quarta-feira, 1 de maio de 2013

Concurso Historiador 2009 (Vunesp)

Concurso Historiador 2009 (Vunesp)
71. Depois de 15 anos do fim do Apartheid, a África do Sul se esforça para estimular os empresários sul-africanos e estrangeiros a adotarem os incentivos de profissionalização de negros e integração no mercado de trabalho. Há leis e até estímulos tributários para o empresariado aplicarem as medidas.
(www.noticias.terra.com.br/mundo/noticias. Postado em: 12.11.2009)
De acordo com o texto, o governo atual da África do Sul tem procurado implantar novas medidas para o mercado de trabalho, para solução de um problema de longa duração na história desse país, identificado
I. pelo regime racista implantado pela minoria branca no século XIX, que começou a passar por reformas democráticas após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, sob pressão das Nações Unidas;
II. a partir do século XIX, quando uma minoria branca europeia passou a administrar a região, vindo a oficializar o regime racista em 1948, o que gerou indignação pública internacional e revoltas internas por grupos negros;
III. pela eleição de Nelson Mandela como presidente da nação em 1991, que começou a realizar reformas objetivando o fim do regime racista instalado desde o século XIX; esse regime foi extinto em 22 de dezembro de 1993 e a democracia plena foi instalada;
IV. por meio de leis e medidas tomadas pelos últimos presidentes, que buscam mudar a mentalidade preconceituosa e garantir a credibilidade dos investidores estrangeiros no país.
 
As afirmativas corretas são apenas
(A) I, II e III.
(B) I, II e IV.
(C) I, III e IV
(D) II, III e IV.
(E) II e IV.

 
72. Apesar de ser verdade que o mundo todo avançou de forma impressionante nas duas últimas décadas nas áreas política, econômica, social e tecnológica, o fim da separação das Alemanhas, símbolo do encerramento da Guerra Fria, também representou mudanças ruins para o planeta, dando margem ao surgimento de redes globais de terrorismo que, na época da Guerra Fria, seriam impensáveis.
(O Muro de Berlim. www.g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias. Postado em: 09.11.2009)
 
O texto reconhece que a queda do Muro de Berlim
(A) marca o fim da Guerra Fria e, com isso, o mundo só passou
por mudanças ruins, como o terrorismo organizado de Bin Laden e da Al-Qaeda.
(B) foi resultado da ação de vários movimentos sociais internos
e externos à Alemanha Federalista, marcando o fim da Guerra Fria; mas, não têm relação nenhuma com os atentados terroristas posteriores.
(C) é o resultado de uma ação democrática do governo da Alemanha Federalista, que tomou a iniciativa de dissolver a U.R.S.S. com essa atitude e também de contribuir para os movimentos terroristas por meio do fim da Guerra Fria.
(D) faz parte da consequência de interações e conflitos de caráter econômico, político e cultural, contribuindo para o fim da Guerra Fria, que acabou abrindo espaços para a manifestação do terrorismo organizado.
(E) foi consequência de uma conspiração internacional, elaborada
desde 1985, por Mikhail Gorbatchev da U.R.S.S. e por Ronald Reagan dos E.U.A., com a finalidade de abrir o bloco soviético para o mercado norte-americano, quebrando o poderio econômico do Japão.
 
73. O fim da Guerra Fria fez com que o Brasil conseguisse se tornar mais auto-suficiente, se desenvolver de forma independente tanto na política quanto na economia. Enquanto existia o muro isso talvez não fosse possível, pois a preocupação com a influência soviética faria com que os Estados Unidos não permitissem que o Brasil fizesse nada sozinho.
(O Muro de Berlim. www.g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias. Postado em: 09.11.2009)
Analisando esta afirmativa, é possível compreender a conjuntura brasileira desses últimos 20 anos, por meio
(A) das lutas de poder entre as nações hegemônicas, que interferem nas ações políticas, sociais e econômicas da nações periféricas.
(B) da autonomia política conquistada a partir de 1989, com a Constituição de 1988, e das lutas sociais que levaram o Brasil ao Plano Real e a uma melhor distribuição de riqueza.
(C) das conquistas políticas obtidas pelo povo brasileiro desde 1989, com eleições democráticas, que forçaram os governos a investir em obras sociais, diminuindo a desigualdade social no país.
(D) da saída do país da ditadura militar e de sua entrada em um processo democrático, aumentando a sua credibilidade no exterior.
(E) das conquistas políticas e sociais feitas pelos partidos de esquerda, que desde 1989 fazem reformas garantindo a melhoria da população brasileira, como os benefícios fiscais e financeiros para a educação e do sistema de moradia.



Observe a figura para responder à questão de número 74.
 

 
Conferência de Munique 29 de setembro de 1938 

Reunindo os Estadistas da Inglaterra, França, Itália e Alemanha
(www.bws.de – Cartão Postal da Conferência de Munique)
 

74. Ao comparar e analisar a forma como os estadistas aparecem
retratados no cartão postal com as decisões tomadas na Conferência de Munique, pode-se levar os alunos a reconhecer a relevância política de cada país, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial, pelas seguintes características:
I. o primeiro-ministro inglês, Chamberlain, aparece de roupa social, sorridente e superior, à esquerda, passando a impressão de que seu país ainda mantinha a hegemonia política e econômica dentro da Europa e do Mundo;
II. Hitler, em seu traje militar, com os olhos cobertos pela aba de seu quepe, parece estar ciente de que os ingleses não se incomodariam com a invasão nazista dos Sudetos, e posteriormente da Polônia e França;
III. o duce Mussolini está de uniforme militar, austero e olhar firme encarando o francês conservador Deladier; depende do apoio da França para a manutenção do Fascismo em seu país;
IV. Hitler, confiante em seu regime autocrático, conta com o apoio de nacionalistas contra liberais, anarquistas, socialistas e comunistas para dar continuidade à expansão territorial alemã pelo espaço vital.
 

As alternativas corretas são, apenas
(A) I, II e III.
(B) I, III e IV.
(C) I e IV.
(D) II e III.
(E) III e IV.
 
