípios.   
b) pelo controle político dos proprietários no interior do país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais, enfraquecer a nascente burguesia brasileira.   
c) pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil, que utilizavam diferentes mecanismos assistencialistas e de favorecimento para garantir o controle dos votos.   
d) pelo domínio político de grupos ligados às velhas instituições monárquicas e que não encontraram espaço de ascensão política na nascente república.   
e) pela aliança política firmada entre as oligarquias do Norte e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no poder federal de presidentes originários dessas regiões.   

 
Resposta:[C]

Os chefes políticos da República Velha ficaram conhecidos como “coronéis” e suas práticas cotidianas como “coronelismo”. Grandes proprietários rurais em áreas do interior se tornaram na prática líderes políticos locais, controlando as prefeituras, sendo que na prática detinham o poder de polícia e o poder de justiça, pois normalmente nomeavam delegados e juízes, além de se imporem aos líderes religiosos. Do ponto de vista político, organizaram verdadeiros “currais eleitorais”, controlando a massa de eleitores através do voto de cabresto.  


11. (Uerj 2012) Observe a foto do grupo de Lampião e Maria Bonita e o mapa que destaca a área do Nordeste brasileiro onde o cangaço se disseminou nas décadas de 1920 e 1930.
 

O cangaço representou uma manifestação popular favorecida, basicamente, pela seguinte característica da conjuntura social e política da época:

(A) cidadania restringida pelo voto censitário
(B) analfabetismo predominante nas áreas rurais
(C) criminalidade oriunda das taxas de desemprego
(D) hierarquização derivada da concentração fundiária



Alternativa correta: (D)



Comentário da questão:

O cangaço foi um movimento social que envolveu populações pobres de áreas interiores do Nordeste. Até hoje, integra o imaginário popular brasileiro com as histórias sobre, entre outros, Lampião, Maria Bonita e seu bando, expressando tanto o valor da rebeldia e do crime, quanto o da coragem e da força daqueles que, à sua maneira, reagiram contra o poder dos grandes coronéis.
O banditismo social protagonizado pelos cangaceiros pode ser entendido como uma consequência da marginalização de segmentos populacionais, causada pela concentração fundiária. A concentração de terras tanto sustentava a supremacia política dos grandes proprietários, quanto garantia a preservação das hierarquias da ordem social vigente nas décadas de 1920 e 1930.

12. (Enem 2010)  A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento.

MACHADO P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Unicamp.
2004 (adaptado).

No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à região do meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização.
Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem da chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se
a) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural.   
b) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra.   
c) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região.   
d) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes.   
e) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional.   

 
Resposta:[C]

A Guerra do Contestado ocorreu no interior de Paraná e Santa Catarina e envolveu pequenos proprietários e principalmente a população sertaneja. Do ponto de vista econômico, a situação de pobreza da grande massa camponesa levou-os a contestar a política do governo federal de construir uma ferrovia na região, uma vez que todo o processo de derrubada da mata para a construção afetou a economia local, conforme descreve o texto, “os ervais nativos (...) eram destruídos”. Normalmente a Guerra do Contestado é apresentada apenas do ponto de vista ideológico, destacando-se a religiosidade, o messianismo, da população local.  

13. (Uerj 2012)




Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais.
A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à:

(A) restrição ao comércio popular
(B) devastação de áreas florestais
(C) demolição de moradias coletivas
(D) elevação das tarifas de transporte



Alternativa correta: (C)



Comentário da questão:

As reformas urbana e sanitária promovidas na cidade do Rio de Janeiro, durante a gestão do prefeito Pereira Passos, relacionaram-se, entre outros aspectos, ao projeto de modernização da capital da República brasileira, imprimindo sobre ela as marcas e símbolos do progresso. Entre as ações promovidas, estavam intervenções urbanísticas e arquitetônicas em áreas de ocupação mais antiga, como aquelas que se situavam no entorno da área portuária. A abertura da avenida Central, hoje Rio Branco, representou o carro-chefe dessas intervenções, ocasionando, como medidas correlatas, um conjunto de desapropriações e demolições de moradias populares e coletivas. Esse processo, conhecido como “bota-abaixo”, criou quadro propício para insatisfações e conflitos sociais, como, por exemplo, o episódio da Revolta da Vacina, em novembro de 1904.


14. (Fuvest 2011)   
— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta!
— Não entra! Não entra! repercutiu a multidão em coro.
E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo.
— Aguenta! Aguenta!
                                   Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X.

O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo
a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da
escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos, imigrantes e poder público.   
b) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de 
manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime.   
c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais
existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro.   
d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira.   
e) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram.   

