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domingo, 1 de março de 2015

HISTÓRIA DO BRASIL - Aula 01 - EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA

Nesta vídeo-aula o professor Edenilson Morais apresenta os fatores que impulsionaram as grandes navegações marítimas dos séculos XV e XVI e ainda faz um comentário acerca de seus principais desdobramentos tanto para os europeus como para americanos, asiáticos e africanos.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Roteiro de estudo: Expansão marítima

Confira um roteiro de estudo sobre a expansão marítima


Lista de exercícios sobre a expansão marítima
1. (Unicamp) Podemos dizer que a idéia de globalização é mais antiga do que imaginamos. Alguns acreditam que sua origem remonta a uma Bula Papal, de 1493, que pela primeira vez empregou a palavra descobrimento. Por este documento, a Europa adquiria o direito de converter à sua religião os povos do mundo e se apropriar das terras por ela descobertas. Evidentemente, trata-se de uma idéia unilateral e unidimensional de globalização: foram desconsideradas, quando não aniquiladas, as diferenças culturais e sociais.

(Adaptado de Eduardo Subirats, O MUNDO, TODO E UNO)


a) Quais os países europeus que desencadearam essa globalização?
b) Por que o autor considera unilateral essa globalização?
c) De acordo com o enunciado, qual o significado de descobrimento para os europeus? Por que, hoje, eles são contestados?


resposta:

a) Portugal e Espanha, inicialmente.
b) Porque, para ele, envolve uma relação desigual de domínio cultural.
c) O achado de novos territórios passíveis de apropriação. Tal ideia revela uma perspectiva etnocêntrica, pois desconsidera o ponto de vista das populações nativas, que, aqui, desevolviam uma cultura própria.

 2. Leia o texto e responda às questões a seguir.
 
Do outro lado do Mar Tenebroso águas fervilhantes, ares envenenados, animais fantásticos e canibais monstruosos espreitavam a imaginação dos que desciam o
Atlântico em direção ao sul.
 Quando o navegador da Ordem de Cristo Gil Eanes passou o Cabo Bojador, um pouco ao sul das ilhas Canárias, em 1434, mais do que realizar um avanço náutico, estava desmontando uma mitologia milenar. Acreditava-se que depois do cabo, localizado no
que é hoje o Saara Ocidental, começava o Mar Tenebroso, onde a água fumegava sob o sol, imensas serpentes comeriam os desgraçados que caíssem no oceano, o ar seria envenenado, os brancos virariam pretos, haveria cobras com rostos humanos, gigantes, dragões e canibais com a cabeça no ventre.
 O estrondo das ondas nos penhascos do litoral, que podia ser ouvido a quilômetros de distância, as correntes fortíssimas e as névoas de areia reforçavam o pânico dos pilotos. Quando finalmente reuniu coragem e viu que do outro lado não havia nada de especial,
Eanes abriu o caminho para o sul.
 "Super Interessante", fevereiro de 1998, p.39.


a) Segundo o texto, que conhecimentos os europeus tinham, especialmente, sobre o Oceano Atlântico?

b) O que os levou a se aventurar pelos mares a partir do século XV?
resposta:

a) Imaginavam se tratar de um mar tenebroso, repleto de perigos, animais imensos, seres fantásticos e aspectos sobrenaturais, de modo que era muito arriscado o navegar.
b) A necessidade de buscar novas rotas marítimas rumo ao Oriente, o domínio de novas técnicas navais, o desejo de conquistar novas terras, a busca por novas fontes de riqueza, a intenção de expandir o cristianismo, etc.

3. Leia o texto a seguir e responda às questões propostas. 
 
Se o tempo permitir, logo partirei a circular esta ilha até conseguir falar com o cacique e ver se posso obter dele ouro que ouço dizer que usam, e depois partir para outra ilha vastíssima, que acho que deve ser Cipango [...], para entregar as cartas de Vossas Majestades ao Grande Cã, pedir resposta e regressar com ela.

Cristóvão Colombo, 21 de outubro de 1492. In: Diários da descoberta da América. Porto Alegre: L&PM, 1991, p. 65.

a) Aonde Colombo pensava estar chegando?
b) Por meio de que leituras ele chegou a essa conclusão?
c) Comente as descrições de viagens fantásticas e a busca do paraíso terrestre pelos europeus.


resposta:
a) Na ilha de Cipango, ou seja, o Japão.
b) Pela referência ao grande Cã, além de mapas, como o de Toscanelli, Colombo teria lido livros de viagens, como o Livro das maravilhas, de Marco Polo.
c) Lendas e descrições de viagens fantásticas encantavam os navegadores europeus, aguçando o desejo de encontrar reinos semelhantes a um paraíso terrestre. O relato das riquezas e do exotismo da Ásia despertou a atenção dos europeus nos séculos XIV e XV.

4. (Unicamp) Herói ou vilão, Colombo simboliza a conquista. 
(Folha de S. Paulo, 12/10/91)

a) Por que Colombo é tratado como herói ou vilão?
b) Por que ele é símbolo da conquista?

 resposta:
a) Para os europeus, Colombo é considerado herói porque descobriu a América e deu início ao processo colonizador espanhol. Já pros ameríndios, pode ser considerado um vilão, porque deu início ao processo de destruição e aculturação dos povos americanos. 
b) Ele foi considera símbolo da conquista por ser um navegador, explorador de novos territórios.

