Excepcional filme, cativa até
hoje o espectador do início ao fim. Possui a clássica cena da escadaria de
Odessa. Um marco da história do cinema.
Em 1905, na Rússia czarista,
aconteceu um levante que pressagiou a Revolução de 1917. Tudo começou no navio
de guerra Potemkin quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados,
sendo que até carne estragada lhes era dada com o médico de bordo insistindo
que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros se recusam em comer
esta carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles. A tensão
aumenta e, gradativamente, a situação sai cada vez mais do controle. Logo
depois dos gatilhos serem apertados Vakulinchuk (Aleksandr Antonov), um
marinheiro, grita para os soldados e pede para eles pensarem e decidirem se
estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e então
abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e
provoca uma revolta no navio, na qual o marinheiro é morto. Mas isto seria
apenas o início de uma grande tragédia.
TÍTULO DO FILME: CABRA MARCADO
PARA MORRER (Brasil, 1984) DIREÇÃO: Eduardo Coutinho
ELENCO: Elisabeth Teixeira e
família, João Virgínio da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco).
Narração de Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho. 120 min., Globo
Vídeo.
RESUMO
Em fevereiro de 1964 inicia-se a
produção de Cabra Marcado Para Morrer, que contaria a história política do
líder da liga camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em
1962. No entanto, com o golpe de 31 de março, as forças militares cercam a
locação no engenho da Galiléia e interrompem as filmagens.
Dezessete anos depois, o diretor
Eduardo Coutinho volta à região e reencontra a viúva de João Pedro, Elisabeth
Teixeira -- que até então vivia na clandestinidade -- e muitos dos outros
camponeses que haviam atuado no filme antes brutalmente interrompido.
CONTEXTO HISTÓRICO
As Ligas Camponesas vinham sendo
criadas desde meados dos anos 50 com o objetivo de conscientizar e mobilizar o
trabalhador rural na defesa da reforma agrária. Durante o governo de João
Goulart (1961-64), o número dessas associações cresceu muito e, junto com elas,
também se multiplicavam os sindicatos rurais. Os camponeses, organizados nessas
ligas ou em sindicatos ganharam mais força política para exigir melhores
condições de vida e de trabalho.
A renúncia de Jânio Quadros em 25
de agosto de 1961, após apenas sete meses de governo, abriu uma grave crise
política, já que seu vice, João Goulart, não era aceito pela UDN e pelos
militares, que o acusavam de promover agitação social e de ser simpático ao
comunismo. Assim como esses setores eram contrários à posse de Jango, existiam
outros que defendiam o cumprimento da Constituição, como o governador do Rio
Grande do Sul, Leonel Brizola.
O impasse foi resolvido com a
adoção do regime parlamentarista de governo, aprovado pelo Congresso. Com esse
regime, Jango era apenas chefe de Estado, sendo que o poder efetivo de decisão
estava nas mãos de um primeiro-ministro escolhido pelos deputados e senadores.
Diante da crise econômica, o
regime parlamentarista imposto pelos conservadores, se mostrava ineficiente,
com a sucessão de vários primeiros-ministros, sem que a crise fosse atenuada.
Esse cenário fortalecerá o restabelecimento do presidencialismo, conquistado
através de um plebiscito em 6 de janeiro de 1963. Reassumindo a plenitude de
seus poderes, Jango lançou as reformas de base apoiadas por grupos
nacionalistas e de esquerda.. Elas incluíam a reforma agrária, a reforma do
sistema bancário, a reforma tributária e a reforma eleitoral.
Muitos comícios foram organizados
em apoio às reformas, destacando-se um comício-gigante realizado na Central do
Brasil do Rio de Janeiro em 13 de março. A mobilização popular nos comícios
assustava as elites que, articuladas com as forças armadas e apoiadas pelos
setores mais conservadores da Igreja, desferiram um golpe de Estado em 31 de
março de 1964.
No dia seguinte, o controle dos
militares sobre o país era total e, no dia 4, Goulart se auto-exilou no
Uruguai, sem impor qualquer resistência aos golpistas, temendo talvez o início
de uma guerra civil no país.
