quarta-feira, 11 de novembro de 2009

SIMULADO DE HISTÓRIA – TERCEIRO ANO – CNDL
PROFESSOR EDENILSON MORAIS


01. (Pitágoras) "O dia 27 de julho de 1214 caiu num domingo. Domingo é o dia do Senhor, e como tal lhe deve ser inteiramente dedicado. Conheci camponeses que ainda estremeciam quando o mau tempo os forçava a fazer a colheita num domingo: sentiam pairar sobre si a cólera do céu. Para os fiéis do século XIII, ela era muito mais ameaçadora. E o pároco de sua igreja não proibia, nesse dia, apenas o trabalho manual. Tentava convencê-los a purificar integralmente o tempo dominical, a evitar as três máculas, as do dinheiro, do sexo e do sangue derramado. Daí que naquele tempo ninguém gostasse de lidar com dinheiro no domingo. Por esta razão os maridos, se fossem piedosos, evitavam aproximar-se de suas mulheres nesse dia, e os homens de armas, se fossem piedosos, sacar da espada."
(DUBY, G. "O domingo de Bouvines". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. p. 13.)
O texto de George Duby revela um aspecto da vida do homem medieval responsável pela normatização da sociedade. Comparando com a sociedade atual é possível AFIRMAR que:
a) o homem medieval tinha sua vida normatizada pelo Estado enquanto que hoje ele se encontra livre, agindo de acordo com sua vontade.
b) o homem medieval estava ligado a uma vida de máculas e, na sociedade atual, ele se encontra livre de concepções religiosas.
c) o trabalho estava associado ao tempo da Igreja enquanto que na sociedade atual está atrelado ao tempo do capital.
d) o trabalho era visto como benção divina, enquanto hoje é uma necessidade para a subsistência.
e) o pensamento teológico da época garantia o controle social e hoje o pensamento religioso não apresenta nenhuma interferência no comportamento da sociedade.

02. “O panorama do comércio europeu modificou-se profundamente nos séculos XII e XIII. A evolução das técnicas mercantis, resultante da intensificação das transações e de uma maior necessidade de capitais e de crédito, levou à substituição do pequeno mercador itinerante pelo grande comerciante sedentarizado. Graças à utilização das letras de pagamento e de câmbio, à organização de seguros e à formação de associações ou companhias comerciais, tornou-se possível aos mercadores fazer negócios a distância, sem abandonar a cidade natal. Surgiram os primeiros banqueiros, dispondo de uma rede
de sócios e empregados.”
(ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1972. p. 223. Adaptado.)
Considerando as informações acima, assinale a alternativa correta.
a) A partir dos séculos XII e XIII, houve uma retração do comércio na Europa.
b) Os grandes comerciantes tornaram-se agricultores, cedendo espaço para a atuação dos mercadores itinerantes.
c) O incentivo ao crédito e o surgimento das letras de pagamento e de câmbio ampliaram as fronteiras comerciais.
d) Os banqueiros abandonaram suas cidades de origem para formar associações comer- ciais.
e) Os mercadores da época constituíram associações conhecidas pelo nome de “corporações de ofício”.
03. No processo transição da Idade Média para a Moderna uma mudança significativa foi o advento do Absolutismo, justificado por duas teorias – o Direito Divino e o Contrato Social.
A respeito do Absolutismo é CORRETO afirmar que
a) significou um pacto de poder entre nobres e camponeses, tendo em vista o centralismo político, administrativo e militar nas mãos do rei;
b) expressou os interesses das burguesias mercantis européias pelo crescimento do comércio colonial através de práticas como o livre cambismo;
c) representou o estrangulamento dos interesses burgueses pelos senhores feudais que, desde o século XVI, tentavam criar repúblicas liberais na Europa;
d) foi o processo de centralização política, administrativa e militar na figura dos reis, os nobres tiveram seus poderes reduzidos, mas não os privilégios.
e) foi fruto de entendimentos políticos entre o rei e a maioria de seus súditos visando a melhoria das condições de vida dos camponeses e a diminuição dos impostos

04. (Pitágoras) A seguir, estão, respectivamente, afirmações de frei Bartolomé de Las Casas e do jurista espanhol Juan Ginés Sepúlveda sobre aspectos das relações entre europeus e indígenas no momento da conquista e colonização da América. Leia-os atentamente.
"A causa pela qual os espanhóis destruíram tal infinidade de almas foi unicamente não terem outra finalidade última senão o ouro, para enriquecer em pouco tempo, subindo de um salto a posições que absolutamente não convinham a suas pessoas; enfim, não foi senão sua avareza que causou a perda desses povos, que por serem tão dóceis e tão benignos foram tão fáceis de subjugar; e quando os índios acreditaram encontrar algum acolhimento favorável entre esses bárbaros, viram-se tratados pior que animais e como se fossem menos ainda que o excremento das ruas; e assim morreram, sem Fé e sem Sacramentos, tantos milhões de pessoas. [...]."
(LAS CASAS, Bartolomé de. O Paraíso Destruído. tradução de Heraldo Barbuy. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 30.)
“Aqueles que superam os outros em prudência e razão são os senhores; ao contrário, porém, os preguiçosos, os espíritos lentos, são, por natureza, servos. E é justo e útil que sejam servos. Pela própria lei divina, será sempre justo e conforme o direito natural que as nações bárbaras e desumanas, estranhas à vida civil e aos costumes pacíficos, estejam submetidas a príncipes e nações mais cultas e humanas, de modo que eles abandonem a barbárie e se conformem a uma vida mais humana e ao culto da virtude. E se eles recusarem esse domínio, pode-se impô-lo pelo meio das armas e essa guerra será justa, bem como o declara o direito natural que os homens honrados, inteligentes, virtuosos e humanos dominem aqueles que não têm essas virtudes.”
(SEPÚLVEDA, Juan Gines. Apud. MORAES, José Geraldo Vinci de. Caminhos das civilizações. São Paulo, Atual, 1998, p. 179.)