5. (Unicamp) O recente episódio das eleições livres no Timor Leste oficializou a independência daquele território após longo processo de dominação; seus primórdios situam-se no século XVI e coincidem com as primeiras viagens marítimas dos europeus ao Oriente.
a) Qual a nacionalidade dos europeus que chegaram pioneiramente no arquipélago onde hoje se situa o Timor Leste e qual o episódio histórico relacionado a esse empreendimento?
b) Cite duas razões para o interesse dos europeus pelo Oriente, no século XVI.
c) Que semelhança há entre a formação histórica de Timor Leste e a do Brasil?


resposta:
a) A resposta correta deveria mencionar que os primeiros europeus que contataram e se estabeleceram no arquipélago da Indonésia (onde se situa o Timor Leste) foram os portugueses. E que a descoberta daquele território pelos navegadores portugueses integrou os episódios dos “grandes descobrimentos” europeus ocorridos durante os séculos XV e início do XVI. A propósito da designação dos “grandes descobrimentos” também poderiam ser indicadas outras expressões geralmente utilizadas para nomeá-los: as grandes navegações; a expansão marítima; a descoberta do caminho para as Índias realizada por Vasco da Gama.
b) A resposta deste item, cobrou duas razões que estiveram na origem do interesse dos europeus em geral e dos portugueses em particular, por possessões no Oriente. Elas poderiam ser escolhidas dentre as seguintes colocações: o domínio de rotas comerciais até então sob controle dos árabes e venezianos; a busca de produtos valorizados pelo comércio europeu (a exemplo das especiarias, tecidos finos, porcelanas); a necessidade de ouro e metais amoedáveis necessários ao incremento do comércio; a procura de investimentos para a burguesia mercantil européia; o domínio de monopólios; a conquista de territórios adequados à formação de entrepostos ou colônias;  a expansão do catolicismo; e a descoberta de novas rotas.
c) Uma vez constatada a nacionalidade portuguesa dos descobridores e colonizadores do Timor Leste e o relacionamento deste episódio com os grandes descobrimentos, este item solicitou do candidato a identificação de uma semelhança entre aquele empreendimento e a formação histórica do Brasil. Esperava-se então que ele lembrasse das seguintes aproximações: que ambos os territórios foram incorporados ao império português durante a expansão ultramarina do final do XV e início do XVI; ou que se tornaram colônias portuguesas fornecedoras de produtos para o comércio europeu; ou ainda que em ambos os territórios constituíram-se sociedades mestiças que integraram nativos, brancos e negros; ou que se tornaram sociedades que partilham uma mesma cultura, em especial a língua, e uma herança colonial  representada pela situação de  subdesenvolvimento.
7. (ENEM)


 Tirinha do Hagar sobre navegantes

 
De acordo com a história em quadrinhos protagonizada por Hagar e seu filho Hamlet, pode-se afirmar que a postura de Hagar

a) valoriza a existência da diversidade social e de culturas, e as várias representações e explicações desse universo.
b) desvaloriza a existência da diversidade social e as várias culturas, e determina uma única explicação para esse universo.
c) valoriza a possibilidade de explicar as sociedades e as culturas a partir de várias visões de mundo.
d) valoriza a pluralidade cultural e social ao aproximar a visão de mundo de navegantes e não-navegantes.
e) desvaloriza a pluralidade cultural e social, ao considerar o mundo habitado apenas pelos navegantes.


resposta:[B] 
 
A postura exclusivista e limitada de Hagar fica clara na alternativa B; todas as demais citam palavras como "pluralidade" e "diversidade", que são incompatíveis com uma visão de mundo em que só existiriam dois tipos de pessoas. Embora a última alternativa afirme corretamente que Hagar desvaloriza essa pluralidade, falha ao atribuir-lhe falsamente a afirmação de que apenas navegantes habitam o mundo.

 8. (Unicamp) Como defensor dos índios e denunciante das atrocidades dos conquistadores, frei Bartolomé de Las Casasdesenvolveu a imagem da “destruição das Índias”, que era produto da preocupação do frade com o futuro da sociedade que se organizava: a nova sociedade começava distorcida, prenhe de desequilíbrios e de injustiças, carente dos mais elementares direitos. Com exceção de Las Casas, no século XVI prevaleceu a visão otimista da conquista:  acreditava-se que a nova sociedade era inteiramente benéfica para os aborígenes, pois se partia da premissa de que a civilização européia era superior à civilização americana. O importante era o resultado final, a propagação de valores cristãos e a organização de uma sociedade alicerçada nesses valores.
(Adaptado de Hector Hernán Bruit, Bartolomé de Las Casas e a simulação dos vencidos: ensaio sobre a conquista hispânica da América. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Iluminuras, 1995, p. 17, 55.)  

a)  A partir do texto, identifique duas visões opostas sobre a conquista da América, presentes no século XVI.
b)  Cite dois exemplos de mobilização política das populações indígenas na América Latina contemporânea.
resposta:
a) A partir da leitura do texto, o candidato deveria perceber duas visões opostas a respeito da conquista da América presentes no século XVI: de um lado, uma visão que se caracterizava pela denúncia do desequilíbrio, da injustiça e da ausência de direitos na sociedade que se organizava naquele período. De outro lado, uma visão otimista, que defendia que aquela sociedade era benéfica para os indígenas, uma vez que a civilização européia era superior às civilizações americanas encontradas pelo colonizador.
b) São numerosos os exemplos que poderiam ser citados; dentre eles, os mais conhecidos são: o movimento zapatista de Chiapas, no México, e o movimento dos cocaleros da Bolívia, do qual emergiu o atual presidente Evo Morales. 


9. (ENEM) Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) compara, nos trechos, as guerras das sociedades Tupinambá com as chamadas “guerras de religião” dos franceses que, na segunda metade do século XVI, opunham católicos e protestantes.

“(…) não vejo nada de bárbaro ou selvagem no que dizem daqueles povos; e, na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra. (…) Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade [o canibalismo] , mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos; e isso em verdade é bem mais grave do que assar e comer um homem previamente executado. (…) Podemos portanto qualificar esses povos como bárbaros em dando apenas ouvidos à inteligência, mas nunca se compararmos a nós mesmos, que os excedemos em toda sorte de barbaridades.”
(MONTAIGNE, Michel Eyquem de, Ensaios, São Paulo: Nova Cultural, 1984).