Iniciava-se assim um dos períodos
mais obscuros da história do Brasil, com 21 anos de ditadura militar que
promoveu uma violenta onda de repressão sobre os movimentos de oposição, além
de ter gerado uma maior concentração de renda, agravando a questão social,
produzindo mais fome e miséria. Os "anos de chumbo" da ditadura
ocorreram após o AI5 (Ato Institucional número 5), no final do governo Costa e
Silva (1968), estendendo-se por todo governo Médici (1969-1974).
Durante a Segunda Guerra Mundial,
uma família alemã se muda de Berlim para Auschwitz, quando o patriarca é
ordenado a trabalhar em um campo de concentração. Assim, Bruno, um garoto de 8
anos e filho do oficial, começa uma linda amizade com um menino judeu da mesma
idade. O filme mostra o modo como o preconceito, o ódio e a violência afetam
pessoas inocentes, especialmente as crianças.
As mais diferentes visões do
trágico período do nazismo, que deixou uma cicatriz indelével na história
contemporânea, já ganharam espaço em inúmeros filmes. O Menino do Pijama Listrado
tem na manga o trunfo de explorar de maneira única a forma como um menino de
oito anos enxerga o envolvimento de sua família no regime nazista. O
diferencial acaba fazendo com que ele se destaque dentre outros dramas com
temática semelhante.
Baseado no livro homônimo do
irlandês John Boyne, O Menino do Pijama Listrado é dirigido e roteirizado por
Mark Herman (Hope Springs: Um Lugar Para Sonhar) e acompanha a história de
Bruno (Asa Butterfield). Aos oito anos, ele parece ser um pouco mimado e
alienado demais. Em meio à Segunda Guerra Mundial, em Berlim - onde o nazismo
encontra seu terreno mais fértil -, o menino acompanha de longe as atividades
do pai (David Thewlis), um destacado militar do exército de Hitler. Sua mãe
(Vera Farmiga) acompanha com pouco entusiasmo as atividades do marido,
diferentemente da irmã do menino, Gretel (Amber Beattie).
Quando a família é obrigada a se
mudar para uma cidade no interior da Alemanha por conta das responsabilidades
do pai junto ao regime nazista, Bruno se vê sozinho em meio a um ambiente
inóspito. Sem freqüentar a escola, sente falta dos amigos e de pessoas de sua
idade com quem possa brincar. Normal. Com sua natural curiosidade infantil, vê
da janela de seu quarto algo que parece ser uma fazenda, onde os fazendeiros
usam pijamas listrados. Ou seja: um campo de concentração, o qual o menino é
incapaz de identificar, mesmo com tamanha proximidade com o regime nazista.
Bruno demora a descobrir as atrocidades que ocorrem lá e, com sua ingenuidade
extrema - muitas vezes irritante -, explora os arredores e acaba ficando amigo
de Shmuel (Jack Scanlon), menino judeu preso no campo. A amizade se desenvolve
tendo como separação a cerca eletrificada que separa esses mundos tão distintos
na aparência, mas tão semelhantes em sua essência.
Por meio de sua história, não é
difícil saber que O Menino do Pijama Listrado é um drama pesado, daqueles de
fazer os espectadores fungarem no cinema. O tema já é pesado e a forma como ele
é apresentado por meio desta trama já bastam para comover o público. Mas o que
faz toda a diferença é a visão infantil do protagonista em relação a essa
situação tão revoltante e trágica. A direção é clássica e a trilha sonora é
mais presente do que o necessário, o que pode incomodar, mas não compromete. No
fundo, a verdadeira força de O Menino do Pijama Listrado é a história que o
longa se propõe a contar. É um dramalhão realizado de forma competente, no
mínimo.
O filme mostra a história dos
imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil no início do século 20. Uma garota
japonesa vem para o Brasil em busca de uma vida melhor e passa a trabalhar numa
plantação de café. Tristemente, a moça percebe que os homens são tão
exploradores na América do Sul quanto no Japão.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O Cavaleiro e o Dragão
uma aventura repleta de fantasia no tempo das Cruzadas
Baseado na lenda de São Jorge (George), patrono da Inglaterra. Uma missão, um cavaleiro e uma linda mulher numa aventura emocionante. George está voltando da batalha que mudou a Europa transformando-a numa terra sem lei depois das Cruzadas. George (Purefoy), um simpático cavaleiro inglês, horrorizado pela insana carnificina que testemunhou na Palestina após à primeira cruzada, decide aposentar sua espada e se estabelecer num lugar quieto e pacificar sua vida. Ao retornar à Inglaterra, encontra o bondose rei Edgaar (Callow) profundamente aflito, uma vez que sua bela filha, Lunna (Perabo), desaparecera recentemente. Então o bravo cavaleiro se oferece para resgatar a princesa e trazê-la de volta sã e salva.