75. No final do século XIX, já existiam fortes indícios de deslocamento do centro econômico mundial. Os Estados Unidos se destacavam na indústria química e automobilística. A indústria bélica da Alemanha surpreendia a Europa. Os dois países já possuíam uma produção de ferro e aço maior que a inglesa.
A ascendente Alemanha exigia uma redivisão colonial, capaz de atender às suas necessidades de mercados e de matériasprimas.
A Inglaterra, detentora do maior império colonial e do maior volume de exportações, para se defender e ampliar seus domínios, também se militarizava rapidamente.
(Flávio de Campos e Renan G. Miranda, Oficina de História)
 
Pode-se reconhecer as questões políticas e sociais geradoras da Grande Guerra, iniciada em julho de 1914, por meio das
(A) diferenças ideológicas, do crescimento dos movimentos anarquistas nas colônias e da intervenção direta norteamericana nas questões diplomáticas europeias.
(B) rivalidades econômicas, do nacionalismo fortalecido e da ampliação da capacidade destrutiva do homem pelo desenvolvimento tecnológico.
(C) alianças entre França e Rússia, formando mais tarde a Tríplice Entente com a entrada da Inglaterra, no intuito de combater a Tríplice Aliança formada pelos Impérios Austríaco, Otomano e pela Hungria.
(D) formações de cartéis e holdings, financiadores do crescimento bélico, que gerou grandes revoltas por parte de anarquistas, socialistas e comunistas, levando as grandes nações ao conflito armado.
(E) contradições ideológicas e nacionalistas sobre o conceito de inferioridade biológica dos asiáticos e africanos, geradoras de movimentos de independência política no norte da África e nos Bálcãs, o que colocou as nações europeias no conflito armado.

 
76. Observe a figura.

(www.brasilescola.com/geografia/tio-sam.htm)
A formação da identidade do Tio Sam pode ser relacionada à supremacia norte-americana a partir do século XIX e durante a primeira metade do século XX, diante da perda da hegemonia política e econômica das potências europeias; elapode ser explicada
(A) pela sua influência sobre o Japão durante a Era Meiji, que lhe permitiu uma participação maior na divisão internacional do trabalho.
(B) pela expressão jornalística de 1905, O Destino Manifesto, justificadora do avanço imperialista norte-americano após a construção do Canal do Panamá.
(C) pela Doutrina Monroe, da América para os Americanos, pela participação financeira nas duas grandes guerras, além do uso de armas químicas e da criação do Pacto de Varsóvia para evitar o avanço do comunismo na Europa.
(D) pelo seu expansionismo imperialista a partir de 1898 e, ainda, por seu crescimento industrial e tecnológico, por sua influência política e econômica na América Latina e pela participação nas duas Grandes Guerras.
(E) pelo Fordismo que transmitiu para o mundo a imagem de um país democraticamente correto, gerador de emprego e bem-estar para todos, ideologia esta difundida com sua participação na Guerra.
 

77. A situação da Itália pós Primeira Guerra Mundial era a seguinte:
Os camponeses encontravam a mesma miséria que tinham deixado, campos mal trabalhados e estrebarias mais vazias, e, para os brilhantes oficiais da reserva, a perspectiva (...) de um miserável ordenado em moeda inflacionada não era seguramente das mais animadoras. Era por isso que se combatera?
Por isso 600 000 italianos imolaram suas vidas?
(Angelo Trento, Fascismo Italiano)  

Diante dessa problemática, a campanha de Benito Mussolini procurava instalar na Itália um regime político
(A) reacionário de massas e ditadura de classe, com o poder concentrado no Estado, que dominaria a vida pública e institucional por meio do corporativismo, ficando forte o suficiente para combater os movimentos anarquistas, socialistas e comunistas.
(B) dentro da ética burguesa, baseado na ordem comportamental, estimulando uma política expansionista por meio da guerra, da conquista de espaços vitais, do crescimento demográfico e remunerado da população, visando à purificação racial no mundo.
(C) nacionalista, instituindo um novo calendário a partir do ano de 1922, cultuando os mortos e vivos numa política estética de valorização da raça, a benção aos mártires da nação, formando assim a comunidade mística fascista.
(D) voltado para a guerra, como necessária e inevitável para a evolução da raça humana e para o orgulho nacional, ideologia importante para que o Partido Fascista Italiano conquistasse o apoio da monarquia, do papa, dos industriais, operários e camponeses.
(E) baseado numa lei da desigualdade das raças, que necessitava de um Estado dividido por classes, dirigido pelos heróis da raça superior, que orientariam a nova classe média; abaixo dessas classes vem a dos servos, formada por uma massa de anônimos, e, mais abaixo ainda, a dos escravos modernos, composta por estrangeiros conquistados e os judeus.

 
78. Para Adolf Hitler, as principais características do apelo feito à massa alemã ao sacrifício e à violência nas propagandas nazistas dos anos 30, estavam
(A) na proposta de superar a luta de classes e de harmonizar as relações entre patrões e mão de obra por meio das corporações, sendo então possível ao Estado controlar diretamente a economia da nação, sem greves e movimentos sociais.
(B) na glorificação do modo de vida do camponês, dentro de um tom romântico anticapitalista, contrário à industrialização e à vida nas cidades, com o fim de exaltar a pureza dos costumes rurais, alimentando os instintos selvagens e naturais do ser humano.
(C) na figura da Vênus camponesa, que aparecia sempre com os olhos azuis, quadris largos, seios e ventre salientes, feita para governar politicamente a raça ariana.
(D) na concepção de uma mulher pura e ingênua, participante da política, com espaços públicos amplos; e, para os homens, uma exaltação da figura matriarcal feminina, pois ela simbolizava o espírito guerreiro das mulheres e homens arianos.
(E) no calor humano entre os soldados, no desejo de desenvolver sua atividade a qualquer preço, dentro de um quadro de fé e de obediência, fazendo com que o jovem nazista fosse mergulhado no espírito do nacionalsocialismo, sendo educado para fazer elogio da força, da disciplina e da militarização.
 
79. As principais características da Ação Integralista Brasileira com o nazi-fascismo europeu podem ser comparadas como semelhantes, pelo fato de
(A) ser formado por operários anarquistas, em grande parte descendentes de italianos, que estavam mais próximos ao corporativismo desejado por Vargas e Plínio Salgado.
(B) ser composta por segmentos sociais urbanos despossuídos de poder econômico e político, que lutavam por um nacionalismo favorável a um Estado que reprimisse anarquistas, socialistas e comunistas.
(C) que a crise de 1929 acentuou no Brasil os movimentos operários anarquistas, socialistas e comunistas, fazendo com que uma grande parcela da burguesia urbana afetada pela crise aceitasse as idéias fascistas de Plínio Salgado, pensando em um Golpe de Estado, entregando o Brasil para Hitler.
(D) terem os integralistas comandados por Plínio Salgado recebido do Partido Fascista de Mussolini armas e dinheiro para financiarem o golpe de 1937, feito por Vargas.
(E) um movimento burguês que contava com o apoio da elite industrial paulista e de militares do alto escalão para tirar os cafeicultores do poder, procurando fazer de São Paulo o seu centro de operação e, por meio do auxílio militar nazi-fascista europeu, tomariam todo o Brasil, impondo Plínio Salgado como chefe de Governo.
 
