Na proclamação da República, a vitória do projeto dos cafeicultores, aliado a determinados princípios positivistas, trouxe a necessidade de se operar, com o conceito de federalismo. Contudo, o nosso federalismo às avessas, não democrático, que nunca foi além da ideia de descentralização, como afirma José Murilo de Carvalho, tem impactos importantes no Brasil contemporâneo. Durante a República Velha ocorreu a exclusão da maioria absoluta da população brasileira do sistema político-eleitoral que vigorou no período.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
República Velha - A República dos Excluídos
Na proclamação da República, a vitória do projeto dos cafeicultores, aliado a determinados princípios positivistas, trouxe a necessidade de se operar, com o conceito de federalismo. Contudo, o nosso federalismo às avessas, não democrático, que nunca foi além da ideia de descentralização, como afirma José Murilo de Carvalho, tem impactos importantes no Brasil contemporâneo. Durante a República Velha ocorreu a exclusão da maioria absoluta da população brasileira do sistema político-eleitoral que vigorou no período.
Na proclamação da República, a vitória do projeto dos cafeicultores, aliado a determinados princípios positivistas, trouxe a necessidade de se operar, com o conceito de federalismo. Contudo, o nosso federalismo às avessas, não democrático, que nunca foi além da ideia de descentralização, como afirma José Murilo de Carvalho, tem impactos importantes no Brasil contemporâneo. Durante a República Velha ocorreu a exclusão da maioria absoluta da população brasileira do sistema político-eleitoral que vigorou no período.
Honduras e a OEA
Pio Penna Filho*
A questão hondurenha se transformou no pomo da discórdia no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). Por trás da querela diplomática que está sendo travada na OEA em torno do retorno do país ao seus quadros, encontramos um mundo de divergências que demonstram o desgaste da imagem dos Estados Unidos perante boa parte dos países da chamada América Latina.
O golpe que depôs o presidente Zelaya azedou as relações de Honduras com importantes expoentes latino-americanos. Na América do Sul, Brasil, Venezuela, Argentina e Bolívia foram os países que demonstraram maior irritação com a solução da crise hondurenha.
A posição adotada pelo Brasil foi clara: o retorno de Zelaya à presidência sem nenhum tipo de restrição ou condicionalidade. O governo brasileiro interpretou o golpe como uma usurpação do poder e não admitia que o processo fosse legitimado por quem quer que fosse, seja no plano interno ou no externo. O interessante da questão é que o Brasil tomou as dores de um governo que, a rigor, nem era tão alinhado e nem tampouco vinculado econômica ou comercialmente ao país. Ademais, Honduras estaria fora, pelo menos em tese, da área prioritária de atuação da diplomacia brasileira no contexto latino-americano, uma vez que, por opção, o Brasil escolheu o espaço sul-americano como objetivo primordial de sua política externa.
Talvez por uma questão de coerência o governo brasileiro continue mantendo sua posição de apoio a Zelaya, mesmo sabendo que dificilmente poderá encaminhar qualquer política que modifique o estado atual da questão hondurenha. Como todos que acompanharam o caso sabem, Honduras já passou por um processo eleitoral e possui um novo governo, eleito e reconhecido internacionalmente por vários Estados, dentre eles os Estados Unidos.
O novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, assumiu o cargo com um discurso conciliador e pacifista, mas também determinado a manter-se no poder e dar continuidade à vida política hondurenha. Nesse sentido, a idéia do retorno puro e simples de Zelaya ao poder perdeu a sua razão de ser.
Agora o debate foi trasladado para o âmbito da OEA, mas numa perspectiva distinta. A posição do Brasil e de outros Estados latino-americanos é que Honduras só possa ser readmitida na Organização se aceitar a plena reintegração política de Zelaya, sem que ele sofra qualquer penalidade interna por ato político praticado enquanto era presidente do país.
Uma das questões que podemos inferir a partir da análise do que está acontecendo em torno da controvérsia hondurenha na OEA vincula-se às desgastadas relações entre os Estados Unidos e outros Estados da região, sobretudo com o Brasil e com a Venezuela.
Essa linha de interpretação sugere que não devemos analisar a questão de Honduras apenas pela ótica da evolução política do país. Trata-se, na verdade, do choque de dois projetos políticos ou visões de mundo distintas. De um lado, podemos identificar a tradicional política norte-americana de encarar a América Latina como incapaz de fazer suas próprias escolhas políticas e, de outro lado, de uma tentativa um tanto difusa de reorientação política que caminha para a auto-afirmação dos Estados latino-americanos frente, sobretudo, aos Estados Unidos. Enfim, é uma queda de braço importante, mas que possui uma brutal desigualdade de poder entre os seus contendores.