 Resposta:[A]

O texto retrata o choque entre as populações pobres que moravam em cortiços – sendo grande parte formada por ex-escravos – homens negros e mulatos pobres e o poder público, denunciando o preconceito e a discriminação que se mantiveram no país, mesmo após a abolição da escravidão.  




 


15. (ENEM 2011)

 História
A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela

a) a insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária.
b) a consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias.
c) a garantia do processo democrático instaurado com a República, através da defesa da liberdade de expressão da população.
d) o planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral.
e) o apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a elite.




resposta:[A]


O Rio de Janeiro era a capital do Brasil, cidade onde se encontravam representações diplomáticas e empresarial e padecia de infra-estrutura básica. A política dos governos federal e municipal de promover o  saneamento e  embelezamento da cidade, entendidos como modernização foi implementada de maneira autoritária com a demolição das casas populares e a vacinação forçada promovida pelo sanitarista Oswaldo Cruz.


16. (UPE 2012) O período de afirmação da República no Brasil, em especial aquele compreendido entre a última década do século XIX e as duas primeiras do século XX, foi palco de várias revoltas e motins que, muitas vezes, manifestavam o descontentamento popular com o novo regime. Sobre essa realidade, analise as afirmações seguintes:
I. As revoltas se restringiram ao espaço urbano, demonstrando o conformismo da população rural de então.
II. A Revolta da Vacina (1904) no Rio de Janeiro é exemplo das manifestações populares na Capital Federal.
III. Canudos foi um exemplo de agitação no campo a qual conturbou também os anos iniciais do regime republicano no Brasil.
IV. A Guerra do Contestado (1912-1916) foi outro exemplo do conflito no campo, tendo como palco o estado do Pará.
V. A Revolta da Chibata (1910), restrita ao interior da marinha, também está nesse contexto da jovem república.
Estão CORRETAS
A) I, II e III.
B) II, III e V.
C) I, III e V.
D) I, II e IV.
E) II, III e IV.


Resposta:[B]
 
17. (Enem 2ª aplicação 2010)  
 O mestre-sala dos mares

            Há muito tempo nas águas da Guanabara
            O dragão do mar reapareceu
            Na figura de um bravo marinheiro
            A quem a história não esqueceu
            Conhecido como o almirante negro
            Tinha a dignidade de um mestre-sala
            E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
            Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
            Jovens polacas e por batalhões de mulatas
            Rubras cascatas jorravam nas costas
            dos negros pelas pontas das chibatas...

BLANC, A.; BOSCO, J. O mestre-sala dos mares. Disponível em: www.usinadeletras.com.br. Acesso em: 19 jan. 2009.

Na história brasileira, a chamada Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, e descrita na música, foi
a) a rebelião de escravos contra os castigos físicos, ocorrida na Bahia, em 1848, e repetida no Rio de Janeiro.   
b) a revolta, no porto de Salvador, em 1860, de marinheiros dos navios que faziam o tráfico negreiro.   
c) o protesto, ocorrido no Exército, em 1865, contra o castigo de chibatadas em soldados desertores na Guerra do Paraguai.   
d) a rebelião dos marinheiros, negros e mulatos, em 1910, contra os castigos e as condições de trabalho na Marinha de Guerra.   
e) o protesto popular contra o aumento do custo de vida no Rio de Janeiro, em 1917, dissolvido, a chibatadas, pela polícia.   
 
 
Resposta:[D]

A rebelião dos marinheiros foi um dos acontecimentos sociais mais importantes do início do século XX. Liderada por João Candido, os marinheiros tomaram os navios de guerra, aprisionaram os comandantes e exigiram mudanças no Regimento Interno da corporação, em especial o fim dos castigos físicos, prática comum para aqueles que eram considerados marinheiros faltosos, normalmente amarrados no convés, onde eram chicoteados, numa prática típica da época da escravidão.  


18. (Uerj 2011)  Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.

Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910.
In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela
Constituição da época.
As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de:
a) hierarquias sociais herdadas do escravismo.   
b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército.   
c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo.   
d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas.   

 
Resposta:[A]

A Revolta está relacionada principalmente aos maus-tratos destinado aos marinheiros, grande parte deles negros, ex-escravos ou descendentes de escravos, considerados inferiores. Mesmo com a abolição da escravidão (1888), com a Proclamação da República (1889) e com a nova Constituição (1891), o preconceito se manteve com um discurso pseudo-científico, que considerava o homem branco como superior, conhecido como “darwinismo social”.  