De acordo com o texto, pode-se afirmar que, para Montaigne,

a) a idéia de relativismo cultural baseia-se na hipótese da origem única do gênero humano e da sua religião.
b) a diferenças de costumes não constitui um critério válido para julgar as diferentes sociedades.
c) os indígenas são mais bárbaros do que os europeus, pois não conhecem a virtude cristã da piedade.
d) a barbárie é um comportamento social que pressupõe a ausência de uma cultura civilizada e racional.
e) a ingenuidade dos indígenas equivale à racionalidade dos europeus, o que explica que os seus costumes são similares.


resposta:[B]

Comentários: Apesar de ser uma questão de Relativismo Cultural, a letra A está incorreta por dar um falso conceito do mesmo. É o que, no post como resolver questões objetivas, eu chamo de “pegadinha”. Relativismo Cultural é um termo da antropologia, e está relacionado à necessidade de analisar uma cultura sob o ponto de vista dela mesma. Neste sentido, as características culturais de um povo devem ser respeitadas, uma vez que não existe superioridade de uma cultura sobre outra, apenas diferenças.


domingo, 10 de junho de 2012

Resumo sobre o Mercantilismo e as Grandes Navegações

Confira um resumo sobre o Mercantilismo e a expansão marítima e comercial




Resumo sobre as características da política mercantilista que predominou nos Estados europeus durante a Idade Moderna e o processo de expansão marítima e comercial que proporcionou grandes transformações políticas e econômicas no Velho Mundo e no Novo Mundo que foi integrado de forma compulsória à economia mercantilista europeia como fornecedor de riquezas.

Roteiro de estudo: lista de questões sobre a expansão marítima e comercial

Lista de exercícios sobre a expansão marítima europeia





 
1. (Uff 2012)  Considerando o processo de expansão da Europa moderna a partir dos séculos XV e XVI, pode-se afirmar que Portugal e Espanha tiveram um papel predominante. Esse papel, entretanto, dependeu, em larga medida, de uma rede composta por interesses
a) políticos, inerentes à continuidade dos interesses feudais em Portugal; intelectuais, associados ao desenvolvimento da imprensa, do hermetismo e da Astrologia no mundo ibérico; econômicos, vinculados aos interesses italianos na Espanha, nos quais a presença de Colombo é um exemplo; e sociais, vinculados ao poder do clero na Espanha.  
b) políticos, vinculados ao processo de fragmentação política das monarquias absolutas ibéricas; sociais, associados ao desenvolvimento de novos setores sociais, como a nobreza; coloniais, decorrentes da política da Igreja católica que via os habitantes do Novo Mundo como o homem primitivo criado por Deus; e econômicos, presos aos interesses mouros na Espanha.  
c) políticos, vinculados às práticas racistas que envolviam a atuação dos comerciantes ibéricos no Oriente; científicos, que viam na expansão a negação das teorias heliocêntricas; econômicos, ligados ao processo de aumento do tráfico de negros para a Europa através de alianças com os Países Baixos; e religiosos, marcados pela ação ampliada da Inquisição.  
d) políticos, associados ao modelo republicano desenvolvido no Renascimento italiano; religiosos, decorrentes da vitória católica nos processos da Reconquista ibérica; econômicos, ligados ao movimento geral de desenvolvimento do mercantilismo; e sociais, inerentes à vitória do campo sobre a cidade no mundo ibérico.  
e) políticos, vinculados ao fortalecimento da centralização dos estados ibéricos; econômicos, provenientes do avanço das atividades comerciais; religiosos, relacionados com a importância do Papado na Península Ibérica; e intelectuais, decorrentes dos avanços científicos da Renascença e que viram na expansão a realidade de suas teorias sobre Geografia e Astronomia.  

resposta:[E]

A expansão marítima representa a expansão do comércio, portanto, burguês, apesar de interessante para a nobreza que controlava o Estado. Na expansão Ibérica não se encontram interesses italianos. Vale a pena lembrar que muitos historiadores consideram o Estado Moderno ainda como um “Estado Feudal”. A expansão somente foi possível devido à centralização do poder em Portugal e Espanha, caracterizados politicamente como monarquias absolutistas.
Do ponto de vista religioso, as monarquias ibéricas tiveram o apoio do Papa e se utilizaram de novas tecnologias derivadas do conhecimento, oriundo do renascimento. 

2. (Fuvest 2012)  Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cruzadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava agora nas plagas africanas…

Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2º Semestre de 2009, p.16-17. Adaptado.

Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento
a) puramente religioso, bem diferente das cruzadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana.  
b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa.  
c) por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis.  
d) militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento apenas ocasional.  
e) que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental, a despeito de, oficialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a expansão da fé cristã.  

resposta:[B]

Interpretação de texto associado ao conhecimento histórico. O texto deixa claro que “apesar do caráter cruzadista” – portanto religioso, de luta contra os muçulmanos – os interesses comerciais não estavam ausentes e reforça essa ideia como uma frase proferida pelo rei de Portugal. É comum os livros se referirem à expansão portuguesa como “expansão marítimo comercial” na qual se destacam diversos interesses ligados à nobreza e à Igreja, ao Estado e à burguesia mercantil. 

3. (Espcex (Aman) 2011)  Um conjunto de forças e motivos econômicos, políticos e culturais impulsionou a expansão comercial e marítima europeia a partir do século XV, o que resultou, entre outras coisas, no domínio da África, da Ásia e da América.

(Extraído SILVA, 1996)

O fato que marcou o início da expansão marítima portuguesa foi o (a)
a) contorno do Cabo da Boa Esperança em 1488.  
b) conquista de Ceuta em 1415.  
c) chegada em Calicute, Índia, em 1498.  
d) ascensão ao trono português de uma nova dinastia, a de Avis, em 1385.  
e) descobrimento do Brasil em 1500.

resposta:[B]

Questão que pode ser considerada como “decorativa”, exige simples conhecimento factual. 

4. (Unicamp simulado 2011)  Segundo o historiador indiano K.M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias.

(Adaptado de C.R. Boxer, O império marítimo português, 1415-1835. Lisboa: Ed. 70, 1972, p. 55.)