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
Pio Penna Filho*

A questão hondurenha se transformou no pomo da discórdia no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). Por trás da querela diplomática que está sendo travada na OEA em torno do retorno do país ao seus quadros, encontramos um mundo de divergências que demonstram o desgaste da imagem dos Estados Unidos perante boa parte dos países da chamada América Latina.
O golpe que depôs o presidente Zelaya azedou as relações de Honduras com importantes expoentes latino-americanos. Na América do Sul, Brasil, Venezuela, Argentina e Bolívia foram os países que demonstraram maior irritação com a solução da crise hondurenha.
A posição adotada pelo Brasil foi clara: o retorno de Zelaya à presidência sem nenhum tipo de restrição ou condicionalidade. O governo brasileiro interpretou o golpe como uma usurpação do poder e não admitia que o processo fosse legitimado por quem quer que fosse, seja no plano interno ou no externo. O interessante da questão é que o Brasil tomou as dores de um governo que, a rigor, nem era tão alinhado e nem tampouco vinculado econômica ou comercialmente ao país. Ademais, Honduras estaria fora, pelo menos em tese, da área prioritária de atuação da diplomacia brasileira no contexto latino-americano, uma vez que, por opção, o Brasil escolheu o espaço sul-americano como objetivo primordial de sua política externa.
Talvez por uma questão de coerência o governo brasileiro continue mantendo sua posição de apoio a Zelaya, mesmo sabendo que dificilmente poderá encaminhar qualquer política que modifique o estado atual da questão hondurenha. Como todos que acompanharam o caso sabem, Honduras já passou por um processo eleitoral e possui um novo governo, eleito e reconhecido internacionalmente por vários Estados, dentre eles os Estados Unidos.
O novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, assumiu o cargo com um discurso conciliador e pacifista, mas também determinado a manter-se no poder e dar continuidade à vida política hondurenha. Nesse sentido, a idéia do retorno puro e simples de Zelaya ao poder perdeu a sua razão de ser.
Agora o debate foi trasladado para o âmbito da OEA, mas numa perspectiva distinta. A posição do Brasil e de outros Estados latino-americanos é que Honduras só possa ser readmitida na Organização se aceitar a plena reintegração política de Zelaya, sem que ele sofra qualquer penalidade interna por ato político praticado enquanto era presidente do país.
Uma das questões que podemos inferir a partir da análise do que está acontecendo em torno da controvérsia hondurenha na OEA vincula-se às desgastadas relações entre os Estados Unidos e outros Estados da região, sobretudo com o Brasil e com a Venezuela.
Essa linha de interpretação sugere que não devemos analisar a questão de Honduras apenas pela ótica da evolução política do país. Trata-se, na verdade, do choque de dois projetos políticos ou visões de mundo distintas. De um lado, podemos identificar a tradicional política norte-americana de encarar a América Latina como incapaz de fazer suas próprias escolhas políticas e, de outro lado, de uma tentativa um tanto difusa de reorientação política que caminha para a auto-afirmação dos Estados latino-americanos frente, sobretudo, aos Estados Unidos. Enfim, é uma queda de braço importante, mas que possui uma brutal desigualdade de poder entre os seus contendores.
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
terça-feira, 8 de junho de 2010
Saiba mais sobre os eventos esportivos e seus significados políticos
O professor de história do cursinho pH, Igor Vieira, dá uma aula sobre os eventos esportivos e seus significados políticos.
Vieira explica que os países que sediam os mundiais conseguem se projetar no mundo todo.
Na Copa de 1934, na Itália, o líder fascista Benito Mussolini aproveitou o evento para projetar o regime. Mussolini acompanhava vários jogos e historiadores até cogitaram a hipótese de ele ter usado sósias para representá-lo.
Vieira explica que os países que sediam os mundiais conseguem se projetar no mundo todo.
Na Copa de 1934, na Itália, o líder fascista Benito Mussolini aproveitou o evento para projetar o regime. Mussolini acompanhava vários jogos e historiadores até cogitaram a hipótese de ele ter usado sósias para representá-lo.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Aprenda mais sobre a rivalidade entre as Coreias
O professor de história do cursinho pH, Igor Vieira, dá uma aula sobre a rivalidade entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, iniciada na 2ª Guerra Mundial.
Vieira explica que o Japão invadiu a península da Coreia e houve uma mobilização para que eles fossem expulsos. Em 1945, com a presença das bombas atômicas, o Japão se rendeu.
Durante a negociação de paz no pós-guerra, o professor afirma que foi acordado entre as potências vencedoras que a Coreia ficaria dividida.
A Coreia do Norte ficou sob a tutela da União Soviética, onde vigorava o modelo socialista. Na Coreia do Sul havia o sistema capitalista e o domínio dos Estados Unidos.