Comparando os pontos de vista acima expressos, é possível CONCLUIR que
a) Bartolomé de Las Casas e Sepúlveda estavam de acordo quanto a incapacidade dos indígenas de se adaptarem aos padrões culturais do colonizador, por isso defendiam que a Igreja Católica e a Coroa Espanhola deveriam somar esforços no projeto de colonização.
b) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas estavam de acordo quanto ao fato de que os indígenas deveriam ser identificados como escravos naturais, encontrando argumentos do ponto de vista jurídico e religioso para promover a destruição das suas culturas.
c) Sepúlveda defendia os indígenas, questionando a superioridade da civilização européia porque estava a serviço da Coroa Espanhola, ao passo que Bartolomé de Las Casas defendia os indígenas porque representava a Igreja Católica no serviço de evangelização dos nativos.
d) Bartolomé de Las Casas ressaltou as atrocidades cometidas contra os indígenas pelos espanhóis, ao passo que Sepúlveda as justificou, defendendo a superioridade da cultura européia em relação a dos povos nativos.
e) Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas afirmavam que, muito embora os indígenas não fossem bárbaros, deveriam receber uma educação européia a fim de compreenderem a destruição que estaria implicada no projeto colonizador dos espanhóis.


05. (Pitágoras) Considere:
“(...) Foram diversos os aportes civilizatórios da África para o Brasil, e algumas regiões tiveram especial relevância nesse processo, como é o caso de Angola. Práticas religiosas, conhecimentos técnicos agrícolas e de mineração, valores sociais, costumes na vida cotidiana e hábitos de alimentação fizeram parte da bagagem cultural que os escravizados trouxeram para a formação de nosso país. (...) Os laços que ligam o Brasil a Angola existem há muito tempo. Remontam à formação do Império português, do qual fizeram parte, e se estendem por séculos, chegando aos nossos dias. (...) Após a década de 1980, surgiram novas rotas de migração. Inicialmente provenientes de Angola, hoje acrescidas de recentes levas vindas do Congo, essas populações de refugiados são formadas principalmente por jovens do sexo masculino. A nova diáspora centro-africana para o Brasil é fruto de guerras e das impossibilidades geradas por séculos de espoliação. E nós temos uma identidade e uma responsabilidade histórica com esses povos.”
(LIMA E SOUZA, Mônica. “Venho de Angola, camará” in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 4, n° 39, p. 15-17)

“Trago a minha banda /Só quem sabe onde é Luanda / Saberá lhe dar valor”
(Gilberto Gil, Palco)

A partir dos textos, é possível AFIRMAR que
I. as heranças congo-angolanas permitem perceber e reconhecer a influência da África em nossa formação cultural.
II. Angola alimentou o Brasil de braços, tradições e saberes, marcando uma interdependência histórica entre os dois países que chega aos dias de hoje.
III. as relações do Brasil com a África se limitam à memória da escravidão iniciada na época da formação do Império português.
IV. uma vez que a África pouco explica quem somos, não há motivos para aproximar a História do Brasil da História da África.
Estão corretas as afirmativas
a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV
06. Durante os processos de independência dos países da América Latina, a Inglaterra colocou-se ao lado dos países latino-americanos contra suas metrópoles, buscando transformá-los em mercados fornecedores de matérias-primas e consumidores de produtos industrializados. Os Estados Unidos, por sua vez, objetivando estender sua influência política e econômica e reduzir a das potências européias sobre a América, lançaram, em 1823, uma doutrina cujo lema era “América para os americanos”. Essa reação dos Estados Unidos ficou conhecida como:
a) Doutrina Monroe.
b) Doutrina Trumman.
c) Plano Marshall.
d) Doutrina Washington.
e) Doutrina Grant.

07. Com base na figura acima e em seus conhecimentos, pode-se dizer que a Política do Big Stick, estabelecida pelos Estados Unidos no início do século XX, constituiu:
I. uma política populacional baseada nas teorias malthusianas sobre o descompasso entre a produção de alimentos e o crescimento demográfico;
II. uma política externa com a qual se pretendeu reservar o direito dos Estados Unidos de intervirem na América Latina.
III. uma política interna cujo objetivo era a superação das contradições socioeconômicas existente sentre o Norte e o Sul.
Assinale a opção correta:
a) apenas a alternativa III está correta.
b) apenas as alternativas I e III estão corretas.
c) apenas a alternativa I está correta.
d) apenas a alternativa II está correta.
e) apenas as alternativas II e III estão corretas.