Os domínios estabelecidos pelos portugueses na Índia e na América
a) se diferenciavam, pois na Índia a presença dos portugueses visava o comércio, e para este fim eles estabeleciam feitorias, enquanto na América o território se tornaria uma possessão de Portugal, por meio de um empreendimento colonial destinado a produzir mercadorias para exportação.  
b) se diferenciavam, pois a colonização dos portugueses na Índia buscava promover o comércio de especiarias e de escravos, enquanto na América estabeleceu-se uma colônia de exploração, que visava apenas a extração de riquezas naturais que serviriam às manufaturas europeias.  
c) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque em ambas se estabeleceu um sistema colonial baseado na monocultura, no latifúndio e na escravidão, mas na América este sistema era voltado para a produção de açúcar, enquanto na Índia produziam-se especiarias.  
d) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque ambas sofreram exploração econômica, mas na Índia uma civilização mais desenvolvida apresentou resistência à dominação, levando à sua destruição, ao contrário do Brasil, onde a colonização foi mais pacífica, por meio da civilização dos índios.  
 
resposta:[A]

No processo das navegações lusas, o sistema de feitorias constituiu-se num instrumento de obtenção de mercadorias na África e na Índia e chegou a ser implantado em terras brasileiras na exploração do pau-brasil durante o período pré-colonial. As feitorias consistiam em entrepostos na forma de armazéns fortificados na faixa litorânea das áreas conquistadas onde os portugueses retiravam mercadorias, obtidas por escambo com os nativos, para serem enviadas a Europa. 

5. (Unicamp 2011)  Referindo-se à expansão marítima dos séculos XV e XVI, o poeta português Fernando Pessoa escreveu, em 1922, no poema “Padrão”:

“E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.”

(Fernando Pessoa, Mensagem – poemas esotéricos. Madri: ALLCA XX,
1997, p. 49.)

Nestes versos identificamos uma comparação entre dois processos históricos. É válido afirmar que o poema compara
a) o sistema de colonização da Idade Moderna aos sistemas de colonização da Antiguidade Clássica: a navegação oceânica tornou possível aos portugueses o tráfico de escravos para suas colônias, enquanto gregos e romanos utilizavam servos presos à terra.  
b) o alcance da expansão marítima portuguesa da Idade Moderna aos processos de colonização da Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o domínio português expandiu-se pelos oceanos Atlântico e Índico.  
c) a localização geográfica das possessões coloniais dos impérios antigos e modernos: as cidades-estado gregas e depois o Império Romano se limitaram a expandir seus domínios pela Europa, ao passo que Portugal fundou colônias na costa do norte da África.  
d) a duração dos impérios antigos e modernos: enquanto o domínio de gregos e romanos sobre os mares teve um fim com as guerras do Peloponeso e Púnicas, respectivamente, Portugal figurou como a maior potência marítima até a independência de suas colônias.  
 
resposta:[B]

A partir dos versos de Fernando Pessoa percebe-se a referência ao Mediterrâneo, “mar com fim”, utilizado pelos gregos em suas diáspora e atividades mercantis e que, séculos depois ficou sobre controle dos romanos a ponto de ser tratado pelos mesmos como o mare nostrum. Ao mesmo tempo, refere-se ao “mar sem fim”, numa alusão ao Atlântico, desconhecido no primeiro século de expansão marítima e que ficou sobre controle português, garantindo ao Estado lusitano o caminho para as Índias, o controle do litoral africano e as terras litorâneas do Brasil. 


6. (Fuvest 2011)  Quando a expansão comercial europeia ganhou os oceanos, a partir do século XV, rapidamente o mundo conheceu um fenômeno até então inédito: populações que jamais tinham tido qualquer contato umas com as outras passaram a se aproximar, em diferentes graus. Uma das dimensões dramáticas desses novos contatos foi o choque entre ambientes bacteriológicos estranhos, do qual resultou a “mundialização” de doenças e, consequentemente, altas taxas de mortalidade em sociedades cujos indivíduos não possuíam anticorpos para enfrentar tais doenças. Isso ocorreu, primeiro, entre as populações
a) orientais do continente europeu.  
b) nativas da Oceania.  
c) africanas do Magreb.  
d) indígenas da América Central.  
e) asiáticas da Indonésia.  

resposta:[D]

Se por um lado conhecemos o processo que envolveu espanhóis e índios americanos, com a transmissão de doenças e inclusive a utilização das mesmas como arma de destruição e conquista, por outro desconhecemos a relação anterior entre portugueses e africanos. Apesar de não haver colonização portuguesa na África, houve o contato de civilizações, inclusive na região do Magreb onde ocorreram as primeiras conquistas lusitanas, sobre povos africanos islamizados. 

 
7. (Unesp 2010)  A propósito da expansão marítimo-comercial europeia dos séculos XV e XVI pode-se afirmar que
a) a igreja católica foi contrária à expansão e não participou da colonização das novas terras.  
b) os altos custos das navegações empobreceram a burguesia mercantil dos países ibéricos.  
c) a centralização política fortaleceu-se com o descobrimento das novas terras.   
d) os europeus pretendiam absorver os princípios religiosos dos povos americanos.  
e) os descobrimentos intensificaram o comércio de especiarias no mar Mediterrâneo.  

resposta:[C]

Nos séculos XV e XVI, estava se consolidando o processo de centralização do poder real iniciado com a formação das Monarquias Nacionais em fins da Idade Média. A expansão marítima e comercial européia ocorrida em meio a esse processo contribuiu fortemente para o fortalecimento do poder real na medida em que a descoberta e exploração de novas terras permitiram aos reis o melhor aparelhamento do Estado em razão da maior arrecadação tributária, consequentemente o estabelecimento do poder absoluto. 

 
8. (Uff 2010)
A DESCOBERTA DA AMÉRICA E A BARBÁRIE DOS CIVILIZADOS

– A conquista da América pelos europeus foi uma tragédia sangrenta. A ferro e fogo! Era a divisa dos cristianizadores. Mataram à vontade, destruíram tudo e levaram todo ouro que havia.
Outro espanhol, de nome Pizarro, fez no Peru coisa idêntica com os incas, um povo de civilização muito adiantada que lá existia. Pizarro chegou e disse ao imperador inca que o papa havia dado aquele país aos espanhóis e ele viera tomar conta. O imperador inca, que não sabia quem era o papa, ficou de boca aberta, e muito naturalmente não se submeteu. Então Pizarro, bem armado de canhões conquistou e saqueou o Peru.
– Mas que diferença há, vovó, entre estes homens e aquele Átila ou aquele Gengis-Cã que marchou para o ocidente com os terríveis tártaros, matando, arrasando e saqueando tudo?
– A diferença única é que a história é escrita pelos ocidentais e por isso torcida a nosso favor.
Vem daí considerarmos como feras aos tártaros de Gengis-Cã e como heróis com monumentos em toda parte, aos célebres “conquistadores” brancos. A verdade, porém, manda dizer que tanto uns como outros nunca passaram de monstros feitos da mesmíssima massa, na mesmíssima forma. Gengis-Cã construiu pirâmides enormes com cabeças cortadas aos prisioneiros. Vasco da Gama encontrou na Índia vários navios árabes carregados de arroz, aprisionou-os, cortou as orelhas e as mãos de oitocentos homens da equipagem e depois queimou os pobres mutilados dentro dos seus navios.