O professor de história do cursinho pH, Igor Vieira, dá uma aula sobre a rivalidade entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, iniciada na 2ª Guerra Mundial.
Vieira explica que o Japão invadiu a península da Coreia e houve uma mobilização para que eles fossem expulsos. Em 1945, com a presença das bombas atômicas, o Japão se rendeu.
Durante a negociação de paz no pós-guerra, o professor afirma que foi acordado entre as potências vencedoras que a Coreia ficaria dividida.
A Coreia do Norte ficou sob a tutela da União Soviética, onde vigorava o modelo socialista. Na Coreia do Sul havia o sistema capitalista e o domínio dos Estados Unidos.
Israel, Irã e a Ameaça à Paz
Pio Penna Filho*
Pio Penna Filho*
Enquanto o Irã está sendo acusado pelas grandes potências de representar uma ameaça à paz mundial, Israel desfechou um ataque descabido contra uma flotilha de ajuda humanitária organizada pela Organização Não Governamental “Free Gaza”, cujo objetivo era levar suprimentos para a região palestina que está cercada pelas tropas de Israel.
Esse episódio é, no mínimo, revelador de quem realmente representa uma ameaça para à paz, seja no Oriente Médio, seja no mundo. Contra Israel há o protesto sem grandes consequências práticas, ou seja, o turbilhão de vozes daqueles que não tem poder mas que, teimosamente, insistem em denunciar atrocidades cometidas pelo Estado judaico. Contra o Irã, o paradoxo: o clube seleto e fechado dos que mandam na política mundial consegue, quase que silenciosamente, estabelecer sanções e punir o povo iraniano pela teimosia do país em não se dobrar frente ao desejo dos Estados Unidos.
A atitude crescentemente arrogante das elites políticas israelenses frente à questão palestina tem levado muito mais instabilidade ao Oriente Médio do que a atitude dos radicais nacionalistas iranianos. Embora ambos tenham muito o que explicar em termos de desrespeito aos direitos humanos, a cobrança tem sido desproporcional.
A dita “comunidade internacional”, capitaneada pelo Ocidente (leia-se Estados Unidos e seus aliados europeus), cobra do Estado iraniano mais democracia e mais respeito aos direitos civis, chegando mesmo a ameaçar o Irã com retaliações comerciais e econômicas, além da tentativa permanente de isolamento político do país.
A mesma comunidade, todavia, faz vistas grossas aos freqüentes e recorrentes atropelos aos direitos humanos promovidos por sucessivos governos israelenses em territórios que sequer lhe pertencem. Ou seja, Israel ataca, destrói, coage, assassina e promove o sofrimento humano em larga escala e nada acontece, uma vez que está “blindado” como aliado tradicional dos Estados Unidos.
Numa tentativa de descaracterizar a missão humanitária da flotilha que tentava chegar à Faixa de Gaza, o governo israelense divulgou na internet imagens dos atos “hostis” que as pessoas que estavam nos navios ocupados pelos comandos israelenses tiveram no momento do desembarque aerotransportado.
Não bastasse a “infame” resistência à ocupação dos navios pelos soldados de Israel, também foram divulgadas imagens com as armas que estariam sendo transportadas no navio. Parece ridículo, mas está lá, na web: estilingues e barras de ferros que foram usadas para “agredir” os heróis de Israel! O detalhe é que tudo isso, conforme noticiado, ocorreu em águas internacionais, portanto, ao arrepio da lei. Nem mesmo os piratas somalis são tratados dessa maneira.
É preciso ter muito cuidado quando ouvimos acusações sobre “ameaças” à paz mundial. Não é de hoje que as grandes potências utilizam o virtual controle da mídia internacional para fabricarem imagens negativas e construir fantasmas que na verdade não existem. Note-se, por exemplo, que os Estados Unidos usaram o discurso da existência de armas de destruição em massa para atacar e ocupar o Iraque. E onde, afinal, estão as armas de Sadam Hussein? Alguns pontos para reflexão: quem ameaça mais o mundo, o presidente iraniano e suas bravatas ou a desenvoltura israelense em não aceitar as regras básicas de convívio internacional? E o que dizer da atuação irresponsável dos grandes banqueiros e dos especuladores que provocam crises verdadeiramente catastróficas?
* Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com
O início da colonização portuguesa
Nesta teleaula você aprenderá que, para tornar a colonização atraente, foram criadas as capitanias hereditárias e que, com o fracasso desse sistema, surgiu uma forma de administração que centralizava o poder nas mãos do governador geral. Além disso, você verá que a região Nordeste, principalmente Pernambuco, se tornou o centro da produção de açúcar na colônia.
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