80. Os antecedentes econômicos, políticos e sociais que contribuíram para a Revolução de 1930 podem ser identificados
I. pela vitória de Vargas nas eleições para a presidência, que foi impugnada diante do assassinato do seu vice, João Pessoa;
II. pela crise econômica de 1929, que afetou os cafeicultores, e pela política de Washington Luís em não conceder créditos à oligarquia cafeicultora;
III. pela crise mundial de 29, que gerou uma insatisfação nas classes médias urbanas atingidas pela falências das indústrias que se uniram à vanguarda tenentista, formando a Aliança Nacional.
IV. pela quebra da política do café-com-leite, que levou o mineiro Antônio Carlos a formar a Aliança Liberal.
 
As afirmativas corretas são, apenas,
(A) I, II e IV.
(B) I, III e IV.
(C) II e III.
(D) II e IV.
(E) III e IV.



GABARITO


71 - E
72 - D
73 - A
74 - C
75 - B
76 - D
77 - A
78 - E
79 - B
80 - D


Concurso Historiador 2009 (Vunesp)

 Concurso Historiador 2009 (Vunesp)
41. Os fragmentos a seguir foram extraídos do livro A diáspora negra no Brasil, de Linda Heywood.
• (...) quando visitou Angola na década de 1790, Silva Corrêa descreveu em detalhe a presença esmagadora de práticas africanas coexistindo no coração dos rituais da Igreja. (...) Ele notou que a maioria da população acreditava tanto em “Jesus Cristo como em Moêne-Bengo ou outros feiticeiros” (…).
• Mesmo a tentativa por oficiais da Coroa, em 1760, de banir sermão em quimbundo substituindo-o pela língua portuguesa (...), não conseguiu impedir o uso do quimbundo. A língua sobreviveu, levando críticos da metrópole na colônia a se queixarem de que “nada pode ser feito sem o intermédio de um intérprete que é sempre um ‘negro ladino”.
• (...) na área da culinária, portugueses livres, africanos e afro-portugueses, assim como escravizados que permaneceram em Angola e aqueles selecionados para exportação ao Brasil, compartilhavam o mesmo “milho cozido ou queimado, raízes de mandioca, (...).
 
Considerando as informações expostas pela historiadora, está correto concluir que, no século XVIII, em Angola,
(A) o processo de aculturação dos africanos esmagou a cultura
angolana.
(B) os direitos dos africanos foram respeitados pelos colonizadores.
(C) a cultura angolana sobrepujou a cultura portuguesa, possibilitando sua independência.
(D) ocorreu um entrelaçamento cultural harmônico e sem violência.
(E) houve forte interpenetração cultural entre as duas sociedades.


 
42. De acordo com as análises de Marc Ferro (A manipulação da História no ensino e nos meios de comunicação), na África Negra, o conhecimento do passado é estratificado em três níveis: o primeiro estrato é o da tradição oral; o segundo é o da História como foi ensinada pelo colonizador; por fim, depois da independência, o esforço dos historiadores e dos africanistas contemporâneos tem tido como resultado a reavaliação geral da história africana ora em desenvolvimento.
Considerando esses apontamentos, compare os textos I e II, extraídos da obra de Ferro.
I. Sow Ndeye, que tinha doze anos por ocasião da independência do Senegal, quando cursava uma escola de maioria branca, reteve a seguinte imagem dos acontecimentos. O passado consistia essencialmente nos romanos, na vida das crianças romanas que ela via banhando-se nas termas e indo ao teatro ou ao circo; também se lembra dos gauleses, cujo país verde e florido tem quatro estações bem definidas por ano, nada igual ao Senegal. Tal é o espaço onde se encaixa a sua memória do passado: não aparece nem o seu país natal, nem a África, que só entrarão em cena bem mais tarde (...).
II. É cada vez mais aceito, (…) que a África tropical é o berço da humanidade. É preciso, por conseguinte, insistir na antiguidade do povoamento pré-histórico do continente africano, pois quase todas as etapas abertas pela inventividade humana pré-histórica estão inscritas em solo africano.
(Oumar Kane, citado por M. Ferro)
Com base na estratificação proposta pelo autor, está correto afirmar que
(A) o texto I representa o primeiro estrato e o II, o segundo.
(B) o texto I representa o segundo estrato e o II, o terceiro.
(C) o texto I representa o terceiro estrato e o I, o primeiro.
(D) os textos I e II representam o segundo estrato.
(E) os textos I e II representam o terceiro estrato.
 



43. Junto com os movimentos de libertação cresceu a ideia de uma unidade africana, só possível de ser criada a partir dos efeitos da colonização, e que foi batizada com o nome de “pan-africanismo”. Por trás dessa ideia havia um forte sentimento anticolonial, e de valorização do que foi chamado de “negritude”, ou seja, um conjunto de características culturais próprias das sociedades africanas e afro-americanas, formadas a partir da diáspora atlântica. A ideia de negritude (...) não existe em africanos que não passaram por um processo de formação ocidental, que não foram assimilados pelos valores da sociedade colonizadora. (Marina M. e Souza. África e Brasil Africano) Segundo o texto, está correto afirmar que a “negritude”
(A) fortaleceu somente a identidade cultural de negros que vivem no Ocidente.
(B) enfraqueceu o “pan-africanismo”, em razão de sua influência ocidentalizada.
(C) incorporou contribuição ocidental, recuperando, ao mesmo tempo, as raízes africanas.
(D) foi responsável pela formação de uma cisão no seio do “pan-africanismo”.
(E) representou um retrocesso aos movimentos de independência dos países africanos.
 