19. (Ufmg 2011)  O tenentismo surgiu na década de 1920. Desde o início, despontou para a história como um marco relevante para explicar a crise da Primeira República, a revolução de 1930 [...], em especial a participação do Exército na política.

LANNA JÚNIOR, Mário C. Martins. Tenentismo e crises políticas na Primeira República. Apud FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de A. Neves. O Brasil Republicano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. v.1., p.315.

1. Identifique duas reivindicações do Movimento Tenentista.
    a) Reivindicação 1:
    b) Reivindicação 2:

2. Cite e descreva duas ações empreendidas pelo Movimento Tenentista no Brasil.
    a) Ação 1:
    b) Ação 2: 

 
Resposta:
 1. a) Fim da política oligárquica e Centralização política
b) Criação da Justiça eleitoral e voto secreto

2. a) A Revolta do Forte de Copacabana – A Revolta do Forte de Copacabana, em 1922, foi o primeiro movimento militar armado, que pretendeu tirar do poder as elites tradicionais.  Durante toda manhã do dia 5 o Forte de Copacabana sustentou fogo cerrado. Diversas casas foram atingidas na trajetória dos tiros até os alvos distantes, matando dezenas de pessoas. Eram 301 revolucionários - oficiais e civis voluntários - enfrentando as forças legalistas.

b) A Coluna Prestes - No início de abril de 1925, as forças gaúchas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes se uniam com as tropas que fugiam de São Paulo. Os dois grupos haviam participado das rebeliões do ano anterior, mantiveram focos de resistência e procuravam manter e fortalecer sua organização, para retomar a luta pelo grande ideal: Salvar a Pátria.   

20. (Unesp 2012) A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República.
b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas.
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas.
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira.


 Resposta:[C]
Resolução
O tenentismo, cuja mais expressiva manifestação foi a Coluna Prestes, buscava, através da luta armada, pôr fim ao regime oligárquico, típico da Primeira República brasileira. Lutou contra o governo de Artur Bernardes e o sistema oligárquico até a Revolução de 1930.

 
21. (UFMG) Leia o texto.
"Quando veio a revolução de 24, disparavam os canhões nas travessas da Rua da Moóca. Lembro que todos os vizinhos rodeavam o Tenente Cabanas, que era muito destemido, levavam comida para os soldados, ou iam levar seu abraço. Nós víamos os petardos atravessarem as ruas; nas Igrejas do Cambuci os soldados do governo acamparam e disparavam. (...) Os aviadores do governo tinham ordem de jogar bombas no Brás; dizia que a italianada estava a favor da revolução."
(Lembranças do Sr. Ariosto, In: BOSI, Ecléa. MEMÓRIA E SOCIEDADE: LEMBRANÇA DE VELHOS. São Paulo: T. A. Queiróz, 1979. p. 144.) 

As lembranças relatadas no texto referem-se à
a) Insurreição Armada dos Aliancistas contra Júlio Prestes.
b) Rebelião tenentista chefiada por Miguel Costa e Isidoro.
c) Revolta dos "18 do Forte" de Copacabana.
d) Revolução Constitucionalista de São Paulo.
e) Revolução Federalista do Rio Grande do Sul.


resposta:[B]
 
22. (Unesp 2010)  Quais as principais transformações da cultura brasileira na década de 1920? Incluir neste contexto a Semana de Arte Moderna. 
 
Resposta:
 A década de 20 foi caracterizada por significativas transformações, entendidas como características da crise da República Velha. Apesar do predomínio do café, o crescimento industrial e de atividades paralelas estimulou a urbanização e o surgimento de novos grupos sociais que passaram a atuar de forma mais significativa. Uma elite urbana e o movimento de jovens oficiais – o tenentismo - contestavam politicamente e militarmente a estrutura de poder, assim como uma nova mentalidade – o modernismo – que representava uma mudança de visão de mundo e de comportamento, caracterizada pela oposição aos valores da elite tradicional e pela defesa de elementos nacionalistas, que teve seu ponto alto na Semana de Arte Moderna de 1922, apesar de ter repercussão pelos anos seguintes.  

  
23. (Unesp 2012) Tarsila do Amaral é uma das artistas que melhor traduziu o “espírito de brasilidade”, como se pode observar no quadro Abaporu.
 