Sinopse: A primeira cruzada para livrar a Terra Santa terminou. Uma multidão de cavaleiros, escudeiros, soldados da fortuna e padres está tentando voltar para casa através duma Europa que mudou para sempre. Uma era de lendas e mistérios está para se formar. George (Purefoy), um simpático cavaleiro inglês, horrorizado pela insana carnificina que testemunhou na Palestina, decide aposentar sua espada e se estabelecer num lugar quieto e pacificar sua vida. Ao retornar à Inglaterra, George dirige-se para o norte pois ouvira dizer que a terra era boa, e a população pouca, sob um bondoso rei chamado Edgaar (Callow). Pela recompensa de uma pequena porção de terra, George concorda em procurar a Princessa Lunna. Com o fiel servidor do rei Edgaar, Elmendorf (Bill Treacher), George parte. George descobre tanto a princesa quanto a verdade acerca de seu estranho desaparecimento. A busca a que ambos se consagram, então, termina num amor, numa mentira e numa lenda que tem durado mais de mil anos.
Título do filme: O Cavaleiro e o Dragão (George and the Dragon – 2004)
Elenco: James Purefoy (George), Piper Perabo (Princesa Lunna), Simon Callow (Rei Edgaar), Michael Clarke Duncan (Tarik), Joan Plowright (Madre Superiora), Patrick Swayze (Garth), Bill Treacher (Elmendorf), Caroline Carver (Irmã Ângela), Jean-Pierre Castaldi (Padre Bernard)
sábado, 12 de setembro de 2009
Gladiador poder e honra no Império Romano
TÍTULO DO FILME: GLADIADOR (Gladiator, EUA, 2000)
DIREÇÃO: Ridley Scott
ELENCO: Russel Crowe, Joaquin Phoenix, Richard Harris, Connie Nielsen, Oliver Reed, Derek Jacobi, Ralph Moeller, Spencer Treat Clark; 154 min.
RESUMO
O ano é 180 e o general romano Máximo (Russel Crowe), servindo ao seu imperador Marco Aurélio (Richard Harris), prepara seu exército para impedir a invasão dos bárbaros germânicos. Durante o combate, Máximo fica sabendo que Marco Aurélio, já velho e ciente de sua morte, quer lhe passar o comando do Império Romano. A trama onde Cômodo (Joaquin Phoenix), filho do imperador, mata o pai, assumindo o comando do Império, não é historicamente verídica. Na verdade, Cômodo assumiu quando seu pai morreu afetado por uma peste, adquirida durante uma nova campanha no Danúbio.Enquanto Cômodo assume o trono, Máximo que escapa da morte, torna-se escravo e gladiador, travando batalhas sangrentas no Coliseu, a nova forma de divertimento dos romanos. Máximo, disposto a vingar o assassinato de sua mulher e de seu filho, sabe que é preciso triunfar para ganhar a confiança da platéia. Acumulando cadáveres nas arenas o gladiador luta por uma causa pessoal, de forma quase que solitária e leva benefícios ao povo, submetido pela política do "pão e circo"."Nesta vida ou na próxima eu terei minha vingança". Máximo sabe que o controle da multidão será vital para que possa arquitetar sua vingança, que culmina em um combate com o próprio Cômodo.