08. (CNDL)
WIND OF CHANGE / VENTO DA MUDANÇA
(Scorpions)
(...)Você já imaginou
Que nós podemos ser íntimos, como irmãos?
O futuro está no arEu posso senti-lo em todo lugar
Soprando com o vento da mudança
Leve-me à magia do momentoEm uma noite de glória
Onde as crianças do amanhã ficam sonhando
No vento da mudança
(...) Leve-me à magia do momento
Em uma noite de glória
Onde as crianças de amanhã compartilham seus sonhos
Com você e comigo
O vento da mudança sopra direto
Na cara do tempo
Como uma ventania que irá tocar
O sino de liberdade pela paz de espírito
Wind of change, Scorpions. Crazy Word, 1990. Mercury Records.

Essa canção da banda de rock alemã Scorpions transformou-se no hino da queda do Muro de Berlim e dos acontecimentos históricos que provocaram o final da Guerra Fria.
Sobre o referido contexto histórico, são feitas as seguintes afirmações.
I – A expressão "vento da mudança", citada na letra da música, simboliza o processo histórico que instituiu a "Cortina de Ferro" no Leste Europeu.
II - A queda do Muro de Berlim foi o marco histórico mais relevante dos diversos movimentos contra a ditadura e em defesa da democracia no Leste Europeu.
III – Há exatos 20 anos, a derrubada do Muro de Berlim simbolizou a queda do socialismo na Alemanha Oriental e o início do processo de reunificação alemã.
IV – O fim da URSS e a derrubada dos regimes socialistas no Leste Europeu marcaram o fim da ordem bipolar e a inauguração de uma nova era, o chamado vento da mudança mencionado na canção.

São corretas.
a) I e II.
b) II, III e IV.
c) I, III e IV.
d) I e III.
e) II e III.
09. A Queda do Muro de Berlim, em 1989, pode ser analisada sob vários enfoques. Assinale a alternativa que pode representar uma dessas interpretações.
a) Consolidação do comunismo na República Democrática Alemã.
b) Vitória do capitalismo neoliberal sobre o socialismo real.
c) Incorporação dos países da Europa do Leste ao Mercado Comum Europeu.
d) Fortalecimento da presença soviética no cenário político da Europa.
e) Estancamento da migração de alemães-orientais para o território da República Federal da Alemanha.
GABARITO
01. C
02. C
03. D
04. D
05. A
06. A
07. D
08. B
09. B
O colapso do socialismo

Um dos fenômenos mais relevantes das últimas décadas do século passado foi o processo de exaustão do socialismo na União Soviética e em seus satélites do Leste Europeu.
Os inúmeros problemas que atingiam as nações socialistas - a economia planificada, lenta e atrasada, a grande corrupção, o aumento do alcoolismo, do uso de drogas e da criminalidade - levaram à necessidade de a URSS adotar reformas econômicas e um programa de democratização da vida política e cultural.
Mikail Gorbachev assumiu a secretaria geral do Partido Comunista e, em 1986, no XXVII Congresso dos PCUS, o novo líder soviético lançou as linhas gerais das reformas que pretendia implantar na URSS. A perestroika dizia respeito às necessárias transformações na economia soviética, e a glasnost pretendia democratizar o país e tornar transparentes os atos do governo.
A perestroika permitia a entrada na URSS de mecanismos da economia de mercado para enfrentar a burocratização e a centralização e tornar as indústrias soviéticas competitivas, além de garantir o lucro em empresas privadas; a abertura parcial do mercado soviético ao capitalismo estrangeiro; a presença controlada de multi-nacionais; a maior autonomia de empresas estatais.
Já a glanost foi reponsável pela liberalização política, pela liberdade de criação de novos partidos e pela presença de um parlamento eleito pelo voto popular.
Entre 1988 e 1991, foram vários os acontercimentos que atestaram as mudanças profundas pela quais passava a União Soviética. O Exécito Vermelho deixou o Afeganistão e a Hungria; as repúblicas balticas - Estôoia, Letônia e Lituânia - tornaram-se independentes, assim como a Ucrânia, a Bielorrússia, a Moldávia e a Georgia; caiu o Muro de Berlim; todos os regimes burocráticos foram derrubados.
A Alemanha foi reunificada em 1990.
Os costumes também passaram por significativas mudanças: apresentações de shows de rock, concurso de misses, transparência nas informações, com tratamento de temos antes considerados tabus na União Soviética, tais como prostituição e consumo de drogas.
Uma música que retrata bem esse contexto histórico é "Mickey Mouse em Moscou" da banda Capital Inicial. Gravada em 1989, ilustra todas as transformaçõs processadas no Leste Europeu com a derrubada do Muro de Berlim e as tranformações processadas na Europa e no resto do planeta. O mundo assistia naquele momento a uma grande revolução. Mesmo sem violência generalizada, o fim dos regimes comunistas do Leste europeu foi sem dúvida uma revolução porque mudou completamente o sistema político, econômico, social e cultural da região.
Acompanhe a letra abaixo e veja o clipe dessa canção.