Partindo de seus conhecimentos sobre a década de 1920, analise as afirmações.
I. O quadro Abaporu, de 1928, inspirou o Manifesto Antropofágico, e os quadros de Tarsila serviram para divulgar o modernismo brasileiro.
II. As formas ousadas e cores de tons fortes e vibrantes usadas nos quadros de Tarsila traduziram o espírito de brasilidade.
III. Em 1929, a cafeicultura no Brasil, sobretudo a paulista, sofreu um forte abalo com a quebra da bolsa de Nova Iorque.
IV. A cultura cafeeira paulista, buscando as manchas de terras roxas, possibilitou a conservação do solo e a preservação das florestas, minimizando as ações antrópicas.
Estão corretas as afirmações
A) II e III, apenas.
B) I, II e III, apenas.
C) III e IV, apenas.
D) I e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
 
Resposta:[B]


Resolução
Estão corretas as afirmações, I, II e III:
Afirmação I: “Abaporu”, o trabalho que Tarsila do Amaral deu de presente a seu então marido Oswald de Andrade, inspirou-o a criar o “Manifesto Antropófago” (e não “Antropofágico”, como diz o enunciado); além disso, em suas pinturas a artista sintetizou o espírito inovador e nacionalista do movimento, colaborando para sua consolidação e difusão.
Afirmação II: no quadro, é possível perceber a exploração das tonalidades fortes, ressaltando tanto o contraste entre elas, quanto a sua referência nacionalista, na presença das cores da bandeira nacional (o azul do céu, o verde da terra e o amarelo do sol). A ousadia das formas plásticas se faz presente, na tela, no contraste entre os pés e a cabeça da figura representada.
Afirmação III: o chamado crack da bolsa de Nova York, em outubro de 1929, abalou as finanças de boa parte do mundo ocidental. A cafeicultura paulista não ficou imune à crise, e muitas fortunas foram atingidas — como a de Oswald de Andrade, marido de Tarsila do Amaral.
Afirmação IV: a expansão cafeeira na década de 1920, assim como nas décadas anteriores, não permitiu a conservação dos solos e a preservação da floresta; ao contrário, a ampliação das ações antrópicas (relativo às modificações provocadas pelo homem no meio ambiente) acentuou significativamente a deterioração ambiental.


 
24. (Fuvest 2012) Examine estas imagens, que reproduzem, em preto e branco, dois quadros da pintura brasileira. 
 

a) Identifique o movimento artístico a que elas pertencem e aponte uma característica de sua proposta estética.
b) Cite e caracterize um evento brasileiro importante relacionado a esse movimento

Resolução:
a) Modernismo. Característica: contestação aos valores estéticos acadêmicos, apresentando uma proposta artítica com razízes brasileiras e temáticas sociais.
b) Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo no mês de fevereiro de 1922. Nesse evento, artista de vanguarda ligados à literatura, às artes plásticas e à música (Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Menottei del Picchia, Di Cavalcanti, Tasila do Amaral, eitor Villa Lobos e outros) expuseram suas ideias e proposta para uma nova produção cultrual, contraiando os valores vigentes.


 
25. (Fuvest 2010)  No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”

Essas passagens expressam a
a) defesa de concepções artísticas do impressionismo.   
b) crítica aos princípios da Revolução Francesa.   
c) valorização da cultura nacional.   
d) adesão à ideologia socialista.   
e) afinidade com a cultura norte-americana.   
 

 
Resposta:[C]

O “Manifesto Antropofágico” de Osvald de Andrade expressou o nacionalismo presente no movimento modernista no Brasil do início do século XX, propondo a autenticidade da cultura nacional em reação aos valores estéticos tradicionais e externos, através da absorção de tudo o que o estrangeiro traz para o Brasil, sugar-lhe todas as idéias e uni-las às brasileiras, realizando assim uma produção artística e cultural rica, criativa, única e própria.  

 
26. (Ufrrj) A charge exposta a seguir trata da política brasileira durante o período de crise do que se convencionou chamar de República Oligárquica.
 
Charge de STONI na revista Careta, ano 22, n 1103, de 10/08/1929 In: LEMOS, Renato (organizador). "Historia do Brasil através da caricatura" (1840-2001). Rio de Janeiro: Bom Texto Editora e Produtora de Arte e Editora Letras & Expressões, 2001. p.61. 