44. Analisando textos de livros didáticos japoneses, Marc Ferro (A manipulação da história no ensino e nos meios de comunicação) fez várias observações, dentre as quais:
• Cerca de 1900: valorização do mérito individual – citando Franklin, Thomas Edson e Colombo como exemplos – e das ideias ocidentais, depreciando os outros países da Ásia.
• De 1937 a 1945: o mar e a guerra são revalorizados, buscando-se as glórias do passado como potência bélica; os valores ocidentais são desvalorizados ao mesmo tempo em que há uma reidentificação com a Ásia.
• Após 1945: os livros já não começam mais com a história da criação do Japão, mas com os homens pré-históricos; foram expurgados textos que valorizavam o militarismo e o nacionalismo.
Considerando esses apontamentos, pode-se concluir que essas mudanças ocorreram, dentre outros motivos, em razão
(A) da reorientação ideológica do Estado, que buscava sua modernização econômica.
(B) da superação do seu período de feudalismo, cujo final se deu em meados de 1940.
(C) do alinhamento comercial com os países asiáticos, antes monopolizados pelos europeus.
(D) do envolvimento do Japão na Segunda Guerra Mundial e de sua posterior derrota.
(E) do intercâmbio científico promovido pelo processo de globalização mundial.
45. Para a historiadora Circe Bittencourt (O saber histórico na sala de aula), “a recorrência de representações das populações indígenas nos livros de História fomentou uma série de questionamentos não apenas sobre as possíveis interpretações das populações indígenas ao longo da história ensinada (...)”. De acordo com a autora, os dois mais conhecidos livros didáticos de História destinados ao ensino primário, com primeiras edições nos anos 70 e 80 do século XIX, utilizavam o tipo de ilustração que segue:
 
Analisando a imagem, está correto observar que
I. os grupos indígenas dessas obras eram representados como “selvagens”, no sentido oposto ao de “civilizado”;
II. é dado destaque à obra missionária no Brasil Colônia, assinalando a importância dos religiosos católicos, representados, muitas vezes, como “mártires”;
III. esse tipo de ilustração só foi utilizado até o final do século XIX, posto que, a partir do século XX, a temática indígena já havia sido revisada nos livros didáticos;
IV. tem pouca função como fonte histórica, pois não retrata com fidelidade o fato que pretende ilustrar.
Estão corretas as informações contidas em
(A) I e II, apenas.
(B) II e III, apenas.
(C) II, III e IV, apenas.
(D) I, III e IV, apenas.
(E) I, II, III e IV.
 




46. Os livros escolares (...) são em geral escritos num espírito maniqueísta, seguindo as clássicas antíteses – os bons e os maus, os heróis e os covardes, os santos e os bandidos. Via de regra, não se empregam nesses compêndios as cores intermediárias, pois seus autores parecem desconhecer a virtude dos matizes e o truísmo de que a História não pode ser escrita apenas em preto e branco.
(Érico Veríssimo. Citado por L. Karnal. História na sala de aula)
São exemplos que coadunam com a análise do escritor as ideias expressas em:
(A) Os espanhóis conquistaram o México. (...). Os índios foram conquistados. (...). Esse raciocínio dual é um mau caminho para a compreensão de um fenômeno histórico. Só podemos analisar a conquista da América por meio de uma complexa política de alianças. Sem o apoio de grupos indígenas, Cortés não teria conquistado a cidade do México.
(Janice Theorodo. Em: L. Karnal. História na sala de aula)
(B) O deserto do Saara era, como ainda é, habitado por uma variedade de povos nômades, que o conheciam muito bem. Esse conhecimento fazia deles os guias que tornavam possível o trânsito de pessoas e produtos por região tão inóspita. O camelo (...) passou a ser usado com mais frequência somente a partir do século IV de nossa era.
(Marina M. Souza. África e Brasil Africano)
(C) No Programa Curricular de Minas Gerais, consideram-se “alunos e professores como sujeitos produtores de seu próprio conhecimento. Isto é, o conhecimento não é um dado pronto e acabado, mas uma constante reelaboração e construção, que se dá a partir das necessidades e problemas colocados pelo cotidiano”.
(Selva G. Fonseca. Caminhos da História ensinada)
(D) Os centro-africanos não somente foram para todos os lugares nas Américas, como também levaram com eles para todos os lugares uma cultura litorânea homogênea, que já existia na África com elementos emprestados principalmente das práticas e pensamentos da Europa Mediterrânea.
(L. Heywood. Diáspora negra no Brasil)
(E) Mussa foi o rei do Mali que no século XIV realizou uma peregrinação para Meca (...) Ao relacionarmos as estruturas e contextos específicos do Mali medieval com personagens como Mansa Mussa (...), tornamos um período da História Africana, que nos parece tão distante, mais familiar e acessível.
(Kalina V. Silva. Em: Carla Pinsky. Novos temas nas aulas de história)


47. A renúncia não chegou a ser esclarecida. O próprio Jânio negou-se a dar uma versão clara dos fatos, aludindo sempre às “forças terríveis” que o levaram ao ato. A hipótese explicativa mais provável combina os dados de uma personalidade instável com um cálculo político equivocado. Segundo essa hipótese, Jânio esperava obter com uma espécie de “tentativa de renúncia” maior soma de poderes para governar, livrando-se até certo ponto do Congresso e dos partidos. Ele se considerava imprescindível para os partidos na campanha presidencial e se julgava imprescindível para o Brasil como presidente.
(Boris Fausto. História do Brasil)
 
De acordo com a análise desse historiador, a renúncia de Jânio Quadros foi
(A) fruto, principalmente, de seu desequilíbrio pessoal e emocional.
(B) uma estratégia para tentar voltar à presidência com amplos poderes.
(C) consequência da pressão tanto de progressistas quanto de conservadores.
(D) uma tentativa de golpe de Estado apoiada pelos militares reacionários.
(E) provocada pelos norte-amercianos, que estariam por trás das “forças terríveis”.

48. Observe as análises de Kalina V. Silva (Em: C. Pinsky. Novos
temas nas aulas de História), acerca das possibilidades de estudo com a biografia de Che Guevara.
• A imagem de Che como revolucionário se tornou icônica ainda em vida, e após sua morte foi transformada em símbolo maior dos opositores aos regimes militares latino-americanos;
• virou ícone pop em camisetas, bonés, tatuagens e uma infinidade de produtos da sociedade de consumo;
• foi revisitado por uma imprensa de direita, que considera sua
imagem de guerrilheiro idealista e aguerrido como uma farsa e sua vida de revolucionário como uma série de fracassos;
• também foi revisitado por novos intelectuais e artistas, que reconstruíram-no, tornando o personagem mais humanista.
 
Considerando o exposto, está correto concluir que
(A) o professor deve utilizar somente fontes históricas que sejam fidedignas e retratem a verdade dos fatos.
(B) a personalidade icônica de Che deve ser compreendida como uma construção da sociedade de consumo capitalista.
(C) a sociedade de consumo desvalorizou os verdadeiros atos heróicos de Che, abrindo espaços para as análises de direita.
(D) as várias versões sobre a vida de Che podem ser confrontadas, demonstrando a não-neutralidade das narrativas históricas.
(E) o intenso debate acadêmico que gira em torno de Guevara tem levantado suspeitas acerca de sua vida revolucionária.