(Monteiro Lobato, História do mundo para crianças. Capítulo LX)

O texto de Monteiro Lobato expressa a dificuldade de definirmos quem é civilizado e quem é bárbaro. Mas isso à parte, pensando a atuação europeia nos séculos XVI e XVII nas áreas americanas, um número razoável dessas visões equivocadas justificou o avanço espanhol e a destruição dos astecas, maias e incas explicados por:

 a) necessidades sociais impostas pelas características culturais do território espanhol e pela presença muçulmana que limitava as condições de enriquecimento da monarquia, levando à conquista da América e à constituição de uma base política iluminista.
 b) necessidades religiosas decorrentes da perda de poder da Igreja Católica frente ao avanço das reformas protestantes e das alianças com as potências ibéricas para estabelecer o Império da Cristandade, baseado na Escolástica.
 c) necessidades políticas oriundas das tensões na Península Ibérica que levaram a Espanha a organizar o processo de conquista do Novo Mundo como única alternativa para sua unidade política, utilizando para isso o apoio do Papado e da França de Francisco I.
 d) necessidades econômicas provenientes da divisão do território espanhol, fruto da diversidade cultural e étnica, e das disputas pelo poder entre Madri e Barcelona, ampliadas pelas vitórias portuguesas na África e na Ásia e pelo desenvolvimento da economia do açúcar no Brasil.
 e) necessidades econômicas, políticas e religiosas dos recém-centralizados estados modernos, através do mercantilismo metalista que inundou a Europa de prata e de ouro, levando em seguida a uma revolução nos preços, que provocou inflação, e ao avanço de novas formas de desenvolvimento da agricultura.


resposta:[E]
A questão remete à várias teorias racistas, sobretudo as do século XIX fundamentada no Darwinismo Social, que justificaram o eurocentrismo como justificativa para a submissão de diversos povos pelos europeus, motivada pelos interesses econômicos, políticos e religiosos.


9. (Fgv 2009)  Leia atentamente o poema O Infante, do poeta português Fernando Pessoa.

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi, de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou, criou-te português,
Do mar por nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

O poema permite pensar sobre dois relevantes acontecimentos históricos, que são, respectivamente:
a) O protagonismo marítimo lusitano nos séculos XV e XVI e a redução do seu império colonial no século XIX.  
b) A descoberta do Brasil em 1500 e a perda de territórios no Nordeste e na África com a invasão holandesa no século XVII.  
c) A formação do Condado Portucalense, em 1142 e a União Ibérica (1580-1640), período de extinção do império português.  
d) A elaboração da ideia do Quinto Império Bíblico, relacionado ao destino de Portugal e, depois, o fortalecimento dos partidos socialistas que tomaram o poder em 1910.  
e) A invasão de Portugal por tropas napoleônicas em 1808, comandadas pelo general Junot, e a vinda da família real portuguesa para a América, no mesmo ano.

resposta:[A]

O poema de Fernando Pessoa, como evidencia a alternativa correta, retrata o pioneirismo português na Expansão Marítima e Comercial europeia entre os séculos XV e XVI e, ao mesmo tempo, a redução do Império português, construído a partir das conquistas territoriais no século XIX, cujo fato marcante foi a independência do Brasil em 1822. 

 
10. (Fgv 2009) "Durante a Antiguidade e a Idade Média, a África permaneceu relativamente isolada do resto do mundo. Em 1415, os portugueses conquistaram Ceuta, no norte do continente, dando início à exploração de sua costa ocidental".        
            (José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, "Toda a História")

Acerca da África, na época da chegada dos portugueses em Ceuta, é correto afirmar que:
a) nesse continente havia a presença de alguns Estados organizados, como o reino do Congo, e a exploração de escravos, mas não existia uma sociedade escravista.  
b) assim como em parte da Europa, praticava-se a exploração do trabalho servil que, com a presença europeia, transformou-se em trabalho escravo.  
c) a população se concentrava no litoral e o continente não conhecia formas mais elaboradas de organização política, daí a denominação de povos primitivos.  
d) os poucos Estados, organizados pelos bantos, encontravam-se no Norte e economicamente viviam da exploração dos escravos muçulmanos.  
e) a escravidão e outras modalidades de trabalho compulsório eram desconhecidas na África e foram introduzidas apenas no século XVI, pelos portugueses e espanhóis.

 resposta:[A] 

11. (Fuvest 2008)  "Os cosmógrafos e navegadores de Portugal e Espanha procuram situar estas costas e ilhas da maneira mais conveniente aos seus propósitos. Os espanhóis situam-nas mais para o Oriente, de forma a parecer que pertencem ao Imperador (Carlos V); os portugueses, por sua vez, situam-nas mais para o Ocidente, pois deste modo entrariam em sua jurisdição."
            Carta de Robert Thorne, comerciante inglês, ao rei Henrique VIII, em 1527.

O texto remete diretamente
a) à competição entre os países europeus retardatários na corrida pelos descobrimentos.  
b) aos esforços dos cartógrafos para mapear com precisão as novas descobertas.  
c) ao duplo papel da marinha da Inglaterra, ao mesmo tempo mercantil e corsária.  
d) às disputas entre países europeus, decorrentes do Tratado de Tordesilhas.  
e) à aliança das duas Coroas ibéricas na exploração marítima.  

resposta:[D]

12. (Ufg 2008)  Leia o texto.

            Colombo fala dos homens que vê unicamente porque estes, afinal, também fazem parte da paisagem. Suas menções aos habitantes das ilhas aparecem sempre no meio de anotações sobre a Natureza, em algum lugar entre os pássaros e as árvores.
            (TODOROV, Tzvetan. "A conquista da América: a questão do outro". São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 33.)