Mickey Mouse em Moscou
Capital Inicial
Eu vejo eles dançando
em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg, Einenstein
Vodka, CIA
Las Vegas, Gremlin
Tolstói, John Wayne
Champagne, Caviar
Mickey Mouse em Moscou
Batman, Trotsky
Bolshoi, Rock'n'roll
Quem são estes homens
que vivem atrás da cortina
quem são estes homens
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
frases fortes no escuro
Em cima do muro
no meio do mundo
no meio do mundo dividido
Spielberg...
Um raio atravessa a nação
e cem anos passam num dia
Eu nunca pensei que fosse ver
Eu nunca pensei que fosse ver
Ninguém mais vai jogar
flores mortas no muro
ninguém mais vai pichar
Eleição presidencial brasileira de 1989

Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves vence as eleições para presidente da República do Brasil no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura militar no país. Entretanto, Neves morre e quem assume o cargo é José Sarney, seu vice. Sarney é visto com suspeita pela população, pois faz parte de uma dissidência da Aliança Renovadora Nacional (rebatizada de Partido Democrático Social em 1980), o partido dos militares, que mais tarde formaria o Partido da Frente Liberal (atual Democratas). Isso sem contar que havia dúvidas constitucionais sobre se era Sarney ou o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, quem deveria assumir o cargo e que foi decisivo o apoio do general Leônidas Pires Gonçalves, indicado por Neves como Ministro do Exército, para que a posse de Sarney se concretizasse. Entretanto, conforme prometido, o governo Sarney redemocratizou o país e, em 1986, ocorreram eleições para formar a Assembléia Nacional Constituinte, que promulgou uma nova constituição em 5 de outubro de 1988. A Constituição determinava a realização de eleições diretas para presidente, governador, senadores e deputados no ano seguinte. Durante o governo Sarney, partidos até então clandestinos como o PSB e o PC do B foram legalizados.
Criou-se a partir de então uma grande expectativa por parte da sociedade brasileira pelas possíveis candidaturas que lançariam para a corrida presidencial de 1989 afinal há quase trinta anos o eleitor brasileiro não elegia seu presidente da República. Uma geração inteira de brasileiros, ainda não eleitora em 1960, quando Jânio Quadros vence as eleições, vota em 1989 pela primeira vez para presidente da República.

SANTIAGO. O interior, ano 16, nº 773, 16 a 21/11/1989.


O cantor paraense Alipio Martins foi bastante sagaz em fazer uma leitura bastante crítica daquele contexto histórico brasileiro ao lançar uma canção intitulada "Os presidenciáveis" em que conjecturava os potenciais candidatos ao cargo de principal mandatário da nação, entre esses digníssimos postulantes eram mencionados os nomes de Lula, Brizola, Jânio Quadros, Ulisses Guimarães, do presidente José Sarney em fim de mandato, e até os nomes do apresentador Silvio Santos (o que acabou por se concretizar por algum tempo) e de Pelé, nomes que desfrutavam de grande popularidade na época, foram citados na letra da música.







Assim sendo, as eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da República. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Entre eles, os representantes da esquerda, Leonel Brizola (PDT), Roberto Freire (PCB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT). Entre os moderados estavam Ulisses Guimarães, Mario Covas e Aureliano Chaves. Representando a direita concorriam Paulo Maluf (PDS) e Fernando Collor (PRN). Outros candidatos de menor expressão também se habilitaram ao cargo.
A campanha presidencial transcorreu numa conjuntura internacional específica: a do colapso do socialismo e da emergência do neoliberalismo e da globalização. Os dois candidatos mais fortes, Collor e Lula, tinham posições diametralmente opostas. Enquanto Collor defendia o receituário neoliberal, Lula voltava-se para a defesa da justiça social, da reforma agrária, da moratória da dívida externa e de uma política de combate à miséria e ao desemprego.

Lula votando no segundo turno das eleições de 1989.
Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional.
O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre
jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante o processo de impeachment do mesmo.
Durante o segundo turno, um pool de emissoras (
Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos.

Lula e Collor no debate televisivo, ao fundo a apresentadora Marília Gabriela.

Durante o Jornal Nacional do dia seguinte, um dos debates (o segundo) foi editado de uma forma em que o candidato do PRN parecia ter se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo. Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula em cargos executivos o fez perder a eleição.
Fernando Collor de Mello e sua ex-esposa, Rosane Collor, em campanha pela presidência.

Novamente para celebrar esse acontecimento histórico brasileiro, o cantor Alipio Martins apresentou mais um exemplo de sua genialidade política, com inteligência política similar a de Juca Chaves, apresenta desta feita as lamentações dos candidatos derrotados no pleito eleitoral daquele ano. Ao longo da letra da canção são ilustrados as falas de Lula que promete fazer um governo paralelo e comenta que só não ganhou por não ter os ternos de Collor e este não possuir a sua barba. Em seguida é a vez de Leonel Brizola que diz "Conseguiram te enganar! Conseguiram me enganar! Eu nadei e morri na lagoa e o que é pior com um sapo barbudo" numa clara referência à aliança entre PT e PDT no segundo turno. A seguir é a vez de Aureliano Chaves, candidato do PFL que se recusou a renunciar em favor do proprietário do Baú da Felicidade que tripudia dizendo que enquanto ele ficará fazendo seus programas de auditório, Chaves ficará em casa de pijamas. Até mesmo o candidato Afif Domingos, aquele que se popularizou pelo jingle "dois patinhos na lagou, vote Afif 22" e pelo slogan "juntos chegaremos lá", é mencionado como aquele que acreditou nas promessas da vidente que havia lhe garantido que este seria eleito e o mesmo acabou caindo como patinho.