49. Observe as fotos, tiradas em São Paulo, em 19 de março de 1964.
Foto 1

(www.tesouralivre.blogspot.com/)
 

Foto 2
(www.virtualiaomanifesto.blogspot.com)
 
Na foto 1, lê-se faixa com os dizeres: “Verde e amarelo sem foice nem martelo”. Na foto 2, “Comunismo não. Democracia sim” e “Democracia para o Brasil”.
 
Acerca do momento retratado, está correto afirmar que se refere
(A) à Passeata dos Cem Mil, organizada pelas entidades estudantis e sindicais ligadas ao PCB, em protesto contra a ditadura militar.
(B) à caminhada pacífica, organizada pelos setores progressistas ligados à Igreja Católica, em favor da democracia e liberdades individuais.
(C) à Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pela ala conservadora da Igreja Católica, contrários ao governo de João Goulart.


(D) ao protesto realizado durante a greve dos metalúrgicos do ABC, cujas reivindicações ultrapassavam aspectos meramente trabalhistas.
(E) à fundação do Movimento dos Sem Terra – MST, fruto do primeiro encontro dos trabalhadores rurais no Brasil, no governo de Juscelino Kubitscheck.



 50. O discurso competente e as metáforas ricas de imaginação encontradas no livro de Galeano – As veias abertas da América Latina –, por si sós, já garantiriam uma boa aceitação de seu conteúdo aos olhos de ampla parcela do público de esquerda na década de chumbo do continente latino-americano. A simplicidade de sua tese, a América como um corpo aberto, sangrando, a alimentar sanguessugas estrangeiros, sedentos de nossas matérias-primas, barateadas à custa de um banho de sangue. (...) Essa análise teleológica, que troca nossas metrópoles retroativamente, de EUA para Inglaterra e desta para Península Ibérica, tem um forte cunho economicista, influência de leituras do marxismo latino-americano. Por outro lado, tal como Las Casas, mostra os filhos desta terra como um povo perdedor, uma massa acostumada ao autoritarismo de “quinhentos anos de derrota nas mãos do outro”.
(Luiz E. Fernandes. Renovação da história da América. Em: L. Karnal. História na sala de aula)
 
De acordo com o texto, o livro de Eduardo Galeano
(A) contribui para supervalorizar os ícones que se levantaram contra o autoritarismo.
(B) retoma a tradição dos historiadores positivistas do século XIX.
(C) fortalece discurso revolucionário, por meio de referencial teórico colonialista.
(D) representa uma denúncia, mas acaba por reforçar uma visão derrotista.
(E) utiliza conceitual marxista para tornar-se simpático aos governos autoritários.



GABARITO


41 - E
42 - B
43 - C
44 - D
45 - A
46 - A
47 - B
48 - D
49 - C
50 - D



Concurso Historiador 2009 (Vunesp)

 Concurso Historiador 2009 (Vunesp) 
 
31. [Há uma] grande modificação do equilíbrio demográfico e geoeconômico do país no curso da segunda metade do século [XIX]. Este fato já foi assinalado quando se estudou o desenvolvimento das regiões cafeicultoras do Centro-Sul (...) e a decadência do Nordeste. Do empobrecimento deste último setor, densamente povoado desde a colônia, vão resultar correntes demográficas fortes e constantes que dali se dirigem em demanda de regiões com melhores perspectivas.
Este movimento de populações tornar-se-á particularmente ativo depois da grande seca de 1877-80, que despovoará o interior nordestino do Ceará até a Bahia.
                             
(Caio Prado Júnior, História econômica do Brasil)
O mais importante polo de atração dessa migração nordestina foi
(A) o vale amazônico, em função da extração da borracha.
(B) o Triângulo Mineiro, com o desenvolvimento da pecuária.
(C) a cidade do Recife, maior centro industrial do Brasil.
(D) o Maranhão, com o auge da produção de cacau.
(E) a zona de Goiás e Mato Grosso, devido à mineração aurífera.
 



32. Itália bela, mostre-se gentil
e os filhos não a abandonarão
senão vamos todos para o Brasil,
e não se lembrarão de retornar.
Aqui mesmo ter-se-ia no que trabalhar
Sem ser preciso para a América emigrar.
O século presente já nos deixa.
o mil e novecentos se aproxima.
A fome está estampada em nossa cara
e para curá-la remédio não há
A todo momento se ouve dizer:
eu vou lá, onde existe a colheita do café.
(Canção Italia bella, mostrati gentile. Em Zuleika M. F. Alvim. Brava gente!)
 
A partir dessa canção, originária da Itália do fim do século XIX, é correto concluir que
(A) a grande imigração italiana para o Brasil se deu, essencialmente, em meados do século XIX e está associada a questões religiosas, pois a criação do Estado do Vaticano gerou práticas de intolerância contra os não católicos.
(B) o processo imigratório de várias regiões italianas para o Brasil deve ser compreendido dentro de toda a sua complexidade, na qual é necessário que se avalie o espaço de origem como expulsor e o de destino como atraente.
(C) a maior parte dos imigrantes italianos era originária do sul da Itália, em função do forte desenvolvimento econômico, de base industrial, que produziu um forte êxodo rural e o consequente desemprego estrutural.
(D) não interessava ao governo italiano a saída da mão de obra em massa, porém a emigração para o Brasil foi facilitada pelo fácil acesso à pequena e média propriedade rural, o que não ocorria na Itália.
(E) com o processo de unificação nacional na Itália, as diversidades
regionais foram eliminadas e a pobreza dos camponeses foi superada com o incentivo do Estado à imigração para o Brasil.



 33. O processo de independência (...) teve originalmente caráter econômico, político e social. Surgiu das contradições sociais existentes na colônia, mas não foi unicamente uma rebelião de escravos nem apenas o resultado da luta dos mulatos para conquistar a igualdade anunciada na Revolução Francesa. Foi um amplo movimento em que a força decisiva estava nas massas dirigidas pela elite mulata e pelos elementos revolucionários da classe de escravos, com o objetivo de estabelecer uma nova ordem econômica sob controle democrático. Representou um golpe definitivo no modo de produção escravista implantado na era colonial, apesar do caráter contraditório dos primeiros tempos da nova república, em que, ao lado das sobrevivências escravistas, instalava-se um capitalismo dependente.
             (Rubim Aquino et alii, História das Sociedades Americanas)
 
O fragmento refere-se
(A) a Cuba.
(B) a Porto Rico.
(C) ao Haiti.
(D) a Honduras.
(E) a Costa Rica.
 