A charge em questão joga com o nome de personagens importantes da política brasileira da época para compor o nome daquele que, conhecido como "Cavaleiro da Esperança", carregava então um enorme prestígio e as aspirações de mudança de grandes parcelas do povo brasileiro a partir de sua atuação
a) na revolta de julho de 1922, conhecida como os 18 do Forte de Copacabana, em contestação à eleição e posse de Artur Bernardes, representante das oligarquias dominantes.
b) no levante de novembro de 1935, em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), contra o integralismo e o governo de Getúlio Vargas (1934/37).
c) na direção do Partido Comunista do Brasil (PCB), que se tornou vítima do autoritarismo do governo de Eurico Dutra (1946/51).
d) na direção da luta operária do período, com a organização do Bloco Operário e Camponês (BOC), que o lançou candidato à presidência da República em 1930.
e) na chamada "Coluna Miguel Costa - Prestes", que percorreu o Brasil buscando organizar um levante contra o governo das oligarquias rurais.

resposta:[E]

 
27. (Fuvest-2009) No Brasil, a década de 20 foi um período em que:
a) velhos políticos da República, como Rui Barbosa, Pinheiro Machado e Hermes da Fonseca, alcançaram grande projeção nacional.
b) as forças de oposição às chamadas "oligarquias carcomidas" se organizaram, sem contudo apresentar alternativas de mudança.
c) as propostas de reforma permanecendo letra morta, não se configurou nenhuma polarização político-ideológica.
d) a aliança entre os partidos populares e as dissidências oligárquicas culminou com a derrubada da República Velha nas eleições de 1.o de março de 1930.
e) ocorreram agitações sociais e políticas, movimentos armados, entre eles a Coluna Prestes, e várias propostas de reforma foram debatidas.

resposta : [E]

 
28. (UFV 2007) A década de 1920 foi um período de crise da “república do café-com-leite”, uma vez que as transformações ocorridas nos anos anteriores contribuíram para a melhor organização dos grupos sociais existentes e o surgimento de outros. Alguns desses grupos se voltaram contra a política tradicional, baseada no poder das oligarquias, no autoritarismo e nas fraudes eleitorais, manifestando seu descontentamento através de movimentos civis e militares.
Sobre a década de 1920 no Brasil, é CORRETO afirmar que houve:

a) um levante conhecido como Intentona Comunista, logo após a fundação do Partido Comunista do Brasil, que congregou um grande número de operários e intelectuais.
b) duas das mais importantes revoltas do movimento denominado tenentista, que queria moralizar a vida política, pôr fim à corrupção eleitoral e promover reformas sociais.
c) a Revolta da Vacina, em que o Rio de Janeiro transformou-se num campo de batalha, com a formação de barricadas e violentos choques entre populares e tropas do governo.
d) duas greves gerais nos principais centros urbanos do país, sob a liderança de industriais e comerciantes insatisfeitos com a política governamental de valorização dos produtos agrícolas.
e) o movimento modernista, durante a realização da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em São Paulo em 1922, cujo manifesto defendeu o fim do voto de cabresto e da política dos governadores.

resposta: [B]

29. (Unifesp-2008) A política do Estado brasileiro, depois da Revolução de 1930, nas palavras do cientista político Décio Saes, “será combatida, pelo seu caráter ‘intervencionista’ e pelo ‘artificialismo’ dos seus efeitos; de outro lado, a política de reconhecimento das classes trabalhadoras urbanas será criticada pelo seu caráter ‘demagógico’, ‘massista’ e ‘antielitista’”. 
(in: História Geral da Civilização Brasileira, III, 3, 1981, p. 463.)

As críticas ao Estado brasileiro pós-1930 eram formuladas por setores que defendiam
a) os interesses dos usineiros e, no plano político, o coronelismo.
b) posições afinadas com o operariado e, no plano político, o populismo.
c) os interesses agro-exportadores e, no plano político, o liberalismo.
d) as burguesias comercial e financeira e, no plano político, o conservadorismo.
e) posições identificadas com as classes médias e, no plano político, o tenentismo.

resposta: [C]
O grupo agrário exportado foi o primeiro a combater a política econômica varguista, pois foi alijado do poder. Essa oposição, no entanto, não se deve a política intervencionista como propõe o enunciado, pois esse setor sempre foi beneficiado pela política governamental intervencionista
anterior. A política trabalhista foi combatida pelos grupos sociais mais conservadores, que defendiam o liberalismo político no sentido de se contraporem a “proteção aos trabalhadores”.
 
30. (ENEM 2011) É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930.

MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007 (adaptado).

O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de

a) valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas.
b) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia.
c) criticar a política educacional adotada durante a República Velha.
d) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder.
e) destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação.


Resposta :[D]

Resolução:
Com a Revolução de 1930, tiveram início a Era Vargas e a formação de um novo bloco hegemônico na condução do Estado brasileiro. Para afirmar simbolicamente o grupo que assumia o poder, buscou-se primeiro depreciar o bloco deposto para, depois, consolidar uma nova identidade em torno de elementos como trabalhismo e nacionalismo.