Foi uma brilhante leitura do contexto histórico que encheu os brasileiros de esperança em um futuro melhor, com a consolidação da democracia, o controle inflacionário, a estabilidade econômica e principalmente a melhoria dos indicadores sociais no país.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/eleição_presidencial_brasileira_de_1989

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Análise da música "Perplexo" da banda Paralamas do Sucesso

Perplexo
Os Paralamas do Sucesso

Composição: Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone

Tentei te entender
Você não soube explicar
Fiz questão de ir lá ver
Não consegui enxergar
Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto

Endividado sem ter mais com que pagar
Nesse país, nesse país, nesse país
Que alguém te disse que era nosso
Ah, ah, ah, ah...
Mandaram avisar

Que agora tudo mudou
Eu quis acreditar
Outra mudança chegou
Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero

Entra na fila de outra fila pra pagar
Quero entender, quero entender, quero entender
Tudo o que eu posso e o que não posso
Não penso mais no futuro

É tudo imprevisível
Posso morrer de vergonha
Mas eu ainda estou vivo
Segunda-feira,

Terça-feira,
Quarta-feira,
Quinta-feira,
Sexta-feira,
Sábado de aleluia
Eu vou lutar, eu vou lutar
Eu sou Maguila, não sou Tyson.

A canção foi composta no final da década de 1980 e ilustra claramente a decepção da juventude brasileira com os governos da chamada Nova República. A transição democrática, com a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a assumir e acabou sendo substituído por seu vice José Sarney, frustraram as expectativas da sociedade brasileira que ansiava por mudanças nas estruturas sócio-econômicas do país. Nesse referido período histórico ocorreram diversas tentativas de estabilização da economia e controle inflacionários em variados planos econômicos que adotavam medidas ortodoxas e heterodoxas, tais como congelamento de preços e salários que invariavelmente não alcançavam seus principais objetivos.
O Brasil vivia um período de afirmação de diversos direitos sociais e implantação da Constituição de 1988, além da censura que foi extinta.
As sucessivas mudanças na moeda brasileira também frustaram a população brasileira, "muda nome, corta zero", apenas no governo de José Sarney (1985-1990) ocorreram três planos econômicos, Cruzado, Verão e Bresser Pereira.
Na letra da música percebemos ainda os problemas do desemprego, do subemprego, da falta de moradia e da crise econômica brasileira.
O eu-lírico da canção é um trabalhador brasileiro, assalariado que precisa trabalhar duro cotidianamente para conseguir sobreviver e manter sua família.
Essa personagem demonstra estar decepcionado e não ter esperanças de que o futuro apresente melhores condições de vida para os proletários como ele pois segundo ele "tudo é imprevisível".
Uma música importante para se conhecer e entender o panorama político, econômico, social e cultural do final dos anos 80.
O Rappa

Me deixa


Larararala, larararararara
Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Com o novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Me deixa que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Larararala, larararararara
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo,
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, ve se me deixa,
Que hoje eu to de bobeira,
Bobeira, bobeira…