34. (...) Em 1820, a Europa, mais uma vez aberta às livres importações da ilha, adquiriu 128 milhões de jardas de tecidos de algodão britânicos; a América, fora os EUA, a África e a Ásia adquiriram 80 milhões; mas por volta de 1840, a Europa adquiriu 200 milhões de jardas, enquanto as áreas “subdesenvolvidas” adquiriram 529 milhões.
Pois dentro destas áreas a indústria britânica tinha estabelecido um monopólio por meio de guerras, revoluções locais e de seu próprio domínio imperial.
(Eric Hobsbawm, A Era das revoluções)
Nesse contexto, pode-se afirmar que um dos efeitos da revolução
industrial inglesa foi
(A) o desenvolvimento e a transferência de tecnologia industrial para as regiões mais pobres da África e da América, desde o início do século XIX.
(B) um retrocesso na organização da agricultura inglesa, a partir da anulação dos cercamentos e do restabelecimento das propriedades coletivas.
(C) a excessiva e rápida concentração de capitais no campo, associada a uma desorganização dos espaços coloniais ingleses na Ásia e na África.
(D) a progressiva dependência britânica da tecnologia francesa de produção de tecidos de algodão mais refinados, a partir de teares mecânicos.
(E) a desorganização da indústria de tecidos da Índia, que passou de região exportadora de tecidos para importadora desse tipo de mercadoria.
 



35. A repercussão, no Brasil, dos acontecimentos políticos da Europa de fins do século XVIII e começo do seguinte, se por um lado acelerou a evolução política do país, por outro contribuiu para prolongar a etapa de dificuldades econômicas que se iniciara com a decadência do ouro.
                                (Celso Furtado, Formação econômica do Brasil)
 
A presença da Corte portuguesa no Brasil “contribuiu para prolongar a etapa de dificuldades econômicas” do Brasil, pois
(A) os banqueiros ingleses destinaram vultosos empréstimos à administração portuguesa no Brasil, para modernizar alguns espaços urbanos – como o Rio de Janeiro e Recife –, com projetos de iluminação pública e abastecimento de água.
(B) os britânicos exigiram que os lusos abrissem mão do controle de áreas fornecedoras de escravos na África, que passaram para o domínio de comerciantes ingleses, para continuar apoiando Portugal contra o avanço militar das tropas napoleônicas.
(C) uma série de empréstimos de bancos públicos da Inglaterra foram feitos ao Brasil com o intuito de financiar a expansão territorial praticada pelo príncipe-regente Dom João, o que permitiu a conquista da Província Cisplatina e parte do Mato Grosso.
(D) os interesses econômicos ingleses foram concretizados, por meio dos Tratados de 1810, que ofereceram tarifas alfandegárias privilegiadas à Grã-Bretanha, trazendo prejuízos às finanças e ao desenvolvimento da manufatura no Brasil.
(E) a burguesia industrial britânica exigiu que a importação de mercadorias primárias brasileiras – especialmente café, borracha e tabaco – ficasse vinculada à renúncia da produção brasileira de manufaturas que concorressem com as da Grã-Bretanha.


 36. O primeiro ministro do Trabalho, nomeado quando da criação do ministério, foi Lindolfo Collor. (…) Pelo Decreto n° 19.770, foi estabelecida a Lei de Sindicalização. A nova lei tinha como objetivo geral fazer com que as organizações sindicais de empresários e trabalhadores se voltassem para a sua função precípua de órgãos de colaboração do Estado. A intenção, portanto, era colocar em prática um modelo sindical baseado no ideário do corporativismo.
(www.cpdoc.fgv.br, acessado em 09.11.09)
 
Assinale a alternativa que apresente corretamente o conceito de corporativismo.
(A) Doutrina defensora da organização social baseada na representação de empresários e trabalhadores, com a arbitragem do Estado, para conciliar os interesses do capital e do trabalho, neutralizando a luta de classes.
(B) Filosofia que privilegia a ação do Estado no sentido da planificação econômica, visando uma reprodução mais justa do capital produtivo e da elaboração de legislação de apoio ao trabalho.
(C) Conjunto de princípios, elaborados pelo Estado, representante dos interesses do grande capital, em detrimento dos interesses trabalhistas, uma vez que se privilegia o desenvolvimento econômico e não o social.
(D) Concepção política que se fundamenta na importância dos sindicatos como base das relações entre capital e trabalho, gerando as condições necessárias para a organização de uma futura sociedade socialista.
(E) Ideologia que aponta para uma concepção de sociedade mais igualitária, em que as diferenças socioeconômicas são superadas pela ação disciplinadora do Estado e das associações de auxílio mútuo.
 



37. Dominada a Revolução Constitucionalista, no final do ano de 1932 e começo de 1933, a campanha eleitoral para a Assembleia Nacional Constituinte tomou conta do país. As forças políticas se reorganizaram para aquela que seria a primeira eleição desde a vitória da Revolução de 1930. Novos procedimentos haviam sido introduzidos pelo Código Eleitoral de 1932: o voto secreto, o voto feminino – pela primeira vez na história brasileira – e a Justiça Eleitoral, encarregada de organizar e supervisionar a eleição política. O Código previa ainda a formação de uma bancada classista (...)
(www.cpdoc.fgv.br, acessado em 09.11.09)
 
A bancada classista referia-se
(A) ao conjunto de representantes das entidades empresariais ligadas aos proprietários fundiários.
(B) aos dirigentes das associações de ajuda mútua, escolhidos pelo Ministério do Trabalho.
(C) aos representantes eleitos nos sindicatos – de trabalhadores e empresários – legalizados pelo Ministério do Trabalho.
(D) à delegação de dois representantes escolhidos em cada uma das Assembleias Legislativas estaduais.
(E) ao grupo de magistrados e juristas, representantes dos estados brasileiros e referendados pelo Ministério da Justiça.
 



38. Naquele dia 11 de setembro de 1973, o Chile via assim substituir o máximo de democracia que havia conseguido estabelecer em sua história, pelo regime mais cruel que havia conhecido. 
 [Emir Sader, Chile (1818-1990)]
O sucesso no golpe desferido contra o governo de Salvador Allende pode ser atribuído
(A) à inabilidade das autoridades chilenas em termos econômicos, pois a atividade produtiva foi paralisada diante de um processo de privatizações dos serviços públicos.
(B) à interferência desse governo em assuntos internos de nações da América do Sul, inclusive com a declaração de apoio a governos autoritários.
(C) à radical conversão do Chile à economia de mercado, que gerou a desorganização das atividades industriais e o consequente desemprego em massa.
(D) a uma ampla aliança com a participação das Forças Armadas, do Partido Democrata Cristão e do movimento Patria y Liberdad, apoiada pelo governo dos Estados Unidos.
(E) aos movimentos revolucionários chilenos, em aliança com o Partido Socialista e as principais lideranças sindicais do campo e das cidades.