CONTEXTO HISTÓRICO
O Império, terceira e última etapa na história da civilização romana, foi antecedido pelos períodos monárquico (753-509 a. C.) e republicano (509-27 a . C.). Trata-se do maior e mais duradouro Império da história universal, estendendo-se pela Europa, norte da África e Ásia no Oriente Próximo desde 27 a C. até 476 na porção ocidental e até 1453 na porção oriental. Durante o Império consolida-se o Modo de Produção Escravista, que se desenvolve até o século III, quando problemas estruturais, marcam o início da crise do escravismo, e conseqüentemente do próprio Império. O agravamento provocado pelas invasões bárbaras culminou com a tomada de Roma pelos ostrogodos no século V.O filme insere-se no contexto do Baixo Império, caracterizando o governo de Marco Aurélio (161-180), tendo como principal cenário o monumental Coliseu, anfiteatro romano, cujo nome vem da estátua colossau (colossoe) de Nero, que se achava nas proximidades. Iniciado no governo do imperador Vespasiano e concluído no de Tito em 80 d. C., o coliseu abrigava até 100 mil pessoas, sendo utilizado para combate de gladiadores e também, para o martírio de inúmeros cristãos. Esses durante séculos, foram discriminados e perseguidos pelos romanos, para posteriormente serem aceitos, quando o Edito de Milão publicado em 313 pelo imperador Constantino, concedeu liberdade de culto. Décadas depois, o imperador Teodósio oficializava o cristianismo como religião do Império, publicando o Edito de Tessalônica em 390.Se inicialmente a retração militar pouco afetou a vida do Império, o fim das guerras de conquista acabou por gerar um processo inflacionário que corroeu a economia romana. A diminuição do afluxo de riquezas e a falta de mão-de-obra escrava, além da corrupção, cada vez maior nos altos cargos do Império, caracterizam uma realidade de profunda crise, que se reflete com as divisões políticas (tetrarquias e depois em Ocidental/Oriental) e com a própria difusão do cristianismo, já que o Império debilitado em sua infra-estrutura e dividido politicamente, não tinha mais forças para resistir a uma religião em que cerca de 1/3 de sua população já havia aderido.O filme enquadra-se nesse processo de crise do Império Romano, quando durante o governo do imperador Marco Aurélio iniciam-se as invasões bárbaras, que irão se estender até a queda de Roma em 476. Apesar de ter consolidado a centralização administrativa e hierárquica das funções, interpretando as leis com um sentido mais humanitário, Marco Aurélio não poupou os cristãos de terríveis perseguições. Enfrentou também uma peste, que agravou ainda mais os problemas sociais, desdobrando-se em freqüentes sublevações, como na Gália e no Egito.Aproveitando-se da debilitação de Roma, as tribos bárbaras vizinhas começaram a assaltar as fronteiras do Império. Os partos (da Pérsia), penetraram na Síria, sendo derrotados pelos generais de Marco Aurélio. Mais grave para os debilitados romanos foi a longa guerra contra as tribos que habitavam as fronteiras do Danúbio. Os germanos foram expulsos da Itália e empurrados para além do Danúbio. Contra os marcomanos, os iaziges e os quados, Marco Aurélio conduziu pessoalmente as campanhas do Danúbio. A paz foi assinada em 175 e pela primeira vez, os bárbaros foram recebidos como colonos ou como soldados do Império. Com o rompimento da paz, Marco Aurélio empreendeu uma nova campanha no Danúbio (177-180), no curso da qual morreu de peste, deixando o poder a seu filho Cômodo, retratado no filme de maneira demasiadamente maniqueísta, frente ao herói gladiador.
Há grandes qualidades no que se refere a reconstituição histórica que compõe o pano de fundo desse épico, cenas como a do retorno do novo imperador (Comodus) a Roma, depois das batalhas vencidas contra os germânicos ou mesmo do confronto inicial entre os comandados de Maximus e os bárbaros numa floresta são muito bem montadas, constituem recurso para encantar os alunos e desenvolver atividades durante umas boas aulas. As disputas políticas entre senadores e o imperador, o pão e circo, a guarda pretoriana e as incríveis lutas de gladiadores também. Pode-se utilizar o filme para estimular o estudo do exército romano e suas estratégias, a organização das cidades romanas (especialmente da cidade eterna, Roma), o sistema de trabalho adotado pelo Império, as crises geradas pelo advento de escravos, o motivo pelo qual se adotaram os jogos como uma atração para a plebe,...
As questões éticas também podem gerar boas discussões, especialmente se houver a curiosidade dos alunos no sentido de descobrir se os grandes generais e imperadores eram realmente tão virtuosos... Gladiador é realmente imperdível, e mesmo para os que já viram, sem dúvida, vale a reprise. Nas aulas, a companhia de Maximus, Comodus e companhia tornam o estudo da Roma antiga um grande prazer.