O Caso Silvio Santos
O episódio Sílvio Santos foi o principal desafio enfrentado pela Justiça Eleitoral na campanha de 1989. Não é exagero dizer que o quadro institucional da eleição e a credibilidade do TSE estiveram em jogo, naquele momento. Afinal, se a legislação permitia a entrada extemporânea de um candidato na disputa, ao TSE cabia a decisão final e soberana sobre o desenrolar dos acontecimentos. Questão delicada, sem dúvida, já que interferiria diretamente no jogo eleitoral e colocava a descoberto a fragilidade da legislação e das instituições.É difícil encontrar situação comparável em toda a história da Justiça Eleitoral. Nunca é demais lembrar que os dados já estavam lançados e que era grande a expectativa criada em torno destas eleições, as primeiras diretas para a Presidência da República, depois de um intervalo de 29 anos. Buscando um paralelo, alguns analistas e políticos afirmavam que a decisão do TSE poderia provocar uma alteração tão profunda no quadro político do país quanto aquela que, em 1985, declarou o fim da fidelidade partidária. A despeito do episódio Sílvio Santos ter sido classificado pela maior parte dos meios de comunicação como degradante e vergonhoso, a primeira indagação objetiva que se deve fazer diz respeito à própria possibilidade legal de entrada de um candidato às vésperas da data marcada para o pleito. Esta possibilidade existia, e este fato deve ser frisado para que melhor se possa avaliar a legislação então em vigor e aquilatar o desempenho da Justiça Eleitoral.
Com o veto do Presidente Sarney ao artigo 8º da Lei Eleitoral, ficou extinto o prazo mínimo de 6 meses para a filiação partidária dos candidatos. Dessa forma, tornou-se possível a entrada de um candidato, não só a qualquer momento, mas até mesmo sem um vínculo partidário anterior. Por outro lado, o veto ao artigo 30, que assegurava aos partidos o direito de recurso contra qualquer decisão do TSE, baseava-se no artigo 121 da Constituição, segundo o qual "são irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que contrariem esta Constituição e as denegatórias de habeas-corpus ou mandado de segurança". Estes dispositivos jurídicos conferiram ao Tribunal a condição de autoridade máxima e final em questões como a que estamos considerando.Independentemente das chances eleitorais de Sílvio Santos, sua entrada na disputa, a apenas 15 dias do pleito, criou uma celeuma talvez sem paralelo em outros países democráticos. A credibilidade da Justiça Eleitoral foi colocada em xeque, num grau também inédito na história da instituição. Enquanto alguns impugnavam previamente os juízes, prevendo que eles se curvariam aos interesses do Poder Executivo, outros diziam que o Tribunal deveria tomar o partido anti-Sarney, buscando uma saída dita "política" ou "moral", que, na verdade, implicaria em ignorar a letra da lei. Num extremo ou no outro, a insinuação era de que os ministros iriam decidir sob pressão, desconsiderando cânones jurídicos.Nunca as ligações pretéritas ou presentes dos juízes foram tão esmiuçadas, deixando-se subentender que tais laços explicariam a direção do voto a ser dado. Supunha-se, por exemplo, que o Ministro Rezek acompanharia as declarações do professor João Leitão de Abreu, contrárias à candidatura de Sílvio Santos, já que eram notórios tanto sua admiração como seu dever de lealdade para com esse ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, duas vezes Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, nos governos Médici e Figueiredo, responsável direto pela nomeação de Rezek para o STF. Da mesma forma, supunha-se que o Ministro-Relator do processo, Antônio Vilas-Boas, como advogado da Telebrás, agiria sob a influência do Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, intransigente adversário da nova candidatura. Alegava-se, ainda, que outros ministros, ao contrário, mostrariam fidelidade ao Presidente Sarney, visto como o promotor da nova candidatura.Ora, não existe nada mais pernicioso para a credibilidade de uma instituição com funções de magistratura do que a possibilidade de orientar-se em suas deliberações por interesses particulares ou por compromissos com grupos de poder. Um órgão de justiça especialmente criado para arbitrar conflitos só pode deliberar respeitando a lei, fundamentando suas decisões em argumentos lógico-formais. Qualquer outro tipo de consideração, seja assentada em critérios políticos ou de natureza "moral", contrariaria a natureza do Tribunal, desgastando a sua credibilidade e, indiretamente também, a própria estabilidade do processo sucessório presidencial.
No dia 9 de novembro de 1989, quando todas as especulações já haviam sido feitas, as atenções voltaram-se para o TSE. Era a data em que seria julgado o pedido de registro de novos candidatos. Chegaram ao Tribunal, por um lado, o pedido feito pelo Partido Municipalista Brasileiro de registro das novas candidaturas de Señor Abravanel (verdadeiro nome de Sílvio Santos) e de Marcondes Iran Benevides Gadelha para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, e por outro, diversas solicitações de impugnação. De acordo , contudo, com o art. 22 da Resolução 15.362/89, só deveriam ser examinadas as impugnações provenientes de "impugnantes habilitados", ou seja, do Ministério Público Eleitoral, de candidatos e de partidos políticos com registro no Tribunal. Dessa forma, não foram consideradas legítimas as solicitações de impugnação encaminhadas por 7 advogados, por um Juiz de Direito, por 146 cidadãos, de dirigentes e membros fundadores do Instituto de Estatística Econômica Intersindical. Como impugnantes habilitados apresentaram-se: o Ministério Público Eleitoral, representado pelo Procurador-Geral Eleitoral; o PC do B; o PDT; o PTR; o PSC; e o PRN, este último representando a "Coligação Brasil Novo", suporte da campanha de Fernando Collor. Pelo impugnado, isto é, pelo PMB, tiveram o direito de usar a palavra três advogados.Ao Ministro-Relator do processo, Ministro Vilas Boas, cabia, de acordo com as normas regimentais, tornar