 
39. Pode ser apontado como reflexo da Guerra Fria no Brasil, durante o governo Dutra (1946-51),
(A) a postura de afastamento do Brasil da influência norteamericana e soviética e a decorrente identificação com o chamado Terceiro Mundo.
(B) a cassação do registro do Partido Comunista e a consequente perda de mandatos de todos os parlamentares comunistas eleitos.
(C) a concretização de um tratado de transferência tecnológica com os Estados Unidos, que permitiu a criação da Petrobras.
(D) o importante apoio diplomático do governo brasileiro à vitoriosa Revolução Comunista Chinesa, liderada por Mao Tsé Tung.
(E) a aproximação diplomática e cultural com a União Soviética e a ampliação das práticas de nacionalismo econômico. 



 40. A chamada Operação Condor constituiu-se numa
(A) organização secreta, nascida após Revolução Cubana, que patrocinava ações revolucionárias nas denominadas nações subdesenvolvidas, em especial na América Latina, e que contou com o apoio estratégico da União Soviética.
(B) instituição político-militar, estabelecida no Brasil no final dos anos 1960, que congregava países sul-americanos interessados no combate aos grupos paramilitares de extrema direita, que inviabilizavam o retorno à normalidade democrática.
(C) organização ilegal, criada nos anos 1960 e dirigida pela CIA, que tinha como objetivo desestabilizar regimes democráticos e populares da América Latina, criando um clima favorável à intervenção das forças armadas nesses países.
(D) organização supranacional, criada e dirigida pelos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, que lutava para desmantelar as estruturas autoritárias presentes em grande parte dos países da América do Sul.
(E) conexão anticomunista, criada nos anos 1970, entre as polícias políticas de nações da América do Sul sob a vigência de regimes autoritários – como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai – que perseguiu os seus opositores.
 
GABARITO


31 - A
32 - B
33 - C
34 - E
35 - D
36 - A
37 - C
38 - D
39 - B
40 - E





HISTORIADOR 2009 (VUNESP)

Concurso Historiador 2009 (Vunesp)
 

21. Na Proposta Curricular para o Ensino Médio do Estado de São Paulo, consta o item “A vida na América antes da conquista europeia”. Ao fazerem um levantamento dos conceitos históricos fundamentais e das características socioculturais e materiais dos maias, astecas e incas, os alunos poderão identificar que esses povos
 
(A) desenvolveram uma agricultura com excedentes, tinham rígidas divisões sociais e construíram grandes templos, pirâmides e cidades.
(B) articularam uma extensa rede comercial, com o uso de moedas, dividiam-se em grupos sociais fixos e baseavamse nas relações escravistas.
(C) tinham uma próspera economia manufatureira, privilegiavam os guerreiros e praticavam sacrifícios humanos a seus vários deuses.
(D) baseavam-se na agricultura do milho, viviam em sociedades igualitárias e alcançaram grande desenvolvimento científico e arquitetônico.
(E) praticavam a agropecuária em terras do Estado, dividiam a sociedade pelo critério do nascimento e fundamentavam-se no trabalho escravo.
 

22. Trabalho é um conceito fundamental para a compreensão da formação e do fazer histórico da humanidade em toda a sua diversidade, indicado como um dos principais conceitos para os Ensinos Fundamental e Médio na Proposta Curricular do Estado de São Paulo.
 
Na América Colonial, o trabalho
(A) livre predominou nos núcleos da América Inglesa, enquanto na América de colonização ibérica o trabalho escravo africano fundamentou toda a economia.
(B) assalariado foi o exclusivo nas atividades urbanas, enquanto africanos e indígenas escravos constituíram a mão de obra básica da agropecuária.
(C) indígena foi explorado de diferentes formas: livre nas minas do México e Peru, escravo nas colônias inglesas e compulsório na América Portuguesa.
(D) escravo negro foi a base da agricultura e o indígena livre, da mineração em todo o continente; formas de servidão apareceram na América Inglesa.
(E) compulsório indígena predominou na mineração nas áreas espanholas, enquanto na América portuguesa o escravo negro foi a mão de obra principal.


23. A importância das imagens como recurso pedagógico tem sido destacada há mais de um século por editores e autores de livros escolares de História. (...)
“Ver as cenas históricas” era o objetivo fundamental que justificava, ou ainda justifica, a inclusão de imagens nos livros didáticos em maior número possível, significando que as ilustrações concretizam a noção altamente abstrata de tempo histórico.
(Circe Bittencourt, Livros didáticos entre textos e imagens, In O saber histórico na sala de aula)
 

(Vítor Meireles, Primeira Missa no Brasil, 1860, Museu Nacional de Belas Artes)
De acordo com as referências metodológicas para o trabalho
com imagens, ao usar essa pintura, o professor pode
I. destacar que a obra corresponde a uma idealização do passado, no qual interessava mostrar a harmonia entre portugueses e indígenas;
II. construir a aula teórica a partir da cena, considerando-a uma reprodução fiel do fato histórico para identificar as diferenças culturais entre os povos;
III. analisar o contexto histórico em que a pintura foi produzida, nela reconhecendo uma visão eurocêntrica;
IV. utilizar a imagem como mero elemento ilustrativo da aula, exaltando a integração de diferentes povos e a pacífica aceitação do cristianismo.
 
Estão corretas apenas as afirmações
(A) I e III.
(B) III e IV.
(C) I, II e III.
(D) I, II e IV.
(E) II, III e IV.
  


24. No Ensino Fundamental, é relevante que os alunos reconheçam
que as sociedades indígenas no território brasileiro, em geral,
 
(A) apresentavam grande diversidade cultural, mas forte unidade linguística, o que facilitou o contato com os portugueses.
(B) reconheciam as qualidades do indivíduo para conceder-lhe a terra, sobre a qual se exigia a prestação de trabalho.
(C) organizavam-se sob o sistema tribal, sendo a terra e o trabalho comunitários, o que os diferenciava dos europeus.
(D) estavam unidos pelo parentesco e pela obediência irrestrita a um chefe, considerado a encarnação de deus.
(E) desconheciam a metalurgia, a agricultura e a mineração, o que impediu sua escravização pelos portugueses.
 


25. Sobre os núcleos de colonização europeia na América, leia as afirmações:
I. a colonização espanhola concentrou-se, inicialmente, nas áreas de extração de ouro e prata, já a portuguesa, na região litorânea, com a produção de açúcar;
II. na América Inglesa, as colônias do Sul tinham uma economia baseada na policultura e na manufatura para o mercado interno, e nas do Norte desenvolveram-se plantations;
III. a estrutura político-administrativa da América Inglesa foi marcada por relativa autonomia, mas nos núcleos ibéricos predominou a tendência centralizadora.
 