A passagem acima ressalta que a atitude de Colombo decorre de seu olhar em relação ao outro. Essa posição, expressa nas crônicas da Conquista, pode ser traduzida pela
a) interpretação positiva do outro, associando-a à preservação da Natureza.  
b) identificação com o outro, possibilitando uma atitude de reconhecimento e inclusão.  
c) universalização dos valores ocidentais, hierarquizando as formas de relação com o outro.  
d) compreensão do universo de significações do outro, permitindo suas manifestações religiosas.  
e) desnaturalização da cultura do outro, valorizando seu código linguístico.


resposta:[C]

13. (Ufpi 2007)  Sobre a Expansão Marítima e Comercial Europeia (séculos XV e XVI), assinale a alternativa correta.
a) A Espanha, em parceria com a França, dominou as rotas comerciais entre a América do Norte e a Europa.  
b) A Holanda, já no século XVI, impôs seu domínio marítimo e comercial, frente à Inglaterra, na América do Sul.  
c) A França, devido ao uso de expedições militares, controlou o comércio de especiarias no litoral da América Portuguesa.  
d) Portugal, ao assinar o Tratado de Tordesilhas com a Espanha, buscava garantir a exploração das terras localizadas no Atlântico Sul.  
e) A Inglaterra, a partir da chegada de Cristóvão Colombo ao "Novo Mundo", firmou-se como a nação hegemônica, nas rotas comerciais entre a América Central e a Europa.  


resposta:[D]

14. (Ufrs 2007)  Durante a Baixa Idade Média, ocorreu em Portugal a denominada Revolução de Avis (1383-1385), que resultou em uma mudança dinástica, cuja principal consequência foi
a) o enfraquecimento do poder monárquico diante das pressões localistas que ainda sobreviviam nas pequenas circunscrições territoriais do Reino.  
b) o surgimento de uma burguesia industrial cosmopolita e afinada com a mentalidade capitalista que se instaura na Europa.  
c) o início das grandes navegações marítimas, que resultaram no descobrimento da América e no reconhecimento da Oceania pelos lusitanos.  
d) o início do processo de expansão ultramarina, que levaria às conquistas no Oriente, além da ocupação e do desenvolvimento econômico da América portuguesa.  
e) o surgimento de uma aristocracia completamente independente do Estado, que tinha como projeto político mais relevante a expansão do ideal cruzadista.  

Resposta:[D]

15. (Puc-rio 2007)  Na Época Moderna, as narrativas de cronistas, viajantes, missionários e naturalistas, representaram o Novo Mundo ora como Paraíso ora como Inferno.
Qual das afirmativas a seguir NÃO se encontra corretamente identificada com essa ideia?
a) No imaginário europeu sobre o Novo Mundo, havia constantes referências à beleza e grandiosidade da natureza, o que possibilitava lhe conferir quase sempre positividade e singularidade.  
b) O Novo Mundo era visto como o lugar para a concretização dos antigos mitos do Paraíso Terrestre e do Eldorado, através dos quais a natureza exuberante garantia a promessa de riqueza.  
c) Os homens que habitavam o Novo Mundo eram quase sempre vistos como bárbaros, selvagens, inferiores e portadores de uma humanidade inviável.  
d) A visão do Novo Mundo foi filtrada pelos relatos de viagens fantásticas, de terras longínquas, de homens monstruosos que habitavam os confins do mundo conhecido até então no ocidente medieval.  
e) Na percepção e representação do Novo Mundo, os relatos orais dos primeiros descobridores ocuparam um lugar central por associá-lo exclusivamente ao Inferno.  


resposta:[E]

16. (Ufrrj 2004)  O texto a seguir trata das incursões francesas na América; entretanto, essas ainda não representavam que a França tivesse dado início à sua expansão.

Ao longo do século XVI, os franceses estiveram na América, mas isso não significava uma atitude sistemática e coerente desenvolvida pela Coroa. Era, no mais das vezes, atuação de corsários e de uns poucos indivíduos. Como exemplo, pode-se mencionar as invasões do litoral brasileiro, (...), e algumas visitas à América do Norte.
            FARIA, R. de M.; BERUTTI, F. C.; MARQUES, A. M. "História para o Ensino Médio". Belo Horizonte: Lê. 1998. p.182.

Dentre os motivos que levaram a França a iniciar tardiamente sua expansão marítima e comercial, podemos destacar
a) os problemas internos ligados à consolidação do Estado Nacional.  
b) a derrota da França na violenta guerra contra a Alemanha.  
c) a falta de associação entre a Coroa e a Burguesia francesa.  
d) a violenta disputa religiosa entre calvinistas e luteranos.  
e) a não inclusão das classes superiores no projeto expansionista.  


resposta:[A]

17. (Ufc 2004)  O Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de junho de 1494 e confirmado nos seus termos pelo Papa Júlio II em 1506, representou para o século XVI um marco importante nas dinâmicas europeias de expansão marítima. O tratado visava:
a) demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos, tendo como elemento propulsor o desenvolvimento da expansão comercial marítima.  
b) estimular a consolidação do reino português, por meio da exploração das especiarias africanas e da formação do exército nacional.  
c) impor a reserva de mercado metropolitano espanhol, por meio da criação de um sistema de monopólio que atingia todas as riquezas coloniais.  
d) reconhecer a transferência do eixo do comércio mundial do Mediterrâneo para o Atlântico, depois das expedições de Vasco da Gama às Índias.  
e) reconhecer a hegemonia anglo-francesa sobre a exploração colonial, após a destruição da Invencível Armada de Filipe II, da Espanha.  


resposta:[A]


18. (Unicamp) Procure caracterizar a política econômica mercantilista na fase de expansão comercial e marítima europeia.


resposta:

Impulsionada pelo metalismo, a busca por soluções às crises econômicas e a obtenção de especiarias entre outras. Os Estados Nacionais centralizados associaram-se à burguesia e praticaram a expansão marítima e comercial.



19. (Unicamp) Do tempo que do ponto de vista dos grandes capitalistas significava também dinheiro, se contrapunha à idéia conservadora de espaço representada pela propriedade imóvel da terra.