públicos o parecer do Procurador Geral Eleitoral e as razões arroladas nos pedidos de impugnação encaminhados pelos partidos políticos, e, em seguida, proferir o seu próprio voto. O parecer do Procurador Geral era de que Sílvio Santos deveria ser considerado inelegível. Considerava que esta candidatura feria os dispositivos que protegem a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou abuso do exercício de função, cargo ou emprego na Administração direta ou indireta. Para a proteção contra este tipo de influência a lei exige o afastamento da função, no mínimo 3 meses antes da data das eleições, dos candidatos proprietários ou que exerçam cargos de direção em empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. Como dirigente do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), Sílvio Santos poderia, em tese, ser enquadrado nessa exigência. Os partidos impugnantes, contudo, foram além da questão da inelegibilidade, suscitando preliminares quanto à filiação partidária e quanto ao registro do PMB.O primeiro Ministro a pronunciar-se votou pelo indeferimento das novas candidaturas, fundando-se, sobretudo, no exame da situação legal do PMB. Vale a pena reproduzir aqui suas ponderações, já que todos os demais votos, sem exceção, basearam-se em argumento jurídico semelhante, negando, por unanimidade, o registro de Sílvio Santos e Marcondes Gadelha. Disse o Ministro Vilas Boas, apoiando-se exclusivamente na legislação: o PMB "teve o prazo de um ano para atender as exigências legais necessárias à obtenção do registro definitivo. Por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei 7.664, de 29.06.1988, esse prazo foi prorrogado por 12 meses, de forma que se esgotaria em 15.10.1989. Em 13.10.1989, às vésperas portanto do término do aludido prazo, o PMB requereu o seu registro definitivo ...Ocorre, porém, que o PMB, como atesta informação da secretaria, embora comprove ter realizado Convenção Nacional com eleição da Comissão Executiva Nacional e alegue ter realizado convenções para eleger seus Diretórios Regionais em 10 unidades da Federação, apenas consta 4 certidões comprobatórias de tal providência fornecidas pelos Estados de Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Rondônia. Desse descumprimento decorre, conforme salienta a mesma informação, a ineficácia dos atos preliminares do Partido, em 15/10, isto é, tornou-se sem efeito naquela data o registro provisório da mencionada agremiação partidária. ...Tenho, pois, como certo que a escolha dos novos candidatos, depois de caduco o registro provisório do PMB, torna insustentáveis as respectivas candidaturas, pois estas não podem subsistir sem aquele nos termos dos artigos 87 do Código Eleitoral e 77, parágrafo 2º da Constituição Federal". Além da procedência dos argumentos contra a existência jurídica do PMB, o que por si só bastaria para invalidar o registro dos novos candidatos, o Ministro-Relator considerou também válidas as ponderações sobre a inelegibilidade de Sílvio Santos, em virtude de sua condição de dirigente do SBT.
Em síntese, o fato de o PMB não reunir os pressupostos necessários à sua existência legal e a condição de inelegibilidade de Sílvio Santos como empresário de comunicações colocaram um ponto final nessa tentativa de alterar os rumos da disputa às vésperas do pleito, bem como nas insinuações de que os juízes agiriam sob constrangimentos alheios à sua função. Como disse o Ministro Miguel Ferrante, ao justificar o seu voto, o TSE cuidou nesta decisão "exclusivamente da reta aplicação do direito, indiferente ao tumulto das paixões que o caso desencadeou". Tratou, "simplesmente de fazer prevalecer o império da lei, a que todos devemos obediência e respeito. Obediência e respeito, sem transigências e sem tibiezas, sem o que não poderão subsistir o regime democrático e o estado de direito".
A aplicação da lei encerrou o episódio, fortalecendo a imagem de credibilidade da Justiça Eleitoral. É claro que isto não significa que a unanimidade formada entre os juízes seja uma amostra do que se passava nos círculos políticos ou com a população em geral. O importante é que os ministros agiram como magistrados, eqüidistantes das partes em disputa. Um compromisso prevaleceu: a obediência à Constituição. Referindo-se à fidelidade à lei, como o único parâmetro a orientar o judiciário, disse o Ministro Rezek ao proferir seu voto, cumprindo salientar que, como Presidente do TSE, regimentalmente ele só teria obrigação de pronunciar-se em caso de empate entre os outros seis ministros: "...examinando, nos últimos dias, este tormentoso feito, nós nos defrontamos com um trabalho árduo, não exatamente previsto para esta fase do processo eleitoral, e fizemos por bem desenvolvê-lo, tal como manda a Constituição. Convivemos, nesse período, não apenas como o trabalho: também com manifestações da mais variada origem, da mais variada índole; manifestações inteiramente lícitas, na medida em que não advindas de algum núcleo de poder, mas de pessoas comuns, de populares e articulistas da imprensa, que valem-se do seu direito de dizer o que pensam, sem pretender com isso que o Tribunal seja permeável, no deslinde de uma questão jurídica, a considerações de tal natureza. Lembro, entretanto, que convivemos também com algumas manifestações reveladoras do desconhecimento do fenômeno judiciário, que insinuaram perspectivas decisórias à base de fatores tão absolutamente desimportantes quanto teria ocorrido se pretendessem inferir a provável decisão de um membro da Casa por sua origem étnica, por sua confissão religiosa ou por sua vizinhança habitacional. Chegou-se perto disso... Um dia, quando atendidas tantas outras prioridade, é possível que a sociedade brasileira venha a entender melhor a função judiciária e suas características. Deus sabe quando isso ocorrerá. Mas talvez então alguém se lembre de que, neste momento histórico, o Tribunal Superior Eleitoral contribuiu para o alcance de semelhante propósito".
fonte:
http://www.politicavoz.com.br/direitoeleitoral