Está correto o contido em
(A) I, II e III.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) II e III, apenas.
 


26. O professor apresenta aos alunos o documento a seguir e orienta uma pesquisa a respeito do contexto da Europa, para discutir a influência dos movimentos político-sociais europeus sobre o espaço colonial americano: Jaime, pela graça de Deus, Rei da Inglaterra, Escócia, França e Irlanda, defensor da fé, etc. considerando que nossos dedicados e bem dispostos súditos (...) nos têm requerido humildemente e nós lhes concedemos nossa licença para fazerem habitação, plantação e iniciarem uma Colônia de vários representantes do nosso povo nesta parte da América, comumente denominada Virgínia (...).
(A primeira Carta da Virgínia, 1606, In Harold Syrett, Documentos
Históricos dos Estados Unidos)
 
É correto afirmar que o processo mencionado no documento, que prosseguiu no século XVII, relaciona-se diretamente
(A) à reação da Inglaterra ao surgimento da União Ibérica.
(B) às diferenças entre as colônias britânicas na América.
(C) aos conflitos religiosos e políticos ocorridos na Inglaterra.
(D) à Guerra dos Trinta Anos, que gerou disputas coloniais.
(E) à rivalidade franco-britânica na Guerra dos Sete Anos.





27. Assinale a alternativa correta sobre as sociedades que se desenvolveram na parte da América colonizada por Portugal e Espanha.

(A) A sociedade do Antigo Regime foi marcada pelos privilégios de nascimento, o que influenciou a sociedade colonial ibérica, na qual a concessão de títulos de nobreza pelos monarcas diferenciava os senhores dos plebeus, e condicionou as sociedades latino-americanas.

(B) Na América de colonização ibérica, criollos e homens bons eram os brancos, descendentes de europeus, que exerciam cargos nas instituições administrativas locais, tinham influência sobre a economia e acabaram por constituir as elites dos países independentes.

(C) A intolerância religiosa existente em Portugal e na Espanha, após a reativação dos Tribunais do Santo Ofício, não repercutiu em suas colônias, onde predominou a liberdade de culto e expressão, que se estendeu aos países recém independentes como um direito assegurado por lei.

(D) Nas sociedades coloniais de origem ibérica, a mestiçagem foi acompanhada por um notável processo de integração racial dos mestiços de índio e negro, assegurando-lhes direitos políticos e sociais no século XIX, quando se formaram os Estados nacionais sob inspiração iluminista.

(E) As elites agrárias que passaram a governar os países latino-americanos no século XIX estavam vinculadas aos ideais liberais, sob influência dos movimentos europeus, e defendiam a adoção de constituições, a extensão da cidadania aos pobres e a separação entre a Igreja e o Estado.




 28. Em linhas gerais, os processos de emancipação política do continente americano ocorreram a partir da década de 1770, estendendo-se até as primeiras décadas do século seguinte.
 
Comparando-se esses processos, é correto afirmar que
(A) o movimento norte-americano estimulou as demais colônias a declararem independência, sendo o modelo presidencialista e federalista de John Locke adotado nas repúblicas criadas nessa época em todos os territórios da América Latina.
(B) as colônias espanholas tiveram seu movimento de independência desencadeado pela expansão napoleônica na Europa, enquanto o Brasil não sofreu os reflexos desse contexto e a América Inglesa ainda preparava sua emancipação.
(C) a independência das colônias inglesas repercutiu em todo o continente, mas a emancipação da América Espanhola diferenciou-se das demais pela intensa participação popular e pela formação de governos democráticos.
(D) a independência política não ampliou a cidadania, pois, nos recém-formados países, a escravidão negra foi mantida e critérios censitários de participação política excluíram a maioria da população, fosse de origem inglesa ou ibérica.
(E) o enrijecimento dos princípios mercantilistas gerou as guerras pela independência em todo o continente, principalmente na América Portuguesa, levando as colônias a reagirem com a organização de milícias locais.



29.


 BRASIL DESPEDAÇADO


Em uma situação de aprendizagem, o professor apresenta esse mapa e propõe aos alunos uma reflexão: “Por que o Brasil não ficou assim após a independência?”



Após o levantamento, a discussão e a análise das respostas, será correto concluir que

(A) os interesses imperialistas norte-americanos, expressos na Doutrina Monroe, impediram a fragmentação política e a elite latifundiária brasileira apoiou a centralização política desde o início do Império.

(B) a ação decisiva das camadas médias urbanas, influenciadas por ideais liberais, dificultou qualquer tentativa autonomista e a Inglaterra apoiou o processo de centralização, para manter seus privilégios econômicos.

(C) as ideias socialistas encontraram forte resistência por parte dos brasileiros, que repudiavam a fragmentação política, e a aristocracia rural implantou um modelo centralista inspirado no Império Britânico.

(D) as tentativas de separação regional, apoiadas pelo governo sediado no Rio de Janeiro, foram vencidas e as diferenças econômicas e políticas derivadas da colonização facilitaram a imposição do centralismo.

(E) a modernização implementada pela Corte portuguesa conferiu à nossa independência um caráter singular, com a manutenção da unidade territorial, e as revoltas separatistas foram reprimidas pelo governo central.



 30. Uma das questões centrais do período da História do Brasil, conhecido como Populismo (1946-1964), foi a política desenvolvimentista.
 
Ao trabalhá-la com os alunos, o professor deve identificar as propostas orientadoras do desenvolvimentismo, que se caracterizaram, principalmente,
(A) pela intervenção estatal e pela defesa intransigente do nacionalismo econômico, como ocorreu no governo Dutra e no governo Vargas, quando foi criada a Petrobras.
(B) pela ampliação do setor de infraestrutura e pela combinação entre o Estado, a empresa privada nacional e o capital estrangeiro para promover o desenvolvimento nacional.
(C) pela estabilização da economia e pelo rompimento, durante o governo Jânio Quadros, com as diretrizes do Fundo Monetário Internacional, consideradas imperialistas.
(D) pelo liberalismo econômico e por uma política de contenção dos gastos públicos, que se mostrou eficaz no combate à inflação, cujo índice médio anual não ultrapassou 10%.
(E) pelo expressivo aumento da dívida externa e pela oposição entre o modelo nacionalista de Juscelino Kubitschek e o chamado entreguismo de João Goulart.
 




GABARITO
21 - A
22 - E
23 - A
24 - C
25 - D
26 - C
27 - B
28 - D
29 - E
30 - B