Adaptado de História das Grandes Civilizações, Abril Cultural.

O texto acima trata da transição de um período histórico para outro.

a) Identifique essa transição.
b) Caracterize a sociedade onde predomina o espaço e aquela onde predomina o tempo.

resposta:
a) Transição do Modo de Produção Feudal para o Modo de Produção Capitalista também chamado de Capitalismo Comercial.

b) A sociedade onde predomina o TEMPO é a sociedade feudal cuja terra tem importância fundamental do ponto de vista social e econômico. A sociedade onde predomina o TEMPO é a sociedade capitalista emergente onde a circulação de mercadorias para a ser a geradora de riqueza.

20. (Fuvest) Explique como a formação do Estado Nacional português contribuiu para o pioneirismo de Portugal na expansão comercial marítima.

resposta:

Portugal no século XIV possuía um elenco de fatores que proporcionaram o seu pioneirismo na expansão comercial marítima. Um deles foi a precocidade da formação do Estado Nacional, em relação aos demais paises europeus. As grandes descobertas e a empresa mercantil que se montou no século XV só se tornaram possíveis graças a aliança entre rei - burguesia mercantil. Para isso foi fundamental o apoio real as atividades mercantis e a navegação, a superação dos obstáculos à expansão da atividade marítima, a aplicação de uma política mercantilista que iria assegurar a livre circulação do capital comercial.

21. (Unicamp) - Leia o poema abaixo e, em seguida responda às questões:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal ?
Por te cruzarmos quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram !
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar !

Valeu a pena ? Tudo vale a pena
Se alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu
Mas nele é que espelhou o céu
Fernando Pessoa, Mensagem

a) Qual o período da história de Portugal que está sendo recuperado pelo poeta Fernando Pessoa ?
b) Por que as aventuras marítimas nesse período, eram empreendimentos tão arriscados?

resposta:

a) Os séculos XV e XVI , o período de expansão marítima lusitana.

b) Devido a pirataria, das lendas, de rotas desconhecidas, fatores geográficos como correntes marítimas e calmarias.

22. (Uni-Rio-RJ) Intercalado na rota atlântica das especiarias asiáticas, como acontecimento premeditado, a arribada de Cabral à terra de Vera Cruz representa a consagração da empresa ultramarina dos Avís.
Manuel Nunes Dias, O descobrimento do Brasil.

Analise a importância do Descobrimento do Brasil no conjunto da expansão portuguesa, justificando a idéia de “consagração “.

resposta:

O referido “descobrimento” do Brasil está inserido no contexto da expansão marítima comercial européia portuguesa em direção as especiarias das Índias. O termo consagração se aplica no sentido do ápice da expansão portuguesa que se dá com a tomada e posse da terra do Brasil. O processo ultramarino lusitano teve seu início em 1415 com a tomada de Ceuta.

23. (Fuvest) Portugal, nos séculos XV e XVI, exerceu importante papel no cenário europeu graças ao pioneirismo de sua navegação pelo Atlântico.

a) Qual o objetivo da política portuguesa de incentivo a navegação?
b) Cite duas inovações técnicas de navegação adotadas pelos portugueses.
c) Quais as vantagens econômicas colhidas por Portugal nessas viagens?

resposta:

a) O objetivo da política portuguesa de incentivo a navegação era a descoberta de novas rotas comerciais do Oriente para a Europa, controlando os pontos-chaves das fontes produtoras de especiarias, ouro, prata, marfim e outros produtos.

b) As caravelas e a utilização da bússola para orientar os navegantes.

c) No século XV, a descoberta dos caminhos para o Oriente pelo Atlântico permitiu aos portugueses o domínio do comércio das especiarias, aumentando os lucros mercantis lusitanos. No século XVI, as viagens portuguesas pelo Atlântico permitiram o desenvolvimento de colônias, principalmente na América.

24. (Unicamp) A expansão marítima da Península Ibérica ( Espanha e Portugal ) nas Américas foi orientada por um projeto colonizador que, além da exploração econômica das terras, tinha por objetivo a imposição de uma cultura européia e cristã.

Qual foi o papel da Igreja católica nesse projeto colonizador?

resposta:

A colonização está inserida no contexto da chamada Contra Reforma. A Igreja Católica através da Companhia de Jesus incumbiu para si a tarefa de catequizar os silvícolas, tornando-os cristãos e incorporando-os a civilização.

25. (FUVEST) A que se pode atribuir a primazia portuguesa dos descobrimentos e na expansão marítima moderna?

resposta:

A supremacia lusitana deveu-se a uma série de fatores, como a existência de um Estado precocemente centralizado; a associação entre os reis da dinastia de Avis, a uma burguesia ávida de grandes lucros; a paz interna e externa que Portugal desfrutava; os aperfeiçoamentos das técnicas de navegação (caravela, vela latina ou triangular), e um centro de estudos naúticos - "escola de Sagres"’ e também possuir uma posição geográfica privilegiada.

26. (UFPR) Comente a relação entre expansão marítima e formação dos Estados Nacionais no início da "Época Moderna".


resposta:
Antes da formação dos Estados Nacionais, os reinos eram constituídos por feudos.A expansão marítima permitiu o acúmulo de riquezas por causa do fortalecimento do comércio e também pela pilhagem de riquezas, ouro e prata, das colônias. A concentração de riquezas nas mãos de um só rei permitiu reunir aqueles antigos feudos em uma nação única. Surgem assim os Estados Nacionais e o Absolutismo.

27. (Unesp) "A conquista de Ceuta foi o primeiro passo na execução de um vasto plano, a um tempo religioso, político e econômico. A posição de Ceuta facilitava a repressão da pirataria mourisca nos mares vizinhos; e sua posse, seguida de outras áreas marroquinas, permitiria aos portugueses desafiar os ataques muçulmanos à cristandade da Península Ibérica."
(João Lúcio de Azevedo. "Época de Portugal econômico: esboços históricos".)