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA - SEGUNDO ANO
CNDL - PROFESSOR EDENILSON MORAIS


01. (CNDL) Analisando os dados das tabelas abaixo podemos dizer que no final do regime militar (1964-1985):



a) o Brasil estava conseguindo manter uma distribuição de renda e uma inflação equilibrados.
b) diminuíram as disparidades de distribuição de renda no Brasil.
c) a inflação alta não foi um instrumento de concentração de renda.
d) o Brasil tem uma melhor distribuição de renda que os Estados Unidos.
e) as classes pobres tiveram sua renda sensivelmente diminuída, podendo a inflação ter funcionado como instrumento transferidor de renda.

02. (CNDL) A professora de História apresentou aos alunos da 2ª série do Ensino Médio uma charge do cartunista Paulo Caruso, feita em 1984 e intitulada “Diretas Já”.



Ela pediu aos alunos que interpretassem a charge levando em consideração os dados e fatos relativos ao contexto histórico da década de 1980.

As afirmativas a seguir apresentam algumas interpretações feitas pelos alunos.

I – Trata-se de uma irônica alusão ao quadro de Pedro Américo, O grito do Ipiranga, do século XIX, e retrata a frente de oposições à ditadura militar.
II – Do lado esquerdo estão as lideranças oposicionistas, tais como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Dante de Oliveira. Do lado direito estão os militares contrários às “Diretas Já”.
III – Por suas origens humildes, Lula foi representado como o carroceiro no canto inferior esquerdo da charge (número 1).
IV – A charge foi encomendada para comemorar a vitória da campanha pelas eleições diretas para presidente da República.

Está correto o que se afirma nos itens:
a) I e IV.
b) I, II e III.
c) III e IV.
d) II e IV.
e) I e III.

03. (CNDL) ) Com base nas fotos, compare o estilo e as condições políticas dos breves mandatos de Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.












04. (CNDL) Com base na charge abaixo responda quais eram as principais metas do Plano Cruzado e quais foram suas consequências.








05. (UFMG) “Neste momento, estamos passando de um estágio emocional para um estágio racional. Em fevereiro, a inflação – a inflação mais a correção monetária – estava nos conduzindo para uma situação na qual o Brasil seria um país absolutamente ingovernável. Naquela ocasião, fizemos o que achamos que deveria ter sido feito, sem levar em consideração os custos políticos das nossas decisões, e sim o bem do povo [...] Uma vez anunciada a reforma econômica, o que se viu foi uma extraordinária adesão popular. Não podíamos antever que a reação seria tão favorável. O povo tomou consciência da cidadania.
Trecho de entrevista concedida pelo, então, Presidente da República, José Sarney. Veja, n. 949, 12 nov. 1986.

Nesse trecho, o entrevistado faz referência à reforma econômica conhecida como:
a) Política do “Feijão com Arroz”, que previa uma redução da intervenção do Estado na economia, buscando deixar o mercado cumprir seu papel.
b) Plano Cruzado, que adotou medidas heterodoxas – como o congelamento de preços e o gatilho salarial –, visando ao controle da inflação.
c) Plano SALTE, que pretendeu estimular as taxas de crescimento da economia nacional por meio da decretação da moratória da dívida externa.
d) Plano Verão, que combinou medidas ortodoxas e heterodoxas, com ênfase especial no controle dos salários dos trabalhadores.

06. (CNDL) Em poucos anos, entre 1986 e 1990, o Brasil assistiu a planos econômicos, ajustes, alterações e complementações nas políticas monetárias, fiscal, salarial e cambial. Planos e medidas de todo o tipo, com o mesmo objetivo sempre:
a) o controle da dívida externa, intensa campanha para amenizar os problemas sociais, a modernização do Estado.
b) a estabilização da economia por controle da inflação, a renegociação da dívida externa e a retomada do crescimento auto-sustentado.
c) a reforma administrativa, o controle do déficit público e a contração da demanda.
d) o aumento do consumo, o saneamento das contas públicas e a retomada do crescimento.
e) a reforma administrativa, o programa de privatizações, um projeto de desregulamentação e liberalização da economia.

07. (CNDL) Não obstante, na conjuntura da Nova República, a sociedade civil possa ter pleiteado direitos e defendido novas formas de organização, sabemos que no Brasil atual esses direitos não atingem à população como um todo. Leia os versos da música a seguir.

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui - o Haiti não é aqui [...]

E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual

Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco brilhante de lixo do Leblon

E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo

Diante da chacina 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos

Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres

E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos [...]

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Explique, a partir dos versos da música, como funcionam os direitos no Brasil.















Textos para as questões 08 e 09.



“Livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”. Esta frase do Samba-Enredo da Mangueira em 1988, desvela a realidade da população negra brasileira no pós-abolição.

08. Por que isto ocorreu?





09. O que fazer para modificar essa realidade?


























10. (CNDL) Analise o trecho da canção de Cazuza e Frejat e o poema de Augusto de Campos. Leve em consideração o processo político e social brasileiro e o papel da cultura na mobilização dos estudantes e intelectuais brasileiros.

Ideologia
Meu partido é um coração partido
E as minhas ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
[...]
E aquele garoto que ia mudar o mundo
Frequenta agora as festas do Grand monde
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver

(Cazuza e Frejat, 1988)


(Augusto de Campos, 1985)

A partir da análise dos textos, considere as afirmações abaixo.

I – A década de 1980 caracteriza-se peleo declínio do entusiasmo político em comparação com as décadas passadas. Paradoxalmente, no processo de transição democrática, ocorre um refluxo das organizações estudantis e sindicais.
II – Para Cazuza, falta ideologia para sua geração, acomodada pelos prazeres individuais e traída pelos interesses pessoais.
III – Para Augusto de Campos, trata-se de um espécie de ressaca, de momento de reclusão, reflexão e balanço da atuação e dos desejos de sua geração, muito ativa nos anos 60 e 70.

Dentre as afirmativas, estão corretas.
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) I, II e III.