De acordo com o texto, é correto interpretar que:
a) a expansão marítima portuguesa teve como objetivo expulsar os muçulmanos da Península Ibérica.
b) a influência do poder econômico marroquino foi decisiva para o desenvolvimento das navegações portuguesas.
c) o domínio dos portugueses sobre Ceuta era parte de um vasto plano para expulsar os muçulmanos do comércio africano e indiano.
d) a expansão marítima ibérica visava cristianizar o mundo muçulmano para dominar as rotas comerciais africanas.
e) o domínio de territórios ao norte da África foi uma etapa fundamental para a expansão comercial e religiosa de Portugal.


resposta:[E]

28. (Unirio) O monstrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergue-se a voar,
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar, E disse,
"Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?
E o homem do leme disse tremendo,
El-Rei D.João Segundo"
(Fernando Pessoa. POEMAS ESCOLHIDOS. Ed. O Globo, 1997, p.150)

A epopéia marítima portuguesa, descrita pelo poeta, foi revestida de ousadias e destemores, no entanto, ela só foi possível porque Portugal, antes de outros países europeus, reuniu as necessárias condições para a conquista dos mares. Cite e explique duas precondições que possibilitaram o pioneirismo português no processo de expansão marítima.


resposta:
Vários fatores explicam o pioneirismo português no processo de expansão marítima, entre eles a rápida formação de uma burguesia comercial, a precoce centralização política e a dinastia que apostava na expansão comercial.

29. (Uerj) Ao chegar a Calicute, em 1498, o navegador português Vasco da Gama aguardou que embarcações locais se aproximassem das naus e mandou um membro da tripulação para terra, o degredado João Nunes. Este encontrou no porto dois comerciantes tunisinos, que sabiam falar castelhano e genovês, travando o seguinte diálogo, registrado por um português anônimo: - Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá? E perguntaram-lhe o que vínhamos buscar tão longe. E ele respondeu: - Vimos buscar cristãos e especiaria.
(Adaptado de VILLIERS, John. Vasco da Gama, o Preste João das Índias e os cristãos de São Tomé. In: "Oceanos: Vasco da Gama". Lisboa , 1998.)

a) Justifique por que "buscar especiaria" foi uma importante motivação econômica da Expansão Marítima portuguesa.
b) Identifique duas ações voltadas para a expansão da fé cristã, que tenham sido empreendidas pelos portugueses nos seus domínios coloniais.


resposta:

a) "Buscar especiaria" foi uma importante motivação econômica da Expansão Marítima portuguesa porque havia grande interesse nesses produtos, originários do Oriente, pela Europa, em função das suas propriedades de conservação dos alimentos.
b) Duas dentre as ações de cristianização:
- ação dos jesuítas
- construção de igrejas
- catequese das populações indígenas
- trabalho missionário de várias ordens religiosas
- monopolização do ensino por clérigos católicos


30. (Uff) A expansão marítima dos Estados Ibéricos, no fim do século XV, é o grande evento associado aos Tempos Modernos. Entretanto, para esses Estados, os resultados econômicos e políticos nem sempre representaram sua entrada nesse Novo Tempo. Essa afirmação indica que por mais ricos que Portugal e Espanha fossem, sua história não pertenceria à história da Europa Moderna.

Com base no texto, explique o porquê dos Estados Ibéricos não terem sido considerados como padrões para o desenvolvimento da Europa Moderna.


resposta:
A resposta deve partir da ideia de que as práticas mercantis ibéricas não se configuraram como formas de acumulação capitalista e assim acentuavam a dimensão da circulação de mercadorias e não da produção, transformando esses Estados em presas fáceis de crise, especialmente, porque a base do equilíbrio econômico e da riqueza eram as áreas coloniais, que requeriam muitos recursos. Outro aspecto importante era a presença da Igreja e a devoção dos ibéricos ao catolicismo que não permitiu a entrada das reformas protestantes e com elas a de valores que poderiam alterar a história ibérica. Todos esses aspectos levaram à conclusão de que os Estados Ibéricos, mesmo tendo um enorme desenvolvimento econômico, não conseguiram se libertar das tradições religiosas medievais que auxiliaram, também, no processo de concretização da centralização política em Portugal e Espanha.
Outro aspecto que poderá ser destacado é o processo de inflação, provocado pelo aumento de preços dos produtos agrícolas, em função da entrada de metais preciosos na Europa, o que favorecia principalmente os Estados que haviam investido na alteração dos mecanismos de produção de mercadorias, como os ‘cercamentos’ na Inglaterra.
Tudo isso diminuía a capacidade de acumulação de riquezas, dos Estados Ibéricos. A resposta, também, poderá explicar a situação interna dos Estados Ibéricos, chamando atenção para as desigualdades entre campo e cidade e o que isso representou como obstáculo à produção interna.

31. (UFRRJ) Leia o texto adiante sobre a expansão comercial e marítima portuguesa e, com base nele, responda às questões a seguir. Em 1498, o português Vasco da Gama consegue chegar a Calicute, nas Índias, contornando o Cabo da Boa Esperança. Em seguida, as frotas portuguesas procuraram estabelecer um maior controle do oceano Índico. À medida que as rotas de navegação se consolidam, Portugal centraliza o comércio das especiarias alterando o papel a ser desempenhado pelas cidades de Gênova e Veneza. 
THEODORO, J. "Descobrimentos e Renascimento". São Paulo: Contexto, 1991. p. 20.

a) Mencione duas razões que explicam o pioneirismo português nas navegações e descobrimentos dos séculos XV e XVI.
b) Estabeleça uma relação entre práticas mercantilistas e a assim chamada expansão comercial e marítima.


resposta:

a) O pioneirismo português nas Grandes Navegações pode ser explicado pela centralização política precoce de Portugal no contexto da Guerra de Reconquista contra os mouros (muçulmanos) na Península Ibérica. Além disso, ocorreu a consolidação e o fortalecimento do Estado Nacional com a Revolução de Avis (1383-1385) que promoveu uma aproximação entre o rei e a burguesia mercantil, condição que assegurava o gerenciamento da empreitada por parte do Estado e os recursos financeiros junto aos burgueses.

b) As conquistas decorrentes da Expansão Marítima e Comercial proporcionaram a possibilidade de aumento dos lucros para a burguesia mercantil e o aumento da arrecadação de impostos pelo Estado, adequando-se assim, à política econômica mercantilista.